quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ARTE SACRA SUL-RIO-GRANDENSE - 16

A ESTÉTICA AFRO-SUL-RIO-GRANDENSE e a ARTE SACRA

Fig. 01 – MAÇAMBIQUES.

CATEDRAL de OSÓRIO Osário - RS.

Fotograma do vídeo - http://www.youtube.com/watch?v=srijDEcc2YA&feature=related e http://www.youtube.com/user/ColetivoCaracol


Encontrar fragmentos autênticos das culturas africanas que se mantiveram e desenvolveram no Rio Grande do Sul constitui um verdadeiro milagre. O dominador buscou apagar completamente a sua vontade, reduzindo à heteronomia completa. O seu o corpo foi visto como mero objeto gerando uma reificação absoluta. Aristóteles afirmava que escravo não era gente pois ele não delibera e não decide.

Fig. 02 – RAINHA GINGA e REI CONGO.

CERIMÔNIA EM OSÓRIO - RS.

Imagem do vídeo http://www.selomundomelhor.org/Maçambique de Osorio-RS - Festa de Nossa Senhor do Rosário em Osório 2008

Arquivado em Novo, VIDEOS por Alfredo Bello 24, December 2009


A energia que manteve os africanos e os seus descendentes vivos, não pode ser atribuída a nenhum índice puramente material. A materialidade desta identidade africana foi-lhes negada. O sincretismo religioso fez com que subvertessem a materialidade cultural dos dominadores conferindo aos santos católicos os atributos dos seus orixás.


Privados de sua liberdade de corpo e de ânimo, deixaram a terra ancestral e as suas etnias diversificadas. No Novo Mundo foi-lhes proibida a fala, o convívio com os as sua própria etnias, pois eram distribuídos e vendidos ao longo da costa brasileira em pontos estratégicos para que os da mesma etnia e mesma fala, não pudessem comunicar-se entre si. Sem direito à paternidade pois eram reproduzidos com a intervenção do branco, romperam-se as referencias e os laços de paternidade e maternidade, base de sua vida tribal de origem. Diante da alta improbabilidade da presença continuada do pai, junto à sua prole, esta função foi assumida com mias intensidade pela mãe. Este fato refletiu-se vigorosamente nas responsabilidades femininas nos cultos afro-brasileiros e ganhou mais visibilidade na figura da “Mãe de Santo”.

Fig. 03 – CENA de CANDOMBLÉ.

WILSON TIBÉRIO - Paris - França.

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq100/arq100_00_01.jpg&imgrefurl=http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq100/arq100_00.asp&usg=__De19g9JcAYAYVjF3IP5bfOaTYRA=&h=478&w=750&sz=77&hl=pt-BR&start=1&um=1&itbs=1&tbnid=zsLOPGj7szHaNM:&tbnh=90&tbnw=141&prev=/images%3Fq%3DWILSON%2BTIB%25C3%2588RIO%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26um%3D1


Há necessidade de caracterizar o estagio cultural da arte africana A contribuição da produção visual africana à cultura sul-rio-grandense deve ser surpreendida em pleno curso da vida pois esta arte ainda não se distinguiu da gratuidade da vida. Assim, no visual colorido das suas comidas, nas cores e nas formas dos seus orixás das suas crenças[1] e em especial no espetáculo do carnaval e ultimamente na moda, existe toda uma forma de sentir e expressar visual e de forma plástica na sensualidade do seu corpo. Evidente que houve o fenômeno do sincretismo, não só religioso mas em especial estético.



[1] - CORREA, Norton F. Batuque no Rio Grande do Sul- antropologia de uma religião afro rio-grandense ( 2ª ed.). São Luis-Maranhão : CA-Cultura & Arte, 295 p

-----------------. Os vivos, os mortos e os deuses: um estudo antropológico sobre o batuque no Rio Grande do Sul. Porto

Alegre :IFCH-UFRGS, 1988, 474 f –Dissertação Orientação de Brochado, José Joaquim.


Fig. 04 – OLIVEIRA SILVEIRA [1941-2008].

Oliveira Silveira foi um construtor de pontes (pontifex) entre as diversas identidades afro-sul-rio-grandenses, entre a cultura afro-brasileira e a européia e entre a erudição e aquela do poder originário. O seu material foi a palavra da poesia. Com ela preservou e desenvolveu a sua própria autonomia, da sua origem do seu povo assumida e mostrou que arte está em quem a produz e não no que produz - Porto Alegre - RS. Foto Correio do Povo 31.12.2009


Como uma visão antropológica recomenda-se o livro de Norton Corrêa[1] e que atualmente leciona e pesquisa na Universidade Federal do Maranhão. Numa pequena resenha desta obra destaca-se que

O Batuque do Rio Grande do Sul é um estudo de fôlego, apresentando vasto material coletado em longos anos de paciente pesquisa. Torna-se ainda mais valioso tendo em vista que até hoje o Rio Grande do Sul é uma das regiões menos conhecidas na literatura afro-brasileira. Apesar dos estudos precursores de Herskovits, Dante de Laytano, de Carlos Krebs, Roger Bastide e de alguns outros, o Batuque ainda é uma das manifestações religiosas afro-brasileira menos estudadas.

Este livro de Norton possibilitará aos interessados comparar o Batuque com outras religiões de origem africana com as quais possui semelhanças evidentes, como o Xangô do Recife, o Tambor de mina do Maranhão, o Candomblé da Bahia, e com manifestações similares em outros países, como Cuba.

É necessário um melhor conhecimento do Batuque, especialmente porque ultrapassou nossas fronteiras e se expande amplamente no Uruguai e Argentina, como demonstram estudos recentes.

Norton parece ter incorrido na tentação de dizer, de uma vez, tudo do muito que conhece sobre o assunto. Seu trabalho, entretanto, pode ser lido com grande interesse, pois escreve de forma clara, simples e agradável. Gostei especialmente de algumas partes, como a abordagem da dança, da economia do templo, das várias etapas das festas, do rito de dar a fala aos orixás, da festa do peixe, dos rituais fúnebres, da "balança" esta desconhecida nos demais cultos afro - além de outros temas de que trata.

O trabalho vem preencher uma lacuna nos estudos afro-brasileiros, permitindo um conhecimento mais amplo do Batuque do Rio Grande do Sul.


A arte afro sul-rio-grandes vista pelas etnias concorrentes evidencia-se mais como tabu do que totem. Há necessidade de estudar, sistematizar e separar, o que de fato pertence ao mundo simbólico dessa etnia, que deu efetiva e importante contribuição, não só no Brasil, mas no Rio Grande do Sul.. Como no caso indígena esta etnia também não pode ser vista como um todo monolítico e um tipo acabado. No Brasil há milhares de pequenas influências tribais e de nações africanas, cada uma ostentando valores e concepções absolutamente distintas entre si. Os “maçambiques” da cidade de Osório[2] conseguiram, com muita dificuldade, preservar no Rio Grande do Sul, esse universo originário da África. Essas irmandades negras estavam sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário[3]. Os argumentos contrários dos europeus aos valores africanos são evidentes e correspondem a interesse claros do dominadores. A necessidade da dominação, exercida pelo europeu, só podia fazer enxergar o outro e o diferente no africano. Esse processo fez ver algo demoníaco e aberrante em qualquer manifestação cultural africana (Langer, 1997, p. 116). A elite, no final da escravidão, propunha o branqueamento da raça, coerente com o temor desta elite dos valores do OUTRO. Esse projeto de branqueamento da raça, é a forma mais subliminar de confessar os temores e uma busca desesperada para calar séculos de uma atroz escravidão física e espiritual do negro. O temor e a busca para silenciar uma cultura é uma forma de confessar a fraqueza e a pouca consistência da cultura européia. Este temor possui o seu fundamento no fato de que a cultura africana possui as suas raízes na origem da espécie humana e conseguiu, há muito tempo elaborar as suas perdas e as suas contradições.

[2] - AGUIAR BRANCO, Estelita - Maçambique: coroação de reis em Osório. Porto Alegre: Comissão Gaúcha de Folclore. 1999, 87 p.

[3] - A recitação do rosário já era praticada na repetição das mantras indianas e das suras alcorônicas. O cristianismo adotou esse ritual religioso ao longo da Idade Média. Muitos dos africanos eram muçulmanos e já possuíam a prática das recitações islâmicas. Assim o rosário foi naturalmente adotado para cultos católicos dos negros em substituição das práticas muçulmanas.

Fig. 05 – PRÉDIO ORIGINAL da IGREJA DO ROSÁRIO .

Iniciativa e realização da Irmandade Nossa Senhora do Rosário e conexão com a Festa de Navegantes - Porto Alegre - RS.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ros%C3%A1rio_(Porto_Alegre)


A arte afro-sul-rio-grandense possui uma evidente força subliminar e que escapa à lógica da análise racionalizada.. Contra o temor e a vontade de silenciar as raízes da cultura africana no Rio Grande do Sul, ela garantiu permanência e reprodução maiores do que cultura indígena. Esta, muito mais identificada e próxima da natureza, não conseguiu promover a interação com as outras duas culturas concorrentes com as quais entrou em contato. A cultura afro penetrou em toda a cultura sul-rio-grandense de forma subliminar. É possível surpreender as suas manifestações vivas das artes visuais em terreiros[1] , das festas de Nossa Senhora dos Navegantes, espalhadas por todo território do estado, como aquelas de Iemanjá e no carnaval.




[1] - CORRÊA, Norton F., 1988, 474 f


Fig. 06 – FESTA de IEMANJÁ.

02 de fevereiro - Cidreira - RS.


Para enfrentar, e para transformar em totens, os diversos tabus de silêncios inexplicáveis em relação ao regime escravocrata, são necessárias todas as forças do ânimo e as energias dos corpos. São necessárias todas as forças do ânimo para romper o tabu da imensa dívida da reparação econômica pelo trabalho apropriado do africano sem que tivesse o mínimo usufruto. O tabu do silêncio do judiciário em relação a queima da documentação, da hierarquia eclesiástica em relação à moral que se desenvolveu na senzala e em especial do capital que se acumulo em mãos alheias e não retornou para quem o produziu de fato.


Este processo não é uma simples vingança ou ajuste de contas. Trata-se do equilíbrio e da busca de autonomia, da possibilidade da dignidade e da continuidade das imensas potencialidades do africano possui da criação artística e das quais já deu mostras inquestionáveis.

Fig. 07 – FESTA de IEMANJÁ.

02 de fevereiro - Cidreira - RS.

Com a ajuda destas forças materiais e transcendentes, certamente é possível verdadeiro milagre de, não só localizar os fragmentos das culturas africanas que se mantiveram e desenvolveram no Rio Grande do Sul, mas re-estabelecer a verdade, a justiça e a beleza de que esta cultura é mensageira e portadora para um mundo mais humano.


CORREA, Norton Batuque no Rio Grande do Sul- antropologia de uma religião afro riograndense. São Luis-Maranhão : CA-Cultura & Arte, 2008, 295 p



Em relação as religiões afro-brasileiras - recomenda-se o texto disponível em

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-546X2002000200006


MAÇAMBIQUES – OSÓRIO RS

http://www.youtube.com/watch?v=iiyQTh32LBM&NR=1 Video

http://www.youtube.com/user/ColetivoCaracol Video

http://www.selomundomelhor.org/ Maçambique de Osorio-RS - Festa de Nossa Senhor do Rosário em Osório 2008Arquivado em Novo, VIDEOS por Alfredo Bello 24, December 2009 Vídeo

http://www.cantadoresdolitoral.com.br/m/nz-mb.htm


REINO DE OXUM LAVA a ESCADARIA da Igreja do Rosário de RIO PARDO

http://www.defender.org.br/grupos-afro-lavam-escadarias-da-igreja-matriz/

REINO DE OXUM e o NATAL da Igreja do Rosário de RIO PARDO

http://www.gaz.com.br/noticia/68765 celebracao_afro_integra_a_festa_de_natal.html


CARLOS ALBERTO OLIVEIRA pintor

http://www.camaranh.rs.gov.br/Materias.asp?IdMateria=605&Tipo=Artigo

Igreja do Rosário Foto

http://www.landelldemoura.qsl.br/igros.htm


WILSON TIBÉRIO

http://www.esculturagaucha.com.br/wilsontiberio.htm biografia

http://images.google.com.br/images?hl=pt-BR&source=hp&q=WILSON+TIB%C3%88RIO&um=1&ie=UTF-8&ei=kptbS5q3K8mh8AaTvb3uBA&sa=X&oi=image_result_group&ct=title&resnum=4&ved=0CB4QsAQwAw


OLIVEIRA SILVEIRA

http://www.geledes.org.br/oliveira-silveira/

http://www.overmundo.com.br/overblog/oliveira-silveira-contra-a-metafora-chapa-branca

http://www.overmundo.com.br/agenda/poemas-de-oliveira-silveira-vem-a-publico-no-20-de-novembro


CULTURA NEGRA e ARTES

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEimAi-IGgd31YyKXWaP3mAr1ydMoLbhmnuM4AWlLwyh-DM6bOiG__MiB2X5jOU4lGT6YhlBcUl10ADXjchk9DHlhV3pMZQTjhWlC0XItRiimnyN9PtZCB9wuaUv1aEG8FDfEAVPEvX71kyM/s320/Wilson+Tib%C3%A9rio.jpg&imgrefurl=http://negroearte.blogspot.com/2009/01/wilson-tibrio-1923-2005.html&usg=__MA05U2d5BAHLfLJq_haMbQUeaP0=&h=216&w=320&sz=30&hl=pt-BR&start=2&um=1&itbs=1&tbnid=u6YHFiGbUbzNlM:&tbnh=80&tbnw=118&prev=/images%3Fq%3DWILSON%2BTIB%25C3%2588RIO%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26um%3D1

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

ARTE SACRA SUL-RIO-GRANDENSE – 15

As MISSÕES do RIO GRANDE do SUL – JESUITAS – PROPAGANDA da FÉ Fig. 01 – LINTEL

Província de Missiones – Argentina : Missão de San Ignácio Mini – 1632 - Patrimônio Mundial da UNESCO em 1984, cantaria detalhe das ruínas. Foto : EDELWEIS



Na fronteira oeste do atual Rio Grande do Sul constituiu-se, nos séculos XVII e XVIII, uma parte de um vasto laboratório de uma experiência que buscou conectar mundo empírico da percepção e a Emoção humana com um projeto que privilegiava os sentidos humanos. As ruínas desta experiência são testemunhas mudas e que anteciparam a visão das ruínas atuais da era industrial e da informática. Ruínas que mostram, como toda crueza a obsolescência, cada vez mais acelerada, do mundo da fábrica. Ruínas que prefiguram a entropia a que estão sujeitos os apelos aos sentidos humanos dos recursos mediáticos possíveis com a eletrônica e que transformam os lugares, onde ocorrem, em estacionamento provisório de eventos.


Contemplando o cenário contemporâneo não existe nada tão atual e eficiente do que a conexão entre as obras de arte e os sentidos humanos. As Missões jesuíticas foram uma amostra acabada desta conexão. O cultivo da Emoção imediata, proveniente dos sentidos humanos, deixa de lado a primazia da Razão e comanda a nossa civilização ocidental. Os seus templos são os ‘shopping center’s’, estádios esportivos e lugares de celebrações coletivas.


Os campos da comunicação, da propagando, do marketing e da economia, proveniente da indústria cultural, conhecem este caminho que constrói o mundo empírico da percepção humana.


Nas ruínas das Missões é possível vislumbrar a antecipação da idéia da franquia, em cima de um produto testado e o deslocamento de sua produção para a periferia dos centros de decisão.

Fig. 02 – PORTADA.

Departamento de Itapúa - Paraguai: Missão de La Santíssima Trindad de Paraná - 1703 - Patrimônio Mundial da UNESCO em 1993, cantaria detalhe das ruínas Foto : EDELWEIS



Se a ruína deprime o ser humano, do outro lado, o que sobrou das Missões, demonstra que a criatura humana torna-se histórica na medida dos seus projetos. Esta historicidade é reforçada pela concepção de Le Corbusier[1] (in Boesiger, 1970, p.168) de que “nada é transmissível a não ser o pensamento”.



Para entender a eficácia universal na cultura humana, deste projeto, é necessário ler os Exercícios Espirituais escritos pelo Fundador da ordem dos Jesuítas. Os sentidos humanos ganham a centralidade e deles depende a eficácia do projeto. A leitura de um trecho deste texto



QUINTA CONTEMPLAÇÃO



121 – Será aplicar os cinco sentidos sobre a primeira e segunda contemplação. Depois da oração preparatória e dos três preâmbulos, aproveita passar aos cinco sentidos da imaginação pela primeira e segunda contemplação, da maneira seguinte:



122 – Primeiro ponto é ver as pessoas, com vista imaginativa, meditando e contemplando em particular as suas circunstâncias, e tirando algum proveito desta vista.



123 - Segundo ponto: ouvir, com o ouvido, o que falam ou podem falar, e, refletindo em si mesmo, tirar disso algum proveito.



124 – Terceiro ponto: aspirar e saborear, com o olfato e com o gosto, a infinita suavidade e doçura da divindade, da alma e das suas virtudes e de tudo, conforme a pessoa que se contempla. Refletir em si mesmo e tirar proveito disso.



125 – Quarto ponto: tocar, com o tato, por exemplo, abraçar e beijar os lugares que essas pessoas pisam e onde sentam; sempre procurando tirar proveito disso”

Inácio de LOYOLA (1491-1556) EXERCÌCIOS ESPIRITUAIS[2](1ª impressão em 1548)


Na percepção do indígena guarani o jesuíta, portador deste projeto, foi recebido por outras razões iniciais. Foi visto como salvação no trágico cenário que se formou no confronto entre duas letais presenças concretas dos “comanderos” espanhóis e dos “bandeirantes” lusos. Os caciques e suas tribos adotaram o jesuíta como a sua única saída viável, para escapar com vida. Com o passar do tempo, e pela propaganda e marketing, aderiram ao projeto dos cenários dos quais o inaciano era portador. O inaciano era tributário, por sua vez, da Contra Reforma, das teses do Concílio de Trento, da Propaganda da Fé e do Maneirismo. Maneirismo ao longo do qual Galileu Galilei (1564-1642) reforçou, com a suas descobertas, a concepção de que “o ser humano não era mais a medida de todas as coisas e nem a Terra o centro do Universo” como ainda acreditava o Renascimento italiano mais ortodoxo.



[1] BOESIGER, Willy . Le Corbusier Les Derniers œuvres Zurich : Artemis, œuvres complètes 1970, , v.8, 208 p.

Fig. 03 – PLANTA da MISSÃO de SÃO MIGUEL.

. www.memorial.rs.gov.br/cadernos/missoes.pdf

O jesuíta vinha de extrações de camadas populares européias com poucos recursos conceituais, patrimoniais próprios e individualmente preso, à uma guilda medieval européia, pelos seus juramentos, votos e contratos. Com esta parca autonomia pessoal era incapaz de exercer uma crítica isolada à ’propaganda da fé‘ e flexibilidade para fazer frente a uma cultura construída na dialética da `culpa e do perdão´. Entre os jesuítas há necessidade de distinguir o luso, do espanhol e o tirolês. O jesuíta luso dedicou-se às escolas, soube afirmar-se através do formalismo jurídico apreendido em Coimbra e atuou mais na Colônia brasileira. O jesuíta espanhol cultivou os hábitos dos nobres hereditários da sua terra, ao exemplo do fundador da ordem e de administradores inteiramente devotados ao Rei e a Espanha. O técnico e o obreiro era o tirolês (austríaco e bávaro). Quanto à disciplina formavam um exército de ‘Soldados da Companhia de Jesus’ no qual todas essas tendências foram unidas em rígidas hierarquias e normas impessoais. Quanto ao trabalho o jesuíta integrava-se a uma macro guilda medieval onde todos trabalhavam desinteressadamente para a maior glória de Deus. O índio acabou sendo a base desta guilda e nodalmente presa ao centro das decisões através dos seus próprios caciques cooptados pelo jesuíta[1].

O jesuíta exercia a função de sacerdote e de burocrata. Não atuava com xamã, ou como um profeta competente para transformar a partir das vivências concretas do meio indígena. Como sacerdote ele priorizava a administração formal da religião e comportou-se como burocrata até o último momento, sem capacidade pessoal de discutir as razões de sua expulsão do Rio Grande do Sul. Como soldado obedecia cegamente como um zumbi redivivo e sem vontade própria. Esta condição vedava-lhe o raciocínio pessoal a empatia humana de quem deixava atrás de si. A ascensão do jesuíta às funções de mando e de hegemonia cultural, entre os índios, com o poder de uma ação pedagógica institucionalizada, levou esse homem para um exercício burocrático e formal da autoridade que de fato não era dele, mas que permitia somente limitadas formas de interação humana com a base.




[1] - - Langer escreveu que “ a instância política de maior expressão na sociedade tribal, o `cacicazo´, teve as suas antigas prerrogativas respeitadas pelos jesuítas “ Ver também Meyer, 1960


Fig. 04 – CRISTO.

MUSEU JÚLIO de CASTILHOS Porto Alegre - RS.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_J%C3%BAlio_de_Castilhos


Depois de 1756[1], quando o jesuíta foi extirpado do comando, o índio missioneiro não teve condições de continuar o processo civilização. A destruição dos valores indígenas possui inúmeras vertentes e argumentos que impulsionaram o seu silenciamento. O índio não teve, ao longo do período missioneiro, menor condição de acreditar em si mesmo. O arcabouço do poder das Missões não havia entrado em interação humana com ele e nem repassado o efetivo núcleo do poder. Os índios acabaram incorporando-se à cultura européia filtrada, que o soldado da Companhia de Jesus lhe impunha como preço da sua salvação. A cultura, imposta ao guarani, acabou se ritualizando e formalizando. A capacidade imitativa e a natural curiosidade humana, fizeram com que o índio sul-rio-grandense acabasse se perdendo no oco da Contra-Reforma Inaciana que primava pela propaganda e publicidade dirigida aos sentidos humanos, e não a lógica, a razão e a autonomia. As Artes Visuais tinham um papel preponderante nesta ‘propaganda da fé’. O indígena transformou-se num típico artesão[2] de uma guilda medieval sob a orientação jesuíticas de fala espanhola. A sua autonomia artística é duplamente limitada pela sua posição de base dentro dessa guilda, na qual é um eterno aprendiz, e do outro um objeto de ideológica-proselitista da Contra-Reforma Inaciana, que temia o seu retorno no mundo mágico.

Nessas condições a ruína do projeto civilizatório inaciano em solo do atual estado do Rio Grande do Sul era inevitável.

A queima da etapa das Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul é exemplar para evidenciar como o projeto político e o projeto estético andam intimamente associados e interagem em profundidade, mesmo que essa relação não seja percebida e elaborada pelos seus agentes.



[1] GOLIN, Tau. A Guerra Guaranítica: como os exércitos de Portugal e Espanha destruíram os Sete Povos dos jesuítas e índios guaranis no Rio Grande do Sul. (1750-1761). Passo Fundo : PUF e Porto Alegre : UFRGS, 1998. 624 p.

[2] - TREVISAN, Armindo. A escultura dos Sete Povos. Porto Alegre : Movimento, 1978, 112 p

Fig. 05 – INFERNO.

Danúbio Gonçalves FACHADA IGREJA do TÚMULO do Pe REUS-- São Leopoldo - RS.

MOREIRA , Altamir A Morte e o Além . Porto Alegre : programa de Doutoramento em Artes Visuais- Instituto de Artes – UFRGS março de 2006 alt2mir@yahoo,com.br http://althamir.googlepages.com/artes

A imagem das obras de arte das Missões Jesuíticas[1] não foge de uma posição crítica proveniente das suas desproporções e rusticidade, por mais especular que seja. A imagem isolada de um anjo ilustra bem estas desproporções e rusticidade, apesar da sua cor que ostenta. Esta desproporção possui sentido didático e expressivo para o seu observador do qual não se conhece nenhuma crítica do que recebia.


Na erudição dos inacianos, aprendidos na melhores escolas de sua época, percebem-se nas suas obras os padrões da escultura européia que mergulha as suas raízes na escultura gótica e soma elementos que chegam ao maneirismo como é o caso de José Brasanelli. Damasceno[2] escreveu (1971, pp. 13-15) em relação a este artista:

José Brasanelli nasceu em Milão a 06 de janeiro de 1659 e faleceu a 17 de agosto de 1728, aos sessenta e nove anos, no Povo de Candelária, tal como João Batista Primoli.

Antes de ingressar na Companhia de Jesus, tendo estudado com os melhores e mais afamados arquitetos e escultores romanos, já se tornara conhecido e reputado.

Em 1696, com a idade de trinta e sete anos, portanto, encontra-se no Povo de São Borja, cujas construções ele projeta, orienta e administra, ali revelando extraordinária capacidade de trabalho.’ O incomparável Ir. Brasanelli – escreve Aurélio Porto em sua História das Missões Orientais – se desdobra em todos os setores de sua arte, construindo o templo, erguendo o Povo pelo risco que traçara, abrindo em talha os magníficos altares e adornado-os de estátuas formosíssimas, pois era notável escultor, e transmitindo a sua arte a índios que mais tarde se notabilizaram’.

Brasanelli serviu a diversas reduções. Mas principalmente ao núcleo missioneiro a que aludiu Aurélio Porto, ou seja, a de São Borja, Brasanelli daria o melhor de seus esforços fazendo-se admirara tanto quanto é certo que, na árdua e complexa empreitadas a que se devotou, duas circunstâncias poderosas seriam-lhe francamente adversas – A escassez e mesmo a falta de muitos materiais indispensáveis à obra e a já conhecida incapacidade dos nativos para qualquer tipo de atividade continuada.

A despeito de todos os obstáculos, Brasanelli cumpriu exemplarmente a tarefa que lhe foi confiada. E no desempenho dela se empregou fundo, levando a bom termo uma obra de porte notável. [..] Ms há de ser, sobretudo, na edificação e ornamentação da igreja que o artista se imporá, revelando de modo cabal, nos menores detalhes da obra, suas qualidades singulares. [..] A obra é digna de maior apreço, quer em seus aspectos arquitetônicos, quer no que toca a peças de talha e escultura que a decoram e enriquecem e das quais ainda existem exemplares de indiscutível valor artístico, como, além das estátuas, alguns retábulos, uma pia batismal trabalhada em pedra e medindo cerca de um metro e meio de altura e diversas imagens de santos. De um grande quadro aóleo, pintado por Brasanelli, figurando o padroeiro da Redução, bem como dos painéis da cúpula da igreja, há apenas notícias”

A academia e a erudição não fizeram mal a este jesuíta e nem o colocaram em conflito com a sua fé. Ao contrario, do alto de sua formação erudita pode contemplar o panorama da mesopotâmia formada pelos rios que deságuam no Rio da Prata e descer a planície com projetos consistes e coerentes com o meio físico e cultural. Isto incluía a desproporção intencional, a cor das carnações e do panejamento. Recursos estilísticos que mostram o alto grau de sensibilidade plástica e ao mesmo tempo a sobriedade que lhe confere todo o cunho devocional. Muitos dos rostos de santos, parecem inspirados no Belo Deus mainel da catedral de Amiens, do qual possuem os traços fisiognômicos.



[2] DAMASCENO. Athos. Artes plásticas no Rio Grande do Sul (1755-1900). Porto Alegre : Globo, 1971, 520 p

Fig. 06 – Os 4 CAVALEIROS do APOCALIPSE.

Danúbio Gonçalves - São Leopoldo - RS.

MMOREIRA , Altamir A Morte e o Além . Porto Alegre : programa de Doutoramento em Artes Visuais- Instituto de Artes – UFRGS março de 2006 alt2mir@yahoo,com.br http://althamir.googlepages.com/artes



Veja mais em


SPINELLI, Teniza, Escultura Missioneira em Museus do Rio Grande do Sul. ; Alf , 2008, 103 p.


TREVISAN, Armindo Escultura Missioneira. Porto Alegre : Movimento, 1978, 112p



Outras leituras em:


http://static.panoramio.com/photos/original/19171185.jpg


www.memorial.rs.gov.br/cadernos/missoes.pdf


http://www.margs.rs.gov.br/ndpa_sele_artemissioneira.php


http://www.caminhodasmissoes.com.br/news/index.php?noticia=247&titulo=A%20ARTE%20NAS%20MISS%D5ES%20JESU%CDTICAS%20DOS%20GUARANIS


http://barroco.gctec.com.br/ofjes.htm


http://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_J%C3%BAlio_de_Castilhos


http://pt.wikipedia.org/wiki/Escultura_do_Brasil



O presente artigo é solidário com o MUTIRÃO de COMUNICAÇÃO AMÉRICA LATINA e CARIBE a realizar-se de 03 a 07 de fevereiro de 2010 na PUC-RS Porto Alegre –RS.

http://muticom.org/cultural/

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

ARTE SACRA SUL-RIO-GRANDENSE - 14

RIO PARDO e a TRANQUEIRA INVICTA do PROJETO LUSITANO para o RIO GRANDE do SUL

Fig. 01 – RIO PARDO-RS –Plinio BERNHARDT: Casarões e Igreja Nossa Senhora do Rosário.

Iconografia Sul-Riograndense de Plínio Bernhardt/ Vinício Giacomelli Organizador – Porto Alegre : Brejo, 2009, p 64. Il



Rio Pardo constitui o útero da mais autêntica cultura sul-rio-grandense. Fiel da balança colocado na linha divisória entre as povoações de origem açoriana e o imenso Pampa[1] ela é a expressão de ambos estes lados. Do Pampa do qual provinham as legiões de espanhóis que Rio Pardo soube deter e derrotar, gerando a designação de “Tranqueira Invicta”.


Solidificado este ponto, Rio Pardo viu desfilar as pacíficas legiões dos silenciosos e recatados açorianos que buscavam a fixar-se cada vez mais distantes dela, mas sem perder a conexão com ela.

Fig. 02 – PLACA do MUSEU.

MUSEU de ARTE SACRA - Igreja de São Francisco - Rio Pardo - RS.

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Desta circulação de pessoas e riquezas geradas por elas, Rio Pardo acumula um patrimônio significativo para quem deseja compreender de onde veio e onde se formou uma parte central da identidade sul-rio-grandense. O berço de Araújo Porto-alegre (*1806-1879) continua a atrair a atenção de artistas, historiadores, educadores, museólogos e profissionais sensíveis com o de melhor que uma civilização produz.



O patrimônio da arte sacra está no vértice do legado de um município que cobria 60% do território do Estado quando foi criado em 1809. A sociedade rio-pardense tinha na religião, e continua a ter, um papel central e decisivo da civilização à qual diz pertencer e da qual a Arte sacra é a mais sólida e continuada expressão.



Escreve-se este texto, no desafio da solidariedade entre o aqui e agora, que busca conectar-se com o passado da “Tranqueira Invicta”. A crença, que perpassa este artigo, é que esta memória imaterial e material é essencial para que o Rio Grande do Sul mantenha, no futuro a elevação civilizatória semelhante àquela da qual tanto se orgulha.



Fig. 03 – IGREJA de São FRANCISCO e.

MUSEU de ARTE SACRA : ao lado - Rio Pardo - RS.


O estudante MANOEL SCHEIMANN da SILVA[1] do Curso de Especialização em Espaço Litúrgico e Arte Sacra oferecido pela Faculdade de Teologia da PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, ao longo do ano de 2008 foi visitar Rio Pardo, por iniciativa própria. Desta vista resultou um dos três “paper’s” que a disciplina de História da Arte exigia como critério de aprovação, alem da presença regulamentar nas aulas presenciais da disciplina. Neste texto A REPRESENTAÇÃO DOS “PASSOS DA PAIXÃO” NAS IMAGENS DA IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS RIO PARDO – RIO GRANDE DO SUL. Após percorrer fisicamente, fotografar e tomar notas ele retornou a uma revisão bibliográfica[2] fundamental para um texto do seu “paper”.



Manoel seguiu o pista certa. Encontrou Francisco Riopardense de Macedo. no seu livro “Rio Pardo – A arquitetura fala da história”, especificamente sobre a história da Igreja de São Francisco e seu acervo e as pesquisas feitas pelo memorável rio-pardense e grande promotor cultural daquele município Biaggio Tarantino,





[1] - Aproveita-se este artigo para corrigir o nome que no 7º artigos deste série foi grafado como ‘Manuel SHCHIEMANN da SILVA’ leia-se MANOEL SCHEIMANN da SILVA’

[2] BIBLIOGRAFIA CITADA por MNOEL

BARDI, Pietro Maria. Em Torno da Escultura no Brasil. São Paulo: Banco Sudameris do Brasil, 1989 (Col. Arte e Cultura XII/12).

BÍBLIA SAGRADA. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 1982.

DAMASCENO, Athos. Artes Plásticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Província, 1979.

ETZEL, Eduardo. Arte Sacra – Berço da Arte Brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1984.

__________. Imagem Sacra Brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1979.

MACEDO, Francisco Riopardense de. Rio Pardo - A Arquitetura fala da História. Porto Alegre: Ed. Sulina, 1972.

RAMOS, Maria Beatriz Cunha. Igreja das Dores: Importância Histórico-Cultural para a Cidade de Porto Alegre. Porto Alegre: Pallotti, 1989.

Röwer, Basílio. Dicionário Litúrgico. Petrópolis: Vozes, 3a. ed. 1947.

TARANTINO, Biagio. IMAGENS RELIGIOSAS DO BRASIL. Rio Pardo: s/e, 2003.

Fig. 04 – CRISTO MORTO.

IGREJA NOSSA SENHORA do ROSÁRIO - Rio Pardo - RS.


Na qualidade de restaurador e pesquisador da iconografia sacra, Manoel percebe o conjunto e escolhe o alvo do problema. A pesquisa, científica e sistêmica, a transformam em palavra que motiva a buscar como alvo a arte sacra em Rio Pardo. Palavra que orienta o olhar e que, por sua vez faz mover os braços na direção correta e com o máximo de economia do esforço humano e aplicação de recursos

Muito a de ser dito ainda sobre a iconografia representativa dos “Passos da Paixão” de Rio Pardo. Comparações com outros conjuntos escultóricos do Rio Grande do Sul, Brasil e Portugal contribuirá em muito para elucidar algumas questões envolvendo sua origem e a escola da talha, isso se realmente elas procederam de uma. O que não dá para negar é a representatividade dessas peças, das quais emanam uma singela mais marcante expressão, fruto de um tempo, de uma devoção e de uma forma de conceber a fé em Jesus Cristo – o Homem das Dores – aquele que para os cristãos entregou sua vida pela remissão dos pecados do mundo. Manoel Scheimann da Silva - 2008


Fig. 05 – VISITA ao MUSEU

MEMBROS da COMISSÃO de ARQUIDIOCESANA de ARTES SACRA de PORTO ALEGRE VISITaM o MUSEU de ARTE SACRA - Rio Pardo - RS. [ da esquerda para a direita] Cláudio DAMBROS, Nestor TORELLY, Analino ZORZI, não identificada, Pe. Sergio GHIARDELLO e Terezinha Ana LINBERGER MÜLLER.


Desapareceu toda uma geração do cenário das lutas pela memória e preservação de Rio Pardo. Geração formadapor Biaggio Tarantino(*1903–†1976)., Dante Laytano (*1908-†2000), Plínio Bernhardt (*1927-†2004), Francisco Riopardense Macedo(*1921-†2007) , entre muitos outros nomes.


Levantam-se muitas outras vozes e ações em defesa da consolidação nó só da memória, mas instituições com credibilidade social e cultural. Entre eles encontra-se o incansável e simpático paulista Sérgio Ghirardello, sacerdote e vigário da Igreja do Rosário de Rio Pardo. De celular em punho coordena ações paroquiais, municipais, estaduais e federais par atingir o status de reconhecimento das Missões jesuíticas, tomadas pela Unesco. Na sua corajosa decisão de fechar o prédio da Igreja do Rosário para uso religioso, não só chamou a atenção dos atuais fiéis, mas da prefeitura, da mitra de santa Cruz e do Núncio Apostólico no Brasil. De outra parte são freqüentes as suas visitas ao Museu de Arte Sacra de Rio Pardo e aos continuadores da obra de Biaggio Trantino na “Associação Zeladora da Igreja de São Francisco de Rio Pardo”, fundada 14 de maio de 1947, mantenedora deste o Museu com as preciosas imagens da Paixão Um grupo liderado por Terezinha Ana Linberger Müller, mantém as portas abertas desta instituição para o público em geral e para visitas de especialistas deste patrimônio. Associação formada de pessoas adultas capazes de dar de si mesmas muito mais do que receberam.


Certamente o jovem e entusiasta MANOEL SCHEIMANN DA SILVA somou-se e sentiu-se entre seus pares nas missões culturais que abraça. Ele está coberto de razão quando busca uma conexão deste patrimônio que atinge as altas e transcendentes estratosferas dos bens imateriais, que poucos percebem, com patrimônio dos bens econômicos e materiais, que todos percebem.

Conectando o mundo imaterial com o material, Manoel escreveu:

"Cada vez mais se faz necessário a criação de um fundo por parte da igreja católica, para pelo menos suprir as urgências de manutenção de seus templos históricos e acervos iconográficos, para que não fique sempre na dependência de recursos públicos. Não se pode deixar que esses monumentos sejam eles móveis ou imóveis as vezes por décadas, sem ao mínimo uma vistoria de manutenção. Por vezes só se detecta o problema quando começa chover dentro ou pedaços do telhado ou forro começam desabar, evidentemente que numa situação dessas os investimentos serão de grande monta, com grande dificuldade para que as comunidades sozinhas possam arcar com as despesas. Na questão do patrimônio cultural precisamos cada vez mais criar a “cultura do prevenir”, para evitar mais perdas das referências históricas tão caras para vida e memória dessas localidades

Fig. 06 – INTERIOR da IGREJA SÃO FRANCISCO .

FIGURAS da PAIXÃO – Nos altares da parede do lado direito - Rio Pardo - RS.



Conclui-se este artigo com a firme convicção de que a “Tranqueira Invicta” não perdeu a sua funcionalidade. Diante da barbárie e da legião anônima dos escravos e de saqueadores, possa resistir e iniciar um futuro para os seus filhos e para a identidade sul-rio-grandense proveniente do melhor que a humanidade sabe fazer.

A motivação da cidade, que nasceu ao redor do forte Jesus, Maria e José[1], constitui sentido na medida em que ela arregimentar, munir da palavra adequada e praticar as ações coerentes de resistência e bases de um novo futuro.


Rio Pardo do aqui e do agora, conectada a esta memória imaterial e material, é essencial para a identidade e sentido para todo o Rio Grande do Sul. Memória imaterial que possui o seu vértice na Arte Sacra.



Iconografia Sul-Riograndense de Plínio Bernhardt/ Vinício Giacomelli Organizador – Porto Alegre : Brejo, - Apoio da Casa de Cultura Érico Veríssimo CEEE - 2009, 72 p. Il


Confira mais sobre ARTE SACRA em RIO PARDO em:

NÚNCIO APOSTÓLICO visita a Igreja do Rosário de RIO PARDO

http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=115&Numero=46&Caderno=9&Noticia=56784

www.gazetadosul.com.br/arquivos/pdf/231360.pdf Gazeta do Sul Santa Cruz do Sul 14/15.11.2009

www.gazetadosul.com.br/arquivos/pdf/231468.pdf Gazeta do Sul Santa Cruz do Sul 17.11.2009


SEMANA SANTA a Igreja do Rosário de RIO PARDO

http://www.joaodick.com.br/content/view/218/95/


REINO DE OXUM LAVA a ESCADARIA da Igreja do Rosário de RIO PARDO

http://www.defender.org.br/grupos-afro-lavam-escadarias-da-igreja-matriz/


REINO DE OXUM e o NATAL da Igreja do Rosário de RIO PARDO

http://www.gaz.com.br/noticia/68765 celebracao_afro_integra_a_festa_de_natal.html




[1] - http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_Jesus,_Maria,_Jos%C3%A9_do_Rio_Pardo



O presente artigo é solidário com o MUTIRÃO de COMUNICAÇÃO AMÉRICA LATINA e CARIBE a realizar-se de 03 a 07 de fevereiro de 2010 na PUC-RS Porto Alegre –RS.

http://muticom.org/cultural/