sexta-feira, 16 de abril de 2010

WEINGÄRTNER e a ESCOLA de ARTES - 01

PEDRO WEINGÄRTNER, a ESCOLA de ARTES e a PINACOTECA do INSTITUTO LIVRE de BELAS ARTES
do RIO GRANDE do SUL




Fig. 01 – Pedro Weingärtner


Foto - Acervo MARGS www.margs.rs.gov.br/



O artista pintor Pedro Weingärtner (1853-1929) interagiu de diversas formas na Escola de Artes do IBA-RS. Weingärtner é fundamental para a Pinacoteca do Instituto de Artes, atualmente integrado na UFRGS. Nesta atualidade é necessário examinar o sentido que representou e representa no imaginário e no espaço da formação de um artista que descobre tardiamente a sua vocação para as artes. Além disto é necessário avaliar o estatuto de artista na passagem do regime imperial para o republicano.


A Escola de Artes organizava para o Instituto de Belas Artes RS os primórdios de sua Pinacoteca, onde figurava a intenção de adquirir obras de Pedro Weingärtner. Isto é visível no Relatório de 1909-1912 realizado pelo presidente do Instituto, Olindo de Oliveira ao Presidente do Estado (p.35)[1],. Olinto registrava, neste Relatório, as ações de Libindo Ferrás nesta direção


“De accordo ainda com o mesmo professor e com o intuito de iniciar a formação da galeria de pintura desta Escola, autorisei-o no começo deste anno, por occasião da exposição do pintor brazileiro A. Parreiras, a adquirir uma das telas do mesmo. Foi escolhido o quadro intitulado Christo, cedido pelo autor pela quantia de 700$000 rs. Na mesa occasião também foi adquirido um primoroso quadro do pintor hespanhol Barbazan, Crepúsculo, pela somma de 900$000 rs. Auxiliou-nos gentilmente na escolha destas telas o Sr. Carlos Torelly, distincto artista patricio aqui residente. Seria de grande vantagem para a difusão do gosto pela verdadeira arte, e para a educação artistica do publico, que o Instituto continuasse, na medida de suas forças, a formar as suas galerias de pintura e de esculptura, adquirindo boas copias de gesso, copias de obras typicas da arte classica de pintura, e telas originaes modernas, entre as quaes algumas das de P. Weingärtner, A. Freitas (rio-grandenses) e outros artistas nacionaes”.



Libindo Ferrás desempenhava as funções de consultor das aquisições dos quadros para a Pinacoteca do ILBA-RS. Além da sua atividade diária, no magistério, ele organizava, convidava e fazia parte das bancas e as exposições anuais e as tarefas de Conservador do prédio.



Na seqüência dos relatórios de Libindo é possível acompanhar a tarefa de avalista das aquisições de obras para a Pinacoteca. Assim ele registrou em 1913 o contato com Pedro Weingärtner para adquirir, mediante compra, o quadro ‘Maricás”[2] queconsta na base da futura Pinacoteca Barão de Santo Ângelo.






[1] - . Relatórios de 1909 a 1912 do Instituto de Bellas Artes do Rio Grande Sul apresentados pelo Presidente Dr. Olinto de Oliveira. Porto Alegra : Globo, 1912. 41 p. +c/estatísticas. }



[2] - Relatório de 1913 de Libindo Ferrás ao Presidente do Instituto de Belas Artes {017Relat}


Fig. 02 – Pedro Weingärtner - “Maricás” – 1911- Óleo sobre tela 35 X 60 cm

http://www6.ufrgs.br/acervoartes/modules/xcgal/displayimage.php?pid=697&fullsize=1



Nesse mesmo ano, de 1913, esteve na Escola o pintor italiano Miro da Gasparello e que também deixou obras no acervo do IBA-RS.


Entre estas obras da incipiente Pinacoteca do Instituto, existe, no relatório de Libindo, relativo ao ano de 1920, o registro de uma doação preciosa de Pedro Weingärtner.
As diversas visitas de Pedro Weingärtner à Escola de Artes do IBA-RS foram marcantes para o ano de 1920. Weingärtner deu sugestões, fez demonstrações ao curso superior e participou das bancas do final do ano
.


Fig. 03 – Libindo FERRÁS - Relatório de 1920 ao Presidente do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul

Clique sobre o a imagem para ampliá-la.


Para este quadro «Solidão», adquirido de Pedro Weingärtner, o Instituto desembolsou a quantia de 2.000$000 (dois contos de réis). Dois anos depois a Pinacoteca do Instituto adquiriu, pelo mesmo preço, um quadro da autoria de Libindo, como única compra do ano de 1922.

Neste mesmo ano 1922, no relatório de Antônio Marinho Chaves[1], transparece outra indicação onde se percebe a orientação de Pedro Weingärtner. O presidente do Instituto afirma, no seu relatório, que a obra “Crepúsculo” do pintor espanhol e Barbasan seja o 1º quadro adquirido pela Pinacoteca do IBA-RS. Barbasan deve ser o pintor espanhol Mariano Barbasán Laguerela (1865-1924)[2], grande amigo de Weingärtner e que trouxe obras do espanhol para serem comercializados no Brasil. Assim o IBA-RS deve ter adquirido por intermédio e indicação de Weingärtner este quadro pela quantia de 900$000.




[1] - MARINHO CHAVES, Antônio - Relatório de 1922 do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul – Porto Alegre : Livraria do Comércio, 1923 52 p. + estatísticas

[2] -TARASANTCHI, Ruth Sprung Minha descoberta de Pedro Weingärtner, in Pedro Weingärtner 1853-1929 : um artista entre o Velho e o Novo Mundo. - São Paulo : Pinacoteca do Estado de São Paulo, , 2009, p. 28


http://www6.ufrgs.br/acervoartes/modules/wiwimod/index.php?page=LAGUERUELA,+M.+Barbesan




Fig. 04 – Mariano Barbasán Laguerela (1865-1924) “Crepúsculo” 1903 Óleo sobre tela 24 X 35 cm

http://www6.ufrgs.br/acervoartes/modules/xcgal/displayimage.php?pid=89&fullsize=1



O pioneirismo do Instituto de Artes de instalar no Rio Grande do Sul e de manter o acervo de sua Pinacoteca, necessita destaque e a busca de sentido desta iniciativa.



O fundador e Presidente do Instituto, Olinto de Oliveira manifestava a preocupação com a pinacoteca do Instituto, no seu antológico Relatório 1909-1912. Escrevia que a “grande vantagem para a diffusão do gosto pela verdadeira arte e para a educação artística do público, que o Instituto continuasse, na medida de suas forças, a formar as suas galerias de pintura e de esculptura”.


Além do ‘gozo público’, das funções didáticas e da própria representação da identidade da instituição, os agentes também se almejava imobilizar o capital constitutivo do Instituto em valores mais perenes, representados pela obras de arte. Além do valor econômico, cultural e intrínseco da obra de arte, a pinacoteca tinha por objetivo ajudar ao artista plástico a se fixar em Porto Alegre devido às múltiplas razões pois o cidadão local não cultivara o hábito[1] de investir em arte, para usufruto pessoal. O hábito de a população não investir em obras de artistas locais, deixava apenas a opção dele transformar-se em docente na Escola de Artes do ILBA-RS, condição que poderia ser minorada pela venda ocasional de suas obras, constituindo uma forma de suplementar os vencimentos que recebiam pelas aulas dadas, e não pelo cargo na Escola[2].


No ano de 1911 o pintor Oscar Boeira começou séries intermitentes de aulas e que se prolongaram até 1922, quando Pelichek assumiu como docente fixo. Em 1916 esteve na Escola o pintor Lucílio de Albuquerque (1877-1939). Em 1919 esteve no Instituto Eugênio Latour do qual a Pinacoteca adquiriu uma série de pinturas originais. Também em 1919 o Instituto adquiriu as obras de Carlos Torelly e Oscar Pereira da Silva


O livro de atas da CC-ILBA-RS registrou no dia 20.02.1925: “A galeria do Instituto foi augmentada em 3 quadros: ‘A sereia em Paquetá’ de Helio Seling por 1:500$000; ‘Rebanho de ovelhas’ de Miskier por 600$000 – ‘Última Luz’ de Libindo Ferráz por 350$000” [3]. No mesmo ano há o registro[4] da entrada de uma obra de Ângelo Guido um dos futuros diretores do IBA-RS.


Na conclusão deste artigo há necessidade de registrar a lucidez e a solidez da centenária Escola de Artes do IBA-RS ao iniciar o seu acervo de arte com as obras de Pedro Weingärtner.


Confira os outros artistas e as suas obras que constam na Pinacoteca Barão de Santo Ângelo do Instituto de Artes da UFRGS em http://www6.ufrgs.br/acervoartes/modules/mastop_publish/



Veja mais em:

SIMON, Círio “ORIGENS DO INSTITUTO DE ARTES DA UFRGSETAPAS ENTRE 1908-1962 E CONTRIBUIÇÕES NA CONSTITUIÇÃO DE EXPRESSÕES DE AUTONOMIA NO SISTEMA DE ARTES VISUAIS DO RIO GRANDE DO SUL” Porto Alegre : PUC-RS 2008 660 p

Disponíve, na íntegra, em : http://www.ciriosimon.pro.br/aca/aca.html




[1] - O hábito luso de não colecionar obras de arte, para posse e usufruto pessoal individual possui os seus índices nos pequenos domicílios, nos quais não podia ostentar qualquer luxo, passando pelo controle sobre retratos do cidadão, imagens de grupos individuais, até velhos hábitos arraigados, dos quais Miguel Ângelo soube através do seu ajudante português (in Holanda, 1955, p.64). Numa entrevista Miguel Ângelo comentou essa hábito de não investir em obras de arte, que enquanto na península Ibérica, mesmo aqueles que as aplaudiam, não a compravam. Francisco Holanda registrou (1955 : 66) a fala do mestre como“Assim que nesta nossa terra até os que não estimam muito a pintura a pagam muito melhor que em Espanha e Portugal, os que muito a festejam”.

HOLANDA, Francisco. Diálogos de Roma : da pintura antiga. Lisboa Sá da Costa, 1955, 158p.

[2] - Um dos artistas plásticos mais privilegiados por essa política institucional foi Libindo Ferrás. Ainda depois de suas aposentadoria , numa correspondência do dia 22.11.1938, ele oferecia a Tasso Corrêa um quadro seu a ser adquirido para a Pinacoteca do IBA-RS. Documentos do currículo de Tasso Bolívar Corrêa. Essa política praticada pelo Instituto será sumariada nas conclusões da presente tese.


[3] - Livro das atas nº I da CC-I. B. A, sessão de 20.02.1925 f. 32.


[4] - No Livro das Atas nº I da CC-ILBA-RS consta (ff. 34f/ )“tendo o pintor brasileiro Ângelo Guido proposto ao Instituto a venda de um quadro de sua exposição, nesta capital, determinou ao professor Libindo Ferraz que désse parecer sobre a proposta apresentada e que neste acto leu à Comissão Central. Sendo amplamente favorável à àquele artista, a Comissão Central concordou em que se adquirisse o quadro por um conto de réis”.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

UM SALÃO de FESTAS das ARTES - 04

Um CONGRESSO e dois

SALÕES SIMULTÂNEOS




Foto de THALES FARIAS – Revista do Globo nº 716

Fig. 01 – Vista parcial do público presente na Inauguração do I Salão Pan-Americano e do VII Salão do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul. Em 22.04. 1958. REVISTA do GLOBO Porto Alegre: Ed. Globo, nº 716 -17.05.1958,. p.84

Para consolidar o Cinqüentenário o evento permitiu uma oportunidade para gerar memória em visita da rememoração das etapas da institucionalização da arte em Porto Alegre. Ressaltaram-se os momentos culminantes e uma visita aos documentos do passado do IBA-RS guardados no seu arquivo (AGIA-UFRGS). Muitos dos documentos do Instituto, que permitiram a construção logística da memória de uma pesquisa[1]. Nesta pesquisa foram visitados e fixados como referências significativas da instituição de arte de Porto Alegre. Graças a esse fato, foram hierarquizados e preservados, considerando-os como formas de expressões de autonomia, tanto pela intencionalidade como pela sua transformação em eventos.

Constatou-se, nestes artigos, que não foi possível cumprir tudo o que se sonhara[2]. Em compensação o Congresso e o Salão Pan-Americano, Salão polarizaram as comemorações do Cinqüentenário que não estavam previstos no plano de 1956.




[1] SIMON, Círio “ORIGENS DO INSTITUTO DE ARTES DA UFRGS: ETAPAS ENTRE 1908-1962 E CONTRIBUIÇÕES NA CONSTITUIÇÃO DE EXPRESSÕES DE AUTONOMIA NO SISTEMA DE ARTES VISUAIS DO RIO GRANDE DO SUL” Porto Alegre : PUC-RS Versão 2008 , 660 p

Disponível, na íntegra em http://www.ciriosimon.pro.br/aca/aca.html ou

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaAutorResultadoForm.jsp?letra=S&select_action=&d-16510-p=234.


[2] - Assim a pretendida ‘publicação de monografias sobre os mais eminentes artistas rio-grandenses’ não se concretizou nessa oportunidade. É possível interpretar algumas obras publicadas como vestígios desse projeto. Assim Ângelo Guido lançou em 1956 a sua biografia de Pedro Weingärtner, enquanto Cavalheiro Lima publicava ,nessa época os seus estudos sobre Araújo Vianna. Mas essas obras não registram, nas suas edições, a sua vinculação com o evento do Instituto. Damasceno, irá dedicar, em 1971, a sua obra relativa às artes plásticas do século XIX no Rio Grande do Sul , ao diretor do IBA-RS na época do Cinqüentenário,.


Fig. 02 – Vista parcial do VII Salão do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul. Em 22.04. 1958. .

Através desses eventos, o Instituto buscava o seu observador e a sociedade, retribuindo, o que eles haviam depositado ali, na forma imaterial de representações da arte e, inclusive, material através dos legionários do Instituto.

Os carnês dos “LEGIONÀRIOS do INSTITUTO de BELAS ARTES” formam um capítulo destas interações às quais o IBA-RS tentou corresponder no momento em que completava o cinqüentenário de sua existência


Fig. 03 – Carnê de um dos “LEGIONÀRIOS do INSTITUTO de BELAS ARTES”, emitido e resgatado, ao longo da 2ª Guerra Mundial, a favor da construção do nove prédio do IBA-RS. É possível notar a troca, neste período, do MIL REIS (R$) pelo CRUZEIRO (Cr$)


Fig. 04 – Obras de alguns estudantes do Curso de Artes Plásticas – Escultura – do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Su, presentes do VII Salão. 1958.

Ao centro (B) Escultura de Dorotheia Vergara. Esta obra é resultado do projeto de Graduação da Estudante realizado. pela artista ao final de 1947 e figura no Acervo do IA-UFRSG em

http://www6.ufrgs.br/acervoartes/modules/xcgal/displayimage.php?pid=685&album=12&pos=1

ESCULTURAS dos ALUNOS do INSTITUTO de BELAS ARTES Álbum no 1 contém fotos e escritos de 1938 até 1956 99 folhas de arquivo: 297 mm X 210 mm com 332 fotos coladas Livros raros da Biblioteca do Instituto de Artes da UFRGS

Classificação na BIBLIOTECA do IA- UFRGS OM73.036.1816.5 C 822 d v.1

Ao lado esquerdo (A) obra de Leda Flores e (C) a banca de avaliação desta obra em 1956

ESCULTURA dos ALUNOS do INSTITUTO de BELAS ARTES Álbum no 2 contém fotos e escritos de 1957 até 196571 folhas de arquivo: 297 mm X 210 mm com 167 fotos coladas Livros raros da Biblioteca do Instituto de Artes da. UFRGS Classificação na BIBLIOTECA IA - UFRGS OM - 73.036.1881.5 - C 822 d v.2


Os artistas plásticos brasileiros foram congregados pelo VIII° Salão[1] de Belas do Rio Grande do Sul que se somaram aos do Io Salão Pan-Americano, cuja maior representação vinham dos países do Prata. Cada país foi coordenado pelo seu respectivo consulado. Esses, por sua vez, foram secundados por associações de classes como dos advogados, arquitetos e médicos, entre outros. Mexeu com as questões culturais, levantadas por intelectuais e escritores e suas associações como é possível verificar através dos contatos feitos nos convites.




[1] - Catálogo do Iº Salão Pan – Americano de Arte abril-1958{127CAT}


Fig. 05 – Obra de Aldo Locatelli professor do Curso de Artes Plásticas – Arte Decorativa – do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul. presente do VII Salão em 22.04. 1958.

Esta obra faz parte de um conjunto de painéis encomendados, em 1957. para a sede, na capit, do banco Auxiliar de São Paulo (CICA) Ver BRAMBATTI, Luiz Ernesto,. Locatelli no Brasil. Caxias do Sul : Belas Letras, 2008 , p 227


Os artistas latino-americanos não podiam concretizar as trocas e os fluxos continuados de bens culturais, sem instituições comuns, além de diplomacias setoriais, sempre desconfiadas da cultura dos vizinhos e escancarada para as culturas hegemônicas.
Mas, na prática, as frágeis interações ocorriam entre pessoas, sem amparo continuado em leis e instituições compartilhadas, como já foi visto nas relações do IBA-RS com o Prata, reduzindo-se a eventos como aquele do Io Salão Pan-Americano de Arte
[1]. Os norte-americanos estavam presentes com fotos das suas pesquisas institucionais de arte. O convite feito pelo Instituto ao escritor Érico Veríssimo apontava para a direção da cultura americana[2]. Os norte-americanos criaram uma hegemonia mundial por meio de sólidas instituições[3] para as quais não regateiam recursos e aceitando, como a sua verdade, uma cultura de segunda mão[4].




[1] - No mês seguinte, no dia 08 de maio de 1958, foi inaugurada no IBA-RS a exposição da Pintura Mexicana. Ver Pieta, 1995 pp.98 e 363

[2] - Érico Veríssimo foi um dos criadores do Cultural Norte-Americano, instituição que prestigiou o artista sul-rio-grandense na sua galeria de artes plásticas, que evidentemente sentiam-se constrangidos diante do potencial arrasador do sistema cultural dos norte-americanos. Nas outras capitais brasileiras também foi grande a atuação do Instituto Brasil-Estados Unidos (IBEU). Em Porto Alegre, a cultura do continente europeu enfrentou a hegemonia americana através da Aliança Francesa e do Instituto Goethe, que também mantinham galerias de Artes Plásticas.


[3] - As opiniões sobre arte americana, mesmo na Europa segundo Monnier, (1995, p.329) são frutos do marketing, pois “as opiniões que de repente tornaram-se favoráveis, não foram possíveis, a não ser pela propaganda dos Estados Unidos, que sobre o terreno da Guerra Fria, nas instâncias do mercado da arte e da imprensa, sabem organizar e pagar os apoios necessários às manifestações de uma arte moderna americana em Paris”. Assim não é de estranhar que vários artistas plásticos consagrados americanos tenham a sua origem no marketing visual.

[4] - Existem títulos bibliográficos de autores americanos fazendo esse juízo, como àquele de Alvim Toffler, (1967 p.11),. Nele o autor ainda lamentava esse fato, quando já em 1964, os artistas norte-americanos da geração pop, estavam levando prêmios internacionais.Ver: TOFFLER, Alvin Questões básicas de sociologia cultural (2ª ed) Rio de Janeiro: Lidador, 1967, 254 p.



Fig. 06 – Obras de artistas uruguaios presentes no I Salão Pan-Americano do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul. Em 22.04. 1958.


Contudo a grande revelação e a lição de que é possível produzir apesar de todos os obstáculos, vieram da delegação e do júri dos artistas da República do Uruguai. Joaquim Fonseca destacou (Rev Globo, nº 716, 15-30.05.1958, p.84) que

“A surpresa do Salão foram os uruguaios, Cm muito boa seleção de obras expostas, mostram – e quase nos dão uma lição – o que pode fazer uma boa pintura”.

O Instituto de Artes, com a entrada de agentes e de instituições mais específicas no sistema de artes visuais de Porto Alegre, como o MARGS, voltou-se para a sua função especifica que é a formação. Formação e reprodução de uma massa crítica competente para enfrentar os desafios inerentes do fazer artístico na autonomia.


Fig. 07 – Retrato da Pablo Picasso. Obra de Fernando Corona, professor do Curso de Artes Plásticas – Escultura, Modelagem e maquete – do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul, presente do VII Salão. Em 22.04. 1958

http://www6.ufrgs.br/acervoartes/modules/xcgal/displayimage.php?pid=283&album=12&pos=4


A celebração do cinqüentenário, desta instituição, marcou mais uma etapa da entrega gradativa da competência para os agentes que estavam emergindo no sistema de artes de Porto Alegre, se qualificavam e assumiam, cada vez mais a circulação das obras dos artistas e dos apreciadores destes bens permanentes e supremos de uma civilização.


Foto e montagem de Myra GONÇALVES

Fig. 08 – Aldo LOCATELLI (1915-1962) - Mural do 8º andara do Instituto de Artes da UFRGS. 1958.

A obra de Locatell. no seu estado atual,i é um índice positivo e negativo da celebração do cinqüentenário, desta instituição, No aspecto da sua materialidade apagada este mural assinala mais uma das etapas do difícil e sofrido caminho desta instituição. Caminho que em diversas ocasiões contou com as contribuições, mesmo pecuniárias tanto de pessoa individuais como jurídicas


No presente não faz sentido mascarar o aspecto negativo dos maus tratos, do tempo e das pessoas, por meio de uma restauração espetacular em cima de uma realidade
institucional que não se conhece, se respeita e quem se é indiferente ou se nega um futuro, por todos os meios.



Veja mais em:


FONSECA, Joaquim - O PRIMEIRO SALÃO de BOA VIZINHANÇA - REVISTA do GLOBO Porto Alegre: Ed. Globo nº 716 17.05.1958. pp.84-7


KRAWCZYK, Flavio. O espetáculo da legitimidade: os salões de artes plásticas em Porto Alegre. Porto Alegre : Programa de Pós Graduação em Artes Visuais . dissertação 1997 526 fls. (dissertação)

Salões oficiais do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul


quinta-feira, 8 de abril de 2010

UM SALÃO de FESTAS das ARTES - 03

Um CONGRESSO e duas TESES.

Foto de THALES FARIAS – Revista do Globo nº 716


Fig. 01 – Tasso Bolívar DIAS CORRÊA fala na abertura do 1º Congresso Brasileiro de Arte ocorrido no Cinqüentenário do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul.


Os eventos que acompanharam a celebração do cinqüentenário da criação do Instituto constituem fortes expressões de autonomia do campo artístico institucionalizado no IBA-RS. Elas tomaram corpo nos festejos do dia 22 de abril de 1958, através do Iº Congresso Brasileiro de Arte e do Iº Salão Pan-Americano de Arte. Os eventos, que envolveram a celebração, dessa data, podem ser lidos como uma demonstração do sentido do IBA-RS no sistema de artes local e a afirmação dos seus agentes e de suas obras.


As comemorações do cinqüentenário do IBA-RS foram planejadas por Tasso Corrêa e por sua equipe a partir 1956[1]. Os eventos deveriam dar visibilidade nacional e internacional a essas comemorações. A nacional seria com a realização do Iº Congresso Brasileiro de Arte e o IX Salão Oficial. A internacional foi acrescida, depois, com o Iº Salão Pan Americano de Arte.
No relatório de Tasso Corrêa, no período 1951/6
[2], constava :


“O Instituto de Belas Artes foi fundado a 22 de abril de 1908, comemorando, portanto, seu cinqüentenário, a 22 de abril de 1958. Para celebrar essa magna data foi elaborado um programa de comemorações, como segue:


a) – Congresso Nacional de Arte em geral;


b) – publicação de anais;


c) – cunhagem de medalha comemorativa;


d) – selo comemorativo;


e) – IX Salão Oficial de Belas Artes do Rio Grande Sul[3]


f) – publicação de monografias sobre os mais eminentes artistas riograndenses


g) – série de concertos sinfônicos, de Câmara e de solistas”.


Constituíram-se comissões internas, externas, nacionais e internacionais para colocar esse projeto em movimento. Uma amostra das atividades dessas comissões é visível já em outubro de 1957, quando Tasso Corrêa declarou:


“Convidamos já cercade quatrocentas entidades culturais sediadas por todo o território nacional e mais de duzentas pessoas possuidoras de credenciais que justificam sua presença na importante reunião, o sucesso do Iº Congresso Brasileiro de Arte considera-se de antemão assegurado’”[4].


Essas entidades culturais foram motivadas por personalidades conhecidas nas diversas áreas que Tasso esperava reunir nesse 1º Congresso das Artes, em geral. Assim, os escritores foram coordenados por Érico Veríssimo, Guilhermino Cesar e Athos Damasceno. Os pintores foram orientados por Ado Malagoli e Ângelo Guido. Teatrólogos, por Bolívar Fontoura. Os arquitetos, por Demétrio Ribeiro, Ernani Dias Corrêa e Roberto Felix Veronese. Os engenheiros – arquitetos, por Edvaldo Pereira Paiva. Os musicistas, por Ênio de Freitas Castro e Paulo Luiz Vianna Guedes. Os escultores, por Fernando Corona[5].


Não foi possível cumprir tudo o que se sonhara[6]. Contudo o Congresso, o Salão Pan-Americano e o Salão polarizaram as comemorações do Cinqüentenário. Através desses eventos, o Instituto buscava o seu observador e a sociedade, retribuindo, o que eles haviam depositado ali, na forma imaterial de representações da arte e, inclusive, material através dos legionários do Instituto.


O Primeiro Congresso Brasileiro de Arte e suas duas teses[7].


O Congresso foi planejado para toda a intelectualidade brasileira que tivesse relação com alguma forma expressão artística. Tasso Corrêa insistia que.

“é perfeitamente justificável a realização de um Congresso Brasileiro de Arte que reuna em memorável conclave, a intelectualidade brasileira para, num bom entendimento, estabelecer diretrizes que possam entrosar os interesses comuns, no ensino, na difusão, nos deveres e nos direitos que devam atribuídos a todos os que trabalham direta ou indiretamente no alevantamento da cultura nacional”[8].



Os contatos regionais e internacionais foram realizados por associações de imprensa, de advogados e das academias de letras, que foram constituídas como porta-vozes do evento. Esses porta-vozes foram municiados com um detalhado regimento[9] que não descuidava de projetos pontuais a serem discutidos e aprovados como propostas de resolução.




[1] - Atas - livro II da Congregação do Instituto de Belas Artes{094ATA}, Ata livro III do Conselho Técnico Administrativo até 14/11/1958, {108ATA} Ata da Congregação de Professores. Sessões extraordinária, ata de 11/03/1959{123ATA} e Ata livro nº IV do Cons. Técnico Administrativo (CTA) do IBA{128ATA}



[2] - Relatórios de Tasso Corrêa 1951 até 1955{126 Relat}



[3] - Trata-se na realidade do VIII Salão do IBA-RS. Seria o IX se o de 1942 fosse considerado nessa numeração dos Salões do Instituto.




[4] - Correio de Povo, 10.10.1957 (recorte do Arquivo do IA-UFRGS).



[5] - Folder e cartaz [F4. 037] Logotipo: cinqüentenário do IBA-RS e [F5. 027] Cartaz do Cinqüentenário do I.B.A. -RS do Iº CONGRESSO Brasileiro de Arte Catálogo do 7º Salão do Instituto de Belas Artes{127CAT} 1º Congresso Brasileiro de Arte: recortes de jornais{127bCongBoletim nº 1 do 1º Congresso Brasileiro de Arte, }, {127cBol} Boletim nº 2 do 1º Congresso Brasileiro de Arte {127dBoll} e Boletim nº 3 do 1º Congresso Brasileiro de Arte. {127eBoll} CD-ROM - Disco 6 - IMAGENS. - Arquivo F4 – F5.



[6] - Assim a pretendida ‘publicação de monografias sobre os mais eminentes artistas rio-grandenses’ não se concretizou nessa oportunidade. É possível interpretar algumas obras publicadas como vestígios desse projeto e nem é possível analisar todos estes pontos. Mas neste projeto pode ser incluida a biografia de Pedro Weingärtener escrita por


GUIDO (GNOCCHI), Ângelo (1893- 1969). Pedro Weingärtner. Porto Alegre: SEC- Divisão de Cultura – Diretoria de Artes 1956 , 228p.. Cavalheiro Lima publicava, nessa época, os seus estudos sobre Araújo Vianna. O poeta Damasceno dedicará a Tasso Corrêa, diretor do IBA-RS na época do Cinqüentenário, a sua monumental obra relativa às artes plásticas do século XIX no Rio Grande do Sul:


DAMASCENO, Athos. Artes plásticas no Rio Grande do Sul (1755-1900) Porto Alegre : Globo, 1971. 540p


Mas essas obras não registram, nas suas edições, a sua vinculação com o evento do Instituto.


[8] - Correio do Povo, 17.10.1957 (recorte do Arquivo do IA-UFRGS).


[9] - Catálogo do 7º Salão do Instituto de Belas Artes{127a,b, c.d, e Boletim}{127Catal}. Catálogo do Iº Salão Pan – Americano de Arte abril-1958-maio{127aCAT} 1º Congresso Brasileiro de Arte: recortes de jornais{127bCong}Boletim nº 1 do 1º Congresso Brasileiro de Arte{127cBolI} Boletim nº 2 do 1º Congresso Brasileiro de Arte{127dBolII} e Boletim nº 3 do 1º Congresso Brasileiro de Arte{127eBolII}

Fig. 02 – Cartaz do Cinquentenário do Instituto de Artes do Rio Grande do Sul

O Regimento era explícito em duas teses, consideradas vitais para o êxito dos eventos do Cinquentenário. “Nas conclusões o Congresso deverá apresentar ao Exmo Sr. Presidente da República e ao Congresso
Nacional um anteprojeto de criação do Ministério das Artes
[1] e das Universidades de Arte”.


A tese do Ministério das Artes.

A proposta do MINISTÉRIO das ARTES do Congresso do IBA-RS precede, em quase um ano, a efetiva criação do Ministério ‘Des Affaires Culturelles’ da França, implantado em Paris no 08 de janeiro de 1959 tendo como ministro André Malraux. (Ver Monnier, 1995: 333). No Brasil a proposta desse Ministério das Artes não corresponde ao Ministério da Cultura constituído quase 30 anos depois.


O objetivo do Congresso era o de articular internamente o campo das artes para municiá-lo política, administrativa e economicamente para criar condições de enfrentar o espaço do sistema de artes. Os pontos fulcrais desse processo foram a busca de um espaço adequado para as artes e sua consolidação através de uma política administrativa brasileira nas artes, mais consistente na sua institucionalização das Universidades e um Ministério das Artes. Nessa proposta, está flagrante a esperança no Estado Nacional, colocando o seu poder político central e econômico, como salvação para as artes no Brasil.

A intelectualidade debruçou-se sobre a arte e os problemas da cultura no Brasil, em sucessivas reuniões das comissões e das plenárias, no decorrer desse ‘memorável conclave’. Na concepção do grupo congregado no IBA em abril de 1958, somente um ministério autônomo das artes reforçaria um projeto para todo o território brasileiro e não apenas uma universidade isolada de arte localizada em Porto Alegre.

A idéia vinda do Sul, como era de se esperar, encontrou uma forte
resistência da parte de São Paulo
[2] que não podia permitir, depois da experiência do Estado Novo, também uma hegemonia da política cultural, por parte do Rio Grande do Sul.


A Tese da Universidade das Artes

O sonho de maior envergadura da administração Tasso Corrêa foi da Universidade de Artes do Rio Grande do Sul, que ficou evidentemente no plano das virtualidades. Contudo, Tasso traduziu a virtualidade neste projeto de Universidade, mais como uma expressão de autonomia dos muitos projetos com que ele alimentou para dar corpo à teleologia imanente do Instituto ao longo de toda a sua gestão. O diretor do Instituto foi ajudado pelo professor Fernando Corona que elaborou detalhadas de plantas e perspectivas do prédio dessa Universidade de Artes[3] que ocuparia todo o lado par superior da rua Senhor dos Passos e tendo ao centro e como âncora, o prédio inaugurado em 1943, onde funcionaria a reitoria.






[1] - A proposta do MINISTÉRIO das ARTES do Congresso do IBA-RS precede quase um ano, a efetiva criação do Ministério ‘Des Affaires Culturelles’ da França, implantado em Paris no 08 de janeiro de 1959 tendo como ministro André Malraux. (Ver Monnier, 1995: 333). Evidente que a proposta desse Ministério das Artes não corresponde ao Ministério da Cultura constituído no Brasil quase 30 anos depois.


[2] - 1º Congresso Brasileiro de Arte: recortes de jornais{127b Cong}

[3] - [F3. 040] è [F3. 048] IBA: Fernando Corona: projetos da ampliação.


Fig. 03 – Fernando CORONA(1895-1979) – Projeto do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul como Universidade das Artes. 1947. Perspectiva

A parte inferior da rua seria ocupada por um Auditório–Teatro, sendo proposto como o “teatro municipal” de Porto Alegre para 1.800 cadeiras e com um palco de 180 m2, com a boca de 20 metros[1] e a ser construído e administrado pela Prefeitura Municipal. Em correspondência ao
governador
[2], em 1947, Tasso escrevia “Esclareço a V. Excia, que a segunda parte da ampliação prevista – que se refere ao ‘Auditório – Teatro’ será proposta à Prefeitura Municipal, de vez que se trata de empreendimento de interesse imediato para a cidade”.

O lado par superior da rua deveria ser ocupado por uma Pinacoteca e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul[3]. O prédio da rua Riachuelo n° 1.285, abrigaria a Escola de Dança e de Bailados[4], segundo um projeto de Ernani Dias Corrêa.




[1] - [F3. 046] IBA: Corona: planta da ampliação do prédio.

[2] - Correspondência do dia 24.09.1947 de Tasso Corrêa para Walter Jobim. Nesta época Tasso Corrêa era membro do Conselho Estadual de Educação e Cultura nomeado pelo Decreto no 2.018 de 06.09.1946 do Interventor Federal do Rio Grande do Sul, publicado no Diário Oficial do Estado no dia 10.09.1946.


[3] - Ante-projetos da ampliação do IBA-RS{099.1Proj}

[4] - [F3. 050] IBA: Ernani Corrêa: prédio: Riachuelo, 1285e [F3. 050a] IBA: Ernani Corrêa: prédio: Riachuelo, no1285CD-ROM - Disco 6 - IMAGENS. - Arquivo F3.


Fig. 04 – Ernani DIAS CORRÊA (1900=1982) – Projeto da Escola de Dança e Bailados do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul como Universidade das Artes. 1947. rua Riachuelo n° 1.285. Portoo Alegre - RS


As intenções de Tasso Corrêa da Universidade das Artes já vinham estampadas no jornal Correio do Povo, em 14.11.1947, véspera do dia da República. Este texto constitui mais um precioso fragmento das expressões de autonomia que se busca evidenciar nesse trabalho do presente texto. Diz ele “se o Instituto de Belas Artes não voltar para a Universidade [...] promoveremos a sua transformação em Universidade de Belas Artes”[1]. No dia seguinte, Ernani Corrêa, retomou, no mesmo jornal, o tema da Universidade de Belas Artes, onde ele recapitulava a história ocidental da institucionalização do ensino da arte e da arquitetura:

“Percebe-se que houve um transporte dos conhecimentos seculares de arquitetura, desde a velha Europa, transmitidos pela Missão Francesa no Rio de Janeiro e daí por intermédio da Escola Nacional de Belas Artes ao Rio Grande do Sul, veiculados pelo Instituto de Belas Artes que no dizer de notáveis estrangeiros que nos visitam, é uma verdadeira Universidade de Belas Artes pela razão de abranger o ensino superior de Música, da Pintura, da Escultura, da Arquitetura e do Urbanismo” (CORRÊA, Ernani,15.11. 1947[2],).

Essa proposta distinguiu arte em relação à cultura e à educação, sendo mais coerente que a eclética e xifópaga estrutura que reuniu educação, cultura e arte no Ministério que se denominou, a partir de 1953, de Educação e de Cultura (MEC)[3]. Essa proposta de Tasso Corrêa, não foi arroubo de um instante, em 1947, pois ele cultivou a idéia até 1958, quando a proposta da Universidade de Belas Artes, irá figurar como tese central do Primeiro Congresso de Arte e foi lançada para todo o Brasil e que propunha como mantenedora estatal, a criação do Ministério das Artes.

Esse projeto não chegou ao mundo prático, tanto por fatores externos, na oposição que lhe fizeram os intelectuais do centro do país, como internamente, onde o próprio Ernani irá propor, nesse meio tempo, a solução pela qual se separava Arquitetura de arte, através da
criação da Faculdade de Arquitetura, sob a vigilância dos engenheiros e da iniciativa da URGS.


Contudo quando uma tese se apresenta contra a opinião geral, temos, não uma solução, mas um problema do qual brotam muitas dúvidas. Venceu a opinião geral e os problemas foram jogados na lata de lixo[4]. O Prof. Tasso Corrêa pediu a sua aposentadoria[5] quando não teve eco na sua proposta de celebrar o 2º Salão Pan-americano e dar continuidade às conclusões do 1º Congresso Brasileiro de Arte.


O estado físico dos murais do 8º andar do IA constituem um índice
destes sucessivos projetos e abandonos.


Mas eis que na atual expansão - tanto física como conceitual da Universidade e Instituto - seria viável pensar, no ano de 2010, num Instituto de Artes autônomo. A cidade de Porto Alegre possui duas Faculdades Federais de Medicina e ao mesmo tempo dois pólos de um Instituto Tecnológico Federal[6].


Trabalham contra - o IA-UFRGS tomar este caminho - duas questões preliminares. O 1º é a incógnita se, de fato, esta unidade existente quer assumir o projeto de sua autonomia em relação à UFRGS. O 2º é se esta unidade deseja constituir um suporte institucional, desta magnitude, para ser consequente e coerente com o imenso trabalho de mobilização das forças internas e externas do IA que uma idéia destas exige para chegar ao mundo concreto.


Com estas propostas - do Iº Congresso de Arte e do Ministério das Artes - é possível uma outra leitura do sentido das intenções da origem e do posterior abandono do Mural do 8º andar do IA-UFRGS.





[1] - Tasso Corrêa in Correio do Povo 14.11.1947, p.7 (Recorte doa CATC).


[2] - Ernani Corrêa in Correio do Povo, 15.11.1947 (recorte arquivo do CATC).

[3] - Antes, em 1930, MESP – Ministério de Educação e Saúde Pública e depois MES Ministério de Educação e Saúde.


[4] - A administração do IBA_RS subseqüente ao Tasso Corrêa ignorou estes teses e jogou na lata de lixo o filme produzido ao longo do evento das comemorações do Cinqüentenário do Instituto.

[5] - Em 17. 10. 1958 Tasso Corrêa passou , ,pelo Oficio nº 1086/58, o seu cargo de Diretor à professora Alayde Pinto Siqueira



Veja mais em:

CONGRESSO BRASILEIRO de ARTES - REVISTA do GLOBO Porto Alegre: Ed. Globo nº 716 17.05.1958. pp.81-3


SIMON, Círio “ORIGENS DO INSTITUTO DE ARTES DA UFRGS: ETAPAS ENTRE 1908-1962 E CONTRIBUIÇÕES NA CONSTITUIÇÃO DE EXPRESSÕES DE AUTONOMIA NO SISTEMA DE ARTES VISUAIS DO RIO GRANDE DO SUL” Porto Alegre : PUC-RS Versão 2008 , 660 p

Disponível, na íntegra em http://www.ciriosimon.pro.br/aca/aca.html ou

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaAutorResultadoForm.jsp?letra=S&select_action=&d-16510-p=2342