terça-feira, 29 de março de 2016

162 - A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA no BRASIL – Sumário

A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA no BRASIL
[sumário]

Publicam-se, a seguir, os sumários de cinco postagens que tratam da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA no BRASIL  disponíveis nos endereços eletrônicos na rede mundial. Estas cinco postagens tratam desta MISSÃO quando, em 2016, completam-se duzentos anos da sua presença, das suas ações e das repercussões em território nacional.

O CONDE da BARCA, JOAQUIM LE BRETON e os IRMÃOS von HUMBOLDT.

O Conde da Barca foi assaltado, em todas as gazetas Inglezas, como um partidista Francez. O mesmo Correio Brazilienie copiou essas infâmias ¿ Quanto nos regogisamos de as poder contradizer com a authoridade do Soberano¿ ” 
Correio Braziliense, fevereiro de 1816, p.191
Fig. 01 – A Missão Artística Francesa veio ao Brasil graça a mediação de Antônio de Araújo e Azevedo (1758-1817) - Ministro e Secretario de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos do Reino Unido Portugal Algarves e Brasil o 1º Conde da Barca. Esta mediação com a corte lusitana - hospedada , em 1816, no Rio de Janeiro – teve dificuldades e drásticas limitações. No entanto quando se rememora dois séculos desta iniciativa este projeto teve saudáveis projeções e que repercutem até os dias atuais. 

A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA no BRASIL envolveu a mediação do CONDE da BARCA, de JOAQUIM LE BRETON e os IRMÃOS von HUMBOLDT. O Conde da BARCA foi responsável por um amplo projeto civilizatório destinado ao Brasil soberano. Para tanto manteve contatos continuados pessoais com a intelectualidade de proa como os IRMÂOS HUMBOLDT e Joaquim LE BRETON. Este último havia sido o Secretário Perpetuo do “INSTITUT de FRANCE” ao longo da Revolução Francesa e no Império de Napoleão Bonaparte. Os IRMÃOS von HUMBOLDT haviam criado a UNIVERSIDADE que leva o seu nome. Alexandre von HUMBOLDT conhecia a realidade da América enquanto o Barão Johann William von HUMBOLDT era diplomata europeu muito atento à nova realidade emergente da ERA INDUSTRIAL. Esta nova realidade afetava diretamente as realidades institucionais da Europa da época. Elas reagiam ao Iluminismo, à Revolução Francesa e às intensas e gigantescas campanhas napoleônicas. Para materializar estes contatos, o CONDE da BARCA trouxe ao Rio de Janeiro uma expressiva biblioteca e obras de arte. Ele cogitou destiná-las a serem sementes de instituições culturais de uma nova nação soberana.
Eduard Hildebrandt (1818-1869) Salvador (1844) Bahaia
Fig. 02 – Aparência  de Salvador  BAHIA  um pouco após a época da  viagem a Missão Artística Francesa ao Brasil.  A ambição e  a mediação do 1º Conde da Barca destinava  o projeto da Miissão para todo o território brasileiro  Porém com a soberania nacional este hábito centralista e monocrático da corte lusitana deslocou-se de Lisboa para ao Rio de Janeiro. Enquanto isto as antigas CAPITANIAS foram transformadas em PROVINCIAIS IMPERIAIS. De outra parte seguia centralismo monocrático da tradição da França comandada e dependente de Paris.  .  .
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As atividades e os contatos do Conde da Barca com a cultura  francesa valeram-lhe reações silenciosas e persistentes das elites dos favorecidas provenientes da ERA COLONIAL BRASILEIRA. O editor do CORREIO BRAZILIENSE teve ocasião de perceber esta situação e tentar remediá-la um ano antes da morte de Antônio de Araújo e Azevedo Conforme este registro e reparação o Conde da Barca e Hipólito José da Costa estavam em lados e regimes opostos em relação aos franceses. O Conde da Barca sempre se pautou pela Ciência, cultura e Diplomacia francesas, enquanto Hipólito tinha aderido ao lado britânico e contra Napoleão Bonaparte. Temos de reconhecer no editor do CORREIO BRAZILIENSE as virtudes e para conferir qualidades mesmo naqueles que pertencem  e militam num paradigma oposto ao seu.
Porém esta reação silenciosa e persistente das elites favorecidas, provenientes da ERA COLONIAL BRASILEIRA, custou caro para a fortuna, o progresso resultados práticos que a MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA. O Brasil perdeu a contribuição do Conde da Barca naquilo que potencialmente esta MISSÃO poderia ter contribuído no desenvolvimento da Arte da Cultura e da Indústria brasileiras.
No entanto estavam lançadas as sementes trazidas pela MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA. Ela continuam  germinar e ainda produzir seus frutos em 2016
LEIA MAIS em:
0-131 NÃO FOI no GRITO

Fig. 03 – O texto da  carta de Joaquin LE BRETON (1760-1819)[1]  ao CONDE da BARCA guarda ainda a essência do projeto da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA. O seu pensamento busca  interação do PODER ORIGINÁRIO com  ESTADO NACIONAL em formação..  Defenestrado do cargo de Secretário Perpétuo do INSTITUTO da FRANÇA recomeçava no Brasil o seu ideário. No comando da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA, ofereceu o melhor do seu pensamento e obra ao Reino Unido com o objetivo da formação de um novo  ESTADO NACIONAL soberano.

CARTA de LE BRETON ao CONDE da BARCA
O pesquisador Mario Barata (1921-2007)  encontrou no acervo dos documentos do Itamaraty uma carta de Joaquim LE BRETON e a publicou no final da década de 1950[2]. O texto, desta carta, é datado do dia 12 de junho de 1816 e teve um curto trânsito e foi pouco divulgada e menos estudada. Não temos certeza se o próprio destinatário o recebeu, o colocou em prática e muito menos se o respondeu.
Neste documento Joaquim LE BRETON tentou  conferir uma linha de pensamento governamental e um sentido administrativo e um conteúdo básico para o início institucional das artes no Brasil. Porém a ênfase maior deste texto recai sobre a SOCIEDADE, o LUGAR e o TEMPO que deveriam receber uma  instituição de arte nos moldes europeus da época. O seu autor estava impregnado pelas ideais iluministas enquanto refletia sobre os sucessos e fracassos da Revolução Francesa e do Império Napoleônico.  Le Breton aproveitava a ocasião para tentar dar uma forma à Era Industrial emergente na época e a adaptá-la ao que seria possível numa terra na qual a ERA AGRÍCOLA reinava ainda hegemônica e inconteste. O pensamento e a experiência do Secretário Perpétuo do “Institut de France” colocava-se diante desta realidade nova. Ele comandava uma MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA contratada e ao serviço da burocracia do BRASIL UNIDO.  Na sua carta ele sintetizava as suas concepções e buscava transferi-las ao Novo Mundo. Porém esta tentativa teve vida curta. Vida que durou até o dia 12 de agosto de 1816. Nesta data a burocracia governo do BRASIL UNIDO adotou um paradigma completamente diferente do sugerido por Joaquim LEBRETON para criar a  “ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS.

Acredita-se que o PENSAMENTO  permanece, razão pela qual publica-se o texto deste documento descartado neste projeto. Destaca-se que o texto - desta carta de 1816 - expressa o PENSAMENTO de um PROJETO anterior ao FAZER. Quando este FAZER veio ao mundo, a corte monocrática adotou uma forma de uma instituição burocrática e patrimonialista. O paradigma adotado ainda estava mergulhado na ERA AGRÍCOLA e era refém desta  lógica. 



[2] REVISTA do PATRIMÔNIO ARTISTICO NACIONAL - nº 14 -  1959      http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/RevPat14_m.pdf
D. Miguel Angel Blasco | Prospectiva da cidade do Rio de Janeiro, 1760
nanquim, aquarela, papel canson telado | 67 x 247 cm
Fig. 04 – A MISSÂO ARTISTICA FRANCESA como também  LE BRETON estavam no Rio de Janeiro por uma NECESSIDADE objetiva e determinante. A  imigração para os quatro cantos do mundo era, em 1816, a sina de milhões de europeus compelidos  pela nova ERA INDUSTRIAL a mudar hábitos, modos de produção e domicílios  multisseculares. Esta NECESSIDADE não impedia o seu TRABALHO e os seus PROJETOS. Ao contrário encontravam uma  TERRA ONDE HAVIA TUDO a FAZER. Na institucionalização da ARTE no âmbito governamental no território brasileiro estava tudo para acontecer ainda.
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Nos méritos do projeto de Joaquim LE BRETON  é necessário destacar que a AVALIAÇÃO da EDUCAÇÃO INSTITUCIONAL nas ARTES só e possível a partir de um PROJETO. O texto  e o PROJETO, construído por LE BRETON,  concebe componentes teóricos e da logística institucional que sobre passam qualquer  estética particular, técnica determinista ou agentes personalistas e insubstituíveis. Ele mesmo, e o seu patrono, pereceram pouco tempo após esta carta. Contudo não se perdeu em ideias imponderáveis e abstratas. Para se alçar a este patamar superior referendou, o seu projeto, simultaneamente nas suas circunstâncias POLÍTICAS, ECONÔMICAS, TÉCNICAS e SOCIAIS BRASILEIRAS da ÉPOCA. Colocou este projeto no início do caminho e da ação a ser concretizado no âmbito do NOVO MUNDO. LE BRETON seguiu a lógica de que não adianta correr, saltar obstáculos realizar rupturas epistêmicas sem um PROJETO. Com as suas recentes experiências pessoais na Europa sabia para onde era possível ir, o que era possível gastar, como realizar e quais escolhas irreversíveis a serem enfrentadas.
Involuntariamente o projeto de LE BRETON possui outro mérito. Ele nada ficou a dever ao FAZER monocrático,  eclético e patrimonialista da corte. Isto porque  o seu  projeto não foi adotado e nem misturado com uma instituição burocrática e de curto alcance. Em compensação a matriz das ideias do Secretário Perpétuo do “Institut de France” pode ser consultada, criticada e ganhar uma dimensão atual e universal para as culturas em trânsito como as atuais.  
Outro mérito e não cair na tentação utopista e quixotesca. Nesta ascese LE BRETON silencia muitas coisas que não podiam ser ditas e nem enfrentadas na época. Em 1816 a ruptura com um passado colonial e escravocrata era algo impossível no Brasil. O Regime Colonial e a escravidão impregnavam subliminarmente ideias, hábitos de sua época e barravam qualquer iniciativa frontalmente antagônica. Talvez este projeto de LE BRETON  ainda é muito arrojado no Brasil do ano de 2016.

LEIA o TEXTO da CARTA de LE BRETON ao CONDE da BARCA  em:
151 – LOGÍSTICA em ESTUDOS de ARTE:  Indústria e Arte no Brasil em 1816


Portal da Imperial Academia no Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Fig. 05 – O Rio de Janeiro guarda alguns  vestígios da passagem de Dom João VI e da presença da MISSÃO ARTÍSTICA. Cientistas (palmeias reais) e artistas (pórtico da IABA) de nível internacional acorreram pela mediação na corte lusitana destinava no Brasil. O DIA da ARTE no Brasil busca estes vestígios institucionais que se prolongam a partir deste projeto civilizatório desencadeado no dia 12 de agosto de 1816.

12 de agosto: DIA da ARTE no BRASIL.
O DIA da ARTE rememora o ocorrido em 12 de agosto de 1816. Nesta data o governo do BRASIL UNIDO criou oficialmente a “ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS”[1]. Assim o 11 de agosto rememora o dia ADVOGADO devido a criação das Faculdades de Direito de São Paulo e de Olinda, em 1827.
O DIA da ARTE de 12 de agosto de 2016 possui um significado especial, pois esta data marca o bicentenário desta criação do 1º Curso Superior de Arte no Brasil.
 A criação oficial da “ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS” no Brasil - acima do mérito e da natureza da instituição possível na época para a Artes -  os seus agentes primordiais são o rei Dom João VI,  o CONDE da BARCA, Joaquim LE BRETON e MISSÃO ARTISTICA FRANCESA.
A data de 12 de agosto de 1816 constitui uma espécie de prelúdio, ou um ensaio, da SOBERANIA BRASILEIRA de PORTUGAL. A concepção da “ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS” foi realizada no âmbito do NOVO MUNDO, concretizou-se e consolidou a expressão da sua autonomia, sem depender da antiga metrópole lusitana.

LEIA MAIS em:
0-158 - ESTUDO das ARTES – O DIA da ARTE



[1] DECRETO REAL do dia 12 de AGOSTO de 1816 cria a ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS
Fig. 06 –  Os restos do pórtico da Imperial Academia de Belas Artes deslocados,  no início do século XX, para o Jardim Botânico  do  Rio de Janeiro marcam simultaneamente os vestígios da passagem de Dom João VI e da presença da MISSÃO ARTÍSTICA. Cientistas de nível internacional passaram a dar atenção redobrada ao potencial vegetal do Brasil em função das exigências de insumos cada vez mais volumosos e específicos exigidos pela lógica da ERA INDUSTRIAL. Esta cobiça internacional a apátrida exigia a contrapartida  de um  projeto civilizatório nacional do Brasil. para cuja lógica e visibilidade a Arte e os seus agentes qualificados eram convocados, institucionalizados e remunerados. O dia 12 de agosto de 1816  representa um ponto no tempo que marca este contexto de busca do mundo simbólico brasileiro.

PINTURA HISTÓRICA.
Cada pintor estudou os grandes modelos de sua arte e se esforçou para deles apanhar alguma coisa; mas nenhum pintor que ensina pode substituir-se às obras dos grandes mestres. Pelo contrário, os professores, de alguma maneira, delas tem tanta necessidade quanto os alunos, para demonstrar os princípios e a fim de se sustentarem a si próprios
MEMÓRIA do CAVALEIRO JOAQUIM LE BRETON para o ESTABELECIMENTO da ESCOLA de BELAS ARTES, no RIO DE JANEIRO[1].



[1] - CARTA de LE BRETON ao CONDE da BARCA
REVISTA do PATRIMÔNIO ARTISTICO NACIONAL - nº 14 -  1959
Fig. 07 – Jean Baptiste DEBRET trazia para os trópicos os aparato simbólicos colocado em circulação pela imprensa da ERA INDUSTRIAL O seu  referencial eram as descobertas e retomadas do mundo Greco-romano empreendido pelo iluminismo e adotado na corte de Napoleão Bonaparte.   No dia 06 de fevereiro de 1818,  dois anos após a chegada ao Rio de Janeiro Debret teve ocasião de projetar e montar a decoração do Palácio no qual Dom JOÃO VI tomava posse como REI de REINO UNIDO de PORTUGAL, BRASIL e ALGARVES.

As concepções de PINTURA HISTÓRICA, presentes no projeto de Joaquim LE BRETON, são bem mais amplas do que a simples narrativa pictográfica de um tema ou de assunto do passado.   Referem-se a capacidade do artista situar-se no seu TEMPO, LUGAR e SOCIEDADE para construir algo original e novo que por sua vez é origem de uma tradição, de outra escola e produzir obras únicas.
Estas concepções de PINTURA HISTÓRICA buscam evitar o que na CIÊNCIA e TECNOLOGIA seria a “reinvenção da roda”. Em última análise esta concepção de PINTURA HISTÓRICA busca gerar um campo de pesquisas estéticas nas quais o artista está na autonomia intelectual, sente-se como proponente de algo novo. Assim PENSA e AGE com nome próprio como alguém responsável que principia algo (príncipe).
Para a cultura colonial e escravocrata brasileira esta concepção de PINTURA HISTÓRICA era algo impensável. Esta revolução deve-se à MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA e está evidente em cada linha da carta escrita por Le Breton para o Conde da Barca e datada do dia 12 de junho de 1816.
LEIA MAIS em:
0-159 - ESTUDO das ARTES – PINTURA HISTÓRICA



 A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA e  a ERA INDUSTRIAL no BRASIL

Criando simultaneamente uma Escola de Belas Artes, ‘los nobles artes’, e uma escola de desenho para as artes e ofícios, se possa preservar a primeira pela segunda”. Le Breton, 12 de junho de 1816.
Fig. 08 – Jean Baptiste DEBRET desceu e registrou a vida diária da metrópole do REINO UNIDO de PORTUGAL, BRASIL e ALGARVES.  As lojas comerciais eram extensões diretas das oficinas e dos ofícios artesanais  Assim estão distantes de qualquer produto da ERA INDUSTRIAL Tanto os produtores como os consumidores conservam esta mediação direta e pessoal característica da ERA AGRÍCOLA apear de a cena ser urbana. A imagem ainda esta isenta de qualquer representação de algum produto resultante da ABERTURA dos PORTOS para as nações amigas, além de alguns panos e tecidos dos personagens..

Os milhões dos deslocados da Europa, do início do século XIX, estavam afetados, de uma ou outra forma, pela emergente ERA INDUSTRIAL. Alguns eram sobras rurais da ERA AGRÍCOLA e que não se enquadravam na vida urbana exigida por esta nova etapa tecnológica. Outros buscavam insumos, mercado e trabalho nesta nova e desconhecida infraestrutura tecnológica. 
Fig. 09 –  Jean Baptiste DEBRET registrou de forma  implacável as práticas técnicas  da ERA AGRÍCOLA que moviam o Brasil em 1816 A força motriz ainda é confiada as braços humanos dos escravos. Os instrumentos do trabalho e os seus matérias são aquelas da Idade Média. O DESENHO - apregoado na carta de LE BRETON - ainda está no devir, pois tudo dependia da tradição oral, das práticas e hábitos dos mestres formados no rígido e intransmissível exercício pessoal e profissional.

A ERA INDUSTRIAL exige a concepção, o domínio e a leitura do DESENHO técnico. Nesta etapa o processo de produção é DESENHADO e comandado por um sistema com ENTRADA, ELABORAÇÂO e SAÍDA.
Neste sistema da LINHA de  MONTAGEM cabe ao operário  um lugar fixo e único, com um tempo e uma operação comandada por um projeto. Projeto DESENHADO sobre o qual ele não tem mais a concepção do todo e o controle do conjunto das operações técnicas, como ele estava acostumado no artesanato.
A incipiente indústria e comércio franceses estavam arruinados e sem perspectivas concretas após as Guerras Napoleônicas. Uma das ações da Missão Artística Francesa visava canalizar para o território brasileiro esta capacidade ociosa industrial francesa. Le Breton e o Conde da Barca planejavam meios para que estes experientes profissionais europeus preparassem tanto os intelectuais artistas como os técnicos capazes de prever, conduzir mão de obras especializada para os primórdios da ERA INDUSTRIAL. Planejavam interessar a INICIATIVA CIDADàdos empreendedores para que capitalizassem, disseminassem a ERA INDUSTRIAL para todo vasto território do Brasil e colhessem os seus resultados.
LEIA MAIS em:
0-160  - ESTUDO das ARTES – ARTE e INDÚSTRIA no BRASIL
Antônio Cândido  de MENESES (1826-1908) - Dom Pedro II  - 1872 – Museu Júlio de Castilhos
Fig. 10 – A imagem hierática do Imperado Dom Pedro II[1] pintada pelo artista sul-rio-grandense Antônio Cândido de Menezes[2] . Coma aluno da IABA, ele devia o seu repertorio simbólico e o se fazer  técnico da pintura a óleo que a Missão Artística Francesa trouxe ao Brasil  A Missão Artística Francesas estendeu - no extremo oposto desta produção oficial, hierática e simbólica -  a pintura do retrato à óleo para a imagem cidadã  sem restrições. Por muito tempo a fotografia foi a base técnica destes retratos a tinta de óleo  de cidadãos avulsos.. Mas o que é notável nesta obra é o NOME do ARTISTA preservado conforme a tradição da AUTONOMIA do ARTISTA e cultivado no legado da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA implantada oficialmente no BRASIL a partir do ano de 1816 . Antes desta data a pintura brasileira era anônima e sem assinatura pessoal do artista.


 A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA e a INICIATIVA CIDADÃ no BRASIL

Basta que alguns negociantes lhes assegurem trabalho e existência, fornecendo-lhes locais para as oficinas e as matérias primas; façam tais negociantes com que se vendam os produtos de trabalho e deixem parte do lucro aos chefes das oficinas e o objetivo será alcançado”. 
  Le Breton em 12 de junho de 1816 ao Conde da Barca,
Fig. 11 – A bandeira brasileira[1]  desenhada por Jean Baptiste DEBRET (1768-1848)[2], membro da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA,  marcou simbolicamente todo o REGIME IMPERIAL e teve pequena alteração no REGIME REPUBLICANO desenhado por Décio VILLARES [3] outro discípulo da Imperial Academia debelas Esta mediação na corte lusitana destinava ao Rio de Janeiro. Contudo a ambição era para todo o território brasileiro

A cultura brasileira continua a dever para a MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA a deflagração da faísca inicial da movimentação coletiva a favor da ARTE proveniente do ESTADO BRASILEIRO somada à INICIATIVA CIDADÃ. Como foi visto no texto acima, esta energia inicial ainda é perceptível. Percepção possível apesar da distância no tempo, do evento parecer microscópico e pontual. MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA esquecida no meio dos ruídos das mudanças de regimes, da obsolescência e da entropia. Entropia e obsolescência provocadas pelas sucessivas eras tecnológicas e pelos antagonismos econômicos e políticos que se colocam entre o ano de 1816 e o e 2016.

LEIA MAIS em:
0-161  - ESTUDO das ARTES – ARTE e INICIATIVA CIDADÃ



[1] - Bandeiras brasileiras e a MISSÂO ARTÌTCA FRANCESA  https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_do_Brasil

[3] - Décio VILLARES aluno da IABA https://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A9cio_Villares
Fig. 12 – São Paulo tornou-se a metrópole econômica do Brasil.  Colocou na prática o projeto  da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA. Sem vínculos diretos com este projeto a INICIATIVA CIDADÃ PAULISTA criou, equipou e mantém ativo, até o presento, o seu LICEU de ARTES de OFICIOS[1]. Manteve os contatos diretos com a origem e cultura da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA. Avançou  decidido para a mentalidade  e as práticas da ERA INDUSTRIAL sem se prender ou mitificar  as fontes das recomendações da carta datada do sai  12 de junho de 1816.de Joaquim Le Breton ao Conde da Barca.

   Na cultura brasileira qualquer processo de atualização é barrado pela entropia de uma terra próxima das leis implacáveis da NATUREZA que continua a militar a implacavelmente contra esta mudança. Qualquer processo de atualização é desviado e corrompido por uma ANTROPOFAGIA que devora tudo sem processo seletivo e sem digestão. A própria ERA INDUSTRIAL - em fase de migração para a ERA PÓS-INDUSTRIAL – impõe uma rápida e implacável obsolescência programada. Este processo de atualização é impensável numa cultura não afeita a estas rupturas de paradigmas e mudanças  coerentes com o seu TEMPO, o seu LUGAR e a sua SOCIEDADE
Fig. 12 – A presença do pensamento e da simbólica da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA é mais visível na capital do Reino Unido, do  Império e de grande parte do regime Republicano. O regime Republicano não teve duvidas em adotar o pensamento e a imagem da Atenas, quando da criação da primeira Universidade brasileira, em 1931,  para todo território nacional. Imagem que era proveniente  em  linha direta do do iluminismo e do Neoclássico  e trazida ao Brasil pela Missão Artística Francesa. Foi esta mesma universidade que recebeu e  acolheu a herança e acultura da MISSÃO ARTÌSTICA FRANCESA. Institucionalizados sucessivamente na “Escola Real, de Belas Artes e Ofícios” (REINO UNIDO), na “Imperial Academia de Belas Artes” e na “Escola Nacional de Belas Artes” A “ESCOLA de BELAS ARTES da UFRJ” responde, hoje, pela herança destes nomes e do seu patrimônio simbólico e material da MISSÂO ARTÌSTICA FRANCESA.
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