segunda-feira, 9 de maio de 2011

ISTO NÃO É ARTE - 13

Antes de ler este artigo, convém consultar:

http://profciriosimon.blogspot.com/2010/10/isto-nao-e-arte-01.html

ÓCIO não é ARTE

O ócio absoluto arrasta a pessoa humana de retorno à pura Natureza. Esta Natureza não é arte por si mesma, com nos provou o poeta Fernando Pessoa.

“Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza
”

Fernando Pessoa – Alberto Caiero – Li Hoje.

De outro lado o puro fazer absoluto não deixa o menor espaço para o diferente, para a criação e que intrínseca à Arte. ÓCIO CRIATIVO é um dos numerosos oximoros ou paradoxos. De um lado nega o fazer e, do outro lado, impulsiona o fazer apenas pelo fazer mecânico.


Fig. 01 – Luis Buñuel – Simão o Estilita 1965 - O eremita no deserto e em cima de uma coluna é a própria imagem do não fazer e o ócio egoísta absoluto. Arrebatado por um avião é levando para uma boite de Nova York para o “fazer” absoluto

É evidente que a Arte necessita de uma longa e uma demorada encubação e que uma eventual inspiração instantânea, ou insight, escapa com a mesma velocidade com que ela se descobre parcialmente. Esta inspiração se move no mesmo paradoxo da velocidade do caminho do raio. Sabemos, pela inteligência, que o caminho mais curto entre dois pontos é a reta, contudo um raio nunca segue a linha reta. Assim uma obra necessita de uma incubação longa, mas que de forma alguma pode ser confundida com o ócio desatento e sem ação.

Há necessidade de distinguir o agir do fazer. No agir há, muitas vezes, a negação do fazer movido apenas pelo fazer mecânico. Georges Bernanos (1888-1948) escreveu que “o perigo não está na multiplicação das máquinas e sim no número cada vez maior de pessoas habituadas, desde a infância, a só desejar o que as máquinas podem dar”. Esta alienação de si mesma, lança a criatura humana na heteronomia da sua vontade e que a leva à escravidão, condição na qual deixam de deliberar e nem decidir.


Fig. 02 – Umberto BOCCIONI 1882-1916 “Estudos mentais ii gli addii” –

ou exagero do fazer.

O ócio pode ser um momento de aspiração psicológica de quem está oprimido pelo demasiado fazer. O ócio busca compensar a eterna oscilação entre extremos. Contudo, arte não é nenhum destes extremos.

O ócio pelo ócio é apenas meia verdade. Se não existir a vigilância oculta no agir da aparente não fazer, temos o retorno puro e simples para a Natureza bruta e indiferente ao ser humano. Esta vigilância e agir constituem uma ascese para evitar o fazer apenas pelo fazer mecânico. Todos os artistas mais criativos conhecem esta ascese, esta vigilância atenta e este agir que precede a criação de sua obras.

Na medida em que a criatura avança no terreno do ócio mais, sente os seus terríveis efeitos. O sentimento de inutilidade e impotência individual, provocado pelo ócio forçado, é característico das civilizações afluentes que não tinham previsto no seu projeto inicial o fenômeno da administração do ócio.


Fig. 03 Jean Léon GÉRÔME 1824-1904– “Pollice Verso” 1872 - óleo 97,4 cm X 146 cm.

Foi o caso da Roma Imperial quando ela tornou-se dona do mundo conhecido na época. Foi necessário improvisar o projeto “pão e circo” de tão nefastas conseqüências. Uma das conseqüências foi descobrir que a política do rebanho abre os portões para o matadouro.

O ócio não se entrega PROCESSO : quer logo o RESULTADO do trabalho e apenas o RESULTADO, não importando as outras dimensões de um agir humano sadio.


Fig. 04 – A ILHA DESABITADA de GUNKANJIMA – Japão.

Resultado do fazer pelo fazer e trabalho industrial: a obsolescência e uma ruína industrial em um único habitante.

http://en.wikipedia.org/wiki/Hashima_Island

Na política o ócio pode resultar do medo do subalterno de se revoltar devida à magnitude do esforço necessário para a ruptura de sua heteronomia ou de contrariar a vontade da autoridade constituída para não mostrar a sua ignorância e a sua pusilanimidade diante do seu poder originário.


Fig. 05 – Albrecht DÜRER 1471-1528 - Melancolia – 1514 – água forte 241mm X 192mm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Albrecht_D%C3%BCrer

O ócio pode descambar para melancolia, desta para o tédio e a depressão e, finalmente, para a o sono. O pior sono é o sono da razão, quando o corpo está desperto, mas as faculdades mentais estão inoperantes. O sono da razão produz monstros e pesadelos.


Fig. 06 – Francisco GOYA y LUCIENTES 1746-1828 - “O sono da razão produz monstros” 1797, gravura 214mm x 149 mm placa nº 47 dos Caprichos

O ócio é confundido com conforto humano. E toda civilização possui alto grau de desconforto, tanto na sua constituição como na sua manutenção conforme prova Sigmund Freud. Historicamente as grandes civilizações começaram em lugares inóspitos e desconfortáveis. Estas condições exigiram grandes e continuados trabalhos e uma rígida organização social. Assim a civilização egípcia, as altas culturas pré-colombianas surgiram em estreitos vales e com parcos recursos naturais.

No Brasil temos o fenômeno inverso e visível nos sambaquis. Os estratos inferiores são muito mais ricos do que as camadas recentes. O indígena que vinha das altas culturas e civilizações dos Andes regrediu com o passar do tempo numa terra onde tudo estava ao alcance da mão e nem mais necessitava de roupa.

Quando 3% da humanidade tecnicamente pode produzir tudo o que a humanidade necessita, impõe-se aos 97% da população mundial, não aproveitados neste processo produtivo, pensar no que pode fazer nesta inatividade.


Fig. 07 - Adolph Friederich Erdmann Von Menzel (1815-1905) Altos Fornos c. 1875 pintura após 150 esboços

Esta perspectiva trágica - da falta generalizada do que fazer - impõe a transformação deste tabu em totem.


Fig. 08 - Recepção à bordo. “O ócio da Belle Epoque”

Diante desta perspectiva há necessidade de distinguir, inicialmente, o fazer do agir. O fazer é aquele dos 3% que produzem e trabalham. O agir envolve deliberar e o decidir o que fazer, como produzir e a maneira de distribuir o que foi produzido.

Para apreender e aperfeiçoar o processo do agir, do deliberar e do decidir, há necessidade de retomar ao mundo clássico grego onde a escola era vista como lugar do ócio e do lazer, origem do termo skhole . O aprendiz e seu orientador – “o amigo do saber”, ou filósofo - retiravam-se do mundo de trabalho para apreender e aperfeiçoar o processo do agir, do deliberar e do decidir.

“A palavra 'escola' do português, tem sua origem mais próxima no latim clássico schola, que por sua vez originou-se do grego skhole, que significava 'lazer'. Se para os gregos que viveram um século antes de Cristo, busca de conhecimento era lazer, parece uma ironia do destino que muitas escolas hoje representam um verdadeiro tormento a seus jovens freqüentadores”. http://www.sk.com.br/sk-hist.html

Aqueles que se dedicavam a negar o ócio realizavam o negócio providenciando a circulação e distribuição dos produtos daqueles que se dedicavam ao fazer da produção agrícola, pastoril e do artesanato. As economias e as sociedades afluentes transformam o ócio em negócio.

Pairando acima de todo este mundo do agir e do fazer estava o ócio sagrado e que garantiam a permanência e reprodução do saber sagrado. Os seus praticantes são aqueles que entendem da teologia e da teleologia que move a SOCIEDADE de CONSUMO.


Fig. 09 – Luis Buñuel – Simão o Estilita 1965 - O eremita é o levando do topo de sua coluna para um a boite e para o fazer absoluto

http://www.youtube.com/watch?v=EIEmSl42vs8 + http://pt.todoroms.com/simon-del-desierto-luis-bunuel-1965-dvdrip-espanol-mu

+ http://www.youtube.com/watch?v=r5fil1yGKnk&feature=related

A DENÚNCIA por meio da ARTE da teleologia que move a SOCIEDADE de CONSUMO em nome do ÓCIO é uma constante. O ÓCIO como oficina do diabo ganhou numerosos tratamentos e obras. O cinema, apesar de uma arte típica da INDÚSTRIA CULTURAL foi usado intensamente para esta denúncia dos males do ÓCIO. Assim o filme “Simão Estilita” (1965) de Luis Buñuel (1900-1983) realiza o contrate entre o mais austero ascetismo do deserto com o mais desbragado consumismo praticado na “Grande Maçã”. Federico Fellini(1920-1993) dirigiu, em 1960, “Dolce Vita”. A mais trágica e patética denúncia veio, em 1975, de Pier Paolo Pasolini (1922-1976) no seu filme “Salò o le 120 giornate di Sodoma”.

Contudo a SOCIEDADE de CONSUMO pode ser vista como a maneira de distribuir o que foi produzido. É a forma para “transformar o ÓCIO de tabu em totem” na concepção de Freud. Esta maneira é movida pela PROPAGANDA e pelo MARKETING que constituem a face visível da circulação do poder industrial, comercial e econômico. No fundo responde às necessidades geradas pelo o ÓCIO e pelo prolongamento da idade humana. A indústria do turismo e da propaganda, não perdeu tempo, e transformou esta idade da decadência humana na “mais bela idade”. No cinema Hollywood e Cinecittá dedicaram-se a vasculhar, reler e re-interpretar os temas da decadência dos períodos da História como do helenismo, da Roma Imperial e da Belle Epoque.

Chega-se a conclusão de pode-se admitir o ócio como arte se ele for o reverso da medalha do fazer e do agir.


Fig. 10 –FRIEDERICH Caspar David - 1774-1840 “Viajante acima das nuvens” 1818


FONTES

Adolph Friederich Erdamann Von Menzel http://atthefair.homestead.com/Misc/ArtWxhibitedattheFair.html

CINICITTÁ http://pt.wikipedia.org/wiki/Cinecitt%C3%A0

DOLCE VITA FELLINI http://www.sibila.com.br/index.php/estado-critico/256-federico-fellini-la-dolce-vita

Domenico DE MASI

De Masi D. (1999), Il futuro del lavoro. Fatica e ozio nella società postindustriale, Rizzoli, Milano.

De Masi D. (2000), Ozio creativo. Conversazione con Maria Serena Palieri, Rizzoli, Milano.

De Masi D. (2003), La fantasia e la concretezza. Creatività individuale e di gruppo, Rizzoli, Milano

FREUD, Sigmund.(1858-1939).O mal estar na civilização (1930). Rio de Janeiro : Imago, 1974. pp. 66-150. (Edição standard brasileira de obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v.13)

------- Totem e tabu (1913). 2.ed. Rio de Janeiro : Imago 1995, pp. 13-193 (Edição standard brasileira de obras psicológicas completas de Sigmund Freud ,volume 13)

GUNKANJIMA a LHA desabitada http://en.wikipedia.org/wiki/Hashima_Island

NATUREZA não é ARTE

http://profciriosimon.blogspot.com/2010/11/isto-nao-e-arte-02.html

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/fernando-pessoa/li-hoje.php

WORRINGER, Wilhelm (1881 - 1965). Abstraccion y naturaleza. 1.ed. 1908. México : Fondo de Cultura Econômica, 1953. 137p. Leia o texto original em: http://www.archive.org/stream/abstraktionundei00worruoft#page/n3/mode/2up

Abstraktion und Einfülung http://www.dictionaryofarthistorians.org/worringerw.htm

EXPRESSÂO como explosão de um longo ócio físico mas em que a mente este produzindo fantasmas.

EINFÜLUN quando a mente não guarda nada e joga os sentidos e humano no fazer sem pensara – Carnaval, Barroco

ÓCIO e a CULTURA LATINA

1226. Otia omnia vitia pariunt. [Stevenson 1214] O ócio gera todos os vícios. ■A ociosidade é a ferrugem da alma. ■A ociosidade é a mãe de todos os vícios. VIDE: ●Omnium malorum origo otium. ●Otia dant vitia. ●Otium omnia vitia parit.

1227. Otia qui sequitur, veniet huic semper egestas. [Columbano / Binder, Thesaurus 2456] A quem segue o ócio, a pobreza sempre lhe vem. ■Sem trabalho, só a pobreza. VIDE: ●Absque labore gravi non possunt magna parari. ●Mendicitas ignaviae praemium. ●Non enim vir piger implet domum. ●Otiosi semper egentes. ●Sine labore non erit panis in ore.

1228. Otia si tollas, periere Cupidinis arcus. [Ovídio, Remedium Amoris 139] Se acabares com o lazer, ficará destruído o arco de Cupido.

1229. Otiare quo melius labores. [Epígrafe de Fábula de Fedro 3.14 / Rezende 4732] Descansa, para melhor trabalhares. ●Otiare quo labores. Descansa para trabalhares.

1230. Otii securitatem illustris vitae periculis esse potiorem. [Schottus, Adagia 517] É preferível a tranqüilidade do ócio aos perigos da vida ilustre.

1231. Otio qui nescit uti, plus negotium habet quam qui negotiosus in negotio. [DAPR 399] Quem não sabe aproveitar o ócio, tem mais ocupação do que o ocupado na atividade. ■O homem lento jamais tem tempo. ●Otio qui nescit uti, plus negotii habet quam, cum est negotium, in negotio. [Ênio / Aulo Gélio, Noctes Atticae 19.10.12]

1232. Otiosa sedulitas. [Riley 317] Zelo inútil.

1233. Otiosi semper egentes. [G.Whitney, Choice of Emblems 426] Os preguiçosos estão sempre necessitados. ■Preguiça é a chave da pobreza. ■Preguiça traz precisão. VIDE: ●Absque labore gravi non possunt magna parari. ●Otia qui sequitur, veniet huic semper egestas. ●Sine labore non erit panis in ore.

1234. Otiosis locus hic non est; discede, morator. [Inscrição na parede de uma taberna / Dengg 19] Aqui não é lugar para desocupados; cai fora, estorvo!

http://www.hkocher.info/minha_pagina/dicionario/a00.htm

domingo, 1 de maio de 2011

ISTO NÃO É ARTE - 12b

Antes de ler este artigo, convém consultar:


http://profciriosimon.blogspot.com/2010/10/isto-nao-e-arte-01.html



IDADE não é ARTE.



A idade de um trabalho não garante a sua constituição como uma obra de arte, por mais antigo ou recente que seja. Um vinho não é bom porque é velho. Uma safra recente pode ser excelente e a passagem do tempo pode lhe subtrair qualidades que o “terroir” ou a uva lhe conferiram. O contrário também pode acontecer e que a idade venha eliminar aspectos negativos e aversivos de sua juventude, deixando e ressaltando suas qualidades positivas e agradáveis .



Fig 01 - Brian ROGERS – Memória Seletiva – NYT 11.01.2011




A antiguidade de uma obra de arte pode significar também a busca de privilégios nas filas dos idosos no banco do mercado de arte. Enquanto isto o recente, o que esta na moda tinindo de novo e a excitação momentânea do inédito, corre o risco do embuste, do marketing sem conteúdo e da obsolescência no dia seguinte.


Distingue-se OBRA de e de TRABALHO no presente texto. Aceita-se OBRA como aquela que permanece e não é devorada pelo seu uso. Enquanto TRABALHO e o que feito é pela mão humana, tendo apenas por horizonte o seu uso num tempo e num lugar, que sofre a obsolescência e desaparece.




Fig 02 - Vaso do Polvo (c.1500 a.C.) cerâmica - 28 cm - Museu de Heráclion, Creta - encontrado em Palicastro, a leste de Creta.



Isto não significa que toda peça feita para uma determinada função siga o caminho dos demais trabalhos. Como o Vaso do Polvo (fig.02), possui grande probabilidade que tenha tinha tido uma função específica, Mas o seu criador foi tão feliz, conseguiu incorporar tanta vida que, no momento em que este vaso perdeu a sua função não deixou de transportar, para gerações seguintes, toda a vida, a sensibilidade e a felicidade do momento de sua criação. Estas gerações seguintes o preservaram. O museu, que o possui no seu acervo, hoje se orgulha de toda a sua idade como testemunho antiquíssimo da sensibilidade da humanidade da sua terra, gente e tempo.



Uma obra de arte, quanto mais ela é usada, mais vista e sentida, por sucessivas gerações, tanto mais valores agrega a si mesma. Ela possui a competência de agregar os valores de sua origem transportá-los através dos sucessivos séculos, dos quais colhe o carinho e valores, para revelar no presente a sua origem e sua viagem através do tempo . Assim a sua antiguidade e o seu uso podem favorecê-la. Evidente que uma obra de arte do nosso tempo pode se revestir desta mesma competência de carregar, no seu mínimo de sua forma, os valores do seu tempo de criação e ser apta para transportar, para o futuro, aqueles com os quais ainda se encontrará pelo seu caminho. Assim uma obra de arte é sempre uma “metáfora” no sentido de constituir-se em algo que atravessa o tempo em todas as direções


Fig 03 - PICTOGRAMA dos ABORÍGENES AUSTRALIANOS – Estilo Raio X-


Paul S. C. TAÇON – descobriu 3.000 pictogramas na Austrália, em 2010, com idades que recuam até 15.000 anos




Uma obra de arte autêntica suporta a passagem do tempo, pois fez o seu teste ao peregrinar através de sucessivas gerações carregando-se de sua aprovação e de seus valores. De outra parte ela não concorre e nem tira o lugar e a atenção de obras coerentes do tempo atual, ao contrário, ela valoriza, complementa e interage com as suas companheiras de viagem através do tempo. Um Museu do Louvre não é só a Mona Lisa. O conjunto de todas as obras anteriores posteriores a esta obra de Da Vinci, ali acolhidas e mostradas, lucram e ao mesmo tempo rendem homenagem umas às outras. O seu conjunto glorifica a civilização que conseguiu o feito de reuni-las, preservá-las, num continuum de séculos como testemunhos da sensibilidade humana. Quanto mais idade, mais notável é este feito. As autênticas obras de arte, tanto antigas como as contemporâneas, captam a sabedoria, o prazer da vida em seu pleno fluxo de sua criação e trânsito pelos séculos. Criaram um corpo físico que suporta este teste do presente, do passado e , como obras de arte, são competentes para travessias seguras de lugares e de tempos sem sobressaltos e, no mínimo de sua forma, carregando o máximo para o futuro.





Fig 04 - FLORALIS GENÉRICA -2002 -Eduardo CATALANO Buenos Aires



Muito antes de a criatura humana criar e dominar o código escrito, a obra de arte já era competente para carregar, no mínimo de sua forma, o arcaico das mais remotas eras e continuar a ser testemunho dos saberes e do fluxo da vida humana. Na medida em que estas obras tiverem êxito em transformar o saber que captaram no seu tempo de criação e o conseguem remeter, no tempo e no espaço, para todas as civilizações, sendo incorporadas ao patrimônio universal. Patrimônio no qual todos se reconhecem e se orgulham desta obra como o melhor que a humanidade conseguiu produzir. Obra que desafia as gerações futuras a também atingirem o melhor e o mais coerente em seu próprio tempo. Sai ganhando a geração que produziu a obra de arte como todas as demais cujos valores se agregam em todas as gerações seguintes.


Fig 05 - VENUS de LAUSSEL



A obra de arte autêntica e coerente realiza a façanha de transcender o ruído, a cacofonia e a entropia do tempo de sua criação. Tornam-se testemunhos plenos do melhor do que a humanidade é capaz ao modelo do que fizerem todos os grandes artistas das civilizações, grandes ou pequenas.


A este acervo de obras realizadas pelo puro prazer e sensibilidade estética é muito restrito. Uma grande parte das obras de arte, que migraram para o museu, arquivo o coleção, migrou de um determinado uso. Assim 77% do patrimônio artístico da humanidade carrega alguma vinculação com o sagrado na sua origem. Herbert Read (1893-1968) descreve este processo. Para ela uma machadinha levou séculos para juntar a função e a forma. Numa determinada época e local ela atingiu este perfeita coerência entre a sua função a sua forma. No concorrência com outras ferramentas a sua função foi superada e ela a perdeu. A sua forma tomou o caminho do museu.




Fig 06 - ABU GHRAIB – Fernando BOTERO (1932) diante da sua obra em 2010




Se de um lado se solicita esta sensibilidade aristas atual, contudo a obra de arte não é um simples registro e documentação do ruído, da cacofonia e da entropia do seu tempo. Para tal existem outros meios do que a obra de arte. O artista não é um simples sismógrafo do seu tempo e lugar. Ele passaria à heteronomia e não teria condições e nem autonomia para carimbar um pouco de matéria sensível aos sentidos humanos e transformar, esta matéria, em algo com vida própria e fora e muito longe do seu autor.



Fig 07 - Johannes MOREELSE (1602-1634) Heráclito c. 1630




Esta vida própria, fora e muito longe do seu autor, torna-se impossível se a mensagem é 100% original. Um obra desta natureza corre o risco neste extremo de novidade não constituir o seu observador. A obra vinda de um passado e de um lugar absolutamente distinto corre o mesmo risco de incompreensão e não gerar um observador competente de abrir o mínimo da forma para o seu máximo de conteúdo.



Fig 08 - ARTE SUMÉRIA –Mosaico tampa de Harpa – Detalhe da Paz




Para garantir o fluxo do máximo de conteúdo de uma obra de arte, entre quem a cria e quem a recebe, firma-se a força e a responsabilidade a mediação. O profissional da mediação, como o próprio artista, necessita tornar-se competente e merecer a confiança do observador da obra que é aparentemente hermética. Contudo este observador possui pleno direito de exercer a o seu hábito de integridade intelectual. A mediação, sem esta integridade, corre o risco de deslizar, intencionalmente ou por ignorância para o marketing e a propaganda que nada mais realiza do que impingir o próprio repertório do mediador, e não da obra de arte. Corrompe assim tanto o passado como o futuro gerando uma armadilha para a vida própria da obra de arte e uma barreira no seu caminho fora e muito longe do seu autor. O mediador não é um artista frustrado e nem é autor de “pegadinhas” intelectuais ou misteriosinhos mais metafisicas fastadas do papel sensorial de toda obra de arte.


A instituição escolar ensina aos museus de arte, ao mediador e ao observador a ler e a escrever. Contudo se desleixa na preparação dos seus estudantes, dos professores e das próprias instituições de arte a serem competentes e atenciosos no ver, no apurar a acuidade auditiva, no adequado degustar dos alimentos




Fig 09 - Frans Xaver MESSERSCHMITT (1736-1783) Mau Humor




Não importa pois a idade de uma obra de arte. Ela será uma obra de arte ou apenas, e tão somente, um trabalho a mais da humanidade e condenada a sumir no tempo e no espaço no caminho natural da entropia universal. Para as obras de arte não serem confundidas com trabalho e serem condenadas a seguirem o caminho da entropia e da obsolescência, elas necessitam de instituições, de técnicas e de mediadores qualificados e capacitados para mediar entre quem a produz e quem a recebe. Todas as grandes civilizações receberam este nome na medida que eram competentes para prolongar e atualizar o conteúdo das obras de arte do seu passado, do seu presente e manter-se vivas e atuantes num futuro incerto. As obras de arte constituem e garantem este seu futuro civilizado.


Um trabalho humano, como um vinho, por mais recente ou mais antigo que seja a sua idade, não os garantem como obras de arte.




FONTES das IMAGENS




Fig 01 - Brian ROGERS – Memória Seletiva – NYT 11.01.2011


http://www.nytimes.com/2011/01/09/arts/09weekaheadweb.html


Fig 02 - Vaso do Polvo (c.1500 a.C.)


http://historia-da-ceramica.blogspot.com/2009_11_01_archive.html




Fig 03 - PATEL Samir S The Rock Art of Djulirri Arnhem Land – Australia, December 14, 2010 http://www.archaeology.org/1101/web/aus_video.html


In a remote corner of Arnhem Land in central northern Australia, the Aborigines left paintings chronicling 15,000 years of their history.




.Fig 04 - FLORALIS GENÉRICA -2002 -Eduardo CATALANO Buenos Aires


http://www.flickr.com/photos/30957604@N06/sets/72157622309396268/detail/




Fig 05 - VENUS de LAUSSEL


http://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%AAnus_de_Laussel




Fig 06 ABU GHRAIB por FERNANDO BOTERO em


http://www.slate.com/id/2153674/slideshow/2153797/




Fig 07 - Johannes MOREELSE (1602-1634) Heráclito c. 1630


http://pt.wikipedia.org/wiki/Her%C3%A1clito_de_%C3%89feso




Fig 08 - ARTE SUMÈRIA – Detalhe do mosaico Paz Veja o reverso o mosaico da Guerra em


http://pt.wikibooks.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%B5es_da_Antiguidade/Civiliza%C3%A7%C3%A3o_Sum%C3%A9ria




Fig 09 - Frans Xaver MESSERSCHMITT (1736-1783) Mau Humor


http://fr.wikipedia.org/wiki/Franz_Xaver_Messerschmidt

sexta-feira, 18 de março de 2011

ISTO É ARTE - 01

Antes de ler este artigo, convém consultar:

http://profciriosimon.blogspot.com/2010/10/isto-nao-e-arte-01.html

REGINA SILVEIRA :

firmeza, porém com ternura.

Este blog abre uma janela na seqüência das suas criticas e denúncias daquilo que o seu autor considera que NÃO é ARTE. Abre esta janela para evidenciar o contrário. Pretende mostra alguém que é artista, sabe que é e, com toda ternura, pede passagem para que a sua obra seja recebida coerentemente com o que ela é. Alguém que age como artista (ENTE) com a sua convicção reforçada com toda a sua obra e trajetória (SER).


http://www.emocaoartficial.org.br/pt/textos/simposio-2004/

Fig. 01 – REGINA SILVEIRA

Se alguém encarna o dito de que a “arte está em que produz (ENTE), e não no que é produzido (SER)” de Aristóteles, este alguém responde pelo nome de Regina Silveira. Frente à obra e da trajetória de Regina é possível entender o “ENTE no SER” da sentença de Heidegger, sem enganar a ninguém. Caso a sentença for verdadeira, é possível invertê-la. Assim o SER da artista conduz ao seu ENTE, em si mesmo inacessível. Regina Silveira vale-se da metáfora da LUZ para orientar o seu observador. O caminho entre o “SER e o ENTE” torna-se ainda mais coerente se forem consideradas as anotações, em relação ao papel da OBRA, deixadas por Hannah Arendt, a discípula de Heidegger.



No seu SER a artista Regina Silveira consegue conjugar a sua firmeza da defesa do seu projeto estético no qual concebe a sua OBRA. Age sem perder a ternura de alguém que sabe que a multidão está próxima fisicamente e a envolvem. Multidão acompanhada pelo ruído característico da nossa época. Multidão que se rege pela norma descrita por Baudelaire de que “ela vai ao espaço público para ver e ser vista”. A OBRA da mestra rege os passos confusos e a orquestra de sons desconexos desta multidão, impondo-se silenciosa, mas com firmeza. Firmeza de projeto no qual ela distingue, em sua mente, o que é essencial na sua OBRA. Orienta os olhos, os corações e as mentes desta multidão por meio da sua ternura e permanente alerta. Em permanente alerta para valer-se de todos os espaços físicos e conceituais mutantes que a multidão lhe concede e nos quais é possível ainda projetar a LUZ do farol que guia os seus projetos.



Para Regina a grande OBRA foi o desafio de aceitar o projeto e as semanas passadas no diálogo formal com a obra de Álvaro Siza. Na concretização da sua OBRA Regina, certamente, não esqueceu as aulas basilares que teve com os seus mestres Iberê Camargo e Ado Malagoli, sem deixar de transparecer as fecundas vivências com Júlio Plaza. Aprendeu e aplicou a lição fundamental de ir além dos seus mestres. Ela vive a arte do seu tempo, arte que é viva e se reinventa como a própria vida. Na arte, a falta desta reinvenção, é sinal de sua morte. Morte que não é esconjurada se ela se refugia na copia de si mesma. Arte vive permanentemente sob a espada de Dámocles[1] pois nela não existe perdão para uma OBRA equivocada.



Equivoco ocorrido na noite da inauguração e que ela não aceitou e nome da sua OBRA e do Museu. Inconformidade que só pode evidenciar o ENTE da artista. Equívoco do qual a artista valeu-se como oportunidade para iluminar a multidão de Porto Alegre. Multidão que necessita percorrer o longo caminho para atingir o patamar dos centros de arte onde este caminho já se elevou e concretizou há muito tempo. Centros e multidões para quem ela expõe a sua OBRA, interage e circula como cidadã do mundo.





http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Segundo%20Caderno&newsID=a3241542.xml

Fig. 02 – REGINA SILVEIRA – Insetos, mesa e baixela.


Este autor encontrou a artista neste trabalho de iluminar e orientar, com firmeza, os seus assessores, ao lado de Vera Chaves Barcelos, outra referencia mundial das Artes Visuais que Porto Alegre possui. Regina, apartada do burburinho da multidão do térreo e percorrendo as suas OBRAS as suas orientações eram dadas em vozes adequadas, educadas e de altíssimo nível. Porém eram firmes e visivelmente em desconforto com os resultados na noite de inauguração do seu projeto e do seu trabalho de meses. Trabalho que não encontrava uma LUZ adequada à sua OBRA na noite que ela deveria mostrá-la para a multidão. Noite em que o Museu encontrava um dos seus momentos culminantes deveria ver-se livre do despencar da espada de Dámocles.


Se a multidão necessita percorrer o longo caminho para atingir o patamar dos centros de arte nos quais este caminho já se elevou e concretizou há muito tempo necessita da LUZ da exposição das OBRAS de Regina Silveira. Suas OBRAS e de seus mestres e colegas mais qualificados e o Museu Iberê Camargo são apenas pequenas mostra do que ainda potencialmente ainda é possível realizar em Porto Alegre.

Porto Alegre possui este potencial, com a magnitude e a experiência de artistas sul-rio-grandenses e da contemporaneidade do Museu Iberê Camargo. Se a capital do Estado ainda não acertou o laudêmio, com a Marinha Nacional, para o uso do seu porto (alegre), não lhe faltam alternativas e potencial de outras soluções nas suas margens ainda incultas e entregues à marginais. Ao olhar do Museu Iberê, em direção ao centro da cidade, configura-se uma outra realidade a ser considerada. Certamente haverá a necessidade de realizar a conexão entre o Museu Iberê com o futuro teatro da OSPA pelas margens do Guaíba e suas águas. Ivo Nesralla estava presente na multidão dos que foram conferir a obra de Regina.

Caberia perfeitamente um Parque de Escultura entre a via pública e as águas. Parque a céu aberto próximo ao Museu com mostras renovadas. Parque com infra-estrutura adequada para onde migrariam progressivamente as atuais obras tridimensionais abandonadas no meio urbano. Parque onde estas obras teriam segurança e interlocução positiva de que tanto padecem pela incúria em lugares nos quais não tem nem voz e vez. O esporte necessita uma quadra de tênis, em Porto Alegre, altura daquelas de Roland Garros e de Wimbledon com todas a comodidades para atletas e publico. O estádio de futebol do Beira-Rio está caminhado para a sua renovação, atualização. Clube e Estádio que certamente teriam muito a ensinar, como nesta margem do Guaíba, passou de uma “bóia cativa” para uma realidade segura, irreversível e positiva.


http://urbanascidadespoa.blogspot.com/2010/05/parque-marinha-do-brasil.html

Fig. 03 –O PARQUE MARINHA do BRASIL entre a Avenida PRAIA de BELAS (já invisível) e as margens das suas ÁGUAS – Um escândalo a céu aberto e cada dia mais impune.

A prática do remo poderia ganhar raias olímpicas projetadas para dentro da margem das águas ampliando e não agredindo o espaço público. O Parque da Marinha do Brasil teria uma garantia de permanecer intocado e ganhando só melhorias e manutenção, inclusive o seu parque de diversões. O lugar do circo ganharia tratamentos a altura para abrigar em Porto Alegre as grandes companhias circenses. Praias artificiais e ilhas com areia tratada e piscinas com água adequadamente controlada, poderia ter a proximidade de restaurantes projetados sobre o espelho da água. A Avenida Edvaldo Paiva (parece ser em Porto Alegre a única com nome de arquiteto) ganharia um sentido e uma racionalidade urbana que ela ainda não possui, apesar de seu uso cada vez mais intenso e necessário. Funcionaria como topo da segurança contra enchentes e ganharia um visual e uma praticidade para acesso a aquilo que está descuidado. Ganharia como artéria urbana e pela complementaridade do aero-móvel realizando o transporte do público e em horários diferenciados entre o centro de Porto Alegre e os pontos como o Gasômetro, OSPA, Câmara, Centro Administrativo, Parque Harmonia, Parques, Beira Rio, Museu Iberê chegando até o Hipódromo entre outros. A Usina do Gasômetro já está consolidada, irreversível e que ganharia em todos os sentidos com este investimentos. Ao natural a população já se aglomera, aos finais de tardes, junto à margem do Guaíba para se despedir do Sol. A OSPA ganharia com todos estes equipamentos e planejamento urbano. O Teatro Por do Sol já é uma realidade e que poderia receber melhorias significativas tanto para artistas como público. O Parque da Harmonia já encontrou a sua vocação do cultivo das tradições campeiras. A poluição d Arroio Dilúvio parece que está com a sua com os dias contados.


Fig. 04 – Avenida PRAIA de BELAS e a distância da água

A Avenida PRAIA de BELAS necessita recuperar a sua conexão com a água antes que mais especulações e expedientes puramente mercadológicos ou de cunho meramente administrativos públicas, lhe furtem as conexões humanas com a água. Nada melhor do que a ARTE e a CULTURA para comandar este processo.

A LUZ projetada sobre o Museu Iberê Camargo, pela artista Regina Silveira, e proveniente dos sues mestres, colegas e observadores mais atentos necessita da liberdade, do carinho e da autonomia continuada, para se manter acesa e fazer sentido. Para cumprir estas condições a OBRA de ARTE e seus criadores não podem sujeitar ao improviso, a outros interesses sem se sujeitar às migalhas de obras jogadas e atiradas ao acaso.


Fig. 05 – CARTÃO CONVITE do Museu Iberê Camargo.

O postulante ao autógrafo ouviu “Eu não gosto de dar autógrafo e isto não é uma obra de arte”. Contudo predominou a civilidade e a gentileza da artista com o importuno.

As obras de Regina Silveira, na sua autonomia, gratuidade e liberdade, nos induzem e obrigam a dar-lhes atenção e abrigo. Abrigo num ambiente que é uma OBRA de arte e com a qual ela soube dialogar e transformá-la numa obra dentro de outra obra de arte. A coerência desta harmonia clama pela atenção, pela sua continuidade e pelo acendimento de outras luzes sobre a nossa capital. Continuidade para descobrir e realçar as potencialidades que ela já possui e recebeu graças ao gênio humano esta apta para evidenciar outras potencialidades ainda latentes. Também Porto Alegre possui um ENTE potencial e que necessita ser desvendado no seu SER.


http://wp.clicrbs.com.br/blogerlerina/?topo=77,1,1

Fig. 06– Museu Iberê Camargo.


O mundo numérico digital, na sua progressiva desmaterialização, necessita refazer o caminho exatamente ao contrário desta desmaterialização. Os cinco sentidos humanos necessitam experimentar - física e empiricamente - o que a tecnologia lhes subtrai cada vez mais. No caminho para fazer a mediação das idéias e sonhos da artista com o seu potencial público, o presente texto materializa-se apenas em letras e imagens. O seu contrário é percorrer e caminhar no meio das OBRAS de Regina Silveira como exigência dos sentidos humanos para conferir as idéias e os projetos da artista. A lição da mestra necessita os cinco sentidos acordados, atentos e vivamente exercidos em relação à sua aula viva. Aula para qual ela traz para a sua cidade natal um capital de bens simbólicos. Ganham a cultura sul-rio-grandense, o Museu Iberê, a OBRA da artista e a multidão, na medida em que souberem receber o capital de bens simbólicos originários do saber e da carinhosa firmeza de Regina

http://wp.clicrbs.com.br/blogerlerina/?topo=77,1,1

Fig. 07 – Museu Iberê Camargo.


ALGUMAS FONTES relativas à REGINA SILVEIRA no

ESPAÇO NUMÉRICO DIGITAL

http://reginasilveira.uol.com.br/

http://reginasilveira.uol.com.br/biografia.php – Walter Zanini

http://pt.wikipedia.org/wiki/Regina_Silveira

http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=3119&cd_idioma=28555

http://bravonline.abril.com.br/conteudo/artesplasticas/regina-silveira-galeria-imagens-511020.shtml

http://www.escritoriodearte.com/listarQuadros.asp?artista=92

http://www.emocaoartficial.org.br/pt/textos/simposio-2004/

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Segundo%20Caderno&newsID=a3241542.xml

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,dilemas-entre-a-midia-e-a-sociedade,684167,0.htm

http://www.medien.tv.reisen.en-a.de/kunst_kultur_und_musik/die_8_art_karslruhe_als_drehscheibe_der_kunst-46033/

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/830084-regina-silveira-inaugura-ceu-bordado-na-fachada-do-masp.shtml

http://wp.clicrbs.com.br/blogerlerina/?topo=77,1,1


PRAIA de BELAS

http://urbanascidadespoa.blogspot.com/2010/05/parque-marinha-do-brasil.html



[O presente blog possui apenas, e tão somente, fins didáticos e culturais Não visa lucro monetário algum, [como não possui patrocínio ou apoio financeiro]


Site básico do autor:

http://www.ciriosimon.pro.br/