quinta-feira, 10 de março de 2016

159 - ESTUDO das ARTES – PINTURA HISTÓRICA


PINTURA HISTÓRICA.

“Cada pintor estudou os grandes modelos de sua arte e se esforçou para deles apanhar alguma coisa; mas nenhum pintor que ensina pode substituir-se às obras dos grandes mestres. Pelo contrário, os professores, de alguma maneira, delas tem tanta necessidade quanto os alunos, para demonstrar os princípios e a fim de se sustentarem a si próprios”

MEMÓRIA do CAVALEIRO JOAQUIM LE BRETON para o ESTABELECIMENTO da ESCOLA de BELAS ARTES, no RIO DE JANEIRO[1].


[1] - CARTA de LE BRETON ao CONDE da BARCA
REVISTA do PATRIMÔNIO ARTISTICO NACIONAL - nº 14 -  1959
Jackson POLLOCK (1912-1956)  - Foto pintando
Fig. 01 –Jackson POLLOCK atingiu a essência da PINTURA após um longo aprendizado da HISTÒRIA[1].   A TINTA sobre uma SUPERFÍCIE e coerente com as pesquisas do SILÈNCIO e o TEMPO na MÙSICA propostos e praticados por um John Cage ou do GESTO CORPORAL na DANÇA.de um Merce Cunnngham (1919-2009) [2]

Os agentes da ERA INDUSTRIAL provocaram uma enorme distorção e uma redução no sentido e no significado da PINTURA HISTÓRICA. A ERA INDUSTRIAL necessitava uma simplificação conceitual unívoca e linear, para efeito de propaganda, marketing e mercado de arte.  Ao confundir TEMA com a NATUREZA da PINTURA HISTÓRICA os agentes da ERA INDUSTRIAL estavam com a mente e as vistas voltadas para a linearidade e unidade que coubessem num SISTEMA de ARTE.
MONET Claude(1840-1926) Impressão ao Nascer do Sol (1872) óleo -48x63 cm
Fig. 02 – Após um desvio - no qual a PINTURA esteve subjugada aos TEMAS  e ao ANEDOTÀRIO da HISTÒRIA - os pintores do movimento Impressionista retornaram para essência das TINTAS sobre uma SUPERFICIE.   Aceitam de novo que as humildes  TINTAS sobre uma SUPERFÍCIE como NATUREZA de sua ARTE. Com esta escolha escancararam caminhos que não cessam de se renovar e trazer desafios sem fim.

O estrago estava feito e tornou-se um problema navegar contra a corrente desta opinião geral destes agentes da ERA INDUSTRIAL. Porém Aristóteles já apontava um meio para perceber, aceitar e transformar esta contradição numa fecundo complementariedade. Ele afirmava (Tópicos I–11) que “a tese é uma suposição em conflito com a opinião geral”[1].


[1] “Que uma tese, por outro lado, também constitui um problema, é evidente: pois do que dissemos acima deduz-se necessariamente que ou a grande maioria dos homens discorda dos filósofos no tocante à tese, ou uma ou a outra classe está em desacordo consigo mesma, já que a tese é uma suposição em conflito com a opinião geral”. 

GIOTTO de BONDONE – São Joaquim entre os pastores
Fig. 03 – GIOTTO de BONDONE ( 1263-1337)[1] rompeu com a pintura dos ícones bizantinos recobertos de filigranas, pedras preciosas e  seus fundos dourados.   A TINTA sobre uma SUPERFÍCIE e coerente com as pesquisas da retomada dos clássicos latinos e gregos. Os ensinamentos e os exemplos de São Francisco de Assis apontavam para práticas religiosas que conectava a humanidade na busca da sua transcendência no seu aqui e agora.

Ao perceber, aceitar e transformar - o problema da contradição da PINTURA HISTÓRICA em complementariedade - é necessário estar atento e admitir que  ERA INDUSTRIAL introduziu um reducionismo semântico inaceitável e que corrompeu o sentido mais amplo. Antes a PINTURA HISTÓRICA era entendida pela PINTURA que buscava raízes e sentido em outras épocas do passado. Buscava neste passado as suas raízes conceituais, os seus meios e suas metodologias nos tratados e nas próprias obras das pinturas pretéritas. O RENASCIMENTO ITALIANO  foi buscar as raízes conceituais, meios e metodologias nos tratados e nas próprias pinturas que provinham do mundo greco-romano sem ceder as PESQUISAS ESTÉTICAS do seu aqui e agora.
Renascimento - Grotescos - Composições
Fig. 04 – A descoberta, em Roma, da DOMUS ÀUREA do imperador Nero, abriu uma janela ao passado da PINTURA do Império Romano.  Movimento do apogeu do Renascimento Italiano e denominado de GRUTESCO devido as cavernas e lugares escondidos deste palácio em ruinas. De um lado confirmou os acertos da PINTRA da época de outro trouxe técnicas, motivos e temas recompostos em TINTA sobre uma SUPERFÍCIE que passaram a cobrir paredes, tetos e objetos utilitários.

A PINTURA necessita de uma rigorosa REVISÃO HISTÓRICA do seu PASSADO, assim como toda Ciência - digna deste nome -  necessita de uma rigorosa  REVISÃO BIBLIOGRÁFICA, para não reinventar a roda. Na PINTURA esta REVISÃO HISTÓRICA torna-se  indispensável para não criar mais um período historicista e municiar o eclético “TUDO é ARTE”[1].
Giuseppe Arcimboldo - Vegetais
Fig. 05 – O Maneirismo teve um dos seus representantes na obra de ARCIMBOLDO (1527-1593)[1].   Para este pintor a TINTA sobre uma SUPERFÍCIE passou a ser pretexto de habilidades técnicas, invenções sem fim e piruetas e aparatos pictóricos nos quais o tema absurdo é um coadjuvante para cativar o primeiro olhar do seu observador.

  Para o pintor atento, o objetivo desta REVISÃO HISTÓRICA destina-se evitar rodeios, repetições e recair num passado morto e estéril. Este artista trata de penetrar no âmago do que sempre foi PINTURA e sempre será.
PINTURA ROMANA - Figuras - Pompéia
Fig. 06 –Com as escavações das cidades de POMPEIA e HERCULANO -  cobertas, em 79 d. C. , pelas cinzas de vulcão Vesúvio -  reapareceram as aplicações da TINTA sobre as PAREDES.   Estas  escavações permitiram evidenciar exemplares autênticos da TINTA sobre uma SUPERFÍCIE da PINTURA ROMANA e, por tabela, a PINTURA HELENÍSTICA. Estas obras são coerentes com o SENTIDO HISTÒRICO da PINTURA já praticada nas cavernas de Altamira, Lascaux e Combrelles et Font de Gaume[1]

O século XIX foi pródigo em rodeios, em repetições e em recaídas num passado morto e estéril. A “PINTURA POMPIER” propunha “TEMAS HISTÓRICOS” sob a encomenda dos primeiros Estados Nacionais da ERA INDUSTRIAL. Obras que se destinavam a deleitar a burguesia emergente e para um incipiente mercado de arte.
Jean-Leon_Gerome  -(1824-1904) _Pollice_Verso –(1872)
Fig. 07 – Uma verdadeira enciclopédia de temáticas foram reinterpretadas e destinadas para um publico leigo em História e “fabricados” por pintores voltados para um mercado de arte em formação  Fabricação legitimada por uma formação erudita e julgado por juris de salões bianuais.

Burguesia emergente que desejava mostrar a sua presença e poder por meio dos “TEMAS HISTÓRICOS” manifestando a sua “INTELIGÊNCIA, sua VONTADE e sua SENSIBILIDADE SUPERIOR”. Coerente com a ERA INDUSTRIAL necessitava acumular “OBRAS de ARTE” para constituir um “PATRIMÔNIO” incipiente e manter crítico um próspero mercado de arte. Para esta clientela os PINTORES - ditos pejorativamente de “ACADÊMICOS” - necessitavam “FABRICAR” traços de sua identidade mesmo para os mais analfabetos. 
Pedro Américo FIGUEIRDO e MELLO,  (1843-1905) GRITO de IPIRANGA obra de 1888  usue do Ipiranga S. Paulo
Fig. 08 – O autor do Grito do Ipiranga-  pintado em 1888 por Pedro América - foi o primeiro brasileiro a defender tese em Filosofia, em 1869[1]. Além de dominar com maestria na disposição da “ TINTA sobre uma SUPERFÍCIE”,  foi professor da História da Arte na Imperial Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro. Em 1891 era CONSTITUINTE REPUBLICANO pelo Estado da Paraíba.

Os PINTORES - ditos pejorativamente de “ACADÊMICOS” - seguiam a cartilha conceitual, visual e histórica das CATEDRAIS GÓTICAS e dos TEMPLOS BARROCOS nos quais o TEMA das ARTE, não era só proposto,  mas IMPOSTO para todos os sentidos humanos.
POMPÉIA - Pintura mural
Fig. 09 – Outros exemplares autênticos da PINTURA ROMANA e, por tabela, da PINTURA HELENÍSTICA. Representações que utilizam a TINTA sobre uma SUPERFÍCIE sem se valer da PERSPECTIVA LINEAR e GEOMÈTRICA.   Nem por isto perdem a eficácia e a coerência das obras construídas com TINTA sobre uma SUPERFÍCIE. Antes, ao contrário, a ausência deste artificio cênico permitiu aos pintores fauvistas retomar todo o esplendor e impacto visual das cores puras.

Porém ao tentar entender o sentido e a extensão de PINTURA HISTÓRICA o primeiro problema a atender é o próprio conceito e prática de HISTÓRIA. Neste entendimento a obra da Marc BLOCH pode indicar preciosos caminhos. Caminhos da PINTURA HISTÓRICA trilhados por ALBERTI, VASARI e WINCKELMANN que mediaram - para o grande público - temas da HISTÓRIA da ARTE. Mais recentemente estes caminhos da HISTÓRIA - específica das ARTES VISUAIS - foram ilustrados por Nikolaus PEVSNER, MONIER e pelas palestras da Academia Francesa - comparando pintura antiga e moderna - republicadas por Alain MEROT.
As observações de Leonardo da Vinci fazem sentido ao nos aproximarmos e mergulharmos na prática da PINTURA enquanto ele nos conecta com as Ciências do seu tempo. A leitura de Marcel DUCHAMP é indispensável para quem estiver disposto a aceitar a erudição histórica necessária ao pintor contemporâneo disputando o seu lugar ao Sol entre os demais profissionais das Ciências Humanas e Exatas. Evidente que são apenas de alguns luminares de um caminho histórico pontilhado de textos, pensamentos e orientações para  evitar andar em círculos, repetir lições já vistas ou cair num passado morto e estéril.
Leonardo_da_Vinci_Grotescas_CABEÇAS
Fig. 10 – As enciclopédicas pesquisas de Leonardo da Vinci (1452-1519)[1] o levaram da mais sublime beleza aos mais grotescos motivos derivados das descobertas da Domus Área de Nero.   A TINTA sobre uma SUPERFÍCIE é coerente com o traço e a mancha comandada pela ideia onde, quando e quanta TINTA depositar sobre uma determinada SUPERFÌCIE.

Insiste-se na disposição preliminar do pintor em aceitar, a competência de elaborar e manter a sua autonomia face à própria História. A advertência de Marc Bloch (2001,p.44) é enfática Para tanto:
“será preciso desaconselhar a prática da história a todos os espíritos capazes de serem mais bem utilizados em outro lugar, ou é como conhecimento que a história  terá de provar sua consciência limpa.”.
A aceitação, a competência para elaborar e manter a  autonomia da PINTURA e da ARTE - face à HISTÓRIA -  não pode turvar ou desviar o artista do seu próprio TEMPO, LUGAR e SOCIEDADE.  Ele pertence TEMPO, LUGAR e SOCIEDADE e informam a sua obra do pulsar da VIDA. A coerência com o seu TEMPO, seu LUGAR e sua SOCIEDADE transforma a sua obra em DOCUMENTO. É este documento que gera o sentido e o significado da PINTURA HISTÓRICA. Documento para a próxima geração e que nele e através dele, deverá evitar andar em círculos, repetir lições já vistas ou cair num passado morto e estéril. Para o ARTISTA PINTOR que tem algo a dizer encontra na correta compreensão da pintura do passado um imenso leque de potencialidades e recursos estéticos e matérias ainda explorado pelas gerações do passado. Esta compreensão da pintura do passado em vez de constranger e limitar abre horizonte. A compreensão da pintura do passado propõe novos desafios e impõe a necessidade de reverter tabus em totens ou transformar contradições em complementariedades
VITRUVIO – c. 80 -70 a.C-25 a.C  -  capa do livro
Fig. 11 –A recopilação e edição impressa dos 10 LIVROS de ARQUTETURA de VITRÙVIO (c.80 – c 15 a.C)[1] abriu caminho, não só para a ARQUITETURA, mas para as circunstâncias e os recursos da PINTURA HISTÒRICA que nela se abrigava. Winckelman, Lord Elgin e Heinrich Schliemann e tantos outros ampliaram e ilustraram estas circunstâncias históricas.

A confusão entre o TEMA  e a   NATUREZA da PINTURA HISTÓRICA é inteiramente compreensível numa sociedade na qual os falantes, e até leitores, dificilmente atingem um mínimo de compreensão do sentido de mais de 2.000 palavras. Introduzir algo novo neste repertório - de uma inteligência que ultrapasse os doze anos cronológicos - constitui uma temeridade. Ao forçar esta barreira linguística e intelectual o artista corre o risco de ser inteiramente incompreendido, ou interpretado como hermético. Afinal a mente humana se orienta, no mundo externo ao cérebro, mediada pelas palavras que consegue decodificar e lhe são familiares[2].
As obras de GIOTTO, dos pintores IMPRESSIONISTAS ou de um Jackson POLLOCK  nos recolocam  em plena   NATUREZA da PINTURA HISTÓRICA São três exemplos da  TINTA sobre uma SUPERFÍCIE conduzidas por uma ideia e aplicadas com sensibilidade, vontade e inteligência.


[2] Repertório limitado “Erro de viés da disponibilidade [ocorre quando] reconstruímos o passado damos uma importância injustificada às memórias mais vividas, portanto mais disponíveis, mais fáceis de recordar” MLODINOW 2011,  p. 43


Leonardo_da_Vinci (1452-1519)  - Mona_Lisa - LOUVRE
Fig. 12 – Leonardo da Vinci criou a imagem da Mona Lisa sem deixar traço, contorno ou cercar superfícies.   Muito antes da fotografia - com os atuais pixels ou o grão de prata – construiu com o equilíbrio entre LUZ e SOMBRA. Atomização a tinta e a matéria em milhões de micro pontos. Na pintura provou a sua teoria de que “TUDO O QUE É CONTÌNUO PODE SER DIVIDIDO em INFINITAS PARTES ( pixels ou grãos de prata)”.  Ou então que “a PINTURA é UMA COISA MENTAL” depositada sobre uma SUPERFÍCIE e materializada em TINTA para os sentidos humanos,

 A  NATUREZA da PINTURA HISTÓRICA atinge um dos ápices na sofisticação de uma pintura de Leonardo da VINCI na qual construiu um retrato com TINTA sobre um SUPERFÍCIE sem usar os traços das linhas. A PINTURA da MONA LISA nos joga numa obra na qual o “continuo pode ser dividido em infinitas partes”. Infinitas partes que constituem uma metáfora da NATUREZA da PINTURA HISTÓRICA, que -  num rápido retrospecto - mostra o potencial da pesquisa da TINTA sobre uma SUPERFÍCIE.
Em síntese admite-se como PINTURA HISTÓRICA aquela resultante de uma PESQUISA ESTÉTICA permanente e interminável. Além da INTELIGÊNCIA a PINTURA HISTÓRICA necessita de um amplo exercício prático do FAZER PICTÓRICO uma aptidão e amplidão de PESQUISA  . PESQUISA ESTÉTICA que se manifesta em obras competentes para expressarem - na singeleza da TINTA sobre uma SUPERFÍCIE - algo coerente do que sempre foi PINTURA.   PESQUISA ESTÉTICA apta para expressar o seu TEMPO, o seu LUGAR e a SOCIEDADE em consonância e coerente com os seus meios formais. Obras competentes autônomas para “demonstrar os princípios e a fim de se sustentarem a si próprios”. PESQUISAS ESTÉTICAS autônomas e competentes para viajarem mundo afora sem a presença física do seu autor.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS
ALBERTI, Leon Battista (1404-1472). Da pintura. Campinas: Unicamp, 1992. 161p.

BLOCH, Marc (1886-1944). Introdução à História.3ª. ed. Lisboa: Europa- América  1976  179 p.
-------APOLOGIA da HISTÓRIA ou O Ofício de Historiador – Edição comentada por Étienne Bloch Prefácio Jacques le Goff – Rio da Janeiro: Jorge Zahar 2001 -159 p   ISBN 978-85-7110-609-3

DUCHAMP, Marcel, «L’artiste doit-il aller a l‘université?» in Duchamp du signe. Paris:  Flammarion 1991.

MEROT, Alain (edit.) Les conférences de l’Academie royale de peinture et esculpture  au XVIIe siècle. Paris : RNSBA, 1996. 533p.

MLODINOW Leonard  O ANDAR do BÊBADO: como o acaso determina nossas vidas. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. 322 p

MONNIER, Gérard. L’art et ses institutions en France: de la Révolution à nos jours.   Paris: Gallimard-Folio-histoire,  1995.  462p.

PEVSNER, Nikolaus. Las academias de arte: pasado y presente. Madrid :  Cátedra. 1982. 252p. – (edição brasileira - Academias de Arte: passado e presente. São Paulo, Companhia das Letras, 2005). 

VASARI, Giorgio (1511-1574) Vidas dos artistas: edição Lorenzo Torrentino 1560. São Paulo: Marins Fontes 825 p. ISBN 9788578274283

VINCI, Leonardo (1452-1519). Tratado de la pintura y del paisage, sombra e luz.         Buenos Aires:  Gil, 1944. 602p.
 ____.   Tratado de pintura. Madrid: Akel, 1993. 508p.

VITRUVIUS POLLIO, Marcus  (c.80 – c 15 a.C)  – Tratado de arquitetura – São Paulo: Martins Fontes, 2007, 656 p. ISBN 9788577070039  

WINCKELMANN, Johannes Joachim (1717-1768).  Historia del Arte en la antigüedad.     Con un estudio  crítico por J.W.Goethe. Introducción y  traducción del alemán por Manuel Tamayo Benito. Madrid : Aguilar, 1955.  1285p.

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS


ARTE – MERCADO – ZEITGEIST

BATALHA do AVAI Pedro Américo

CARTA de LE BRETON ao CONDE da BARCA

DOCUMENTOS da MISSÂO ARTÌSTICA FRANCESA no BRASIL

IMPÉRIO ROMANO
Domus Áurea
Grutesco >> grotesco
Arcimboldo

MONA LISA

Paul Ricœur: ESTADO, POLÍTICA e ECONOMIA

PINTURA “POMPIER”:
SALÂO de PARIS
GEROME, Jean Léon (1824-1904) 0 Pollice verso 1872

TRES PINTURAS RECRIAM EVENTOS das INDEPENDÊNCIAS de TRÊS NAÇÕES SUL AMERICANAS.
Pedro Américo – Grito do Ipiranga

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sábado, 5 de março de 2016

158 - ESTUDO das ARTES – O DIA da ARTE

O DIA da ARTE : 12 de agosto.

O DIA da ARTE comemora o 12 de agosto quando foi criada oficialmente, em 1816,  a ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS pelo governo do BRASIL UNIDO[1].
O ADVOGADO celebra o seu DIA a cada 11 de agosto devido a criação, em 1827, das Faculdades de Direito de São Paulo e de Olinda.
O DIA da ARTE rememora e marca, a cada 12 de agosto, a criação do 1º Curso Superior de Arte no Brasil. A data de 12 de agosto de 2016 possui um significado especial, pois constitui o bicentenário desta criação.



[1] DECRETO REAL do dia 12 de AGOSTO de 1816 cria a ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS

Fig. 01 – Os vestígios da passagem de Dom João VI pelo Brasil estão guardados no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.   Vestígios do pensamento e ação  silenciosa e decidida ação deste soberano de quatro continentes .

O que se celebra, no dia 12 de agosto, é o inicio efetivo de um projeto oficial do ESTADO BRASILEIRO no CAMPO das ARTES.
Antes desta data as iniciativas nas ARTES estavam ao encargo da Igreja, das confrarias, de guildas e de raros e ricos particulares.
Fig. 02 – O 1º Conde da Barca ou  Antônio de Araújo e Azevedo (1758-1817) - Ministro e Secretario de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos do Reino Unido Portugal Algarves e Brasil foi responsável não só pela vinda da Missão Artística Francesa, mas por um vasto estudo e contatos mundiais com intelectuais e administradores como os irmãos  Humboldt. Apesar da feroz resistência e o constante patrulhamento ideológico de que foi vítima[1] trouxe outras instituições científicas e uma alentada biblioteca

No dia 12 de agosto de 1816 o ESTADO RECONHECEU oficialmente a força simbólica das ARTES nos primórdios da ERA INDUSTRIAL e sob o impulso do ILUMINISMO, RAZÃO e ENCICLOPEDISMO.
Este ESTADO passou a investir objetiva, legal e monetariamente no estímulo da criação estética. Iniciou com a formação erudita de agentes qualificados para sustentar este projeto.
Projeto no qual podia demostrar praticamente uma COMPENSAÇÃO da VIOLÊNCIA que necessitava exercer como delegação dos cidadãos que abdicavam, a favor deste ESTADO, da prática da JUSTIÇA como as suas MÃOS e MEIOS.
O ESTADO compreendeu a tênue linha que separa a ARTE SOCIALMENTE ACEITA da DELINQUÊNCIA. Motivado por esta distinção significativa este PROJETO CIVILIZATÓRIO COMPENSADOR do EXERCÍCIO da sua PRÓPRIA VIOLÊNCIA o Estado Brasileiro posicionou-se a favor de criação de INSTITUIÇÕES de ARTE destinadas a durar por TEMPO INDETERMINADO. Instituições que estão presentes, em 2016, ativas no corpo da Nação Brasileira e mantidas pelos erários municipais, estaduais e federais.



[1]  CONDE da BARCA e HIPÒLITO JOSÉ da COSTA   http://naofoinogrito.blogspot.com.br/2016/02/131-nao-foi-no-grito.html
Prédio da IABA fotografado por Marc Ferrez e cujo portal se encontra no Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Fig. 03 –  O prédio da Imperial Academia de Belas Artes foi projetado,  orientado e comandado  por Grandjean de Montigny[1] membro da Missão Artística Francesa e um dos professores de Arquitetura propostos, em 1816, por Joaquim Le Breton.   Os traços desta construção caracterizaram a nova estilística do Brasil soberano e que se divulgaram por todo imenso território brasileiro permanecendo como referencial estético e oficial em município e províncias imperiais.

O Estado Brasileiro, nas suas três esferas de poder,  NÃO dispensou o PODER ORIGINÁRIO da NAÇÃO.
Ao contrário. Muitas destas instituições são provenientes de meritórias iniciativas particulares ou são sustentadas eficaz e continuadamente por ASSOCIAÇÕES de CARÁTER CIVIL. Estão aí as ASSOCIAÇÕES de AMIGOS que ainda se regulam pela LEI nº 173 de 10 de setembro de 1893[2].
Jean Baptiste DEBRET (1768 – 1848) Coroação de Dom João VI no dia 06  de fevereiro de 1818
Fig. 04 – A  Missão Artística Francesa foi responsável pela mudança radical das tendências barrocas tardias e de um tímido Rococó vigentes no Brasil Colonial  para mudar para uma estética decorrente do Iluminismo e a retomada do mundo clássico greco-romano.   Jean Baptiste DEBRET cobriu a fachada do antigo  palácio colonial com elementos estéticos Neoclássicos para o cenário da coroação de Dom João VI.  A Missão Artística Francesa cercava o corte de Napoleão Bonaparte e trouxe ao Brasil um PROJETO CIVILIZATÒRIO que marcou todo o período Imperial brasileiro.,

Em 2016 o ESTADO NACIONAL está sofrendo profundas mudanças conceituais, práticas. Mudanças que geram novos hábitos decorrentes da materialidade e das práticas exigidos cada vez mais pela ERA PÓS-INDUSTRIAL. Época que ainda exige cálculos na ponta do lápis para admitir e implementar novas concepções e práticas.
De outra parte permanecem e se manifestam, a cada instante, os profundos sintomas da permanência dos hábitos, coloniais, escravocratas e imperiais. Estas forças entrópicas desqualificam e denigrem qualquer iniciativa deste Estado Nacional por melhor que tenham sido, ou seja, as intenções iniciais da instituição ou dos seus promotores. A própria IABA teve de se submeter a vexames sem limites para simplesmente continuar existindo na prática[1]



[1] - Desqualificações e entropia das instituições de arte no Brasil    http://profciriosimon.blogspot.com.br/2015/03/estudos-de-arte-011.html

Fig. 05 – Manuel Araújo Porto-alegre (1808-1979) foi um dos sul-rio-grandenses que sofreu e teve influência direta e decisiva da Missão Artística Francesa.   Proveniente do bojo da cultura do Brasil Colônia foi alguém que compreendeu toda extensão deste novo projeto civilizatório necessário para a jovem nação. Se não foi compreendida a extensão e a diversidade de sua obra certamente faltam-lhe juízos competentes.  Juízes para entender as devastadoras mentalidades satisfeitas com a escravidão voluntária, ativa e a profunda heteronomia estética, intelectual e moral em que se debatia o PODER ORIGINÁRIO a NAÇÂO BRASILERA do seu TEMPO.

O dia  12 de agosto de 2016 impõe no caso de Porto Alegre a avaliação do quanto os erários públicos destinam à estes instituições destina às ARTES distinta da CULTURA .
¿ Quanto o erário municipal de PORTO ALEGRE destina e usa na manutenção do seu ATELIER LIVRE entre outras instituições destinadas às ARTES?.
¿ Quanto o Estado do Rio Grande do Sul destina para a manutenção continuada do MARGS e do Museu da Arte Contemporânea e congêneres, espalhados pelo território regional?.
¿Quanto o Estado Federal destina objetivamente só para a manutenção passiva do seu INSTITUTO de ARTE atualmente incorporado à UFRGS?.
Esse conhecimento, objetivo e numérico, reconhece também os drásticos limites do ESTADO BRASILEIRO. Limites a partir dos quais as meritórias iniciativas particulares tenham  conhecimento de suas competências. Conhecimento motivador da vontade e da sensibilidade para interagir com ESTADO BRASILEIRO transparente.
Interação que, na prática, favorece a ambos e gera uma consciência coletiva a caminho para uma identidade duradouro por tempo indeterminado.  
Fig. 06 –  O governo do Estado do Rio Grande do Sul possui no MUSEU de ARTE do RIO GRANDE do SUL (MARGS) um dos pontos visíveis do seu PROJETO CIVILIZATÒRIO COMPENSADOR da VIOLÊNCIA que necessita para CUMPRIR o seu COTRATO com os seus CIDADÂOS.   Ado Malagoli  - seu idealizador e efetivo criador - cercou-se de representantes governamentais de todas as instâncias para concretizar este projeto. A sua condição de estudante da ENBA  entre 1928 e 1932, os contatos que levaram em 1937 a criação do Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro e os sus estudos norte-americanos foram lições preciosas e não negligenciadas por ele no momento de colocar no mundo o MARGS.

De outro lado a ERA PÓS-INDUSTRIAL, ao desregular os trabalhos, os  empregos e tornar obsoleta a lógica e as práticas da ERA INDUSTRIAL,  encontra um potencial único na CRIATIVIDADE HUMANA guiada pela ARTE SOCIALMENTE ACEITA para a formação continuada, o uso de energias ainda insuspeitas e de recompensas inéditas.
Este PROJETO CIVILIZADOR se encontra em franca contramão das constantes PERDAS HUMANAS e MATERIAIS provenientes dos conflitos e das guerras que as ARMAS e GUERRAS INDUSTRIAIS impõe ao longo de sua fabricação, instalação e uso com o objetivo de buscar uma fantasmagórica e questionável  hegemonia de quem as produz, comercializa e usa.  ARMAS que provocam genocídios e patrulhamentos reciproco permanentes.
No polo oposto as ARTES, socialmente aceitas, geram narrativas históricas completamente diferentes e NARRATIVAS e PRÁTICAS de PAZ.  A ARTE GERA uma HISTÓRIA diametralmente oposta às NARRATIVAS BÉLICAS das histórias nacionais. GUERRAS que tudo avassalam ao longo de suas preparações, ações militares, rancores e as vinganças sobre suas vítimas e vencidos. ARTE que constrói, edifica o construtor ao longo de sua obra, atrai multidões que se identificam com o ideal do artista e que acumulam legados simbólicos e materiais  que orgulham TODA a HUMANIDADE sem distinção de etnia, tempo ou lugar geográfico
Cabe a quem governa escolher entre a ARTE ou as ARMAS. As duas são irreconciliáveis. Militar não pode PENSAR e nem SENTIR. Por isto é uma contradição encontrar um MILITAR ARTISTA SOCIALMENTE ACEITO. Nem é possível encontrar, na carreira militar,  um FILÓSOFO que saiba se impor e  lidar, na sua AUTONOMIA, com a CONTRADIÇÃO e transformá-la numa COMPLEMENTARIEDADE produtiva e autossustentável.
ENBA em 1910 projeto Moralles del Rio
Fig. 07 – Um dos prédios de prestigio na Av. Rio Branco (Av. Central) é aquele da Escola Nacional de Belas Artes e materializado nos primeiros anos do Regime Republicano Brasileiro.  Pelo Decreto Nº 19.852, de 11de abril de 1931, o governo brasileiro assumia de uma pioneira a interação administrativa da instituição de arte a Universidade. Em contrapartida a ENBA perdia a sua autonomia plena. Hoje esta instituição encontra-se alojada no prédio da Reitoria da UFRJ na Ilha do Fundão. O prestigioso prédio da Av. Rio Branco abriga o Museu de Bels Artes[1]..,

Certamente o DIA da ARTE, comemorado no dia 12 de agosto, não se limita à atualização da inteligência do passado ou do presente concreto e dado. O seu papel é projeta-se na PRÁTICA da PESQUISA CONTINUADA e na BUSCA de uma IDENTIDADE COLETIVA NACIONAL e PLANETÁRIA da ESPÉCIE HUMANA. ESPÉCIE HUMANA que POSSUI na ARTE uma LINGUAGEM UNIVERSAL e POSITIVA.
O dia 12 de agosto marcava na AIBA e na ENBA a data BIENAL da inauguração do SALÃO NACIONAL de BELAS ARTES conforme  carta de Joaquim LE BRETON ao CONDE da BARCA sugerindo este evento público para toda a nação[2].



[2]  “ Todos os anos em época determinada, como o dia do aniversário do Rei ou de sua chagada ao Brasil, poder-se-ia fazer exposição pública de todos os trabalhos da escola, tanto de professores como dos alunos, e distribuir prêmios aos que houvessem demonstrado mais talento ou feito maiores progressos”. CARTA do dia 12 de junho de 1816 de LE BRETON ao CONDE da BARCA

Fig. 08 – Hélios SEELINGER (1878-1965) foi uma das ligações mais preciosas e constantes entre a ENBA, Museu Nacional de Belas Artes e a ARTE sul-rio-grandense.   Animador e presente no SALÂO de OUTONO realizado na Prefeitura de Porto Alegre em 1925 previu visualmente o final da REPUBLICA VELHA. Neste ano ele percebia as novas forças dispostas a subir ao palco nacional sob o lema e o título da sua obra “DE PÈ PELO RIO GRANDE e PELO BRASIL”.[1]

Num olhar retrospectivo dos dois séculos da existência oficial da ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS, criada em 12 de agosto de 1816, é possível ver a extraordinária evolução deste pensamento e projeto. Era proveniente de um projeto inicial de uma ESCOLA que previa o contrato de 6 (seis) docentes em tempo parcial. O proponente Le Breton e a maioria destes docentes integravam a Missão artística Francesa desembarcada no mês de março de 1816 e sob os auspícios do Conde da Barca. Com advento da soberania brasileira, ganhou em 1826,  a denominação de IMPERIAL ACADEMIA de BELAS ARTES (IABA). Ao passar para o regime republicano passou a se denominar ESCOLA NACIONAL de BELAS ARTES (ENBA). Foi integrada na primeira universidade  pelo Decreto nº 19.852[2] de 11 de abril de 1931 e continua a sua meritória atuação como ESCOLA de BELAS ARTES da UFRJ. Foi competente para as mudanças que estes regimes exigiam dela. Em todas estas épocas contribuiu para materializar simbolicamente a frágil e confusa  IDENTIDADE NACIONAL BRASILEIRA.
Fig. 09 – Ado MALOGOLI (1908-1994) foi dos estudantes da ENBA na critica passagem desta instituição do antigo regime da Republica Velha para a sua incorporação na Universidade pelo Decreto nº 19.852 de 1931. Neste meio tempo foi testemunha da administração meteórica de Lúcio Costa, do seu mítico Salão Moderna. Nacional  de Belas Artes e a sua defenestração pelos tradicionais titulares da ENBA O IBA-RS ainda na autonomia o contratou em 1951 com a condição da criação do MARGS. Malagoli tinha sido estudante da Escola de Artes e Ofícios de São Paulo, interagira com a maioria dos componentes do Grupo Santa Helena e em 1951 vinha da  participação da 1ª Bienal de São Paulo Toda esta experiência pessoal e coletiva ele ativou para materializar o MARGS do qual é patrono.

Também é necessário examinar a sua projeção no Rio Grande do Sul. Para iniciar,  este exame,  um bom exemplo é a origem o MUSEU de ARTES do RIO GRANDE do SUL (MARGS). O seu proponente,  criador e patrono, Ado MALAGOLI,  foi estudante da ENBA entre 1928-1932 exatamente na sua passagem entre a autonomia da ENBA e a integração na UFRJ. De outra parte esteve acompanhando o trabalho da criação do MUSEU de BELAS ARTES que ocupa atualmente o esplêndido prédio da ENBA e cuja semente Malagoli trouxe em 1954 para o Rio Grande do Sul.
Evidente que é impossível ignorar o nome de Manuel Araújo Porto-alegre. Ele não só foi estudante da IABA. O futuro Barão de Santo Ângelo interagiu diretamente com a Missão Artística Francesa, foi professor e diretor da IABA e é lembrado e festejado até os dias atuais. 
Fig. 10 – A 1ª  capa da Revista Globo de janeiro de 1929 foi concebida e desenha por Sotero COSME. Sotero teve aulas com Eugênio LATOUR na ESCOLA de ARTES do IBA-RS  

Certamente não é possível passar à margem dos nomes de Pedro Weingärtner, Oscar Boeira, Eduardo de Sá, Décio Vilares, Eugênio Latour, Helios Seelinger, Leopoldo Gotuzzo, Ernesto Scheffel e tantos outros que mantiveram interações produtivas e pessoais com esta instituição que celebra o seu BICENTENÁRIO no dia 12 de agosto de 2016.

Fig. 11 – Ernani Dias CORREA (1900-1982)  foi estudante de ARQUITETURA na ENBA entre 1918 e 1922. Os seus colegas de turma foram Lúcio COSTA[1] e  Atílio CORREA LIMA[2].   No Rio Grande do Sul Ernani foi responsável pela iniciativa do primeiro Curso Técnico de Arquitetura (1939), do Curso Superior de Arquitetura (1944) e de Urbanismo (1947) desenvolvido no IBA-RS sob a direção do seu irmão Tasso Bolívar Dias CORRÊA (1901-1977)

Evidente que aqui só se considera e avaliam as suas influências diretas e pessoais. Também há necessidade de examinar os caminhos, as projeções simbólicas e legais que a atual EBA-UFRJ já propicio ao Rio Grande do Sul nos dois séculos de sua existência legal e oficial. Há necessidade de considerar o seu PROJETO CIVILIZADOR COMPENSADOR que qualquer ESTADO necessita exercer em nome do contrato que possui com os seus cidadãos.



[1] Lúcio COSTA– urbanista de Brasília  https://www.youtube.com/watch?v=pfGol4nV7Mo

[2] Atilio CORREA LIMA – arquiteto de GOIÂNIA  https://www.youtube.com/watch?v=6MmwKmrePpE

Disciplina dos Fundamentos da Cor do Curso de Artes Visuais do IBA-RS – Foto de Myra Gonçalves
Fig. 12 – A ARTE trabalha com os cinco sentidos humanos e se vale de tudo aquilo que possa  expressar e materializar para estes sentidos algum pensamento, As novas tecnologias permitem experimentos sensoriais e imersões  destes sentidos humanos em ambientes  que permitem afirmar que a ARTE apenas está na sua infância.

No Estado do RIO GRANDE do SUL  é menos importante uma recuperação da fatos, de obras e de personagens mais ou menos remotos. Trata-se prioritariamente de evidenciar o PROJETO CIVILIZADOR COMPENSADOR vivo e atuante nas suas instituições de ARTE. Trata-se de avaliar o que o erário público investe neste projeto e as respostas e a eficácia das interações do PODER ORIGINÁRIO neste mesmo PROJETO. De outra parte é indispensável a ATUALIZAÇÃO da INTELIGÊNCIA para as circunstâncias locais da ERA PÓS-INDUSTRIAL. Porém acima de tudo é necessário conhecer e avaliar a PESQUISA ESTÉTICA coerente que estas circunstâncias atuais. A meta última é sempre primordial a FORMAÇÃO de UMA CONSCIÊNCIA COLETIVA capaz de gerar um contrato e um pacto do QUAL TODOS se ORGULHEM e que melhore a VIDA e o ÂNIMO de TODOS.
Fig. 13 – Ao centro Oscar Niemeyer no palco do IBA-RS na noite 13 de abril de 1949[1]. Oscar Niemeyer foi estudante da ESCOLA NACIONAL de BELAS ARTES na época anterior a separação das duas áreas estéticas. No foto, de branco os três  primeiros formandos de um CURSO SUPERIOR e URBANISMO do BRASIL Após este evento Oscar Niemeyer prometeu a si mesmo nunca mais voltar ao Rio Grande do Sul devido ao ambiente cultural que encontrou em Porto Alegre. De fato cumpriu isto até o final dos seus 107 anos de vida.
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De outra parte evidenciam-se as ARTES NOBRES e que se distinguem do TRABALHO entrópico e passageiro. Distinguem-se OBRAS das ARTES NOBRES como aquelas que, no seu MÍNIMO MATERIAL e SENSORIAL, são portadoras do MÁXIMO de conteúdo e destinadas a permanecer por TEMPO INDETERMINADO e tendem a serem UNIVERSAIS na ESPÉCIE HUMANA.
O governo brasileiro ainda não implementou o seu MINISTÉRIO das ARTES e a UNIVERSIDADE das ARTES.  MINISTÉRIO das ARTES e a UNIVERSIDADE das ARTES que são completamente distintos de um MINISTÉRIO da EDUCAÇÃO e de CULTURA ou das UNIVERSIDADES GENÉRICAS mantenedoras de CURSOS SUPERIORES PROFISSIONALIZANTES.
Fig. 14 – O governo do MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE nas Pinacotecas Aldo LOCATELLI, RUBEN BERTA e no ATELIER LIVRE três pontos visíveis do seu PROJETO CIVILIZATÒRIO CMPENSADOR da VIOLÊNCIA que necessita para CUMPRIR o seu COTRATO com os seus CIDADÂS. Ao publico é dado perceber uma parte míninima das decisões, do trabalho continuado e dos recursos necessários para manter de forma contínua e por tempo indeterminado um projeto desta natureza.


Certamente o MINISTÉRIO das ARTES e a UNIVERSIDADE das ARTES virão com o tempo e na medida em que as necessidades básicas humanas estiverem satisfeitas. No contraditório o MINISTÉRIO das ARTES e a UNIVERSIDADE das ARTES são capazes de gerar bens simbólicos cada vez mais valorizados na ERA PÓS-INDUSTRIAL. Bens capazes de satisfazer também as necessidades básicas humanas pelos empregos que geram. Basta um rápido cálculo dos empregos gerados, em 2016, pelos projetos gerados pelos governos federais, estaduais, municipais e da iniciativa privada no setor das ARTES.
É necessário guardar e comemorar o dia 12 de agosto de 1816  como um divisor de água. Antes o Estado Nacional Brasileiro e Lusitano  e o seu governo, estavam neutros e inoperantes em relação à Arte. A partir desta data há uma proposição positiva e uma agenda operacional deste governo em relação ao mundo simbólico da Arte.

Fig. 15 – O governo federal possui no INSTITUTO de ARTES da UFRGS, seus docentes remunerados, seus estudantes gratuitos e equipamentos  um dos pontos visíveis do seu PROJETO CIVILIZATÒRIO CMPENSADOR da VIOLÊNCIA que necessita para CUMPRIR o seu COTRATO com os seus CIDADÂOS Uma instituição desta natureza exige decisões quotidianas, um trabalho silencioso e  continuado e  recurso mínimos  para mantê-la operacional e cumprindo de forma contínua e por tempo indeterminado este PROJETO CIVILIZATÓRIO COMPENSADOR da VIOLÊNCIA do ESTADO.

Em síntese as OBRAS de ARTE sempre foram, são e continuam sendo uma sábia, civilizada e reveladora conexão entre um determinado  GOVERNO e a ORIGEM do seu PODER.

MAQUETE do MOUNUMENTO à JÙLIO de CASTILHOS -
Fig. 16 –  O projeto civilizatório do governo (1908-1913) de Carlos Barbosa notabilizou-se pela sua aa capacidade de se projetar nas obras físicas e visíveis. Foi da iniciativa deste médico de Jaguarão, com doutorado em Paris,  acolher o PROJETO do INSTITUTO LIVRE de BELAS ARTES e colocá-lo no mundo no dia 22 de abril de 1908.   Projeto apoiado por 64 comunidades de todo estado e por 25 membros de uma Comissão Central. O monumento à Júlio de Castilho ganhou forma sob a inspiração Décio VILLARES outro egresso da IABA- ENBA e autor do projeto do desenho da bandeira brasileiras sob inspiração daquele de Jean Baptiste DEBRET


FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

ARTE COMPENSADORA da VIOLÊNCIA do ESTADO NACIONAL

CARTA de LE BRETON ao CONDE da BARCA
DECRETO REAL do dia 12 de AGOSTO de 1816 cria a ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS

DIA da ARTE no BRASIL omite a origem histórica

OSCAR NIEMEYER em PORTO ALEGRE abril de 1949
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