segunda-feira, 10 de outubro de 2011

SUMÁRIO do 2º ANO

SUMÁRIO do BLOG

http://profciriosimon.blogspot.com/

no seu 2º ANO de SUA EXISTÊNCIA.


Fig. 01 – Aula sob a paineira em flor – Acrílico sobre papel -

325 mm x 482 mm – 2011 – Círio Simon



PORTO ALEGRE 10.10.2010 – 10.10.2011



Este blog continuou a construir e postar uma série de matérias relativas à ARTE e as suas circunstâncias, ao longo do seu 2º ano de presença na rede mundial. As circunstância são aquelas de Porto Alegre e os índices de Arte que ali circulam no inicio da 2ª década do século XXI.

Na escolha dos seus temas este blog seguiu pelo caminho das obras de Arte, das expressões da autonomia do artista e das pontes para chegar até os seus observadores.


Fig. 02 – Caminhantes contra o mau tempo Acrílico sobre madeira aglomerada -

500 mm x 830 mm – 2010 – Círio Simon

As obras de ARTE estão em permanente busca das suas competências e dos seus limites. São frequentes as confusões entre o que “É ARTE” e o que “NÃO É ARTE”. Diante de outros saberes a ARTE necessita justificar o seu direito de sua existência separada e autônoma. Nesta autonomia a ARTE desenvolve um saber próprio para deliberar e exercer a sua vontade do que lhe compete neste mundo físico por meio do seu agir na produção de suas obras.

O produtor de Arte expressa autonomia quando o artista explora a sua competência para deliberar e decidir entre o seu AGIR e o seu FAZER. Neta distinção artista busca entender a sua própria autonomia ao exercer o seu direito para diferenciar a sua OBRA do seu TRABALHO. Cabe também ao artista o direito de não confundir a sua VIDA com a sua OBRA de ARTE mantendo as suas competências e os seus limites. Para não se confundir com a OBRA, o artista pode ir ao extremo de abster-se de fazer a OBRA física. O artista afirma o direito de sua VIDA preceder ao distinguir e implementar o seu AGIR diferente do FAZER e do TRABALHO. Para tal direito existem inumeráveis expressões de “ISTO NÃO É ARTE”. O exercício da autonomia impõe ao artista deliberar e decidir. Ele delibera e decide-se num universo de infinitas escolhas possíveis que se apresentam e ao seu público. Cada escolha é uma perda. Cabe ao artista e ao observador coerente, administrar estas perdas de forma consciente. Artista e espectador possuem o direito ao exercício da expressão “ISTO NÃO É ARTE”. O direito de emitir esta sentença restritiva acarreta consequências das quais, tanto o autor como o receptor, necessitam possuir os mais explícitos conhecimentos das repercussões e uma lúcida vontade de administrar estas perdas de forma consciente.


Fig. 03 – A pausa para a merenda – Acrílico sobre madeira aglomerada -

500 mm x 830 mm – 2010 – Círio Simon

A EXPRESSÃO da ARTE necessita das pontes da COMUNICAÇÃO humana para que as OBRAS e os seus PRODUTORES cheguem coerentemente até os seus observadores. A PALAVRA ainda constitui uma das mediações semióticas mais correntes entre ARTISTA e o seu OBSERVADOR do campo das forças das ARTES. O VERBO encarna o PENSAMENTO da OBRA FÍSICA e conectando-a ao ARTISTA. Ele aponta aos sentidos humanos o pensamento que orientou e produziu a OBRA de ARTE. Assim ele é competente para ensinar ao observador o caminho que ele necessita percorrer para perceber o máximo no mínimo da FORMA. VERBO como PALAVRA é a origem da mediação. Contudo, em época de profundas dúvidas e de contraditórios toda mediação narrativa - discursiva ou visual - necessita de profunda e coerente ascese. Esta ascese na COMUNICAÇÃO humana é necessária para garantir que a EXPRESSÃO da ARTE torna-se coerentemente perceptível na sua OBRA, para linearizar o pensamento que ela contém e com o intuito de sua permanência. Ascese que a PALAVRA exercita no clássico percurso do campo filosófico da EPOKHÉ ou a suspensão provisória do seu julgamento. Nesta suspensão possui tempo para deliberar e decidir “o que não pode ser dito deve ser calado” coerente com o Aforismo 7 Tractatus Logico-Philosophicus. De Ludwig Wittgenstein.


Fig. 04 – O consumo compulsivo – Acrílico sobre papel -

297 mm x 210 mm – 2011 – Círio Simon

Esta suspensão ganha sentido pleno na escolha entre “SER ARTE” ou “NÃO SER ARTE”. Em especial, onde se inclui a ausência da OBRA física.

O mundo numérico-digital garante suportes e distribui ferramentas que facilitam suportes como as “nuvens”. As cloud’s permitem arquivar um acúmulo de memória cada vez maior e que aliviam a memória das máquinas individuais. É possível especular sobre uma autêntica “manu e nubibus“ que veio do céus para nos livrar da linha de montagem industrial da era da tipografia e da impressão na rotativa. Do outro este mundo digital cria e distribui suportes inesperados, como OPERA, amplamente usado neste blog para continuar, projetar novos passos como se pretende no início do 3º ano deste blog.

No âmbito dos suportes e ferramentas este blog encerra o seu 2º ano de rede mundial com o registro do desaparecimento de Steven Paul “Steven” Jobs (1955-2011). Com certeza o seu pensamento permanecerá pela sua atualidade, coerência com o momento produtivo, pelas possibilidades e ferramentas adequadas para circulação da comunicação humana.

CÍRIO SIMON


Fig. 05 – Caminhante na chuva – Acrílico sobre papel -

330 mm x 481 mm – 2011 – Círio Simon

DATAS das POSTAGENS

SUMÁRIO ELETRÔNICO do 1º ANO do BLOG CÍRIO.................................12.10.2010

http://profciriosimon.blogspot.com/2010/10/sumario-eletronico-do-1-ano-do-blog.html

ARTE em PORTO ALEGRE e a “HISTÓRIA em MIGALHAS”Maria Annita Tollens Linck. ......21.10.2010

http://profciriosimon.blogspot.com/2010/10/arte-em-porto-alegre-e-historia-em_21.html


Fig. 06 – Para o que der e vier – Acrílico sobre papel -

297 mm x 210 mm – 2011 – Círio Simon

TEMA :O QUE NÃO é ARTE ?

01 – O HÁBITO da INTEGRIDADFE INTELECTUAL em ARTE..................................30.10.2010

http://profciriosimon.blogspot.com/2010/10/isto-nao-e-arte-01.html

02 – NATUREZA não é ARTE............................................04.11.2010

http://profciriosimon.blogspot.com/2010/11/isto-nao-e-arte-02.html

03 – ESCRAVO NÃO FAZ ARTE.......................................18.11.2010

http://profciriosimon.blogspot.com/2010/11/isto-nao-e-arte-03.html

04 – NEM o ACASO e NEM o MILAGRE são ARTE.................25.11.2010

http://profciriosimon.blogspot.com/2010/11/isto-nao-e-arte-04.html

05 – A QUANTIDADE não é SINÔNIMA de QUALIDADE..............30.11.2010

http://profciriosimon.blogspot.com/2010/11/quantidade-nao-e-arte-05.html

06 – Nem o CAPITAL nem o TRABALHO são ARTE..........................06.01.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011_01_01_archive.html

07 – A DEMOCRACIA da ERA INDUSTRIAL não é mais ARTE.......01.02.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011_02_01_archive.html

08 – O novo pelo novo, não é arte ou a MORTE da Arte pelas CONEXÕES CORTADAS.........................07.03.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/03/isto-nao-e-arte-08.html

09 – CIÊNCIA NÃO É ARTE...........................................11.03.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/03/isto-nao-e-arte-09.html


Fig. 07 – A velha tulha – Acrílico sobre papel -

333 mm x 480 mm – 2011 – Círio Simon

10 - REGINA SILVEIRA : firmeza, porém com ternura. ......18.03.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/03/isto-e-arte-01.html [veja em 01- O QUE é ARTE]

11 - FILOSOFIA não é ARTE...........................................11.07.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/06/isto-nao-e-arte-11.html

12 – IDADE não é ARTE..................................................01.05.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/05/isto-nao-e-arte-12b.html

13 – ÓCIO não é ARTE......................................................09.05.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/05/isto-nao-e-arte-13_09.html

14 – PATRULHAMENTO NÃO É ARTE....................13.05.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/05/isto-nao-e-arte-14.html


Fig. 08 – Paisagem entre serra e mar – Acrílico sobre papel -

333 mm x 480 mm – 2011 – Círio Simon

15 – Os EXTREMOS não são CIÊNCIA e nem ARTE........16.05.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/05/isto-nao-e-arte-15.html

16 – Nem o MEIO TERMO e nem o IGUAL são ARTE......08.05.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/05/isto-nao-e-arte-16.html

17 – ESTUDANTE não faz ARTE.....................................................22.05.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/05/isto-nao-e-arte-17.html

18 – O FAZER não é ARTE...........................................01.06.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/06/isto-nao-e-arte-18.html

19 – NEM TUDO é ARTE................................................05.06.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/06/isto-nao-e-arte-19.html

20 - TIPO não é ARTE.....................................................07.06.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/06/isto-nao-e-arte-20.html

21 - COMUNICAÇÃO não é ARTE............................15.06.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/06/isto-nao-e-arte-21.html


Fig. 09 – Nuvens, morros e lago – Acrílico sobre papel -

333 mm x 481 mm – 2011 – Círio Simon

22 - LIXO e LUXO não são ARTE. .................................20.06.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/06/isto-nao-e-arte-22.html

23 - MÚMIAS não são ARTE..............................................25.06.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/06/isto-nao-e-arte-22_25.html

24 - RELIGIÃO não é ARTE ..............................................27.06.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/06/isto-nao-e-arte-24.html

25 - GUERRA não é ARTE....................................................01.07.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/07/isto-nao-e-arte-25.html

26 - BELO e FEIO não são ARTE.....................................04.07.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/07/isto-nao-e-arte-26.html

27 - O EU não é ARTE..............................................................06.07.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/07/isto-nao-e-arte-27.html

28 - A MENTALIDADE CLASSIFICATÓRIA RÍGIDA não é ARTE..01.07.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/07/isto-nao-e-arte-28.html

29 - O TEMA não é ARTE.......................................................13.07.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/07/isto-nao-e-arte-29.html


Fig. 10 – A loja e sua proprietária – Acrílico sobre papel -

333 mm x 481 mm – 2011 – Círio Simon

TEMA : O QUE é ARTE ?

01 - REGINA SILVEIRA : firmeza, porém com ternura. .......18.03.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/03/isto-e-arte-01.html

02 - O MUSEU de ARTE MODESTA.................................08.08.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/08/o-que-e-arte-002.html

03 - 12 de AGOSTO: DIA das ARTES no BRASIL..............11.08.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/08/isto-e-arte-003.html

04 -A PRAÇA PROVÍNCIA de SHIGA JAPÃO em PORTO ALEGRE......19.08.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/08/isto-e-arte-004.html

05 - QUANDO TODOS se SENTEM ARTISTAS e ZORAVIA BETTIOL..............31.08.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/08/isto-e-arte-005.html

06 - QUANDO TODOS se SENTEM FOTÓGRAFOS e as LIÇÕES SILENCIOSAS do Dr. LUIZ EDUARDO R ACHUTTI........................08.09.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/09/isto-e-arte-006.html

07 - QUANDO os OPERÁRIOS se SENTEM ARTISTAS ou QUANDO o SILÊNCIO faz a DIFERENÇA................................... .19.09.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/09/isto-e-arte-007.html

08 - QUANDO os CRIADORES de ARTE e de CULTURA marcham solidários, interativos e

civilizados para a SUA AUTONOMIA ........................24.09.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/09/isto-e-arte-008.html

09QUANDO os OPERÁRIOS se SENTEM ARTISTAS ou QUANDO o SILÊNCIO faz a DIFERENÇA - b..........28.09.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/09/isto-e-arte-009.html

10 -FÁCIL é ser BOM O DIFICIL é SER JUSTO...05.10.2011

http://profciriosimon.blogspot.com/2011/10/isto-e-arte-010.html


Fig. 11 – A sessão de pintura e a informática – Acrílico sobre madeira aglomerada -

500 mm x 830 mm – 2010 – Círio Simon

FONTES

EM NUVEM - CLOUDS

http://pt.wikipedia.org/wiki/Computa%C3%A7%C3%A3o_em_nuvem

STEVEN PAUL “STEVE” JOBS (1955-2011)

http://en.wikipedia.org/wiki/Steve_Jobs

http://www.spiegel.de/fotostrecke/fotostrecke-51189.html


Fig. 12 – A pomba - Acrílico sobre papel - 210 mm x 297 mm – 2011 – Círio Simon

Círio SIMON

Travessa. Pedro Américo, nº 28, ap.11 - Edifício NOVO MUNDO

CEP 90.550-100 - PORTO ALEGRE RS. BR

[não usa telefone]


E-mail ciriosimon@cpovo.net

blog : http://profciriosimon.blogspot.com/

http://profciriosimon.blogspot.com/2010/10/sumario-eletronico-do-1-ano-do-blog.html

blog http://mathiassimon1829.blogspot.com/2011_04_01_archive.html

blog http://naofoinogrito.blogspot.com/

Site www.ciriosimon.pro.br

Referencias em domínios numéricos digitais

Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4780750T3

Currículo breve : http://www.ciriosimon.pro.br/cur/cur.html

Currículo bibliográfico

http://sabix.ufrgs.br/ALEPH/1CYE7FAY8R4IR1PSKS7MGHMQ1UQTH33A8AM38QDIK38U9KQ8UM-00467/file/start-0 digitar autor - Círio Simon


Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=qdqXEg7ugxA





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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

ISTO é ARTE - 010

FÁCIL é ser BOM

O DIFICIL é SER JUSTO.

“O que não pode ser dito, deve ser calado

Wittgenstein - Aforismo 7 Tractatus Logico-Philosophicus.


http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=1514&cd_item=2&cd_idioma=28555

Fig. 01 – DÉCIO VILLARES (1851-1931) e CARLOS MAXIMILIANO FAYET (1930-2007) Monumento a JÚLIO de CASTILHO (detalhe) e JUSTIÇA parede Sul do Palácio da Justiça – Praça da Matriz Porto Alegre -RS

A Arte busca a bondade e a excelência por sua própria natureza e é a sua razão de ser. Contudo estas duas qualidades não lhe bastam por si mesmas. Uma civilização dificilmente dará guarida e legitimidade à Arte sem que ela conheça e reconheça os seus próprios limites no campo da moral e os ponha em ação na produção de suas obras.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_Municipal_de_Caxias_do_Sul

Fig. 02 – PIETÁ do acervo do Museu Municipal de Caxias do Sul – RS.

As obras de Arte atingem o potencial do nível crítico e um sentido pleno quando conjugam coerentemente a Bondade e a Excelência com a Verdade e a Justiça. A Arte para manter-se coerente com a Vida, com a Verdade e com a Justiça, por tempo integral, necessita de redobrada atenção, de esforço e de energia. Coerência com a Vida, com a Verdade e com a Justiça tanto de quem a produz Arte como de quem a recebe. Nestas condições pode candidatar-se para receber guarida e legitimidade de alguma civilização.


http://www.nytimes.com/slideshow/2011/09/29/arts/design/20110930-LOUVRE-11.html

Fig. 03 – THÉODORE GÉRICAULT (1791-1824) desenho da mão esquerda do próprio artista realizado no leito de morte. A Arte não conhece fim de semana, férias ou aposentadoria. Ela acompanha o artista enquanto estiver vivo. Aristóteles afirma que “toda a arte está no que produz, e não no que é produzido”. .

Para atingir o sentido pleno do potencial crítico o criador da obra de Arte redobra a atenção no seu caminho até o seu observador e este no seu retorno ao artista. A atenção é necessária, pois o campo da moral pode ser corrompido, mesmo aparentando normalidade, excelência e bondade. A corrupção dos limites da moral espreita tanto a excelência do conhecimento da inteligência e das deliberações dos sentidos humanos. A vontade confunde-se nas suas anuências e nas suas decisões devido às informações equivocadas dos sentidos e da inteligência. As desculpas de plantão, fixas e únicas brotam do simples comportamento visível e do moralismo formal. As desculpas denunciam a corrupção e ferem um principio essencial em ARTE na qual jamais é possível um pedido de perdão. Estas desculpas não são possíveis devido à autonomia do artista, além de conduzirem ao terreno estéril e deserto. O produtor e o seu observador nada possuem em comum entre a Vida, Verdade e a Arte no caminho estéril deste deserto desolador. Nestas circunstâncias, as conexões entre a Vida, a Verdade e a Arte passam a corromper-se na forma de meras ficções discursivas e retóricas. Estas desconexões são cada vez mais frequentes, rápidas e irreversíveis no âmbito do mundo numérico digital. Para criar estas ficções discursivas e retóricas basta gerar programas aleatórios e genéricos. Elas possuem a sua existência fantasmagórica enquanto não são DELETADAS por um simples clicar numa tecla. A sua Verdade, a Justiça e a Bondade da Arte seguem cada vez mais no caminho da afirmação de Aristóteles (1973: 243 114a 10) que toda a arte está no que produz, e não no que é produzido”. Para realizar esta distinção continuada impõe-se a importância de submeter-se voluntariamente à uma formação sólida. Importância desta formação tanto para quem produz como para aquele que intermédia e observa a Arte. Importância que cresce, se avoluma e se expande nas circunstâncias da Arte avançando e se consolidando no espaço material numérico digital.


http://sdrc.lib.uiowa.edu/dada/Negerplastik/pages/077.htm

Fig. 04 – ARTE AFRICANA banco de chefe tribal

A Razão não abrange toda a Justiça e a coerência da Arte com a Vida no seu feixe orientada de luz. O feixe da luz focada pela Razão instrumental, ilumina, abrange, compreende e expressa diminutas parcelas da Verdade. Ele ilumina em focos limitados e em cores variáveis por interesses transitórios. Este feixe focaliza muito acima ou muito abaixo, muito aquém ou além da Vida, da abrangência da Verdade e da orientação da Arte.


Fig. 05 – Pablo PICASSO (1881-1973) escultura e pintura..

Não há patrulhamento estético ou ideológico que a salvem uma obra, que se pretende de Arte, que se desconecta da Justiça e da Verdade. Nestas condições constitui apenas mais um trabalho. Condenado à obsolescência imediata este trabalho apenas ocupa espaço na ordem das coisas, desperdiça tempo e atenção na mente do seu observador e do seu produtor. A Justiça, a Arte e a Verdade são infinitas. Elas resplandecem para além do seu tempo e espaço empírico. Enquanto isto, o Trabalho e os seus produtos, sempre são limitados e sujeitos à obsolescência imediata e se confundem com a Natureza na qual acontecem e com a qual entram na mesma entropia implacável.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Maximiliano_Fayet

Fig. 06 – Carlos Maximiliano FAYET (1930-2007) estudo do rosto da escultura d colocada na parede Sul do Palácio da Justiça da Praça da Matriz de Porto Alegre - RS. A JUSTIÇA REPRESENTADA com OLHOS ABERTOS.

O mundo moral - como o físico - busca a coerência com as suas energias. O magnetismo no mundo físico não produz ruídos e nem age com estardalhaço. O mesmo acontece com o mundo das forças morais e intelectuais e estéticas. A Arte, conectada com a Verdade e a Justiça, age como Nietzsche a descreveu (2000, p.134) .. a Arte não pode ter sua missão na cultura e formação, mas seu fim deve ser alguém mais elevado que sobre-passe a humanidade. Com isso deve satisfazer-se o artista. É o único inútil, no sentido mais temerário. As disfunções destas energias e o seu mau uso produzem ruídos, quebras e catástrofes.

A Arte realiza escolhas rigorosas para manter a sua coerência na sua colocação no mundo físico. Escolhas que tomam em conta os sentidos humanos que a produz e a percebe. Assim ela ganha um corpo físico e se dirige aos olhos, aos ouvidos, ao tato, ao olfato, ao gosto ou percepção cinética do gesto desdobrado no tempo e no espaço.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Maximiliano_Fayet

Fig. 07 – Carlos Maximiliano FAYET (1930-2007) estudo do olho do rosto da escultura d colocada na parede Sul do Palácio da Justiça da Praça da Matriz de Porto Alegre RS – A JUSTIÇA REPRESENTADA com OLHOS ABERTOS.

Esta riqueza de ofertas, e esta amplidão dos meios sensoriais, possuem o seu risco, seu preço e o seu limite. A Arte contorna de um modo ciumento qualquer reforço ou concorrência de algo que não é da sua própria natureza. A ao contrário da comunicação, a Arte evita qualquer redundância ou reforço daquilo que não é de sua estrita competência.


http://www.poesiaconcreta.com/texto.php

Fig. 08 – HAROLDO de CAMPOS poesia concreta

A Arte, colocada no mundo no mundo físico dos sentidos humanos, impõe a coerência entre o pensamento e as formas físicas que ela escolhe para expressar este pensamento. A genialidade daqueles artistas - que estão na origem das revoluções estéticas - seguiram rigorosamente esta ascese estética. Assim John Cage expressou o seu pensamento com a Música. Não se trata apenas do silêncio e nem minimalismo formal e discursivo. Cage consegue colocar o Tempo e, na passagem deste Tempo na sua obra, aguçando ao máximo, o ouvido humano dispondo-o perceber todo e qualquer evento sonoro, mesmo que não aconteça absolutamente nada. Assim Giotto retorna às tintas e aos pinceis valendo-se dos mesmos meios sensoriais dos pintores das cavernas. Na esteira de Giotto os mestres Leonardo da Vinci, do Impressionismo ou dos pintores não figurativos conduzem os olhos dos seus observadores para os eventos pictóricos.


Fig. 09 – As PINTURAS de LASCAUX conseguiram preservar no mínimo das suas formas o complexo mundo mental de criatura humanas vivendo e pensando a sua caça e abstraindo deste seu repertório todos o demais eventos e circunstâncias da cena

As formas tridimensionais dos artistas africanos arrancam as formas das suas esculturas a quem continuam a dar vida em formas despojadas dos arquétipos que deram corpo às obras da Pré-História. Estes eventos plásticos conferiram sentido à escultura de Picasso, de Brancusi e de uma legião minimalista que conseguiram resumir nas suas formas todas as vibrações no mínimo da forma plástica tridimensional. Neste espaço vale também o que Wittgenstein pondera no seu Aforismo 7O que não pode ser dito deve ser calado” e esta arte necessita calar o que não é da sua natureza.


Fig. 10 – A CABANA PRIMITIVA no meio da floresta tropical

(documentário da BBC - Londres)

O corpo, o gesto e a voz nas Artes Cênicas e a “cabana primitiva” na Arquitetura são meios para conferir corpo sensorial ao pensamento. O mesmo pode ser dito, e entendido pó meio das “24 imagens por segundo” do Cinema ou a Poesia no manejo da carga semântica da palavra e verbo na sua solidão de um discurso linear e unívoco. Ou como escreveu Aristóteles: “o poeta exprime essas maneiras diversas por meio da elocução, que comporta a glosa, a metáfora e muitas outras modificações dos termos, como as admitimos nos poetas”. O corpo mínino sensorial da Arte torna o pensamento contemporâneo a todas as gerações humanas.


Fig. 11 – FRANCISCO JOSE de GOYA y LUCIENTES (1746-1828) “Asta su Abuelo”- Este artista viveu a crise da Razão e do Iluminismo que chegou à Espanha com os exércitos franceses da Napoleão Bonaparte. A sua série de gravuras desnudam a falácia da Razão especialmente quando ela se entrega ao sono.e onipotência.

Pode-se concluir que a Arte autêntica busca a Bondade e a Excelência por sua própria natureza. Além disto, a Arte é a base sensorial de uma civilização, na medida em que conhece e reconhece os seus próprios limites no campo da moral. É a Arte que recebe a incumbência, e a missão, de projetar no tempo o que de melhor esta civilização viveu, sentiu e amou, prolongando-a e a universalizando.


http://www.poesiaconcreta.com/texto.php

Fig. 12 – HAROLDO de CAMPOS poesia concreta

FONTES

ARISTÓTELES (384-322). Ética a Nicômano. São Paulo: Abril Cultural1973. 329p.

----------------ARTE POÉTICA CAPÍTULO XXVI Algumas respostas às críticas feitas à poesia

http://www.pacc.ufrj.br/arquivospdf/poeticaaristoteles.pdf

file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica.htm (41 of 53) [3/9/2001 15:05:20]

.

CAGE, John,(1912-1992)

http://vimeo.com/14252504

CARL EINSTEIN (1888-1940)– ARTE NEGRA obra é clássica.

EINSTEIN, Carl – NEGERPLATIK – München : Kurt Wolff Verlag 1920 108 p com 116 il

toda disponível no original em

http://sdrc.lib.uiowa.edu/dada/Negerplastik/pages/000xiii.htm

http://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Einstein

.

KANDINSKY Wassily (1866-1944) - Ponto e a Linha diante do Plano

http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/_uploads/documentos-pessoais/documento-pessoal_314.pdf

MUSEU MUNICIPAL de CAXIAS do SUL

http://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_Municipal_de_Caxias_do_Sul

NIETZSCHE, Frederico Guillermo (1844-1900) Sobre el porvenir de nuestras escuelas. Barcelona: Tusquets, 2000. 179.

WITTGENSTEIN, Ludwig. (1889-1951)Tractatus Logico-Philosophicus. Trad. Luiz Henrique Lopes dos Santos. São Paulo: EDUSP, 1994

“7 What we cannot speak about we must pass over in silence”.

Satz 7 Wovon man nicht sprechen kann, darüber muß man schweigen

http://www.masonic-library.org/Texte/WovonManNichtsprechenkann.pdf

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=36545


http://www.nytimes.com/slideshow/2011/09/29/arts/design/20110930-LOUVRE-11.html

Fig. 13 – JACQUES LOUIS DAVID e(1748-1825) esboço do quadro SABINAS (1799)