sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ISTO é ARTE - 042



O GRUPO VÉRTICE 
no Movimento Associativo nas Artes Visuais de Porto Alegre e a busca da profissionalização.

O Ente no Ser   
Martin Heidegger (1889-1976)

Fig. 01 - Analino ZORZI - História de uma semente nº 15  - 1990 -acrílico - 100 x 70 cm.

O texto do   Manifesto do Grupo Vértice  será o objeto da presente  postagem. Um grupo de artes visuais vive e se movimenta entre dois polos opostos. De um lado o polo do pertencimento, do trabalho em comum e a necessidade de constituir observadores. No polo oposto a necessidade do trabalho individual e ter uma obra única e original.
O Grupo Vértice foi um momento de pertencimento de pessoas existencialmente ligadas à Arte. Cada uma dessas pessoas construiu a sua obra única antes e depois deste pertencimento.
O Grupo Vértice não teve presidente, tesoureiro e muito menos um estatuto ou regimento. Ao longo de dois anos houve a busca do pertencimento ao grupo sem depender de um outro projeto para durar por tempo indeterminado.
Este momento situa-se dez anos depois do início da Abertura Política Brasileira e antes da Bienal do MERCOSUL.

Fig. 02 – Pierry SCHULTZ auto retrato - 1990
 O criador do mundo das artes visuais é um ser que enfrenta solitário o mundo e o seu próprio interior. Nesta dupla solidão ele constrói a coerência entre o seu mundo mental e o mundo físico da sua obra. Afinal uma pintura continua sendo uma obra mental conforme estabeleceu Leonardo da Vinci. A explosão solitária deste mundo de um indivíduo continua sendo o desafio de Marcel Duchamp[1].
 “E sobre a aparência, eu estaria tentado dizer sob o disfarce, de um membro da raça humana, o indivíduo está só e, como um fato, é único. As características comuns a todos os indivíduos tomados em massa não possuem nenhuma relação com a explosão solitária de um indivíduo entregue a si mesmo”.
No contraponto desta explosão solitária deste artista, ou do seu mundo mental, só fazem sentido se ele tiver garantias da recepção de sua obra. Mesmo que esta “recepção seja aquela formada pelos seus concorrentes”,  como quer Pierre Bourdieu. Explosão ou mundo mental solitário, retornam para a Natureza, regida pela sua implacável entropia.

O Grupo Vértice reuniu, em Porto Alegre uma série de concorrentes com as mais variadas tendências estéticas e de vida, no final da década de 1980. Cada um dos seus integrantes tinha em comum esta necessidade de encontrar observadores de sua obra singular. Isto acontecia após a Abertura Política quando surgiam, não só tendências estéticas, mas políticas e culturais e que ninguém se nomeava como mediador, e que na maioria das vezes encobria a sensor. Cada um dos integrantes deste grupo já havia realizado o seu caminho, como após estes encontros cada qual seguiu caminhos bem próprio e distintos. A pós-modernidade, por sua própria natureza, não busca mais os compromissos por tempo indeterminado e contratos perpétuos. Assim o Grupo Vértice somou energias, socializou a sua produção e cada qual foi buscar o seu próprio caminho.
Em agosto de 1990 pensavam e explicitavam o seu projeto no seu MANIFESTO exatamente em direção aos seus observadores presente ou futuros


[1] DUCHAMP, Marcel  Duchamp du signe –Escritos -  Reunidos a apresentados por Michel Sanouillet. Paris : Flammarion, 1991.
              pp. 236-239

Fig. 03 -  “VÉRTICE: o Grupo Vértice manifesta-se sobre a profissionalização do artista”  in Correio do Povo Porto Alegre , ano 95, n° 320,  p.21(toda) – Quinta-feira - 16 de agosto do e 1990

GRUPO  VÉRTICE
PESQUISA E PROJETOS CULTURAIS

O  GRUPO VÉRTICE  MANIFESTA-SE  SOBRE  A  PROFISSIONALIZAÇÃO  DO  ARTISTA[1].

O artista como sujeito de sua história
O artista e a sua produção são primordiais numa cultura situada no tempo e no espaço. A produção artística é um ato, um gesto concreto e positivo de indivíduos isolados ou  de grupos. A criação artística, como expressão maior de uma sociedade, necessita de condições preliminares satisfeitas intencional, concreta e experimentalmente, de forma que o artista seja sujeito e não apenas objeto.
Condições adversas para este projeto de autonomia
No sistema produtivo atual, o artista é mais objeto das instituições e indivíduos, do que sujeito. Cuidar e manipular um patrimônio impessoal do passado é fácil. O mérito está em assistir e garantir a produção artística viva e atual.


[1] - “Vértice”  in Correio do Povo Porto Alegre , ano 95, n° 320,  p.21(toda) – Quinta-feira - 16 de agosto do e 1990

Obra do Currículo da Artista logo  após o  Bacharelado em Desenho no Instituto de Artes da UFRGS
Fig. 04 – JORGE HERRMAN Auto-Retrato


O Grupo Vértice, conclama os demais artistas para a sua articulação e o debate de todas as condições de pesquisa, criação, produção e socialização artística atuais.
Propõe, para tanto, assumir a atitude profissional, na seriedade de produção e interferência efetiva na circulação da obra de arte.
Adverte sobre as divisões insufladas por interesses estranhos para desestruturar e enfraquecer grupos e pessoas que lidam com a produção artística. Neste sentido o GRUPO VÉRTICE está trabalhando para a criação de uma Entidade de Classe.
Neste momento de uma mudança política e na montagem de um novo aparelho de administração estadual, solicita de todas as forças empenhadas em arrebatar este poder entre 1991 e 1995 no Rio Grande do Sul, um plano objetivo e claro para o artista produtivo.
Propõe, formalmente, que esta política cultural, incida intencionalmente na produção artística que retrata as atuais condições de nossa vida.

Fig. 05 – Detalhe do pôster da Exposição dos integrantes do Grupo Vértice de 24 de julho a 10 de agosto de 1990 na Galeria de Arte do Instituto Cultural GBOEX
Os meios que garantem a preservação do patrimônio, devem acompanhar esta produção, mas não os sufocar. Somos um estado jovem no qual falta tudo ainda por realizar. A aposentadoria e a glória virão depois da produção.
A qualidade e a excelência da produção artística resultam de um esforço no qual todas as instituições particulares e governamentais vetorizam a sua vontade e possuem um contrato de qualidade e excelência. Os resultados desta vetorização podem ser cobrados através do exame de uma vida humana vivida dentro de valores da Arte.
Os valores positivos da Arte fazem com que indivíduos, instituições e obras transcendam o seu tempo e espaço.
Conclamam-se todas as forças vivas, que compõe a nossa sociedade e que estão interessadas na sua continuidade no tempo e no espaço, a prestigiar a Arte concretamente através de ações culturais objetivas. Estas ações mostram que estas forças vivas são positivas e não apenas interessadas na espoliação e acúmulo.

Fig. 06 - Detalhe da capa do catálogo da Exposição que precedeu o  Grupo Vértice na Galeria de Arte do Instituto Cultural GBOEX Porto Alegre e da qual participaram Paulo AGUINSKY, Clotilde QUADROS de Cravo , Henrique RADOMSKY e Analino ZORZI – os dois últimos integrantes do Grupo Vértice
A Arte transfigura e torna educativa, em si mesma, em qualquer esforço produtivo feito na intenção de prestigiar a nossa sociedade. Todas as sociedades sempre tiveram orgulho das obras artísticas e se projetaram através delas.
A profissionalização é uma relação. Como tal ela oscila entre a produção e o mercado. A profissionalização muda toda a vez em que a produção e/ou o mercado muda. A produção artística muda constantemente. Historicamente o mercado de arte evoluiu através da nobreza, clero, burguesia ou dois bancos..  A produção artística, pela sua própria natureza criativa, muda constantemente. Nada mais natural que a vontade da profissionalização definitiva.
Um Estado que se deseja manter atualizado, tem um papel significativo no alinhamento de um mercado de escala, em Arte, quer através de encomendas a artistas atuais, quer através de pesquisa e ensino.

Fig. 07 – Analino ZORZI expondo no Tribunal Regional do Trabalho de Porto Alegre - RS e da qual também cria o ambiente arquitetônico.

Por que  preservar o patrimônio artístico do passado quando não há mais produção artística presente?
Depois de um grande período de amadorismo e de uma atividade conservacionista, há necessidade de uma intensa atividade, que só pode acontecer através de uma sólida e consistente profissionalização em todos os níveis de que depende esta ação positiva.

CONVITE:
O GRUPO VÉRTICE saúda todos os participantes do II ENCONTRO LATINO-AMERICANO DE ARTES VISUAIS[1]. Convidando-os a visitar a exposição à Rua Sete de Setembro, n° 604 – Térreo . GALERIA DE ARTE GBOEX.

VERÔ CORBARI  -   ANALINO ZORZI  -   CÍRIO SIMON – MÔNICA HEYDRICH  - PIERRY SCHULZ  - JUARES PALMA.


[1] - “Três dias para a arte. – Inicia-se hoje, às 14h30min, o 2° encontro Latino-Americano de Artes Plásticas. A palestra inaugural será com o crítico de arte Jacob Klintowitz, que irá falar sobre a 11ª Bienal de São Paulo. Alem dos painéis e debates ocorrerão hoje e amanhã, no auditório da Assembléia Legislativa, no sábado, haverá, no Margs, apresentações práticas de trabalhos de pintura, escultura, construção de instalações, performances e outras técnicas, bem como projeção de slides e vídeos. Ainda no programa de hoje, as 18h, painel sobre “ O Significado das Artes Plásticas Hoje”, e as 19h, reunião das diversas Comissões
               in Correio do Povo Porto Alegre , ano 95, n° 320, p.22, col.3– Quinta-feira- 16 de agosto do e 1990 

Obra do Currículo da Artista logo  após o Desafio lançado por Pierry SCHULTZ
Fig. 08 – Pintura de Verô CORBARI.

Cada integrante do GRUPO VÈRTICE partiu para colocar no seu mundo estas concepções que fez público neste manifesto. Com este vírus benéfico inoculado na mente e corpo cada qual fez o seu caminho solitário. 



Fig. 09 – Parte superior do folder da exposição dos Integrantes do GRUPO VÈRTICE 24 de julho a 10 a agosto de 1990 na Galeria de Arte do Instituto Cultural GBOEX.

Assim inicia mais uma etapa destas investigações que se destina a saber o destino, a obra e a produção de condições para a reprodução destas ideias.





A presente postagem é a 04 de uma série relativa ao Grupo Vértice.


OBRA de ARTE - O ENTE e o SER em
HEIDEGGER, Martin. A origem da obra de arte. Tradução de Maria da Conceição Cocta. Lisboa:  Edições 70, 1990

Os INTEGRANTES do GRUPO VÉRTICE no ESPAÇO NUMÉRICO DIGITAL
ANALINO ZORZI

FERNANDO JARROS 1959-1989 fotógrafo - Porto Alegre

JORGE HERMANN

JUARES PALMA


Verô CORBARI


 
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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

ISTO é ARTE - 041



O GRUPO VÉRTICE
no Movimento Associativo nas Artes Visuais de Porto Alegre e a busca da profissionalização.

Toda a arte está no que produz, e não no que é produzido”.
Aristóteles[1](1973: 243 114a 10 )


[1] - ARISTÓTELES (384-322). Ética a Nicômano. São Paulo: Abril Cultural1973. 329p.


Grupo Vértice foto - Correio do Povo - Porto Alegre  ano 95 nº 316 -sãbado 11.08.1990  p.09
Fig. 01 - Integrantes do Grupo Vértice
Analino Zorzi –Mônica Heidrich - Círio Simon -– Pierry Schultz  e  Verô Corbari

Publica-se um texto jornalístico que circulou no dia 24 de julho de 1990, dia da inauguração da exposição do Grupo Vértice na Galeria de Arte do Instituto Cultural GBOEX de Porto Alegre


ARTES

Grupo Vértice: um novo jeito de pensar e produzir.

[Porto Alegre: Zero Hora, ano XXVII,  nº 9092, 3ª feira, 24 de julho de 1990,  Segundo Caderno, p. 07.]



Mais do que uma coletiva de arte, a mostra do Grupo Vértice, que abre hoje às 18 horas na Galeria de Arte do Instituto Cultural GBOEX (Sete de Setembro, 604 – térreo) assinala o surgimento de nova ideologia para o “fazer arte” em Porto Alegre



Ivo.  STIGGER

Fig. 02 – Título da matéria do jornal Zero Hora no dia 24 de julho de1990 sobre o GRUPO VÉRTICE  
“O Grupo Vértice não é uma escola, um sindicato nem uma estética. No imponderável de sua liberdade, ele flutua acima de divisões, tarefas alienantes ou de regimentos uniformadores. O compromisso de cada membro do grupo nasce a partir da necessidade individual de ter um espaço, um auditório e um referencial para a sua criatividade constantemente renovada”, explica Círio Simon, o ideólogo do grupo. Ele acrescenta que o Vértice não é anarquia, caos ou experimentalismo inconsequente “ainda que a possibilidade de seu experimentalismo da criação livre penetre fundo no anarquismo, caos ou insegurança”.

Fig. 03 - A instalação de Analino Zorzi que tem por tema a ecologia. A obra em si é uma caixa de lenha que lembra muito uma caixa de defunto. Dentro dele estão instalados objetos relativos aos pinheiros. A sombra de tais objetos é projetada no rosto do espectador. O artista declarava “Essa luz, claro, pode ser vista como símbolo do movimento ecológico, que ilumina a nossa década”. Madeira de pinheiro  600  x 220 x 80 cm

Segundo o plástico Analino Zorzi, outro integrante do movimento, a filosofia básica do Vértice é mostrar que ser artista é, antes de qualquer outra coisa, uma profissão. “Os artistas do Grupo Vértice demonstram doação à sua obra, seriedade de produção e livre pensar na expressão, fruto de sua criação conceitual. É hora de romper, de se expressar, de provar e provocar horizontes novos, horizontes inerentes à profissão “ diz Zorzi, recitando um dos dogmas do grupo.

Obra exposta na banca do Trabalho de Conclusão do Curso TCC – de Bacharelado em Desenho no Instituto de Artes da UFRGS
Fig. 04 - JORGE HERRMANN  - CISMA  - Novembro de 1989 Lápis Conté   66 x 96

LUZ NO ROSTO – Diversidade é outra norma adotada pelo Vértice: “A riqueza do Grupo Vértice está na diversidade e diferença da produção de seus componentes. Pintura, desenho, fotografia, arquitetura, pesquisa gráfica, música, literatura, escultura”, explica Simon. No texto que sintetiza sua ideologia, os integrantes do Vértice vão ainda mãos longe: “A produção do grupo é individual, a reflexão é coletiva.  A produção coletiva dirige-se para processos de socialização e adequação de mecanismos de circulação de bens artísticos advindos da produção individual. A ênfase ao universo das artes visuais tem a consciência da infinidade de caminhos possíveis”.

Em sintonia com tais princípios, a mostra do GBOEX, denominada “Vértice – Artista = Profissão” é multifacetada. Inclui de tudo um pouco. Verô Corbari, por exemplo, expõe oito pinturas abstratas cujos temas tendem ao macrocosmo. Analino Zorzi traz uma instalação que adverte – e protesta – sobre a devastação e o extermínio da araucária brasileira. Ela tem  2,20 m de largura, 6 m de altura e 0,80 m de profundidade.

“A obra em si é uma caixa de lenha que lembra muito uma caixa de defunto. Dentro dele estão instalados objetos relativos aos pinheiros. A sombra de tais objetos é projetada no rosto do espectador. Essa luz, claro, pode ser vista como símbolo do movimento ecológico, que ilumina a nossa década”. Diz Zorzi. Entre os objetos estão desde a semente do pinheiro até a cinza resultante da queima desta árvore. Durante o vernissage do dia 24 serão distribuídas 500 mudas de araucária aos presentes. “Na minha obra, o pinheiro é também símbolo de vida”, lembra o plástico.

Obra exposta na banca do Trabalho de Conclusão do Curso TCC – de Bacharelado em Desenho no Instituto de Artes da UFRGS
Fig. 05 - JORGE HERRMANN -  PERTO -  junho de 1986.  acrílico 49 x 66

LUGAR PARA TODOS – Jorge Herrmann, outro integrante do Vértice, mostra seis desenhos com temática também ecológica. Ele apresenta micro-organismos e suas relações com o homem. Círio Simon expõe, num painel, seus textos sobre a profissionalização do artista, base ideológica do Grupo Vértice. Pierry Schultz, outro integrante do grupo, mostra 8 de suas fotografias experimentais que incluem montagens e trabalhos sobre o negativo. Henrique Radomsky, que está entrando para o Vértice, mostra 6 esculturas de sua fase mais recente.


- Correio do Povo Porto Alegre  ano 95 nº 301domingo 29.07.1990  p.16
Fig. 06 - Verô  CORBARI inspiradora e proponente do GRUPO VÈRTICE acolheu no seu Atelier e na sua Escola as 28 reuniões deste grupo. A partir de sua ação, criou e manteve as conexões com o mundo empresarial para dar suporte logístico orgânico aos eventos , a comunicação pública e entre os componentes do grupo.

Nascido em Porto Alegre, em meados de 89, a partir de uma ideia de Verô Corbari e de Analino Zorzi, o Grupo Vértice está aberto a artistas de todas as tendências e escolas. Na sexta-feira passada, por exemplo, entrou para o grupo o jornalista  Juares Palma, que está na fase final de seu primeiro livro de histórias infantis. “No vértice há lugar para todos”, sintetiza Zorzi. Ele anuncia que, no sábado 28 de julho, às 10h da manhã, os integrantes do grupo vão realizar um debate na Galeria de Arte do GBOEX aberta a todos os interessados “Venham discutir nossa propostas; venha enriquecê-las” convida Zorzi.


Fig. 07 - STIGGER Ivo.  Grupo Vértice: um novo jeito de pensar e  produzir. Porto Alegre : Zero Hora, ano XXVII,  nº 9092, 3ª feira, 24 de julho de 1990,  Segundo Caderno, p. 07.

Esta exposição, aberta no dia 24 de julho de 1990, na Galeria de Arte do Instituto Cultural GBOEX de Porto Alegre, foi seguida com Manifesto do Grupo Vértice, lançado no dia16 de agosto do e 1990 Quinta-feira, sob  o título “Vértice  e que apareceu na imprensa Correio do Povo Porto Alegre , ano 95, n° 320,  p.21. O texto do   Manifesto do Grupo Vértice  será o objeto da próxima postagem


Fig. 08 - GBOEX - Instituto Cultural - logo de 1990.

A presente postagem é a de nº 03, de uma série relativa ao Grupo Vértice.

Analino  ZORZI







Círio SIMON www.ciriosimon.pro.br  Site




Henrique RADOMSKY - http://hradomsky.tripod.com/

















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terça-feira, 7 de agosto de 2012

ISTO é ARTE - 040


O GRUPO VÉRTICE

no Movimento Associativo nas Artes Visuais de Porto Alegre e a busca da profissionalização.

Nada é transmissível , a não ser o pensamento
Le Corbusier[1] in Boesiger, 1970, p.168.


[1]   BOESIGER, Willy .  Le Corbusier Les Derniers  œuvres  Zurich : Artemis, œuvres complètes 1970, , v.8,  208 p
.

Foto de Pierry Schultz
Fig. 01 – Integrantes do Grupo Vértice

Círio Simon –Mônica Heidrich - Analino Zorzi – Pierry Schultz  e  Verô Corbari

Reunião nº 27 -  31 de maio de 1990 – RESENHA para uma ATA.

Às vinte horas (20h00) do dia trinta e um de maio de mil novecentos e noventa (31.05.1990) reuniu-se o Grupo Vértice no Atelier de Verô Corbari. Presentes Jorge Herrmann, Mônica Heidrich, Pierry Schultz, Verô Corbari e Círio Simon estabeleceu-se a pauta que nesta data versaria sobre: temas tratados anteriormente em grupos menores, retomada das apresentações dos integrantes do grupo, próxima exposição do Grupo Vértice no GBOEX (três de julho) e assuntos gerais.

No tema assuntos tratados anteriormente, os integrantes Mônica e Jorge narraram a decisão de estudos mais aprofundados sobre os integrantes e as suas obras. Questiona-se a sistemática anterior. Mas chegaram a conclusão que o estudo de cada membro deva ter sobre um colega do grupo, mesmo arriscando não dizer a verdade. A provocação verbal de conceitos errados, sobre o colega, pode gerar o debate e a dialética de percepções, que é um dos objetivos r instrumentos de análise.

A apresentação dos integrantes do grupo começaria a partir destes estudos sobre o colega, mais a exposição da obra do apresentado. Contudo não ficou definido a quem caberia o estudo de cada um dos colegas.

A exposição do grupo no novo espaço GBOEX, inaugurado com a presença e a exposição do integrante do grupo, Analino Zorzi, deverá ser temática geral e constante de todas as reuniões do grupo durante o mês de junho. Foram solicitadas, genericamente  de todos, o estudo para o catálogo, convite, patrocínio, assessoria de imprensa, coquetel. A colega Verô tentou entrar em contato telefônico com Analino Zorzi para saber das reais condições do espaço e calendário do GBOEX.

No tema assuntos gerais, o colega Pierry elaborou um questionário individual para cada integrante, que deveria ser respondido publicamente e em diálogo coletivo. As duas questões eram: Primeira: - que deseja do Grupo? Segunda: - o que espera dar ao Grupo?  Todos os integrantes sujeitaram-se ao questionário e responderam de forma espontânea. As suas colocações eram entrecortadas com observações atinentes aos membros do grupo. Neste ponto o colega Pierry esclareceu que o objetivo do seu questionário, era para ter ‘feeling’ para defender o colega nas suas buscas e diante do grupo externo.

Foram tratados temas relativos à cooperativa de artistas e sua validade, o preconceito do Brique da Redenção e o artista elitista, a galeria comercial de arte, a relação entre eventos externos e o aumento do ritmo de produção e de trabalho, quando este evento externo existe, a maneira como o Grupo entende a socialização do seu trabalho artístico.

A reunião foi encerrada as vinte e uma horas e trinta minutos (21h30min). Resenha para uma ate elaborada por Círio Simon


STIGGER IVO : PERFIL Ado Malagoli Zero Hora, 17 de julho de 1990, Revista ZH p.4 col. 4
Fig. 02 – A frase de ADO MALAGOLI (1908-1994) foi uma das inspirações do projeto norteador dos integrantes do Grupo Vértice

  INTENÇÕES de CADA um dos COMPONENTES do GRUPO VÉRTICE.

O questionário, de autoria de Pierry SCHULTZ, era para cada integrante responder publicamente e em diálogo coletivo. As duas questões:

Primeira: - que deseja do Grupo?

Segunda: - o que espera dar ao Grupo? 


Geraldo Soulue GRAZZIOLI : está se programando para viajar, em julho, aos Estados Unidos. Ele está questionando, na Arte, até que ponto é valido depender dela para sobreviver. Sente-se angustiado no momento, talvez por ter uma visão imediatista, sendo que, em Arte, o retorno é lento.

Fig. 03 –JORGE HERRMANN  -MARGINAIS  - Novembro de 1989 Lápis Conté   66 x 96 cm  

Jorge HERRMANN : Lança ao Grupo expectativas em relação aos anos 1990. O vale tudo, a falta de informações, a falta de espaço para expor ideias, para polemizar em cima delas, para correr o risco de atingir a sensibilidade de qualquer pessoa. Expor-se a ser criticado. O Grupo não atingiu este objetivo, sendo este um marco, tratar de tais questões, perceber que existem pessoas que fazem cerimônia pelo fato de não se conhecerem, para propor-se a pegar juntas. O que falta justamente em Porto Alegre, é o fazer. O Grupo dá suporte para a integração.


Círio SIMON : A História da Arte em Porto Alegre é recentíssima. As falhas são características da juventude. Apenas dois, ou três, conseguiram vencer na Arte em Porto Alegre. Muitos elementos brilhantes perdem-se devido a questões históricas de sobrevivência. Na questão de mercado de arte, exemplifica com o Leste da Europa, onde o artista não tem este mercado, vivendo de uma profissão paralela e alimentando a ilusão de que com a abertura o problema seja solucionado. A criação artística, sem um contexto, não tem onde colocar as suas ideias  e trocar de informações, reforçando, no entanto, que o indivíduo pode mudar uma sociedade. Círio busca a necessidade de interação, no próprio Grupo Vértice, por meio do estudo e do desafio. Esta interação vai se fortalecer o grupo, na medida em que todos forem iguais. Estabelecer por que o indivíduo constitui o equilíbrio, a origem do grupo e a sua finalidade. O Grupo Vértice define como projeto, específico e intencional, desafiar as pessoas.


Zilma FERREIRA : Acredito no trabalho em grupo, porque nos leva a um crescimento muito grande, como grupo e pessoa.


Fig. 04 – Obra de Verô CORBARI in Folder exposição 24.06-10.08.1990  Porto Alegre  GBOEX

Verô CORBARI : Creio que naquilo que se projetou no início do Grupo Vértice. Pessoas consagradas, que levem aos outros e atingindo a todos. Para tanto precisa ser adulto. Este projeto é cria do grupo. Contudo ele não tomou consciência da sua própria cria. O amadurecimento do projeto assustou ao perceber a sua cria adulta. O Grupo Vértice é suporte da sede de expressar a ansiedade, de passar informações, de levar isto ao público. Nos Estado Unidos, por exemplo, existem grupos de pessoas que dialogam frente a frente, satisfazendo a sua necessidade de informação. O Grupo Vértice necessita ser conhecido como um grupo que fala e trabalha com força.

Mônica HEYDERICH : Tenho certeza que que o grupo vai crescer, buscar crescimento e estímulos. Sinto que precisa que precisa se desenvolver, criar coisas novas e tornar-se mais criativo.


Fig. 05 – Analino ZORZI - História de uma semente nº 9B  - 1990 -acrílico - 33 x 50 cm

Analino ZORZI : O Grupo Vértice se preocupa com a crítica, com o debate de tudo aquilo que está se fazendo ligado à área da Arte. A aproximação com outros artistas possui o objetivo de criar e manter o vínculo,  artista, obra, público. Esta é a essência maior da Arte. Não tornar a exposição convencional. Contudo como processo diferente. O artista se expõe ao grupo. O debate no Grupo Vértice fornece  o sim ´- ou não, na continuidade deste fazer da produção artística individual.



Fig. 06 – Foto-colagem de Pierry SCHULTZ  in Folder exposição 24.06-10.08.1990  Porto Alegre  GBOEX

Pierry SCHULTZ : A troca de informações profissionais, de técnicas, de criatividade, passaram a ter mais segurança de ajuda mútua por meio do Grupo Vértice. A segurança mútua vence a dificuldade de quem está desprovido deste auxílio.  Este auxílio abre-se, agora, para trazer outros integrantes ao grupo. Este aumento propicia descobrir outros caminhos e a coragem de expor-se à crítica. O debate franco foi sempre o bom do Grupo Vértice. Agora existe a necessidade de projetá-lo  financeiramente para ter sobrevivência própria. Isto gerou o descontentamento. No entanto discordo da posição dizendo que o filho não nasceu, e corre o risco de ser abortado. Isto devido ao fato de que o projeto não conseguiu o patrocínio. Talvez o Grupo Vértice tenha dado um passo de tamanho monstruoso.  Este projeto poderia nascer menor. A tentativa de realizar este projeto foi no Banco Real, onde aconteceu uma exposição individual. A utopia da crise nasce daquilo que as pessoas entendem como Arte.  Crise com projetos palpáveis da Arte em Porto Alegre onde não conseguem sobreviver, exceto algumas exceções. A pauta deve ser estabelecida com outra exposição. Para maior flexibilidade, não deveria esta ser pautada como aquela proposta na reunião anterior.


Fig. 07 – Logo do Atelier e Escola de Arte “Eu que Fiz”. Local das 28  reuniões realizadas pelos Integrantes do Grupo Vértice entre 15 de agosto de 1989  at agosto de 1990 
As 28 reuniões do Grupo Vértice ocorriam no atelier e escola de Arte, mantido por Verô Corbari que ostentava o sugestivo nome “Eu que Fiz”. No gesto de acolher o Grupo enfrentava a contradição da criação individual com a necessidade da socialização do seu agir solitário.

A presente postagem é a 02 de uma série relativa ao Grupo Vértice.



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