terça-feira, 16 de outubro de 2012

ISTO é ARTE – 049




ESTILO : 
COERÊNCIA da ORGANIZAÇÃO.

“ O ecletismo  é  acomodatício e máscara de todas as covardias”. - 
                                                                    [in Andrade 1955, fl. 13] 

BONECO TATU da COPA ou COCA DERRUBADO 04.10.2012 23h00 Globo em 05.10.2012.
Fig. 01 -  O “TATU BOLA” constitui  uma obra  realizada sem concurso público, sem um projeto aprovado lei aparece em lugar privilegiado em BRASÍLIA atropelando toda coerência da cidadania e de uma sociedade que se conduz pelo contrato público.  No aspecto esportivo contraria todos os símbolos nacionais, com camiseta vermelha, com um logo de uma empresa americana e o boneco produzido, e fornecido, pela Itália, terra do Pinóquio.  Estilisticamente o seu aspecto formal contraria as características que se associa a um atleta de alto desempenho esportivo. O seu fim foi coerente com todos estes atropelos da cidadania, dos contratos públicos, da estica e do desempenho que aparentemente desejava simbolizar.

O estilo é a culminância da coerência interna e externa a uma obra de Arte. Quando se pode atribuir um determinado estilo uma obra de arte, ela torna-se legível e ganha personalidade própria. Como tal flui no campo da Comunicação humana. Por meio do estilo uma obra - que de se deseja de Arte - atinge a culminância na qual o mínimo da forma é portador de máximo de conteúdo.  Coerência entre o suporte físico de um pensamento (SAUNDERS, 1984).  No âmbito de um determinado estilo a forma sensível aos humanos é portadora de um sentido imaterial. Esta coerência é o objetivo e a culminância  de todo o processo criativo. Na contramão o ecletismo é o processo e contenta-se com o objetivo e o projeto de juntar partes para constituir um todo. Processo que possui o grande obstáculo de não evidenciar uma coerência formal e conceitual para constituir unidade e assim evitar as armadilhas e ruídos para o observador. Armadilhas e ruídos que perturbam o processo recepção das deliberações e das tomadas de decisões no momento da criação desta obra.

Fig. 02 -  A “NEVE em BRASÍLIA” como o “TATU BOLA” constitui  outra obra  realizada sem se conheça o concurso público que o selecionou. Nem o seu  projeto aprovado lei que permita a sua colocação em lugar privilegiado. Uma obra destas atropela toda coerência da cidadania e é índice de uma sociedade que se conduz sem lei, projeto ou coerência pelo contrato público.  Gritante a agressão ao urbanismo e a estética da capital federal e um mau exemplo generalizável para outras temeridades e barbáries estéticas. Certamente estes eventos reforçam e legitimam as corrupções econômicas e morais que assolam a cultura brasileira em todas as latitudes e tempos

No presente texto que estamos evidentemente no espaço da linguagem, da semiótica e dos conceitos teóricos em relação à Arte. Porém Wittgenstein avisava “os limites da minha fala significam os limites do meu mundo” no seu “Tractatus philosophicus”. Isto apesar de Johann von Goethe ter constatado antes que “as pessoas tendem a colocar palavras onde faltam ideias” . A partir deste paradoxo partimos para examinar as forças da Arte na qual “alguns colocam formas sensíveis na falta de ideias”. Certamente nesta falta de ideias os limites das forças da Arte se aniquilam e apenas produzem trabalhos sujeitos à entropia e o ruído semiótico. O estilo, como Arte, Beleza, Democracia, Autonomia constituem entes primitivos dos quais todos falam sem poderem estabelecer uma definição unívoca, linear e fixa.

Fig. 03 -  O “SÍTIO do PAPAI NOEL” no PALÁCIO PIRATINI  derrama, no espaço público de Porto Alegre, a incoerência da  “NEVE em BRASÍLIA” e do “TATU BOLA”. Incoerências destas, além de agredir a austera e solene arquitetura oficial, descartam todos os profissionais das Artes, da Arquitetura e do Urbanismo além dos autênticos comunicadores de um projeto político coerente com o Poder Originário. A vontade de surpreender é uma das grandes armas dos delinquentes e assaltantes. Argumentar que foram momentos infelizes e eventuais só piora o erro estilístico. Estas erupções pontuais em espaços públicos são índices que evidenciam e materializa uma cultura de submissão, heteronímia e de um colonialismo capitalista consumista. Revelam um contínuo cultural que não se reverte tão facilmente, como alguns julgam precipitadamente, sem o apoio de um projeto definido e sustentável por um hábito de integridade intelectual.

A sentença “ESTILO ECLÉTICO” constitui um atentado contra a ARTE. O filosofo e esteta Carlos Scarinci ao repassar a cadeira de Introdução à Arte insistia que desenvolvesse o tema do ESTILO em todas as direções e dimensões. Esta exigência faz sentido na medida em que uma obra de Arte atinge a coerência plena entre TODOS os seus componentes. Porém a simples junção de parte não vai muito além de um Frankenstein que carece de alma e de pensamento próprio, inovador e verdadeiro.

Damien HIRST, - 1965 - Bezerro de Ouro 2008 - vendido por 16.5 milhões de dólares
Fig. 04 -  O “BEZERRO  de OURO” do artista Damien Hirst, apresentado em 2008, vendido, em LONDRES,  por 16 milhões e meio de dólares– constitui outra obra que se sustentou uma serie de outros projetos que tentavam plagiar a formula de sucesso inicial. Porém a mágica da surpresa não se sustentou nestes autoplágios e incoerências. definidos e sustentáveis por um hábito de integridade intelectual ou coerência. Veja em: “Damien HIRST como desgraça nacional”: http://www.guardian.co.uk/artanddesign/jonathanjonesblog/2012/aug/30/damien-hirst-national-disgrace
A Arte é ciumenta e não tolera interferência mesmo de outra manifestação estética. Uma manifestação é “ruído” para outra.
Como a “Arte está em quem a produz e não no que produz” (Aristóteles), o ecletismo centra-se apenas naquilo que é produzido. Esta produção, sendo externa ao seu autor, além do risco do ecletismo corre solta, sem um nexo interno. Assim é anacrônica do tempo real e se dessincroniza do ato da criação.
HARANG CABASSON Guillaume - Apoteose de Napoleão III - 1854
Fig. 05 -  NAPOLEÃO III no CEU é uma das obras dos pintores “pompiers” de uma narrativa laudatória que busca símbolos, lugares e trajes de uma cultura e de uma época imaginada. Este quadro 1854,  tornou-se incoerente, especialmente quando este imperador foi derrotado, na batalha de Sedan, em setembro de 1870, para a Alemanha e a cena humilhantes deste Imperador dos franceses rendendo-se à maquina bélica germânica de Bismark. Escondendo e omitindo a realidade inconveniente esta pintura no máximo pode ser inscrita nas forças do marketing e propaganda estatal. Marketing e propaganda completamente distinto da publicidade comandada por um hábito de integridade intelectual, mesmo da parte de quem ocupa os mais altos cargos e funções públicas de um Estado, por mais poderoso e instrumentalizado que seja sua base

A obra de Arte se completa no observador. Se este receptor se defronta com uma criação - que não é portadora do pensamento e da vida do seu autor - esta mensagem é imponderável,  incompleta ou equivocada.
O ecletismo resulta da preguiça mental e moral, da facilidade acomodatícia e do rebanho do gosto comum

Fig. 06 -  Os HORRORES da GUERRA CIVIL ESPANHOLA,  de 1936-1939, foram seguidos da monstruosa obra do VALE dos CAÌDOS.  Obra que esconde, omite a realidade inconveniente e busca,  pelas forças do marketing e propaganda estatal, substituir esta memória por outra conveniente ao estatismo centralista e surpreendente pela gigantismo desmesurado. Se quem ocupa os mais altos cargos e funções públicas de um Estado necessita propor um projeto civilizatório compensador, não cabe a estes cargos e funções estatais romper com a coerência do  hábito de integridade intelectual proveniente das forças do Poder Originário.

Historicamente o ecletismo surge nos períodos de crise e nos quais os valores não são unívocos, lineares e contratualmente aceitos pela maioria. A crise moral, da identidade e da economia leva a Arte a produzir obras cujos limites estéticos são pouco claros.
A tese que contraria o senso comum torna-se um problema para quem a propõe, como já advertia Aristóteles. Este proponente necessita ter um projeto, um caminho mental, pelo qual irá conduzir o seu raciocínio e enfrentar a Natureza e o empirismo de quem se aferra ao senso comum. Este projeto foi uma das características de cientistas, de profetas e de artistas e pelo qual pagaram altos preços, trabalhos e até a própria vida.
Na contramão, o ecletismo - de quem se aferra à Natureza dada, ao empirismo e ao senso comum - descamba para a contrafação, o pastiche até as raias do crime quando um autor força o seu tempo e lugar e perde o contato com a sua realidade. Esta alienação da realidade certamente é doentia e entra no campo da patologia psíquica, moral e estética. 

TENIERS David - Arquiduque da Áustria -   1647
Fig. 07 -  Os QUADROS e os seus ESTILOS transformaram num acúmulo de  SUPER MERCADO quando perderam a sua função. A era industrial transformou este acúmulo na lógica em museus de arte e o conectaram à função não só de uma posse simbólica do Estado Nacional além de uma âncora de uma poderosa indústria cultural. Contudo antes faltava este projeto e a mentalidade  que forneceu coerência e lógica da “posse simbólica” da qual a era industrial era portadora.

O trabalho, a atenção e a sensibilidade - para o seu tempo e lugar - são condições para gerar um estilo. O primitivo homem refugiado nas cavernas fechadas, ou o pastor em contato com a Natureza aberta ou o agricultor auscultando a fertilidade da Terra gerara obras de Arte que  possuem estilo coerente com as circunstância de sua origem.

Benvenuto CELLINI (1500-1571) - Saleiro c. 1540
Fig. 08 -  O SALEIRO que Benvenuto CELLINI elaborou com o objetivo de AGRADAR o REI da Áustria,  revela a imensa capacidade técnica e formal do artista do Maneirismo. Contudo a  coerência entre uma função deste objeto utilitário e a elaborada confecção física  mantém uma tensão não resolvida.

A criatura humana, em todas as épocas de sua existência, distinguiu-se pela sua historicidade. Esta criatura humana torna-se histórica na medida dos seus projetos. Projetos que o distinguem da Natureza, do Tempo e do lugar. Mesmo uma narrativa histórica possui um sentido e um rumo desde o seu primeiro momento de elaboração oral, escrita ou visual como ensina (1976, pp. 60/61) Marc Bloch,
“A investigação histórica admite, desde os primeiros passos, que o inquérito tenha já uma direção. De início está o espírito. Nunca, em ciência alguma, foi fecunda a observação passiva. Supondo, aliás, que seja possível”.                 
                                       Marc Bloch 1976, pp. 60/61.[1].
O cineasta Glauber Rocha resumia: “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. O muralista Aldo Locatelli exemplificava esta deliberação e decisão inicial de uma obra que nasce dum esboço ao qual o seu autor necessita ser fiel ao longo da elaboração física da obra definitiva.



[1] BLOCH, Marc (1886-1944)  . Introdução à História.[3ª ed] Conclusão de Lucian FEBVRE - .Lisboa :Europa- América  1976  179 p.


MABUSE - Jan Gossaer 1478-1533- Netuno e Amphitrite 1516
Fig. 09 -  A estranha obra Netuno e Amphitrite, do artista conhecido com o apelido MABUSE evidencia a vontade de mostrar maestria técnica. Esta obra anterior ao SALEIRO que Benvenuto CELLINI mergulha nesta mesma confusão estilística e deixa pouco espaço para a coerência entre os meios formais com um projeto de transmitir um pensamento inerente ao tema proposto.

Esta fidelidade e coerência com o seu projeto é que conduz o processo e trabalho. Trabalho ao qual o artista se entrega sem descanso, dia e noite, sem fim de semana, férias ou aposentadoria. Ele também está impedido de pedir perdão por uma obra sua eventualmente malograda. Cabe-lhe apenas voltar ao seu projeto inicial verificar os tropeços nas suas deliberações e decisões subsequentes a esta origem, e recomeçar do início, se ainda tiver tempo, sobrarem meios e coragem. Quanto mais evidente e claro for este projeto inicial  mais facilidade terá para perceber e avaliar os seus próprios equívocos.
- TOURO FARNÉSIO -  Apolonio e Taurisco c. 150 a.C -b
Fig. 10 – A escultura “TOURO FARNÈSIO” – é uma obra grega nitidamente sob a heteronímia do poder das armas, dinheiro e comercio dos romanos. Obra realizada como toda habilidade e tecnologia para embasbacar, surpreender e agradar os donos do poder, Estes a levaram para Roma para enfeitar uma das suas “vilas”. Evidente que o dominador agraciado manifestou a sua falta de cultura estética e percebeu apenas aquilo que estava buscando, ou seja, nada mais do que “o poder pelo poder”.

Povos e culturas na heteronímia política também não possuem direito à autonomia estética. A sua Arte que poderia ser interpretada como expressão de sua soberania própria. O máximo que lhes resta é um ecletismo no qual tentam disfarçar a sua antiga soberania e direito a um estilo. Isto aconteceu no Egito do período ptolomaico ou na própria Grécia Helênica dominada pelos romanos. O ecletismo estético subliminar foi uma poderosa ferramenta dos regimes colonialistas e que impunha um CONSERVADORISMO que os dominadores queriam como perpétuo. Dominadores que impunham - não só as suas armas e a superioridade bélica -  mas tentavam se naturalizar nos povos e nas terras conquistadas por meio dos seus gostos, costumes e hábitos adquiridos e cultivados alhures. O subordinado e subjugado tentava resistir mental e psicologicamente.
Fig. 11 -  Da mesma época e tendência eclética e pela mesmas razões políticas  o HERCULES figura também na coleção FARNESIA no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles . 

 A cultura brasileira esteve mergulhada num perigoso ecletismo, ao longo do regime colonial.  O Brasil lusitano foi um caldeirão no qual ninguém se reconhece de fato e de direito.  O dominador europeu trouxe o cativo africano de variadas, e proveniente de distintas e contraditórias identidades. O indígena isolou-se diante do europeu e do africano. Como não é possível, até o presente, qualquer pacto proveniente do Poder Originário, grassa o mais puro legalismo e populismo.  Esta carência de um pacto nacional deu margem a maior confusão estilística. De outro lado esta lacuna propiciou a mais elementar carência de uma sanção moral e estética. Os argumentos para NÃO MUDAR o regime a lei precede as deliberações, decisões e os próprios atos. Esta situação perdura no Brasil até o presente, por pior que fosse o regime colonial, por mais injusta escravidão legal vigente e as favelas que coroam e contaminam os maiores centros urbanos. Contudo uma vez conquistada a soberania e a liberdade servil, estes mesmos arautos das MUDANÇAS tornam-se os maiores paladinos do CONSERVADORISMO. Para estes o poder deixa de circular, uma vez que eles conquistam o poder, um cargo ou uma posição de destaque. Este conservadorismo e inércia militante ensejam, espaço e condições, para o surgimento de um novo contestador da ordem estabelecida, um novo profeta ou revolucionário radical. Este é logo identificado,  desqualificado ou morto no horrendo cortejo puxado por Zumbi dos Palmares, Antônio Conselheiro ou das diversas encarnações de João Maria. Os fingidos compungidos,  do mal feito, encenam atos, estetizam os seus próprios atos e produzem caudais de produtos para alimentar indústria cultural.

Fig. 12 -  Ainda sob a profunda depressão da perda de sua autonomia, o artista grego se refugia no deboche, no hedonismo e no álcool. Como este tipo de manifestação não atentava e atingia o poder das armas, do dinheiro e do comercio dos romanos era não só tolerada, mas a sua produção estimulada e regiamente paga. Servia para distrair os seus subordinados de algo sério e crucial que era sua potencial capacidade da busca do poder político.

As armas para quem quer mudar por mudar é a prédica da insegurança no presente e do futuro incerto. A ideologia da moralidade interessa na medida em que esta aparência imaculada pode escamotear e esconder o risco de alguém empolgar o seu poder político, econômico e estético que pretendem manter favorável a eles.
 A Arte não é só beleza plástica, visual ou aos sentidos. A Arte sempre esteva na busca da verdade. A coerência entre beleza, verdade e justiça são as premissas de qualquer projeto que queira progredir para a coerência de um determinado estilo no campo das forças da Arte. Ainda que as diversas civilizações sejam artificiais e resultantes de uma intencionalidade, o estilo é conseguir fugazes pontos de equilíbrio homeostático entre as forças que movem a beleza, a verdade e a justiça.

Fig. 14 -  A natureza do REBANHO é a falta de um projeto coletivo e distinto de quem o manipula, reproduz e lucra com esta docilidade coletiva. O fim de todo rebanho é sempre o matadouro. Este rebanho é mantido junto por meio do hedonismo, pela facilidade de solucionar as necessidades básicas e pelo sentimento pertencimento ao coletivo.

A impossibilidade de admitir um ESTILO ECLÉTICO foi ilustrado, no presente texto, pela contraposição entre os conceitos e as imagens de obras que não atingem o patamar de coerência formal e conceitual.  Mario de Andrade percebia no ecletismo o fulminava como máscara de toda covardia e o remetia ao mundo acomodatício. 
O estilo contraria esta covardia. Uma obra de Arte é o oposto do mundo acomodatício. Ela mantém a sua coerência interna e externa ao longo do processo do seu projeto, no trabalho de sua realização e na fortuna de sua recepção. Esta fortuna de sua recepção resulta e se mantém por meio do seu estilo. O estilo torna a obra de Arte perceptível e legível no campo da Comunicação humana.  Isto acontece quando o mínimo da forma física é perceptível aos sentidos  e como portadora do máximo de pensamento e de conteúdo imaterial. Nestas condições uma obra de Arte ganha personalidade própria e única deixando de se constituir em máscara de toda covardia. 

FONTES BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, Mário. Curso de Filosofia e História da Arte. São Paulo : Centro  de Estudos  Folclóricos, 1955. 119 f

BLOCH, Marc (1886-1944)  . Introdução à História.[3ª ed] Conclusão de Lucian FEBVRE - .Lisboa :Europa- América  1976  179 p.

LEON, Aurora.  El Museu: teoria, práxis y utopia. Madrid : Cátedra, 1995. 378 p.

SAUNDERS, Robert, «A educação criadora nas artes» .AR´TE 10. São Paulo : Max          Limonad. Ano II,  nº 10, 1984.  pp. 18/23.


SCARINCI, Carlos. A gravura no Rio Grande do Sul (1900-1980). Porto Alegre :  Mercado Aberto,  1982.  224p. + il. col.

WITTGENSTEIN, Ludwig. (1889-1951) Tractatus Logico-Philosophicus. Trad. Luiz Henrique Lopes dos Santos. São Paulo: EDUSP, 1994.

FONTES NUMÉRICO-DIGITAIS
ESTÁ RUIM – PODE PIORAR

MABUSE – Jan GOSSAERT 1478-1533- Netuno e Amphitrite 1516

MUSEU ARQUEOLÓGICO NACIONAL de NÁPOLES

NAPOLEÃO III e BISMARK

PRESERVAR é DIFERENTE de ESTAGNAR

TATU BOLA destruído em Porto Alegre em 05 de  outubro de 2012 imagens
Missa de 7º dia pelo tatu

TATU BOLA destruído em Brasília em 08 de  outubro de 2012 + comentários
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SUMÁRIO do 1º ANO de postagens do blog NÃO FOI no GRITO
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

SUMÁRIO do TERCEIRO ANO do BLOG


*
14 de OUTUBRO de 2009
1ª postagem:
PRESERVAR é DIFERENTE de ESTAGNAR

12 de OUTUBRO de 2010
SUMÁRIO do PRIMEIRO ANO

10 de OUTUBRO de 2011
SUMÁRIO do SEGUNDO ANO
*
SUMÁRIO do TERCEIRO ANO:
Foto Círio Simon em 16 de outubro de 2011
Fig. 01 -  TRÊS FLORES ABERTAS e uma em BOTÃO..
Floração no Jardim Botânico de Porto Alegre – RS em 16 de outubro de 2011

19 de OUTUBRO de 2011
JARDIM BOTÂNICO de PORTO ALEGRE


26 de OUTUBRO de 2011
A INFORMÁTICA, a MAIÊUTICA e ARTE ou
a realidade, a retórica e a imaginação não possuem limites.

03 de NOVEMBRO de 2011
Uma das EXPRESSÕES de AUTONOMIA da ARTE no
INSTITUTO de ARTES da UFRGS

03 de NOVEMBRO de 2011
PREPARADO para CONFLITOS, ou
...transcendendo o Zeitgeist, o Volksgeist e o  Weltgeist.
“A tese é uma suposição em conflito com a opinião geral”.
Aristóteles - Tópicos I - 11

30 de NOVEMBRO de 2011
A LIBERDADE ASSUSTA e DESESTABILIZA -
A ESCRAVIDÃO CONFORTA e é SEGURA.


05 de DEZEMBRO de 2011
1911 - O CENTENÁRIO de uma PINTURA - 2011
A obra de arte “MARICÁS”, do pintor PEDRO WEINGÄRTNER.


25 de DEZEMBRO de 2011
MUSEU de ARTE CONTEMPORÂNEA de RIO GRANDE do SUL.
“Pesquisar, preservar e divulgar de arte contemporânea regional e internacional e desenvolver propostas educativas que visem à compreensão dessa arte em várias modalidades”  Projeto do MAC-RS, in Venson, 2011, ,p.03

17 de JANEIRO de 2012
A GRAVURA em PORTO ALEGRE.
“O universo da História não é o passado ou o presente, mas
a temporalidade que compreende um e outro” Iglesias

05 de FEVEREIRO de 2012
O ESTADO e o SIGNIFICADO de um  PROJETO
CIVILIZATÓRIO COMPENSADOR.


25 de FEVEREIRO de 2012
O ABRIGO dos BONDES:
ORIGEM DO ATELIER LIVRE de PORTO ALEGRE
“Boa é a formação, má é a forma, porque a forma é fim, é morte”.
Paul Klee (1879-1940).


13 de MARÇO de 2012
O TRIUNFALISMO e a ARTE.
O TRIUNFALISMO em ARTE poder influir no SER do ARTISTA e da sua OBRA. Contudo o TRIUNFALISMO em ARTE não é, não constitui o ENTE, nem da ARTE e, muito menos, daquele do artista.

19 de MARÇO de 2012
SAUDADES do REGIME dos FARAÓS ou a
CONFUSÃO entre o PODER NATURAL e o PODER CONTRATUAL;
“Ninguém se abala com o reduzido recurso de financiamento à cultura neste Estado. Além do mais, está muito mofado o movimento da classe artística, que deve reivindicar, exigindo um modelo mais dinâmico, transparente, de política cultural [....] Deve haver uma legislação que force o direito de termos nos prédios públicos espaço de expressão de cultura popular aberto a quem tenha projetos neste setor da vida social”.
Hélder Pinheiro Mayer, CORREIO do POVO - ANO 117 Nº 168 - PORTO ALEGRE,  16.03. 2012 Jornal  do Leitor

ARTE :
BRASILIDADE e GERMANIDADE
Fig. 02 – Pintura de Marciano SCHMITZ

25 de MARÇO de 2012
001 - ARTE - brasilidade e germanidade –
INTENÇÕES GERAIS desta SÉRIE de POSTAGENS
A PÓS-MODERNIDADE se delicia com a mentalidade de poder trazer, para a cena pública, o regional, o específico e o único.  No contraponto, o planetário foi repetido e batido monotonamente por uma mídia destinada à uma inteligência média de 12 anos e cansa pela mesmice, pelo fixo e pela onipotência pretendida. Busca-se, assim, o regional, o particular, o específico e sob o enfoque da germanidade no Brasil, como um dos complementos e alternativo daquilo que é planetário no tema da Arte.

29 de MARÇO de 2012
002 - ARTE - brasilidade e germanidade -
A ARTE e suas CIRCUNSTÂNCIAS no ESTADO BRASILEIRO e no ALEMÃO.
Entre 1824 e 1830- época das grande e massiva migração germânica ao Brasil - não existia O ESTADO ALEMÃO unificado. Este Estado unificado em 1870, pouco fez pela continuidade da lógica dos contratos sociais, políticos e culturais anteriormente assumidos pelos seus próprios ESTADOS de ORIGEM. Unificado - e sob a dinâmica das frequentes mudanças dos regimes políticos - tornou-se temerário e impossível, ao ESTADO ALEMÃO, manter qualquer coerência com comunidades em terras estranhas e distantes. Este alheamento mantém-se nos dias atuais.

10 de ABRIL de 2012
003 - ARTE - brasilidade e germanidade -
CONDIÇÕES das PRÁTICAS ARTÍSTICAS no BRASIL, EXPRESSAS por INTELECTUAIS ESTRANGEIROS.
O senso da realidade, cultivado pelo artista, é o seu ponto de partida, mental e físico, de qualquer uma das suas obras de Arte. Assim o pior erro que um artista, descendente alemão, poderia cometer seria deixar de cultivar no Brasil a sua identidade e expressá-la nas suas técnicas, na sua cultura e na sua Arte. Tanto o Brasil, como a germanidade, sairiam perdendo.  Tanto o descendente como o Brasil viria uma das suas riquezas únicas internas ser subtraída de uma diversidade que o vincula ao cenário de uma civilização planetária.

15 de ABRIL de 2012
004 -ARTE - brasilidade e germanidade -
CONDIÇÕES de PRÁTICAS ARTÍSTICAS no BRASIL,
EXPRESSAS por INTELECTUAIS NACIONAIS e ESTRANGEIROS.
O projeto da Arte, no âmbito da germanidade na cultura brasileira, ainda carece de um projeto que lhes forneça organicidade, competência e continuidade ao longo do tempo. Projeto que forneça coerência entre os diferentes esforços, em diversos rumos e níveis culturais e estéticos. No contrário, não faltam exemplos de rupturas, descontinuidades, da ação silenciosa e vigorosa da entropia, que age numa cultura desconectada da sua origem. Principalmente quando esta fonte original possui agora outros projetos e segue para rumos distintos daqueles para os quais foi a origem, há dois séculos passados.


21 de ABRIL de 2012
005 - ARTE - brasilidade e germanidade –
ARTE e GER MANIDADE.
A Alemanha continua um projeto coerente com o seu tempo e próprio espaço. A Arte, no contexto germânico, expressa o ENTE de sua Nação em cada nova época e em circunstâncias únicas e inéditas. O imigrado evolui em outra nação e circunstâncias distintas daquelas dos seus antepassados, desta região. Mantém apenas traços e as forças de sua origem.


28 de ABRIL de 2012
006 - ARTE - brasilidade e germanidade -
OLHARES da GERMANIDADE no BRASIL
É temerário colocar, num espaço tão restrito, os múltiplos e variados “OLHARES da GERMANIDADE no BRASIL”  dispersos neste imenso território e ao longo de um meio milênio de colonização europeia. Pratica-se esta temeridade para criar mais uma narrativa em relação a este vasto panorama das obras das artes visuais produzidas a partir do “OLHAR da GERMANIDADE”. Narrativa que trata este olhar disperso num Zeitgeist de uma linha do tempo brasileiro. Narrativa que tenta expressar o Weltgeist do território nacional que projeta as suas identidades próprias. Narrativa que busca oferecer um nível cultural de uma determinada população – Volksgeist - em contraste complementar civilizado com as demais etnias e culturas do Brasil.

01 de MAIO de 2012
007 - ARTE - brasilidade e germanidade -
OLHARES da GERMANIDADE ao LONGO do
1º SÉCULO da sua GRANDE IMIGRAÇÂO ao BRASIL.
Nada impede que este Volksgeist se desloque de níveis mais intuitivos e passe a circular em níveis mais elevados, críticos e universais. A música erudita alemã expõe, com grande liberdade e autonomia, esta circulação e interação , alimentando-se nas fontes da música mais intuitiva e que se reforçam reciprocamente.  Ambas saem ganhando. Sai ganhando o imenso universo civilizatório desenvolvido pela germanidade, muito além dos limites do aqui e do agora. Este mesmo universo empírico oferece uma ampla e sólida base para ele mesmo atingir as esferas mais elevadas da aceitação universal do seu saber. Este tarefa, quando dispõe de um mundo erudito que o desafia a se abrir, a se renovar e a produzir o inédito, possui mais garantia de êxito e economia de energias.

24 de MAIO de 2012
008 - ARTE - brasilidade e germanidade -
Algumas INTERAÇÕES de TENDÊNCIAS ARTÍSTICAS GERMÂNICAS e BRASILEIRAS nas CICUNSTÂNCIAS da CULTURA da ERA INDUSTRIAL.
Dois artistas que emigraram da Alemanha, logo após a 1ª Guerra mundial, já possuíam a sua formação profissional definida. Assim não se deixaram enredar no patrulhamento ideológico de baixa estirpe e numa xenofobia e resistência a tudo o que é novo e diferente que se cultivava tanto na sua pátria de origem como na de sua adoção. O arquiteto e artista plástico, Joseph Seraph LUTZENBERGER (1882- 1951) como o artista gráfico Ernest ZEUNER (1895-1967), não foram perseguidos pelo Estado Novo brasileiro e nem se renderam aos apelos nazifascistas de sua época.

01 de JUNHO de 2012
009 - ARTE - brasilidade e germanidade -
Os OLHARES da GERMANIDADE no BRASIL
ENFRENTAM um SISTEMA DE ARTES TEMPORÃO.
A ocasião, para estas duas forças contrárias se complementarem, poderá ser o Bicentenário da Imigração Alemã. Este evento segue cronologicamente evento do Bicentenário da Independência do Brasil. Estas duas datas próximas e complementares poderão ser duas ocasiões para evidenciar os profundos vínculos entre estas forças ainda latentes. Estes profundos vínculos ultrapassam os vínculos oficiais entre dois Estados soberanos. Exemplos destas silenciosas sinergias concorrentes e complementares, não faltam. Uma delas está na origem desta profícua interação estatal ente os dois entes nacionais. A Imperatriz Leopoldina, que chegou ao Brasil, em 1818, cercado de missões culturais e científicas de fala germânica. Diante dos olhos do mundo civilizado a Imperatriz e as missões foram fundamentais para os eventos da Independência do Brasil e da Imigração Germânica.
Para reencontrar o caminho deste projeto de origem, que tenha alguma referência à germanidade, foi necessário reinventar, entre 1945 e 1990 toda a forma tradicional do fazer das artes visuais. Se de um lado este caminho deveria ser trilhado pelo artista individual, do outro lado eram imperativos a formação de grupos, de instituições e a constituição de uma consciência coletiva. Consciência coletiva necessária diante de pulverizações de estéticas tradicionais, mas sem perder o ânimo e força de uma explosão individual única e inédita.

09 de JUNHO de 2012
010 - ARTE - brasilidade e germanidade –
CONTRIBUIÇÕES ATUAIS da GERMANIDADE ao BRASIL.
Uma das contribuições mais significativas da germanidade à cultura brasileira parece ser a mentalidade da ecologia e o perigo que a espécie humana corre na continuidade de se modo de vida. Os reforços significativos e visíveis a desta mentalidade e os perigos que o meio ambiente corre, perpassam esta cultura em todos os níveis.
No entanto, o que necessita ficar evidente, para todos, é que o imigrante não veio ao Novo Mundo para implantar um clone de sua pátria. Teve de renunciar à sua cidadania de origem e iniciar no Brasil uma nova história. A nova geração de artistas sabe que o seu sentido e futuro residem no contexto do sistema brasileiro de artes visuais. Assim não existe nada, no âmbito da Arte, a recordar e a cultivar um período de ouro do passado e como algo separado nas interações do Brasil e da Alemanha. Na sua frente estão projetos nacionais e internacionais inconclusos, a serem continuados num devir nas frágeis e submersas interações e a serem reinventadas em cada nova época e circunstância.
Fig. 03 – Obra cerâmica da Maria Annita Tollens LINCK.

11 de JUNHO de 2012
011 - ARTE SUMÁRIO das 10 POSTAGENS e as suas
CONEXÕES DIGITAIS  ARTE e GERMANIDADE
*
16 de JUNHO de 2012
QUANDO o ÓTIMO é INIMIGO do BOM
ou quando os CRIADORES de CULTURA  marcham solidários, interativos e civilizados na  LUTA CONTRA a OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA.

19 de JUNHO de 2012
ARTE compensadora da VIOLÊNCIA do ESTADO.

08 de JULHO de 2012
O PADRÃO INFINITO


08 de JULHO de 2012
O  PREÇO da COERÊNCIA ou a NATUREZA da ARTE é
DIFERENTE do SIGNIFICADO da ARTE

GRUPO VÉRTICE
Fig. 04 - Integrantes do Grupo Vértice em junho de 1990
Analino Zorzi –-Pierry Schultz  -  Verô Corbari - Círio Simon -– Mônica Heidrich

04 de AGOSTO de 2012
GRUPO VÉRTICE
ARTE em PORTO ALEGRE na TRANSIÇÃO para o SÉCULO XXI

07 de AGOSTO de 2012
GRUPO VÉRTICE no  Movimento Associativo nas
Artes Visuais de Porto Alegre e a busca da profissionalização.
“Nada é transmissível , a não ser o pensamento”

09 de AGOSTO de 2012
GRUPO VÉRTICE no Movimento Associativo nas
Artes Visuais de Porto Alegre e a busca da profissionalização.
“Toda a arte está no que produz, e não no que é produzido”.
Aristóteles[1](1973: 243 114a 10 )

10 de AGOSTO de 2012
O GRUPO VÉRTICE no Movimento Associativo nas
Artes Visuais de Porto Alegre e a busca da profissionalização.
“O Ente no Ser”  
Martin Heidegger (1889-1976)
*

19 de AGOSTO de 2012
SÓ o PENSAMENTO PERMANECE.
“Nada é transmissível , a não ser o pensamento”
Le Corbusier[2] in Boesiger, 1970, p.168.

30 de AGOSTO de 2012
A FORMA é a MORTE da ARTE.
“Boa é a formação, má é a forma,  porque a forma é fim, é morte”.
Paul Klee[3]

16 de SETEMBRO de 2012
Os MEIOS, o LUGAR e o TEMPO do ESPANTO.
“Toda a arte está no que produz, e não no que é produzido”.
Aristóteles[4](1973: 243 114a 10 )

23 de SETEMBRO de 2012
ARTE diante da OBSOLESCÊNCIA INDUSTRIAL PROGRAMADA.
“Todo contínuo pode  ser dividido em infinitas partes”
Leonardo da Vinci

27 de SETEMBRO de 2012
30 de novembro de 2012: CINQUENTENÁRIO do INSTITUTO de ARTES
 na  UNIVERSIDADE FEDERAL do RIO GRANDE do SUL
“O ensino superior no Brasil obedeça de preferência ao sistema universitário”.
DECRETO Nº 19.851 de 11 de ABRIL de 1931



[1] - ARISTÓTELES (384-322). Ética a Nicômano. São Paulo: Abril Cultural1973. 329p.
[2]   BOESIGER, Willy .  Le Corbusier Les Derniers  œuvres  Zurich : Artemis, œuvres complètes 1970, , v.8,  208 p
[3] - Klee in Bosi, 1995, p. 71
[4] - ARISTÓTELES (384-322). Ética a Nicômano. São Paulo: Abril Cultural1973. 329p.
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