terça-feira, 23 de abril de 2019

262 ESTUDOS de ARTE

O MITO na PINTURA do RENASCIMENTO e do MANEIRISMO

00 – INTRODUÇÃO: ENTES PRIMITIVOS e o MITO da IMAGEM - 01 – ÍCONE BIZANTINO e o seu GRADATIVO ABANDONO -  02- EXIGÊNCIAS e a NECESSIDADE de um NOVO HUMANISMO. 03 –  O PAPEL da UNIVERSIDADE de BOLONHA e as PEQUENAS REPÚBLICAS ITALIANAS -  04  - O REENCONTRO com os CLÁSSICOS GREGOS através dos arquivos  ISLÂMICA - 05 – OS PRIMITIVOS ITALIANOS entre os MITOS POPULARES e a MITOLOGIA GRECO-CRISTÃ – 06 – O ALTO RENASCIMENTO  ITALIANO e o TRIUNFO da PENSAMENTO e da ESTÉTICA GREGA CLÁSSICA  - O7  A REFORMA faz OUTRA LEITURA da SÍNTESE do ALTO RENASCIMENTO – 08 –As PROPOSTAS da CONTRARREFORMA e a ESTÉTICA dos SENTIDOS (EINFÜLUNG) do BARROCO- 09 -O MANEIRISMO e o TRIUNFO da IMAGEM pela IMAGEM- 10 – RACIONALISMO CLASSICISTA e do ILUMINISMO REAGEM contra ECLETICISMO  MANEIRISTA e BARROCO – 11- O PRECEDENTE da IMPRENSA de GUTEMBERG eos PRIMÓRDIOS da ERA INDUSTRIAL e no mundo  da IMAGEM e do TEXTO comandada pela MÁQUINA e PRODUÇÃO em SÉRIE.  
Rafael SANZIO (1483-1520) - - Escola de Atenas  https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_de_Atenas
Fig.01 – Nesta imagem os considerados três gênios do Alto Renascimento homenagem os pensadores clássicos gregos de ATENAS. O autor Rafael ZANZIO representa PLATÃO na figura de Leonardo da VINCI apontando para a TRANSCENDÊNCIA do MUNDO IDEAL. Enquanto isto ARISTÓTELES -  na figura de Miguel ÂNGELO_- aponta para a IMANÊNCIA do aqui e agora.  No cenário - com um EIXO CENTRAL - a ORDEM da REPRESENTAÇÃO da FIGURA HUMANA se equilibra simetricamente na lógica da GEOMETRIA PITAGÓRICA e EUCLIDIANA  

00 –  INTRODUÇÃO: ENTES PRIMITIVOS e o MITO da IMAGEM.

 A ARTE NÃO EXISTE. Existem MANIFESTAÇÕES, EXPRESSÕES e OBRAS que a CRIATURA HUMANA aproxima ou afasta do ente primitivo do discurso humano denominado ARTE. Todos sabem o que é ARTE, porém ninguém é capaz de formular um discurso unívoco e universalmente aceito como ARTE.
As OBRAS, as EXPRESSÕES e as MANIFESTAÇÕES permitem aproximações de um CONCEITO PARTICULAR de ARTE Estas APROXIMAÇÕES permitem formar redes temáticas e conceituais que agrupam, que reúnem, que impulsionam e que estabelecem pontes entre estes instantes de criação humana. Estas PONTES, REDES e TEMÁTICAS reavivam e alimentam a MEMÓRIA HUMANA. O passado torna-se presente e apto para remetê-lo para futuros receptores Assim forma-se uma fecunda solidariedade entre épocas expressa por Marc BLOC (1976, p.42).[1] ao escrever que :
É tal a força da solidariedade das épocas que os laços da inteligibilidade entre elas se tecem verdadeiramente nos dois sentidos. A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado. Mas talvez não seja mais útil esforçar-nos por compreender o passado se nada sabemos do presente .

O MITO é um destes LAÇOS e responsável por uma destas pontes. Apesar de o MITO ser apenas uma pequena parte do o DISCURSO HUMANO ele pertence ao imenso iceberg do INCONSCIENTE humano submerso, invisível e imperceptível. Este imenso INCONSCIENTE comanda pensamentos, ações e obras do PRESENTE. 
A própria  IMAGEM pode ser levada a MUNDO e um CAMPO de FORÇAS do MITO. Da mesma forma do que o MITO a IMAGEM POSSUI a competência de penetrar mais fundo neste INCONSCIENTE HUMANO, pois Chartier afirma categórico ( 1998 : 179)[2] com a . imagem não se discute”.. Esta autoridade da imagem já havia sido  sondada por  Goethe quando afirmou (, 1945 : 11)[3] a imagem desce ao coração da matéria penetrando ali na realidade do mundo”. 
Na ANTÍTESE este MITO da IMAGEM é questionado, proibido e vandalizado por religiões, por concepções ideológicas e conceituais.
Na defensiva OBRA de ARTE e a SUA IMAGEM possuem a sua materialidade para os sentidos humanos. Nesta materialidade para os sentido humanos a OBRA de ARTE como a sua IMAGEM  estão sempre no PRESENTE enquanto PERDURAR a sua MATERIALIDADE.
 Enquanto isto  o TRABALHO e os seus produtos são destinados ao CONSUMO, OBSOLESCÊNCIA e ESQUECIMENTO logo após o seu uso[4].  Enquanto a OBRA vinda de um PASSADO, de uma SOCIEDADE e de um LUGAR mais ou menos  remoto ou próximo mantém a si mesma coa como os significados de QUEM a CRIOU.
         O grande problema-  que a OBRA de ARTE enfrenta no seu trânsito pelo mundo - é que ELA se ENTREGA ao seu OBSERVADOR de UMA ÚNICA VEZ e em BLOCO FECHADO[5]. Este OBSERVADOR é atingido apenas pelas FORMAS desta OBRA, mas que não passam de DOCUMENTOS FÍSICOS que precisam serem consultados para serem entendidos e falarem a razão de estarem no mundo . A OBRA de ARTE é portadora do que agregou ao longo de seu trânsito pelo mundo.  No entanto no instante da entrega ao seu observador a sua ORIGEM o seu  REPERTÓRIO permanecem ocultos ai seu observador. Caso a OBRA de ARTE tiver a sorte de ESCAPAR ao DESCARTE - como MAIS UM PRODUTO do TRABALHO destinado ao CONSUMO – o seu OBSERVADOR necessita de muita inteligência, sensibilidade e vontade de penetrar no REPERTÓRIO desta OBRA de ARTE


[1]  BLOCH, Marc (1886-1944)  . Introdução à História.[3ª ed] Conclusão de Lucian FEBVRE - .Lisboa :Europa- América  1976  179 p.

[2] -  CHARTIERRoger.   Au bord de la falaise:  l´histoire entre certitudes et inquiétude. Paris  : Albin Michel, 1998.  293p.

[3]  GOETHE,Johann Wolfgang von.Teoria de los colores.Buenos Aires:1945. 466p

[4]  ARENDT, Hannah (1907-1975) Condition de l’homme moderne. Londres: Calmann-Lévy 1983. 369 p.    https://fr.wikipedia.org/wiki/Condition_de_l%27homme_moderne

[5] Ao vasculhar um acervo de fotografias antigas o atual observador se depara com imagens mesmo dos seus antepassado sobre os quais possui a mínima informação se estas imagens não vierem acompanhas com com identificações escritas
CAPA de BIBLIA o ESMALTES  - Museu Nacional de Kazan
Fig.02 – O ÍCONE BIZANTINO era um  OBJETO de valor pelos materiais preciosos que entravam na sua confecção, Mais voltado para a joalheria do que para a PINTURA da IMAGEM  e a REPRESENTAÇÃO da FIGURA HUMANA foi gradativamente superado pelo retorno aos temas do mundo clássico greco romano.  Diante da força, da pressa e do humanismo do RENASCIMENTO ITALIANO a sua prática foi remetido para alguns mosteiros ortodoxos gregos e eslavos.

01 – O ÍCONE BIZANTINO e o seu GRADATIVO ABANDONO
 O ÍCONE BIZANTINO era mais um ornamento, uma joia e uma decoração do que propriamente uma imagem na concepção atual. No contraditório cumpria a FUNÇÃO de uma IMAGEM ESTAR no LUGAR de ALGO AUSENTE e IMPOSSÍVEL de ser atingido diretamente pelos SENTIDOS HUMANOS no ESTADO NATURAL O criador do ÍCONE devia se submeter a uma espécie de TRANSE para realizar a sua obra orientada por rígido protocolos religiosos transmitidos pelas tradições orais.
 Na Itália teve um dos seus apogeus em RAVENA  como uma das capitais BIZANTINAS do IMPÉRIO de CONSTANTINOPLA. O ICONE RETOMOU a  sua hegemonia a partir de RAVENA invadindo o continente europeu e influenciando os copistas e as iluminuras que produziam,
No norte da EUROPA estas ideais e metodologia clássicas grega ganharam diversas expressões como aquela na qual   John HUSS (1369-1415) se notabilizou.
Andrei RUBLEV (c.1360-1430)- ícone  A Trindade
Fig.03 – Os monges macedônios CIRILO e METÓDIO levaram para a RÚSSIA o cristianismo nas concepções ORTODOXAS BIZANTINAS. Criaram o alfabeto denominado “Cirílico” Por estas razões e nestas concepções   Moscou considera-se a 3ª ROMA.  A cultura eslava adotou o ÍCONE BIZANTINO posterior ao   movimento iconoclasta .Um dos mais célebres criadores de Ícones foi russos foi Andrei RUBLEV contemporâneo  dos primitivos italianos

02 – EXIGÊNCIAS e a NECESSIDADE de um NOVO HUMANISMO..
 A ETAPA da denominada IDADE MÉDIA esteve mergulhada no INCONSCIENTE COLETIVO de uma busca de esquecer a MÍTICA força concentradora do IMPÉRIO ROMANO.  Tribos nômades, avançaram e destruíram as suas fronteiras do império . Hordas islamizadas saíram da Ásia e do Norte da AFRICA para impor o CORÃO sem imagens. As imagens foram banidas dos templos pelos ICONOCLASTAS. Neste ambiente medieval “o inicio era o VERBO e o VERBO era DEUS
A FIGURA HUMANA INDIVIDUAL não tinha o menor sentido neste cenário.  Porém a toda AÇÃO CORRESPONDE uma REAÇÃO igual e contrária. A IMAGEM provocou uma REAÇÃO igual e contrária a esta metafisica do discurso e do PREDOMÍNIO ABSOLUTO do VERBO e da PALAVRA. O argumento era de que o SER HUMANO concreto e físico que criava, divulgava e reproduzia este mundo material. Portanto a PALAVRA CAIA no VAZIO e na METAFÍSICA sem a IMAGEM desta FIGURA HUMANA INDIVIDUAL.

PINTURA da “DOMUS ÁREA” de Nero (37 d.C-68) ROMA  https://pt.wikipedia.org/wiki/Casa_Dourada
Fig.04– Com a ocasional descoberta, em1499,  da DOMUS ÁUREA no centro de ROMA, os textos clássicos traduzido do árabe encontrar a iconografias dos deuses gregos e as suas versões romanas.  Estas figuras, as técnicas e composições das pinturas existentes nas suas paredes foram estudados por Lenardo da Vinci, Rafael Sânzio e Miguel Ângelo 

03 –  O PAPEL da UNIVERSIDADE de BOLONHA e as PEQUENAS REPÚBLICAS ITALIANAS

Em muitos aspectos as PEQUENAS REPÚBLICAS que foram berço do RENASCIMENTO  ITALIANO como uma expansão e remodelação dos FEUDOS MEDIEVAIS. Estas pequenas repúblicas desenvolveram uma verdadeira competição sadia dos seus artistas e das obras que ali se produzia,
Stefen ZWEIG escreveu[1] que:
  Se todos os escultores e pintores da Itália se reúnem em Florença no século XVI, não é porque ali estão os Médici, que os patrocinam com dinheiro e encomendas, mas porque para todo povo a presença dos artistas era o seu orgulho, porque cada novo quadro se torna um acontecimento, mais importante do que política e negócio, e porque assim cada artista se vê obrigado a constantemente ultrapassar e superara o outro

A sadia competição obrigava o artista procurar outras fontes do que as esgotadas rotineiras e redundantes fontes medievais que todos conheciam.


[1] ZWEIG, Stefen – “O mundo Insone e Outros Ensaios”- Apresentação Alberto Denis. São Paulo: Zahar, 2013,  312 p
Ambrogio LORENZETTI (1290-1348)  O BOM GOVERNO - SIENA
Fig.05 – Esta imagem do BOM GOVERNO é simétrica com outra obra do mesmo autor denominada o MAU GOVERNO.  O fundo da imagem é pintao com tinta azul substituindo as Lâminas de ouro. As figuras, especialmente da PAZ são inspiradas em pessoas vivas e as suas atitudes. A REPÚBLICA possui ainda figuras em posses hieráticas e estacadas como virtudes deste BOM GOVERNO.  O POVO da REPUBLICA-que está aos pés destas figuras simbólicas -  apresenta uma REPRESENTAÇÃO DEMOCRÁTICA das FIGURAS HUMANAS com a mesma ALTURA e distintas entre si pelas cores dos  seus trajes

Esta sadia competição ganhou um lugar privilegiado em BOLONHA com a sua UNIVERSIDADE[1] fundada em 1088 e mantida pelos seus estudantes. Se a legitimidade veio com os papas e eventuais condes e duques o seu repertório era forjado nas ruidosas e inquietas REPUBLICAS de ESTUDANTES. Estes estudantes iam para a rua e aos magotes desafiavam os conhecimentos dos doutores que ali vinham ensinar.
Esta competição invadiu também as guildas dos pintores, escultores e arquitetos.  Assim em questão de um século os desafiadores textos clássicos gregos -  recém traduzido do árabe - ganharam espíritos, associações e instituições e que buscavam avidamente surpreender e superar a geração anterior
Sandro BOTICELLI -  (1445-1510) - PRIMAVERA
Fig.06 –  Tema da PRIMAVERA tomo os seus personagens na mitologia grega. O jovem Paris está escolhendo a maçã que deve entregar a uma das Três Graças vestidas com as diáfanas roupagens ao modelo das roupas molhadas e coladas aos corpos das Corés do período Clássico grego. No eixo central a PRIMAVERA está encimada pelo cupido que durante a Idade Média havia ganhado o nome e função do anjo, AFLORA se dirige ao cento da composição empurrada e pelo Zéfiro

04 – O REENCONTRO com os CLÁSSICOS GREGOS através dos ARQUIVOS ISLÂMICA

 Com a tradução dos TEXTOS CLÁSSICOS GREGOS, a partir do ÁRABE, a própria Teologia como aquela de TOMÃS de AQUINO (1225-1274) retomou não só a lógica clássica grega como o fio da tradição e as concepções dos filósofos de ATENAS do  5º século antes de Cristo.
Sandro BOTICELLI -  (1445-1510) – A CALUNIA e a INVEJA
Fig.07 – O tabu da representação do corpo feminino nu teve de vencer o tabu de sus representação publica tano no período Clássico grego n a metade do Renascimento italiano. Para transcende este tabu Sando Boticelli recorreu ao mito da FRINEIA que induziu ao pintor Apeles a representa-la com veio ao mundo.  O casal denunciado pela inveja e ciúme das outras mulheres de Atenas foi denunciado diante do Areópago comandado pelas severas leis draconianas sendo confundido pelo inesperado argumento de APELES

  No início do Renascimento Italiano os textos clássicos gregos eram objeto dos estudos dos teólogos, filósofos e literatos. O entanto os escritos de Leon Batista ALBERTI (1404-1472) em relação à PINTURA e a ARTE em geral começaram a encontrar editores que os faziam imprimir nas novas tipografias que seguiam os métodos ou de GUTENBERG[1] e os sus concorrentes.
Leonardo da VINCI comprou os livros de Arquitetura de VITRUVIO (c.80 a.C.- c 15 a, C.) nos quais auferiu as proporções de seu famoso estudo pequena parte do imenso iceberg
Jean-Léon_GERÔME (1824-1904),_Frineia revelada  diante_Areopago_(1861)
Fig.08 – O mesmo tabu da representação do corpo feminino nu representado não seculo XIX pelo pintor GERÔME.   O inesperado argumento de APELES de jogar ao Areópago de “JULGUEM VOCÊS MESMOS ao mesmo tempo em que tirava os véus que cobriam o corpo de FRINEIA confundidos severos juízes e deixou os acusadores sem outro argumento O fato que a parte deste mito as representações do corpo nu feminino ganhou impulso em qualidade e número Evidente aque o tabu da apresentação do corpo feminino possui severas restrições como na cultura islâmica

Quem não podia comprar estes livros, com edições muito limitadas, caríssimos e frágeis tinha a opção pelas gravuras das obras originais dos artistas. As xilogravuras, as águas-fortes e coloridas a mão  podiam ser compradas individualmente ou em pacotes.
Assim as estampas com cenas mitológicas começaram penetrar nos lares, escolas e bibliotecas onde eram usadas como ilustrações de livros. 

Fig.09 – As imensas superfícies da DOMUS ÁUREA de Nero  recebeu tanto IMAGENS com rebuscadas composições, As  composições dis frisos inspirados na DOMUS ROMANA receberam o nome de   GRUTESCO quando foram adequadas aos prédios do RENASCIMENTO ITALIANO. Inicialmente se acreditava trata-se de uma GRUTA até se descobrir a verdadeira origem desta construção 


05 – OS PRIMITIVOS ITALIANOS entre os MITOS POPULARES e a MITOLOGIA GRECO-CRISTÃ

 A imagem ganhou visibilidade e lugar privilegiado nas obras do florentino GIOTTO de BONDONNE (1266-1337) e do sienês Ambrogio LORENZETTI (c. 1300- 1348). Estes - além de observarem e representarem atentamente a figura humana - criaram fisicamente as suas obras com pigmentos sobre uma superfície, abdicando das joias e do fundo de ouro dos ícones bizantinos 
 Interior da Cúpula de São Pedro Vaticano  in  Frankfurter Allgemeine em 06.02.2019
Fig.10 – Esta cúpula inspirada naquela do PANTEÃO ROMANO e da DOMUS ÀUREA possui  133 metro de altura por 42 metros de diâmetro Difere destas construções antigas  pela planta quadrada sobre “pendentes”[1] que são uma invenção bizantina. A decoração geométrica e dos grutescas sobrepassa amplamente  a figura e imagem humana 

O MEIO é a MENSAGEM. O MEIO das estampas e dos livros transmitia MENSAGENS coerentes com o novo meio de vida. Este novo meio de vida tornava-se cada vez menos voltado aos ensinamentos religiosos e atento a um mundo prático. Novo meio no qual despontava cada vez mais e dominava o LIVRE ARBÍTRIO dos cidadãos em vez dos súditos medievais. Neste LIVRE ARBÍTRIO os deuses, mitos e saberes gregos clássicos eram mestres, evidenciava novas possibilidade e inspiração de comportamento humano. Martinho Lutero colocou o LIVRE ARBÍTRIO no centro de sua Reforma
Nas oficinas e non atelies onde produziam um ou mais mestres havia uma pequena multidões anônima de discípulos que, além de servirem, de aprenderem se porfiavam em copiar e reproduzir as obras primas das oficinas. Estas cópias sustentavam a oficina cimo os aprendizes do mestre
Leonardo da VINCI (1452-159) Cópia da obra Leda e Cisne c_1505-1510
Fig.11 – O mito da LEDA e o CISNE usado por ZEUS para possuir  a noiva de TÍNDARO  Rei de ESPARTA foi estudado por Leonardo da Vinci. Este adquiriu e usava   vários livros da literatura clássica grega impressos nos tipos metálicos inventados e difundidos por Gutenberg e usados em várias gráficas espalhada por diversas cidade italiana 

06 – O ALTO RENASCIMENTO ITALIANO e o TRIUNFO do PENSAMENTO e da ESTÈTICA GREGA CLÁSSICA. .

O LIVRE ARBÍTRIO do cidadão, as administrações das pequenas repúblicas italianas são a base conceitual das expressões estéticas do ALTO RENASCIMENTO.
Ainda que o ALTO RENASCIMENTO não tenha durado mais de duas décadas pois remina com a morte de Leonardo da Vinci no dia 05 de maio de 1519 e de Rafael ZANZIO no ano seguinte, permaneceu como uma porta para o trânsito aos mitos do mundo grego. Os temas da MITOLOGIA GREGA ganharam  outras cores, tintas e formas no Classicismo, Iluminismo e o Neo Clássico.  
Fig.12 – A FIGURA e as PROPORÇÕES HUMANAS na concepção do ALTO RENASCIMENTO ITALIANO era o centro do universo  Leonardo da VINCI comprou os livros de Arquitetura de VITRUVIO (c.80 a.C.- c 15 a, C.) nos quais auferiu as proporções  de seu famoso estudo Com as descobertas geográficas e o gradativo abandono e superação das concepções astronômicas do  sistema ptolomaico a figura humana perdeu esta centralidade do universo. Estas concepções do mundo somadas com  as duvidas religiosas colocaram a FIGURA HUMANA como um dos agentes ao lado de outras concepções. Esta crise da cultura euripeia foi expressa pelo MANEIRISMO  e que Arnold HAUSER estudou na sua obra[1]

Na ANTÍTESE é necessário ressaltar que os obstáculos, as desqualificações e as violentas perseguições ao LIVRE ARBÍTRIO -que o ALTO RENASCIMENTO havia dotado de um mapa indeciso do mundo GRECO ROMANO –tiveram obstáculos monumentais. A queima de SAVONAROLA (1452-1498)[2] na inteligente e culta FLORENÇA dos Médicis é uma amostra como era difícil este caminho ao estilo dos deuses e mitos gregos.
Uma SÍNTESE resulta destas duras provas da origem destas obras. Caso se esta SÍNTESE for coerente e honesta ela engrandece acervos de prestigio, alimenta um mercado de arte milionário e faz derramar torrentes  de livros, filmes e eventos.  No entanto qualquer SÍNTESE apresada e superficial traz muito mais enganos do que acertos. No instante desta A entrega precipitada da OBRA de ARTE ao seu observador, e e UMA ÚNICA VEZ, oportuniza  conclusões estapafúrdias.. 
Lucas  CRANACH (1472-1553)- Queima dos escritos de Jan HUSS diante de um príncipe   c.-1530
Fig. 13 – As concepções mediterrâneas conduzidas  pela EMOÇÂO,  pela SUBMISSÃO CEGA e pelo POPULISMO entraram em choque com culturas do Norte da Europa caracterizadas pela RAZÃO, pela ABSTRAÇÃO, pelo  LIVRE ARBÍTRIO e pelo INDIVIDUALISMO.  As longas guerras cindiram o mundo e graram as bases da REFORMA. O MANEIRISMO sucedido pela CONTRA REFORMA foi acompanhado de queimas de livros, REPRESENTAÇÃO da FIGURA HUMANA toma conta de um cenário onde domina o EIXO CENTRAL e a ORDEM da GEOMETRIA PITAG[ORICA e EUCLIDIANA 

07 – A REFORMA faz OUTRA LEITURA da SÍNTESE do ALTO RENASCIMENTO 

A aparente facilidade da SÍNTESE do ALTO RENASCIMENTO também desencadeou EMOÇÕES, LIBERDADES INESPERADAS e RUPTURAS de TABUS MULTISSECULARES que sustentavam os feudos medievais, os seus pequenos senhores. A massa de manobra foram as multidões daqueles que se haviam submetido por uma ou outra razão.
 A APARENTE SÍNTESE do ALTO RENASCIMENTO entrava em choque com outra RAZÃO na qual o mundo monolítico, seguro e onde os ciclos da Natureza soberana “SEMPRE HAVIA SIDO ASSIM”. O trânsito para  outro mundo novo da SÍNTESE do ALTO RENASCIMENTO impunha muita inteligência, sensibilidade e vontade de penetrar no REPERTÓRIO desta OBRA de ARTE
O mundo europeu se cindiu entre os favoráveis à REFORMA e aqueles que se lançaram na CONTRARREFORMA. Reinos, nações, reis, príncipes jogavam os seus súditos uns contra outros campos de forças. Os atritos levaram a guerras sem fim, onde se digladiavam a RAZÃO e a EMOÇÃO. 
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Pedro Paulo RUBENS – (1577-1640) –Rapto da Filhas de Leucipo .1618
Fig.14 – Rubens fez várias incursões pela mitologia grega. Com o seu domínio técnico adquiridas com a observação e cópia dos mestres do Alto Renascimento Italiano deu um passo para frente em  audaciosas formas barrocas. Munido com esta técnica e conhecimento  tomou conta de toda  superfície do quadro evitando o vazio   visual. Assim gerou uma obra inconfundível e coerente com as emoções do BARROCO e da CONTRA REFORMA 

08  – As PROPOSTAS da CONTRA-REFORMA e a ESTÉTICA dos SENTIDOS (EINFÜLUNG) do BARROCO  
 O conflito entre a EMOÇAO e a RAZÂO -que Worringen[1] descreveu como o conflito entre a ABSTRAÇÃO ( racionalidade w reserva do nórdico) O SENTIMENTO da NATUREZA (Einfülung mediterrâneo) -   corresponde ao mundo estético de REFORMA ( Livre arbítrio) e da CONTRARREFORMA (Propaganda da Fé por meio dos 5 sentidos humanos



[1]  WORRINGER,  Wilhelm (1881 - 1965).  Abstraccion y naturaleza.  (1ª.ed. em1908).  México :  Fondo de Cultura   Econômica, 1953. 137p.

Fig.15 –  O BARROCO RETOMOU a MITOLOGIA GRECO ROMANA Assim colabora no TRIUNFO da IMAGEM pela IMAGEM. O “trompe l’oeil”é uma das  virtuosidades   aplicadas à IMAGEM BARROCA   A Mitologia torna-se fonte do  escapismo das duras e sangrentas refregas entre a REFORMA e a CONTRA REFORMA.  Os dois CRANACH estão proximao de LUTERO e da REFORMA. RUBENS e os trÊs irmãos CARRICCI estão do lado da CONTRA REFORMA. O QUE LHES é comum é o RECURSOAS `s IMAGENS da MITOLOGIA


 O longo e penoso CONCÍLIO de TRENTO (1545-1563)[1]  jogou parte do mundo europeu em outro projeto. Projeto coerente com o MANEIRISMO. Quanto ás IMAGENS as resoluções do CONCÍLIO de TRENTO  não só foram a sua reabilitação, mas tornaram-se um massivo instrumento de PROPAGANDA da FÉ.  Estes as resoluções contrapunham-se ativam e praticamente aos despojados e austeros templos da Reforma. Os jesuítas tornaram-se os arautos deste projeto da Contra Reforma. Interpretavam para os cinco sentidos ao colocarem em prática a QUINTA CONTEMPLAÇÃO  dos EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS, os artigos 121 ate 125, dos que seu fundador[2] lhes havia escrito. Na prática os CINCO SENTIDOS HUMANOS eram conste e simultaneamente estimulados e presos em ambientes nos quais se impunha o  “HORROR AO VAZIO”

09 – O MANEIRISMO e o TRIUNFO da IMAGEM pela IMAGEM .

O MANEIRISMO na ARTE corresponde a etapa humana na qual ele descobre que não é mais o CENTRO do UNIVERSO e a MEDIDA de TODAS as COISAS.
Coerente com as confusas buscas com esta descoberta e os sucessivos evidências e comprovações desta verdade  REPRESENTAÇÃO da FIGURA HUMANA do Maneirismo tonou-se um pretexto para fantasias pictóricas, hilariantes  e divertidas com elementos surpreendestes retirados da Natureza



[2] Ignácio de LOYOLA (1491-1556)  EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS[2] ( 1ª impressão em 1548)

 Giuseppe ARCIMBOLDO – (1527-1593)
Fig.16 –  O MANEIRISMO consagrou o TRIUNFO da IMAGEM pela IMAGEM. Para tanto acumulou os conhecimentos técnicos do desenho, da pintura e do “trompe l’oeil”. Assim fez do artista maneirista um virtuose da IMAGEM. A REPRESENTAÇÃO da FIGURA HUMANA tonou-se um pretexto para fantasias pictóricas, hilariantes  e divertidas com elementos surpreendestes retirados da Natureza. Este escapismo é coerente com as confusas buscas do Maneirismo

.. 10 – RACIONALISMO CLASSICISTA e do ILUMINISMO REAGEM contra ECLETICISMO  MANEIRISTA e BARROCO.

 A IMAGEM MULTIPLICADA MECANICAMENTE  não perdeu  ao longo do período dominado pelo RACIONALISMO CLASSICISTA e do ILUMINISMO Antes ao contrário ampliou neste novo ambiente a sua competência e força. A IMAGEM MULTIPLICADA ao preservar-se do contato e a vulgaridade do consumidor transforma a sua INVISIBILIDADE, em FORÇA, em PRESTÍGIO  e em busca do ORIGINAL ÚNICO. Hannah ARENDT escreveu (1983: 193) que “a imagem possui poder pois opera a substituição de uma força exterior na qual uma força não aparece a não ser para aniquilar uma outra força numa luta de morte” 
Paul DELAROCHE, (1797-1856) -Hémicycle como coisa  des Beaux-arts 1841-2
Fig.17 – Após a fantasia maneirista e do dinamismo do Barroco, o Neoclássico retomou a simetria da imagem com  as  figuras distribuídas ao modelo de uma  balança de dois pratos equilibrados num eixo centralA FIGURA HUMANA é objetiva e racionalmente estudada e representada sem emoção como coisa, Esta IMAGEM “COMO COISA” remete para a ILUSTRAÇÃO que pertence ao TRABALHO em SÈRIE INDUSTRIAL, ao CONSUMO e, portanto, para OBSOLESCÊNCIA


Na ANTÍTESE desta IMAGEM INDUSTRIAL TRIUNFANTE, como a IMAGINAÇÃO que nela se apoia, possuem severos limites.  Mazzocut-Mit descreve (1994: 64)[1] este conflito entre os “signos de força nos quais sinais e índices, que não possuem necessidade de serem vistos, constatados, mostrados depois contados e recitados para que as força, dos quais eles são o efeito, seja acreditada”
Na SÍNTESE da ENCICLOPÉDICA FRANCESA e as demais que se sucederam a IMAGEM IMPRESSA e MÚLTIPLA  somou-se a força das  IMAGENS RELIGIOSAS presentes nos  “SANTINHOS, SANTOS de GESSO e de MEDALHAS”.  Estava aberto o caminho para as IMAGENS dos GABINETES de CURIOSIDADES, IMAGENS de POLÍTICOS, de ESPORTISTAS, da MODA e das VAIDADES HUMANAS do FACE BOOK transfiguradas em outros tantos MITOS.



[1] MAZZOCUT-MIS, Madalena, «Pouvoir et limites de l´imagination» in Revue         d´esthétique : Esthétique en Chantier. Paris :Jean Micel Place, v.24, nº 93, jun. 1994, pp. 59/64.

Jean Auguste INGRES (1780-1867) -   Panteão nórdico europeu
Fig. 18 – Na imagem como coisa, resultante de um estudo objetivo e racional, infiltra-se qualquer temática, inclusive da MITOLOGIA NÓRDICA como nesta obra do mestre INGRES.  Esta OBRA foi elaborada na lógica da ERA INDUSTRIAL e destinada a ser reproduzida mecanicamente em séries impressas e disseminadas pelos centros culturais dominadas pelas máquinas  


11 – O PRECEDENTE da IMPRENSA de GUTEMBERG e os PRIMÓRDIOS da ERA INDUSTRIAL no mundo da IMAGEM e do TEXTO comandada pela MÁQUINA e PRODUÇÃO em SÉRIE

 Como a própria NATUREZA a CULTURA HUMANA prepara lentamente uma nova etapa de sua existência. A existência da ERA INDUSTRIAL encontrou nas máquinas e nos tipos metálicos de GUTEMBERG uma longa penosa preparação ao lado dos tornos dos ceramistas e próximo dos teares manuais dos tecelões.
A IMAGINAÇÃO sem freios e limites, deriva para a MENTIRA e o MENTIROSO MÓRBIDO e INCORRIGÍVEL. Ainda que o poeta insista que “A MENTIRA é um VERDADE que se ESQUECEU de ACONTECER” ela continua como TABU no MUNDO MORAL e conduz o MENTIROSO para a sua própria confusão e ao descrédito social, econômico e político.
Antoine François GERARD (1760-1843) - Cera sobre ardósia
Fig.18 – A mitologia grega e os seus temas tomaram conta de frisos, de pinturas e de esculturas produzidas em séries com materiais, tecnicas e ferramentas industriais. Estas produções em séries industriais buscavam lugar em residência, em prédios publicos em praças. Era o repertório de fontes de ferro fundido, luminárias e tecidos produzidos pelas máquinas 

 Na conclusão convém insistir que reducionismo, o senso comum  e vontade de agradar são maus conselheiros. O mediador que subestima a inteligência, a sensibilidade e a vontade de aprender do observador, falsifica a OBRA de ARTE inibe o crescimento do seu público e o reconduz para a NATUREZA e para a idade média da pura e soberana emoção.
O MITO é corrompido pelo reducionismo, a insistência no senso comum e a vontade de agradar o público. Para o seu observado que o percebe  o MITO emerge de  uma pequena parte do o DISCURSO HUMANO, É da  natureza do MITO  pertencer ao imenso iceberg do INCONSCIENTE humano submerso, invisível e imperceptível. Este imenso INCONSCIENTE comanda pensamentos, ações e obras do PRESENTE.
Nesta direção qualquer narrativa do MITO necessita ser permanentemente ser questionada, ser rescrita com nova fundamentação de sua sociedade, local e tempo. As IMAGENS criadas do MITO dizem mais deste trânsito pelo mundo do que propriamente de sua origem ao longo dos tempos, lugares e sociedades.
FONTES BIBLIOGRÁFICAS
ARENDT, Hannah (1907-1975) Condition de l’homme moderne. Londres: Calmann-Lévy 1983. 369 p.    https://fr.wikipedia.org/wiki/Condition_de_l%27homme_moderne

BLOCH, Marc (1886-1944)  . Introdução à História.[3ª ed] Conclusão de Lucian FEBVRE - .Lisboa :Europa- América  1976  179 p

CHARTIER,  Roger.   Au bord de la falaise:  l´histoire entre certitudes et inquiétude. Paris  : Albin Michel, 1998.  293p.

GOETHE,Johann Wolfgang von.Teoria de los colores.Buenos Aires:1945. 466p

LOYOLA Ignácio de (1491-1556)  EXERCÌCIOS ESPIRITUAIS[1] ( 1ª impressão em 1548)

MAZZOCUT-MIS, Madalena, «Pouvoir et limites de l´imagination» in Revue         d´esthétique : Esthétique en Chantier. Paris :Jean Micel Place, v.24, nº 93, jun. 1994, pp. 59/64.

WORRINGER,  Wilhelm (1881 - 1965).  Abstraccion y naturaleza.  (1ª.ed. em1908).  México :  Fondo de Cultura   Econômica, 1953. 137p.

ZWEIG, Stefen – “O mundo Insone e Outros Ensaios”- Apresentação Alberto Denis. São Paulo: Zahar, 2013,  312 p

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS
DOMUS AUREA
+

BOTTICELLI _ A CALÚNIA contra APELES

BIOGRAFIA de FRINEIA

PINTURA da DOMUS ÁUREA

VISITA a DOMUS ÁUREA

UNIVERSIDADE de BOLONHA

Pendentes bizantinos

MANEIRISMO e ARNOLD HAUSER

Johanes GUTENBERG (1400-1468)

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