quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

277 – ISTO é ARTE


A FONTE de TALAVERA na MEMÓRIA de FERNANDO CORONA.
Fig. 01 – A FONTE de TALAVERA de PORTO ALEGRE é conhecida e vista por todos os porto-alegrenses.    Porém poucos conhecem a memória do seu proponente e das pessoas que se mobilizaram para trazê-la para se constituir uma peça da SALA de VISITAS do Rio Grande do Sul e numa espécie de identidade subliminar porto-alegrense.

A FONTE de TALAVERA, erguida pela COLÔNIA ESPANHOLA de PORTO ALEGRE, tinha por objetivo de MARCAR e REFORÇAR o evento do CENTENÁRIO da REVOLUÇÃO FARROUPILHA (1835-1935) e perpetuar a GRATIDÃO desta nação pela generosa acolhida. Com o passar do tempo a FONTE de TALAVERA tornou-se uma referência[1] e uma espécie de cartão de visita de Porto Alegre, passando a integrar a identidade subliminar da capital do Rio Grande do Sul[2].


[2] Para ressaltar a força subliminar deste símbolo tornou-se A FONTE de INTRIGAS e de DISCORDIAS quando de um dano e um restauro que muitos julgaram uma traição ao original   https://portoimagem.wordpress.com/2009/01/12/fonte-da-discordia/

Fig. 02 – Na Praça Montevidéu existia uma fonte anterior aquela de TALAVERA.  Era um dos marcos do CENTENÁRIO da IMIGRAÇÃO ALEMàque se comemorou em 1924. Em 1935 ela cedeu lugar para que a PREFEITURA de  PORTO ALEGRE pudesse acolher o presente da Colônia Espanhola  e marcar o CENTENÀRIO de REVOLUÇÂO FARROUPILHA..

A FONTE de TALAVERA foi o resultado material de uma mobilização da colônia espanhola de todo o Rio Grande do Sul. Mobilização constituída por  uma COMISSÃO CENTRAL na capital do Estado, contando com COMISSÕES REGIONAIS  articuladas por meio de correspondência postal.
A FONTE de CERÂMICA de TALAVERA sucedeu a tradição das FONTES de FERRO importadas da FRANÇA[1]. Por sua vez estas fontes industriais francesas[2] haviam ocupado o lugar das FONTES NATURAIS anteriores aos serviços hidráulicos de água tratada e distribuída por meio de encanamentos.
 As FONTES NATURAIS perderam a função primitiva de fornecer água potável para a população. Permaneceu o simbolismo das primeiras providências do IMPÉRIO ROMANO de abrir caminhos transitáveis e criar e manter os serviços de abastecer as cidades de agua potável, para toda a população.


[1] ALVES de Almeida, José Francisco (1964-.  Fontes d’Art-noveau  no Rio Grande do Sul. Porto Alegre : Artfolio, 2009, 210 p. : Il

[2] FONTE DE FERRO do RECANTO EUROPEUS do PARQUE FARROUPILHA https://pt.wikipedia.org/wiki/Fonte_Francesa_(Parque_da_Redenção)

Fig. 03 – Uma obra do escultor Alfred ADLOFF [1] encimava a FONTE do CENTENÁRIO da IMIGRAÇÃO ALEMÂ. Esta obra impropriamente denominada de a “FONTE da SAMARITANA” parece arbitrária e de inspiração bíblica romantizada. A “MOÇA com CÂNTARO” era a alegoria da fecundidade de uma nova geração de IMIGRANTES que escolheram se estabelecer, em 1824, começaram a chamar  o Estado do Rio Grande do Sul, de “SEU LAR” [HEIMAT]

A memória da origem da FONTE de TALAVERA está registrada no Diário de Fernando CORONA (1895 – 1979)  que ele denominou como . “CAMINHADA de FERNANDO CORONA: Tomo I. 01 de janeiro de 1911 até dezembro de 1949 – donde se conta de como saí de casa e aqui  fiquei para sempre: nasci num lugar e renasci em outro onde encontrei amo”  fl.s 338 até  347[2]

 Estamos em 1935, ANO VINTE E QUATRO da PERMANÊNCIA de FERNANDO CORONA em PORTO ALEGRE - 
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  . No ano de 1931 - 19 da minha chegada aqui -  terminou com a volta ao Ministério de Estado de Dom Daniel Fernández–Shaw. Ao despedir-se de mim colocou sua casa em Madrid à minha disposição e, estando ele lá, seria mais fácil eu poder trabalhar com seu irmão o arquiteto da cidade Universitária.
  Eu não podia pedir mais. Parece que tudo me favorecia e mais a fundo me empenhei para juntar 50.000,00 pesetas que calculei para passar um ano em Madrid sem trabalhar. Pensei em vender ao meu sócio José Ghiringhelli a parte que me tocava na oficina de escultura e reforçar minhas economias.
  Sempre que a gente sonha com viagem anda à cata de formas de transporte. Claro que seria navio. Por essa época passavam pelo porto de Rio Grande. os transatlânticos da Hamburgem – Leine ou nome parecido. Consultei catálogos, camarotes e preços até Lisboa ou Porto. Sei lá. Chegava a sonhar com as ruas de Santander, a aldeia de Barcenilla, com Torrelaruja, lugares da minha infância. Dezenove anos sem ver minha santa mãe e minha tia Virginia. Meu irmão Luís e minhas irmãs Esperanza, Emilia e Marina. Jesus estivera aqui em 1922 ou 23. voltara com papá. Ao pai nunca mais vi, pois falecera em 1° de novembro de 1938 em Barcelona, ainda e durante a revolução franquista.
+


[1] Alves. 2004, p. 139

[2] CORONA, Fernando (1895-1979). “CAMINHADA de FERNANDO CORONA: Tomo I. 01 de janeiro de 1911 até dezembro de 1949 – donde se conta de como saí de casa e aqui  fiquei para sempre: nasci num lugar e renasci em outro onde encontrei amo”  Tomo I  604 folhas de arquivo:  210 mm X 149 mm.  Propriedade da FAMÍLIA dos DESCENDENTES de FERNANDO CORONA ( 1  )


Fig. 04 – A FONTE de TALAVERA perdeu a sua função de abastecer a gente e os animais de PORTO ALEGRE com água potável. Permaneceu como elemento simbólico da identidade diurna e noturna da capital do Estado do Rio Grande do Sul

  Ainda em princípios do ano a Colônia Espanhola residente em Porto Alegre, por iniciativa minha e de Isidro Vila, ele mostrando-me um catálogo de cerâmica espanhola, achamos por bem ser possível prestar uma homenagem ao Estado do Rio Grande do Sul nas comemorações do centenário da Revolução Farroupilha.
  Falamos com diversos amigos que achavam a ideia magnifica. A colônia espanhola antecipou-se. Embora fosse ela pouco numerosa e com poucos recursos, queriamos que fosse a primeira a lançar a ideia das homenagens a serem prestadas.
MUSEU de CERÂMICA de TALAVERA de la REINA

Fig. 05 – A tradição da cidade espanhola de Talavera une as heranças islâmicas com a técnica cerâmica dos FLANDRES.  Do mundo islâmico herdou o “PADRÂO INFINITO” das molduras e a repetição das formas geométricas. Dos técnicos flamengos herdou a utilidade e detalhada descrição pictórica e visual figurativa.   

  Por esse tempo, Isidro Vila representava produtos cerâmica de Talavera de la Reina, cidade castelhana de antigas tradições. De um dialogo otimista com Isidro Vila chegamos a uma conclusão que nos parecia original e emotivo: oferecer ao povo rio-grandense uma fonte que seria executada pelo afamado ceramista Talavera – no Juan Ruiz de Luna.
  Quanto que nos custaria? A tarefa não era nada fácil, mas, valia a pena o seu significado. Os preliminares contatos que tivemos nos animaram muito e eu redigi uma carta circular convidando algumas personalidades para uma reunião preparatória e de consulta. Da primeira reunião nasceu a Comissão Central  assim constituída: Presidentes Honorários: Dr. Juan Andriansen, Cônsul da Espanha; Francisco Raya Diaz, Presidente da Sociedade Espanhola de Socorros Mútuos; Francisco Raya Diaz foi o presidente que comigo construiu o Edificio Sede. Honorarios eram também do presidentes das sociedades coirmãs do interior; Comissão Executiva: Presidente: Francisco Garcia: Secretario Geral: Fernando Corona; Secretarios; Isidro Vila,  Manoel Salana e Antonio Moral; Tesoureiros: José Fenoy Bonilla e Antonio Wilches; membros consultores; Alvaro Raya Ibañez chanceler do consulado; Padres Modesto Bestué e Felipe de Atucha, claretianos; Frei Aurélio, carmelita; Dr. Mário Alcaraz; Domingos Yze Reyes; Leon Guerrero; Francisco Raya Ruiz; Andrés Ibañez; Manuel Brañas; Felipe Peralba: e Ramón López. Delegados nas minas de Butiá: Francisco Segura e nas Minas de Arroio dos Ratos Domingo Garcia. Foram indicados delegados em Rio Grande, Pelotas, Bagé, Livramento e Uruguaiana.
Fig. 06 –  A “FONTE da TALAVERA” soma-se ao sítio do KM ZERO das estradas do RIO GRANDE do SUL e indica LATITUDE, LONGITUDE e a COTA sobre NIVEL do MAR da CAPITAL   Teoricamente é a origem e a confluência de todas as estradas do Estado.


A fonte foi encomendada a Juan Ruiz de Luna.
         Com um trabalho eficiente conseguimos com o Embaixador D. Vicente Salles, o transporte gratuito até o Brasil. O Presidente da República Dr. Getúlio Vargas, concedeu-nos isenção de direitos aduaneiros. O Governador do Estado General Flores da Cunha, facilitou-nos o transporte para o interior. O Prefeito Major Alberto Bins cedeu-nos a “sala de visitas”[1] da Capital no eixo do marco zero para a colocação da fonte, contribuindo ainda com a concretagem do embasamento e com a rede de água e esgoto


[1]Neste ponto o Diário  de Fernando Corona antecipa o conceito de PORTO ALEGRE” como sala de Vistoas do rio Grande do Sul desenvolvido por Margarete BAKOS , https://www.escavador.com/sobre/739480/margaret-marchiori-bakos
No livro Porto Alegre e os seus Eternos Intendentes

Fig. 07 – A pirâmide do MARCO ZERO indica LATITUDE de - 30´01’39”” enquanto LONGITUDE indica - 51º13º40º.  Ao fundo  da  FONTE  TALAVERA aparece o PRÉDIO GUASPARI projeto de FERNANDO CORONA e inaugurado em 1937.     Foi a obra subsequente ao prédio do INSTITUTO de EDUCAÇÃO FLORES da CUNHA[1] projetado e construído  entre os anos de 1934 e 1935,  Neste curto intervalo o arquiteto deu demonstração de sua flexibilidade para evoluir do Neoclássico para as tendências que seu amigo Oscar Niemeyer estava desenvolvendo no prédio do MEC.


  A fonte chegou e junto vinha o organograma onde constava cada peça numerada. Fui designado para dirigir a colocação e eu mesmo marquei o dodecaedro na base de concreto. Diariamente cuidei desse trabalho penoso e paciente até a colocação do último azulejo.
  No dia 24 de outubro de 1935, às 10,30 horas, a Fonte de Talavera em estilo renascimento espanhol, era solenemente inaugurada. Fui honrado pelos meus companheiros para fazer o discurso oficial em nome da colônia espanhola. Falou a seguir Consul da Espanha em seu nome e no do Embaixador Salles. Encerrada a cerimônia falou agradecendo a dádiva o Prefeito Major Alberto Bins.


[1] A CONSTRUÇÃO do ATUAL PRÉDIO do INSTITUTO de EDUCAÇÃO FLORES da CUNHA na MEMÓRIA do seu ARQUITETO, FERNANDO CORONA   https://profciriosimon.blogspot.com/2019/11/276-isto-e-arte.html
Fig. 08 – O projeto aquarelado da “FONTE de TALAVERA” de autoria e assinada por Juan RUIZ de LUNA.    Projetada e erguida como peça da SALA de VISITAS do RIO GRANDE do SUL seguindo a concepção do arquiteto, escultor e cronista Fernando Corona.

  Ainda conservo o desenho original aquarelado do ceramista Juan Ruiz de Luna, que um dia doarei ao Museu Municipal da cidade.
Permanece aquilo que é realizado com dedicação, o trabalho e especialmente aquilo que possui a condição de expressar o COLETIVO, o seu TEMPO e a TERRA.

Fig. 09 – A “FONTE de TALAVERA” está colocada ao lado do marco do “KM ZERO” do RIO GRANDE do SUL numa altitude de 4,77 m em relação ao mar, do qual dista 100 km.  O “cálice” da FONTE de TALAVERA rima plasticamente com a  “copa” do pinheiro macho plantado pelo movimento ecológico AGAPAN

 A FONTE de TALAVERA possui a proporção do lugar para o qual foi projetada.  Responde aquilo que foi possível na sua época em todo o Rio Grande do Sul. Esta mobilização constituída por uma COMISSÃO CENTRAL na capital do Estado e contando com comissões regionais articuladas por meio de correspondência postal.
Fig. 10 – O busto de Juan RUIZ de LUNA autor e fornecedor da “FONTE de TALAVERA” celebra a memória deste ceramista espanhol com obras espalhadas por todo o mundo.     Ao mesmo tempo criou e administrou uma empresa de produtos cerâmicos com representantes em diversas partes do mundo. Em Porto Alegre esta representação era realizadas por  Isidro Vila que conhecia e garantiu a logística da encomenda e do transporte desta obra.


FONTES BIBLIOGRÁFICAS

ALVES de Almeida, José Francisco (1964-.)  A Escultura pública de Porto Alegre – História, contexto e significado – Porto Alegre : Artfólio, 2004  246 p
-----Fontes d’Art-noveau  no Rio Grande do Sul. Porto Alegre : Artfolio, 2009, 210 p. : Il

CORONA, Fernando (1895-1979). CAMINHADA de FERNANDO CORONA: Tomo I. 01 de janeiro de 1911 até dezembro de 1949 – donde se conta de como saí de casa e aqui  fiquei para sempre: nasci num lugar e renasci em outro onde encontrei amo”  Tomo I  604 folhas de arquivo:  210 mm X 149 mm.  Propriedade da FAMÍLIA dos DESCENDENTES de FERNANDO CORONA ( 1  )


FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

FONTE de TALAVERA de la REINA
A FONTE QUEBRADA e RESTAURADA
+

A FONTE de INTRIGAS e de DISCORDIAS

Juan Ruiz de Luna.
 Busto de Juan RUIZ de LUNA

FONTE de TALAVERA em PORTO ALEGRE

TALAVERA de la REINA municio da província de TOLEDO Espanha

MUSEU de CERÂMICA de TALAVERA de la REINA



FONTE DE FERRO do RECANTO EUROPEUS do PARQUE FARROUPILHA https://pt.wikipedia.org/wiki/Fonte_Francesa_(Parque_da_Redenção)

A CONSTRUÇÃO do ATUAL PRÉDIO do INSTITUTO de EDUCAÇÃO FLORES da CUNHA na MEMÓRIA do seu ARQUITETO, FERNANDO CORONA
BAKOS , Margarete
Porto Alegre e os seus eternos intendentes

MAIS VISÌVEL para a POPULAÇÂO
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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

276 – ISTO é ARTE

A CONSTRUÇÃO do ATUAL PRÉDIO do INSTITUTO DE EDUCAÇÃO FLORES da CUNHA na MEMÓRIA do seu ARQUITETO, FERNANDO CORONA.
Fig. 01 – O atual  prédio do Instituto de Educação Flores da Cunha foi o resultado  e a culminância de uma extensa rede de escolas estaduais. Escolas espalhadas por todo o território do RIO GRANDE do SUL que necessitavam de agentes qualificados. Este prédio  foi construído para GRANDE EXPOSIÇÃO do CENTENÁRIO da REVOLUÇÃO FARROUPILHA, Esta exposição foi uma  culminância com a qual   o ESTADO materializava um século de esforços em direção ao REGIME REPUBLICANO. O  prédio do Instituto de Educação Flores da Cunha materializava a permanência deste evento

01 – PROBLEMA: a EDUCAÇÃO PÚBLICA FORMAL como NÚCLEO da  IDENTIDADE e AUTONOMIA ESTADUAL deve encontrar a sua EXPRESSÃO num PRÉDIO ESCOLAR  -  02 – SEGUINDO o TEXTO do DIÁRIO de Fernando CORONA autor do projeto e supervisor direto da obra do prédio do Instituto FLORES da CUNHA  03 - FLORES da CUNHA ou uma  DECIDIDA AÇÃO de um dos LÍDERES da REVOLUÇÃO de 1930  - 04– O ATO  CRIADOR IDEAL enfrenta e realidade do  DIA SEGUINTE   05– Um PROJETO TORNA HISTÓRICO o MENTOR do prédio do Instituto FLORES da CUNHA  e foi competente de reunir uma equipe qualificada. 06 –  A REALIZAÇÃO de um SONHO de um ARQUITETO PRÁTICO com formação escolar de quarta série primária 07 – A EQUIPE em AÇÃO sob a liderança do ARQUITETO responsável e presente na obra do começo ao fim da OBRA  -08  – QUANDO o ARQUITETO ainda era ARTISTA na AUTONOMIA e agia como aquele que concebe, principia e termina a OBRA de ARTE  09 – Os PRAZOS e o CRONOGRAMA IMPLACÁVEL as etapas, as terceirizadas e o ORÇAMENTO a ser RESPEITADO e SEGUIDO  com RIGOR 10  – A REPRODUÇÃO do PENSAMENTO das ARTES VISUAIS do RIO GRANDE do Sul entre 0 e 1930: discípulos e prosélitos   . 11  – DETALHES dos PROBLEMAS TÉCNICOS  e o papel da IMAGINAÇÃO CRIADORA 12  A ALEGRIA como a “PROVA dos NOVE” da OBRA REALIZADA  pelo ARTISTA. 13  –  O QUE PERMANECE  de um PRÉDIO é PENSAMENTO do DIÁRIO do seu ARQUITETO que ENSINA e RECLAMA por DIGNIDADE, mesmo em RUINAS  
Francis PELICHEK, (1896 – 1937) capa da Revista da Globo dez 1930
Fig. 02 – José Antônio FLORES da CUNHA (1880-1959) foi uma das lideranças decisivas da REVOLUÇÃO de 1930.    Como interventor do RIO GRANDE do SUL tomou sob sua iniciativa direta os eventos que marcaram o CENTENÁRIO FARROUPILHA. Não é possível esquecer que no ano anterior a este evento  partiu dela a iniciativa de criar a UNIVERSIDADE de PORTO ALEGRE junto com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul no paradigma do Decreto nº 19.851 de 11 de abril de 1931 [1]  Nesta iniciativa foi ajudado por Dom João Becker

01 – PROBLEMA:  a EDUCAÇÃO PÚBLICA FORMAL como NÚCLEO da  IDENTIDADE e AUTONOMIA ESTADUAL deve encontrar a sua EXPRESSÃO num PRÉDIO ESCOLAR.  

O prédio do INSTITUTO de EDUCAÇÃO FLORES da CUNHA estava destinado a perpetuar o evento do CENTENÁRIO da REVOLUÇÃO FARROUPILHA (1835-1935) no espaço urbano que se conhece hoje como PARQUE FARROUPILHA. O projeto deste prédio  tentava EXPRESSAR e dar visibilidade e permanência na EDUCAÇÃO PÚBLICA FORMAL por TEMPO INDETERMINADO.  O projeto deste prédio  buscava dar visibilidade ao NÚCLEO da  IDENTIDADE e AUTONOMIA ESTADUAL. Este prédio se colocado acima destes eventos e da materialidade das OBRAS FÍSICAS.  Em 2019 este prédio está no ABANDONO e em PLENA DECADÊNCIA. Permanece o PENSAMENTO de FERNANDO CORONA o seu ARQUITETO
O título do CENTENÁRIO da REVOLUÇÃO FARROUPILHA visava celebrar e evidenciar o PROJETO do REGIME REPUBLICANO sustentado pelo RIO GRANDE do SUL entre os anos de 1835 e 1845. O DECRETO Nº 01 da Republica de 15 de novembro de 1889[2] elevara as PROVÍNCIAS IMPERIAIS  ao grau SOBERANIA de ESTADOS. Em 1934 o ESTADO RIO GRANDE do SUL estava em perfeita harmonia com os demais ESTADOS BRASILEIROS.   
Os PAVILHÕES ESTADUAIS - erguidos no CAMPO da REDENÇÂO - materializavam a harmonia e coerência a recente REVOLUÇÃO de 1930 da qual o Estado do RIO GRANDE do SUL foi uma das expressões e lideranças nacionais. Entre estes PAVILHÕES PROVISÓRIOS  estava prédio definitivo do INSTITUTO de EDUCAÇÃO FLORES da CUNHA cujo início efetivo da construção deu-se em  setembro de 1934 e foi entregue no dia 20 de setembro de 1935. 

  02 – SEGUINDO o TEXTO do DIÁRIO de Fernando CORONA autor do projeto e supervisor direto da obra do prédio do Instituto FLORES da CUNHA

A construção deste prédio está registrada na memória de Fernando CORONA. Este anotou esta memória no seu DIÁRIO[3]  escrito após a sua aposentadoria, em 1965, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O manuscrito original, deste DIÁRIO, pertence à descendência deste arquiteto e escultor espanhol e que adotou o BRASIL como pátria e que nela faleceu em 1979[4].

-          Diário de Fernando CORONA (1895 – 1979)   fl.s 338 até  347
-          1934 + 1935  Anos 23 e 24 de permanência de
                            Fernando Corona em Porto Alegre  
- ANO VINTE e TRÊS da PERMANÊNCIA de FERNANDO CORONA em PORTO ALEGRE -  -
          Meus trabalhos de arquitetura se desenvolviam como eu desejava na firma Azevedo Moura & Gertum. Este ano de 1934 deveria ser para mim um ano consagrador.

03 – FLORES da CUNHA ou uma  DECIDIDA AÇÃO de um dos LÍDERES da REVOLUÇÃO de 1930  -
    O General Flores da Cunha, chefe do Governo Estadual pediu ao Engenheiro Fernando de Azevedo Moura para dar uma Chegada ao Palácio Piratini.
O Dr. Moura me convidou para junto dele ouvir a palavra do nosso governante. Era o General Flores da Cunha um dos homens que eu mais admirava pelas suas virtudes de “condotiere”. Fomos recebidos muito bem e em seguida foi dizendo:
-“Quero acabar com o cambalacho entre a firma Azevedo Moura & Gertum e Danhe Conceição &; Cia. Vocês com as concorrências dos colégios dividiu o bolo sem eu saber como é o segredo. Vamos agora viver as claras. Quero construir duas obras importantes. A Escola Normal e o Matadouro.
- Vou dar a Escola Normal para vocês e o matadouro para o Dahne.
Podem iniciar o estudo do terreno que deverá ser no campo da Redenção. Escolham o local que eu depois me entenderei com a Prefeitura.



[3]CAMINHADA de FERNANDO CORONA: Tomo I. 01 de janeiro de 1911 até dezembro de 1949 – donde se conta de como saí de casa e aqui  fiquei para sempre: nasci num lugar e renasci em outro onde encontrei amo”  Tomo I  604 folhas de arquivo:  210 mm X 149 mm. Propriedade da FAMÍLIA dos DESCENDENTES de FERNANDO CORONA

[4] SUMÁRIO das POSTAGENS  RELATIVAS a  FERNANDO CORONA  . http://profciriosimon.blogspot.com.br/2017/04/206-estudos-de-arte.html
Fig. 03 – Localização do prédio do INSTITUTO de EDUCAÇÃO  FLORES da CUNHA  num terreno na forma de um triângulo irregular situado entre a Reitoria da UFRGS, Parque Farroupilha e avenida Oswaldo Aranha em Porto Alegre.    O prédio constitui uma das obras que permaneceram dos Pavilhões da EXPOSIÇÃO FARROUPILHA aberta no dia 20 de setembro de 1935. Neste evento funcionou como PAVILHÃO CULTURAL do ESTADO apresentando pesquisas científicas, culturais e artísticas do Rio Grande do Sul 


04– O ATO  CRIADOR IDEAL enfrenta e realidade do  DIA SEGUINTE
 
Saímos satisfeitos do Palácio e ao dia seguinte fui até o Parque Farroupilha escolher o terreno. Para não entrar campo adentro escolhi um triângulo irregular plano e de frente para a av. Osvaldo Aranha.
       Munido das medidas do terreno conforme levantamento feito por mim mesmo e algum auxiliar, iniciei os estudos de um anteprojeto. Antes, porém, fiz uma visita a Escola Normal dirigida pelo jornalista e poeta Emilio Kemp.

EMÍLIO KEMP in REVISTA ESTUDO[1]
   Fig. 04 –  O médico, pedagogo e político Emílio KEMP[2] numa imagem de uma das suas subordinadas e publicada na REVISTA ESTUDO .    Fernando CORONA - ao conceber e realizar o prédio do INSTITUTO de EDUCAÇÃO FLORES da CUNHA - teve em Emílio KEMP um  facilitador e orientador dos seus  passos e projetos. O Estado do RIO GRANDE do SUL reconheceu a obra deste mestre fluminense e em sua memória conferiu  o seu nome  à uma escola pública[3]

05– Um PROJETO TORNA HISTÓRICO o MENTOR do prédio do Instituto FLORES da CUNHA  e foi competente de reunir uma equipe qualificada.

A nova Escola Normal era uma promessa feita em público em 1931 pelo Interventor Federal General Flores da Cunha. Transcrevo a notícia publicada pela imprensa.
    “Em entrevista que o Dr. Emilio Kemp deu ao “Jornal da Noite em 1934, declarou: Aqui estiveram os engenheiros Fernando de Azevedo Moura e Lanry Conceição e mais o arquiteto Fernando Corona que, na minha companhia e do Professor Drs. Alcides Cunha, engenheiro militar, Marques Pereira, Médico, Tupi Caldas, Professora Dona Olga Acauan. Dona Consuelo Costa e dona Maria de Abreu Lima, nos reunimos cada qual lembrando o que era necessário para que o nosso edifício satisfizesse plenamente a finalidade de uma Escola Normal moderna”.
ATENEU RIO-GRANDENSE - Foto Irmãos Ferrari, em 1900.
Fig. 05 – O prédio do ATENEU DOM AFONSO - depois ATENEU RIO-GRANDENSE - teve a sua pedra fundamental lançado por Dom Pedro II em 1846 numa visita do jovem imperador após a REVOLUÇÃO FARROUPILHA, preocupado com a formação de docentes qualificados    Este prédio foi concebido sob a influência estética da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA[1] como também o COLÉGIO SANTA TERESA, O prédio do Liceu Dom Afonso foi  construído por Georg Karl Philipp Theodor von NORMAN[2]. Apesar de seus relevantes serviços  como prédio publico, para a biblioteca publica o Ateneu era impensável para educação infantil

Realmente, o velho casarão da rua Duque de Caxias era imprestável. Fiquei assombrado quando Dona Olga Acauan me mostrou as salas de aula, onde em cada uma havia mais de cem alunas amontoadas. Além do sacrifício aquilo era ante humano.



[1]      As ARTES VISUAIS no RIO GRANDE do SUL no IMPÉRIO BRASILEIRO e a MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA https://profciriosimon.blogspot.com/2019/10/270-arte-rs-e-o-imperio-no-brasil.html

[2] Georg Karl Philipp Theodor von Normann, natural de Halle e formado na Universidade Técnica de Dresden. Foi o autor dos mais importantes edifícios da capital como o Teatro São Pedro, a Câmara Municipal, o Liceu Dom Afonso (depois, Escola Normal), a igreja do Menino Deus, a ampliação da Assembléia Legislativa e foi o construtor do Colégio Santa Teresa que se constitui numa das duas únicas obras realizado fora do Rio de Janeiro por Grandjean de Montigny, o famoso arquiteto da assim chamada Missão Francesa de 1816. Deixou numerosas obras pelo interior entre as quais a ponte sobre o Rio Jacuí que se constituiu na maior obra da província daquela época. Günter WEIMER in  REVISTA DO Instituto Histórico e Geográfico do ... - seer ufrgs




Fig. 06 –  Uma das obras divulgadas da Professora OLGA ACAUAN  foi  a tradução CARTILHA QUERES LER[1] cuja aplicação prática ela conheceu no URUGUAI num estágio de três anos.   Obra do antropólogo e professor  José Henriques FIGUEIRA[2] descendente de portugueses nascido em Montevidéu.  

  O Diretor Emilio Kemp destacou a Professora Olga Acauan para estudar comigo o programa – teste. A escola teria capacidade para 2.000 alunos com previsão para aumento, dividida em três setores.
Jardins da infância. Curso de Aplicação e Curso Normal, com gabinetes de ciência natural, física, clube dos alunos, cozinha, merenda etc
INSTITUTO FLORES da CUNHA – Foto Círio SIMON em 26.11.2019

Fig. 07 –  O CURSO de APLICAÇÃO do INSTITUTO de EDUCAÇÃO assemelhava-se a um de HOSPITAL de CLÍNICAS para uma FACULDADE DE MEDICINA. Os candidatos ao MAGISTÉRIO do INSTITUTO de EDUCAÇÃO tinham neste CURSO de APLICAÇÃO o seu contato com mundo real do ENSINO e APRENDIZAGEM. Os candidatos ao MAGISTÉRIO davam o s primeiros passos concretos em sala de aula e na profissão sob a supervisão e  cuidados de pedagogos qualificados  de renome e experiência. O JARDIM da INFÂNCIA e a  PRÉ-ESCOLA contava prédios próprios  anexos e integrados ao grande edifício  do INSTITUTO de EDUCAÇÃO FLORES da CUNHA
 
06– A REALIZAÇÃO de um SONHO de um ARQUITETO PRÁTICO com formação escolar de quarta série primária.

Minha experiência em projetos escolares havia sido provada nas escolas – tipo do interior do estado. Projetar a Escola Normal em espaço livre, não dimensionado, era ideal, e para mim um sonho. O estudo inicial foi por uma unidade de aula de 6,80m por 8.40m. O total do comprimento da fachada, incluindo paredes iria a 127,95 metros.
Desenhado o primeiro esboço, foi levado ao General Flores da Cunha incluindo orçamento que alcançava mais de três mil contos de reis.
- O projeto é muito bonito, grandioso mesmo, disse o general. Mas acontece que só posso gastar 2.000 contos de reis e nada mais. Quero em vinte e quatro horas um reestudo com orçamento certo.
A vitima fui eu, que trabalhei dia e noite sem dormir. O orçamento alcançava 2.198 contos de reis se não me engano. O General aprovou o reestudo e encomendou a obra, recomendando que a queria dentro de um ano.
Em fins de agosto o projeto definitivo estava terminado, trabalho que fiz na escala de 1’50 sem auxilio de nenhum desenhista.
       Meu compromisso com a firma era este: Durante a construção da obra, eu teria que ir de manhã para dirigir os mestres e a tarde fazer os detalhes. A firma me pagava um conto e oitocentos mil reis por mês. Eles resolveram pagar-me mais 50% dos lucros da obra

INSTITUTO FLORES da CUNHA – Foto Círio SIMON em 26.11.2019
Fig. 08 –  Na década de 1930 estavam no auge a crença e a liderança dos ESTADOS NACIONAIS e da ERA INDUSTRIAL. No mundo o modelo de Washington, Londres ou Berlim adaptaram esta estética aos produtos das máquinas (cimento, ferro e tijolos..),  No Brasil a contribuição da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA, de 1816, ainda estavam na memória de governantes e da população.    Conforme os registros de Fernando CORONA[1] ele encontrou mestres de obra, mão de obra especializada proveniente da explosão historicista que floresceu em Porto Alegre nas primeiras décadas do século XX. 
07 - A EQUIPE em AÇÃO sob a liderança do ARQUITETO responsável e presente na obra do começo ao fim a OBRA.
  E assim foram iniciados os trabalhos sob a direção do mestre italiano José Vergo, com quem me desentendi um dia. Começava o revestimento pela platibanda quando de longe verifiquei que estava fora do nível. Subi os andaimes com o mestre Vergo e verificamos que a diferença era de 12 centímetros. Não seria nada se eu não notasse que com o cimento branco e pó de pedra branca, havia umas pintas que me pareciam de cal. Reclamei e Vergo me diz que usava cal para render mais metros quadrados. Protestei logo e dei ciência no escritório. José Vergo foi substituído pelo espanhol de Minas Gerais José Batista que terminou a obra a contento e muito bem.
O ato de entrega da obra foi feito 360 dias após o inicio. Escolhi o estilo grego para o desenvolvimento das fachadas. O pórtico, mais rico, seria inspirado nas colunas jônicas do templo de Artemis[2].



[1] - Fernando CORONA foi um ativo interlocutor com a ESCOLA NACIONAL de BELAS ARTES do Rio de Janeiro onde seu filho Eduardo CORONA estudava ARQUITETURA.  A par da renovação de um Lúcio Costa e de Oscar NIEMEYER sempre encontrava a base do legado da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA. Desta ele nunca esqueceu a LIÇÃO de que a ARQUITETURA é uma “ARTE NOBRE” que crua e não é criada ou serva.
Fig. 09 – A ORDEM JÔNICA buscava expressar a nobreza da síntese entre a fantasia oriental com a objetividade ocidental da ORDEM DÓRICA.    As colunas da  ORDEM JÔNICA  da fachada do prédio do INSTITUTO de EDUCAÇÃO  FLORES da CUNHA  são um convite a pensar nas PANATENEIAS onde desfilavam as solenes “KORÈS” passando ao lado de ERECTION que dirigem ao austero PARTENON da Acrópole de Atenas .   

08 – QUANDO o ARQUITETO ainda era ARTISTA na AUTONOMIA e agia como aquele que concebe, principia e conclui a OBRA de ARTE        
Eram fiscais da obra pela Secretaria de Obras Públicas, os engenheiros João Batista Píanca, pela obra, Ciro Martins pela instalação sanitária e Pereira da Costa pela eletricidade.
     Como a firma me conferisse carta branca para a execução da obra, eu mesmo fornecia os detalhes para esquadria interna e interna, instalações sanitárias, eletricidade, funilaria, carpintaria, etc. Chamava os interessados fornecedores e eu mesmo resolvia escolher o mais conveniente. 
INSTITUTO FLORES da CUNHA in  CANEZ, 1998, p.209[1] e – Foto Círio SIMON em 25.11.2019
Fig. 10 –  A máscara era um das especialidades da arquitetura de inspiração historicista com é prédio do Instituto de Educação..   Com função simbólica e eventualmente prática como a gárgula.   Fernando CORONA como PROFESSOR de MODELAGEM propunha o tema da MASCARA aos seus estudantes como exercício de composição, de relevo e o jogo de luzes   e sombras
Fiz o desenho em tamanho natural  e eu mesmo assumia a responsabilidade das medidas na alvenaria de tijolo. Nada em escapava para nada faltasse na obra. Das nove às onze da manhã corria pelos andaimes e à tarde já levava as medidas exatas para a execução dos detalhes. –




[1] CANEZ, Anna Paula. Fernando Corona e os caminhos da arquitetura moderna  de Porto Alegre. Porto Alegre : Faculdades Integradas do Instituto Ritter dos Reis, 1988 209 p. ilust.

Fig. 11 –  Na foto[1]  o professor, escultor e arquiteto Fernando CORONA  mergulhado nas suas memórias um pouco antes de sua aposentadoria no ano de 1965.   Trinta anos após o final das obras do prédio do INSTITUTO de EDUCAÇÃO ele iniciou os  presentes registros no seu DIÁRIO  como um  mergulho na sua própria MEMÓRIA  


- ANO VINTE e QUATRO da PERMANÊNCIA de FERNANDO CORONA em PORTO ALEGRE –
09 - Os PRAZOS e o CRONOGRAMA IMPLACÁVEL as etapas, as terceirizadas e o ORÇAMENTO a ser RESPEITADO e SEGUIDO  com RIGOR.

Estamos em 1935. Durante todo ano até o fim da construção de Escola Normal, estive dedicado exclusivamente a esse trabalho de organizar as etapas. O contrato firmado dava o prazo de 365 dias para a entrega da obra terminada. Sem que me ocorra o dia marcado, mas com certeza 360 dias após o inicio, reunimo-nos na obra, os engenheiros João Pianca pela obra propriamente, Ciro Silveira pela instalação de água, e esgotos e Pereira da Cunha pela eletricidade e eu representando a firma Azevedo Moura &; Gertum. Juntos corremos o edifício inspecionando-o. Verificada a boa execução e tudo em ordem, os quatro assinamos o termo da entrega oficial do imóvel à Secretaria Estadual de Obras Públicas, recebendo eu dos engenheiros supracitados o parabéns pelo bom acabamento dos trabalhos.
       Fato inédito aconteceu na construção da Escola Normal que levou o nome de Flores da Cunha. Estabelecido um preço de empreitada de dois mil e tantos contos de reis, não houve alteração nem extras que aumentassem o custo pré-estabelecido. Foi o meu maior orgulho. Durante a construção não deixei passar nenhum detalhe, tudo foi previsto e não dei pretextos nem sugeri aumentos de alterassem para mais a quantia empreitada. Sem dúvida, fiz ver isso aos engenheiros e eles confirmaram que na história das Obras Públicas do Estado, jamais se havia feito uma obra sem que tivesse aumento de custo ao final.
       Mais tarde, verificadas as contas e liquidadas as dividas com fornecedores verificamos que a construção da Escola Normal dera à firma Azevedo Moura &; Gertum um lucro líquido de quatrocentos contos de reis. Como eu havia combinado que receberia da firma construtora 5% dos lucros líquidos, eu tinha um direito de receber 20 contos de reis. Era justamente a quantia que eu ainda devia da construção da minha casa à rua Dr. Timóteo. Com esses 20 contos liquidei o débito passando em seguida a ser feita a escritura.




[1] Foto do Álbum no  2  “ESCULTURA dos ALUNOS do  INSTITUTO de BELAS ARTES” contém fotos e escritos  de 1957 até 1965 em 71 folhas de arquivo: 297 mm X  210 mm  com 167 fotos coladas     ARQUIVO GERAL  do Instituto de Artes da.  UFRGS

INSTITUTO FLORES da CUNHA in  CANEZ, 1998, p.180 e– Foto Círio SIMON em 26511.2019
Fig. 12 –  O projeto de Fernando CORONA na sua primeira versão continha estátuas e métopas e que desapareceram com a redução do orçamento, preso ao orçamento e a o rígido cronograma de um ano. Na atualidade o PRETENDIDO RESTAURA DESTE PRÈDIO consumiu todos os orçamentos  e se arrasta por anos a fio no procrastinação que o publico interpreta como "INDÚSTRIA DO RESTAURO" cujo único objetivo que é engordara as contas bancárias das sucessivas empreiteiras sem que ela venham a público ou se apresentem na Justiça.
10 – O ORGULHO e a RECOMPENSA após o trabalho intenso .

         Considero a construção da Escola Normal (hoje Instituto de Educação General Flores da Cunha) como a obra mais importante de toda a minha vida profissional. Tive muita felicidade ao projetá-lo e não é só a beleza que ainda hoje encontro na obra, mais por que a dirigi e administrei. Era a primeira vez que Azevedo Moura & Gertum me davam carta branca para organizar os detalhes e com eles a concorrência dos fornecedores. Minha maior satisfação foi a de ver a obra crescer diariamente.
INSTITUTO FLORES da CUNHA – Foto Círio SIMON em 26.11.2019
Fig. 13 –  A coluna da ordem jônica  - escolhida pelo arquiteto Fernando Corona para o prédio do INSTITUTO FLORES da CUNHA  - contem a elegância na austeridade republicana e a coerência da organização.   A sua estética está distante de qualquer intriga, de bairrismo e  do personalismo. Esta coluna expressa a eficácia arquitetônica, e confere a publicidade de propósitos austeros e a moralidade da economia dos meios plásticos. Nela não é possível acrescentar e nem tirar algo sem desqualificar esta CRIAÇÃO plástica.   

11 – DETALHES dos PROBLEMAS TÉCNICOS  e o papel da IMAGINAÇÃO CRIADORA.
Inclusive tive problemas técnicos, de difícil solução, que a final foram resolvidos como eu imaginava. Por exemplo: a execução das oito colunas do Pórtico. Eu não queria emendas e imaginei um sistema que deu resultado positivo. Estas colunas levantadas em tijolo têm um metro de diâmetro por nove metros de altura total, incluindo base ática e capitel jônico do Templo de Artemis[1], que eu mesmo modelei. O havia desenhado em tamanho natural. Para que as colunas soltas não tivessem emendas os andaimes foram divididos em quatro partes.  Em cada uma trabalhava um pedreiro-frentista. As colunas galbadas tinham caneluras gregas que eram cortadas com ferros curvos ainda no emboço de cal, areia regular e cimento. Esta foi a primeira face da execução das oito colunas. Para o revestimento de pó de mármore com mica e cimento branco, os frentistas me revestiam uma coluna por dia, o que era um recorde de técnica. Ainda dava tempo para marcarem as juntas horizontais como se as colunas fossem de pedra. Uma vez terminadas as colunas colocavam o capitel em cada uma. Em seguida faziam as bases.



Ártemis é a deusa da caça, da Lua, da castidade, do parto e dos animais selvagens. É uma das mais veneradas divindades da mitologia grega e na mitologia romana ela é chamada de Diana. Considerada uma fantástica caçadora, Ártemis era cultuada por aliviar as doenças femininas, proteger as crianças e os jovens.

INSTITUTO FLORES da CUNHA – Foto Círio SIMON em 26.11.2019
Fig. 14 –  A MANDALA constitui-se em símbolo do TODO numa unidade, Psicologicamente esta construção formal expressa o indivíduo que busca expressar a sua UNIDADE na busca de se pertencimento ao grupo  Na pedagogia da "DIDÁTICA MAGNA" de Comenios, a FLORAÇÃO é o resultado de uma lenta e penosa acumulação de energias a espera do momento oportuno de se manifestar no MUNDO EXTERNO. 

12 – A ALEGRIA como a “PROVA dos NOVE”  da OBRA REALIZADA pelo ARTISTA.
+         Eu me sentia feliz por ter conseguido os melhores frentistas todos meus amigos. Com eles pude demonstrar o que a técnica pode conseguir ou trabalho ordenado. O próprio mestre da obra José Batista me facilitava tudo, inclusive certas desempenadeiras de madeira curvadas de acordo com a canelura em cada andar do andaime. Terminadas as colunas lavamo-las com ácido muriático e água dando a impressão de pedra lavrada.
Fig. 15 –  A escadaria monumental do prédio do Instituto de Educação é visivelmente inspirada naquele do Palácio Piratini. Fernando CORONA havia trabalhado neste Palácio e escreveu e publico[1] a sua memória. Na escadaria do prédio do Instituto aproveitou as três telas monumentais encomendadas pelo governo e não instaladas, mas guardadas nas dependência do Palácio Piratini. A foto acima é de da entrega de um restauro destas três telas

13 – O QUE PERMANECE de um PRÉDIO é o PENSAMENTO do DIÁRIO do seu ARQUITETO, que ENSINA e RECLAMA por DIGNIDADE mesmo estando em RUÍNAS.

As majestosas RUÍNAS do prédio do INSTITUTO de EDUCAÇÃO FLORES da CUNHA de Porto Alegre constituem um violento contraste e um libelo contra  o PRESENTE, do ano de 2019, o RIO GRANDE do SUL. São  RUÍNAS  de uma ÉPOCA no qual o Estado TINHA ainda um GOVERNO de VERDADE.
GOVERNO e LIDERANÇAS de VERDADE que não pautava as suas ações, apenas pela ECONOMIA RANÇOSA e pelo COMPADRIO de SÓCIOS ESPÚRIOS que  DESQUALIFICAM a EDUCAÇÃO,  a CULTURA e a ARTE.
A atual DECADÊNCIA e ABANDONO das OBRAS FÍSICAS - do prédio do INSTITUTO de EDUCAÇÃO FLORES da CUNHA de Porto Alegre – são SIGNOS de um TEMPO no qual se acumulam provas concretas das desesperanças num GOVERNO de UM ESTADO NACIONAL. GOVERNO em franca e inquestionável incompetência para encontrar um PROJETO nos largos horizontes de uma EDUCAÇÃO ESCOLAR DIGNA e de QUALIDADE.
A atual DECADÊNCIA e ABANDONO das OBRAS FÍSICAS do prédio do INSTITUTO de EDUCAÇÃO FLORES da CUNHA de Porto Alegre confere rosto visível ao ACHATAMENTO salarial e desprestigio e desconfiança nos profissionais da Educação.  Profissionais da Educação que necessitam se contentar com as miseráveis favelas denominadas de PRÉDIOS ESCOLARES. Prédios que são RUÍNAS ESCOLARES, nos quais faltam projetos viáveis e adequados à SOCIEDADE, LUGAR e TEMPO Prédios que são RUÍNAS ESCOLARES, nos quais faltam de equipamentos pedagógicos públicos. PRÉDIOS ESCOLARES que se transformaram em lugares de um patrulhamento inclemente da ação educação de quem se candidata ao MAGISTÉRIO.
Longe vão os ideais de Fernando CORONA que deixou de ser ESCULTOR para formar ESCULTORES numa ESCOLA SUPERIOR PÚBLICA. Fernando CORONA que deixou de ser ARQUITETO para formar arquitetos. ARQUITETOS sem emprego ou na heteronomia e empregados de outras profissões. ESCULTORES rebaixados a decoradores de festinhas sem ocasião para demonstrar as qualidades aprendidas com o seu mestre portador de poderosas ideias e com  uma obra notável material.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

CANEZ, Anna Paula. Fernando Corona e os caminhos da arquitetura moderna  de Porto Alegre. Porto Alegre : Faculdades Integradas do Instituto Ritter dos Reis, 1988 209 p. ilust.

CORONA, Fernando (1895-1979). Palácios do governo do Rio Grande do Sul. Porto Alegre : CORAG, 1.973, 44 p. il col.
-----------“CAMINHADA de FERNANDO CORONA: Tomo I. 01 de janeiro de 1911 até dezembro de 1949 – donde se conta de como saí de casa e aqui  fiquei para sempre: nasci num lugar e renasci em outro onde encontrei amo”  Tomo I  604 folhas de arquivo:  210 mm X 149 mm.  Propriedade da FAMÍLIA dos DESCENDENTES de FERNANDO CORONA ( 1  )

------------“CAMINHADA de FERNANDO CORONA. Tomo II 1945/49-1953. um homem como qualquer: renascer em um lugar e renascer em outro” Tomo II  220 folhas de arquivo:  210 mm X 149 mm.   Propriedade da FAMÍLIA dos DESCENDENTES de FERNANDO CORONA                              ( 2  )

------------“ESCULTURAS dos ALUNOS do INSTITUTO de BELAS ARTES” Álbum no 1 contém fotos e escritos de 1938 até 1956 99 folhas de arquivo: 297 mm X  210 mm  com  332  fotos coladas   ARQUIVO GERAL  do Instituto de Artes da UFRGS   

-------------“ESCULTURA dos ALUNOS do  INSTITUTO de BELAS ARTES” Álbum no  2  contém fotos e escritos  de 1957 até 1965 71 folhas de arquivo: 297 mm X  210 mm  com 167 fotos coladas      ARQUIVO GERAL  do Instituto de Artes da.  UFRGS

FIGUEIRA, José Henrique Queres ler? (Tradução e adaptação por GAYER, Olga Acauan e SOUZA, Branca Diva Pereira de). Porto Alegre:  Ed. Martins fac-símile da 30ª ed],  2007,  p.124[2]

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

DECRETO FEDERAL Nº - de 15 de novembro  de 1889

DECRETO FEDRAL Nº 19.81 de 11 de abril de 1931

1ª versão desta narrativa

MURAIS para o PALÀCIO PIRATINI

Templo de ARTEMIS
 A DEUSA ARTEMIS- mitologia

  As ARTES VISUAIS no RIO GRANDE do SUL no IMPÉRIO BRASILEIRO e a MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA https://profciriosimon.blogspot.com/2019/10/270-arte-rs-e-o-imperio-no-brasil.html

Cartilha “QUERES LER?”

REVISTA ESTUDO Porto Alegre RS 1922 - 1931


Emílio KEMP
Escola EMÍLIO KEMP


ENSINO SECUNDÀRIO na PROVÌNCIA do RIO GRANDE do SUL

SUMÁRIO das POSTAGENS  RELATIVAS a  FERNANDO CORONA



[1] CORONA, Fernando (1895-1979). Palácios do governo do Rio Grande do Sul. Porto Alegre : CORAG, 1.973, 44 p. il col.

[2] O  livro ¿Quieres leer?  foi publicado, em 1892. pelo educador uruguaio José Henríquez Figueira, Ele era Inspetor Escolar desde 1884, sendo sua obra didática reconhecida como propulsora de um método da leitura estruturado sobre bases científicas, verdadeira inovação pedagógica iniciada à época. Como o poeta luso, o educador uruguaio teve que vencer ideias relacionadas ao ensino da leitura que se contrapunham ao seu método no Uruguai. Uma missão da Escola Complementar de Porto Alegre, formada por professores/as e alunas mestras, foi a Montevidéu em 1913, com a incumbência de observar métodos de ensino seguidos nos estabelecimentos de instrução pública da adiantada República vizinha (Trindade, 2001). Olga Acauan e Branca Diva Pereira de Souza estavam entre as alunas-mestras que compunham a missão que adaptariam a obra didática uruguaia de Figueira, Esta foi aprovada pela Comissão de Exame das Obras Pedagógicas em 1924 e indicada por essa Comissão para adoção na Instrução Pública do nosso Estado em 1929, identificado-a como de orientação "analítico-sintética".
VER: TRINDADE, Iole Maria Faviero A PRODUÇÃO DE IDENTIDADES ALFABETIZANDAS SUL-RIO-GRANDENSES NA INTERSECÇÃO DE INFLUÊNCIAS EUROPÉIAS E LATINO-AMERICANAS – Disponível na Internet em
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