domingo, 7 de setembro de 2014

092 – ISTO é ARTE

O ESPLENDOR de uma GERAÇÃO:
a maturidade de artistas visuais do Rio Grande do Sul.

Nunca tantos deverão ficar ignorantes de tão poucos, pois a história na seara das Artes, ainda está para ser contada desde Araújo Porto-alegre e Pedro Weingärtner até os últimos talentos que despertam nas artes plásticas e na arquitetura
”. Corona, 1977 p. 166.

         Esta afirmação de Fernando Corona (1895-1979) continua atual. Ela é válida para o conhecimento, para o estudo e para a divulgação das riquezas simbólicas do estado do Rio Grande do Sul. Este imenso desconhecimento aponta para a carência de agentes que se dedicam ao conhecimento da massa documental, reflitam sobre ela, trabalhem e produzam narrativas escritas, visuais e orais relativas as riquezas simbólicas no Rio Grande do Sul. Aqui o foco volta-se para uma geração e as suas obras visuais colocadas num TEMPO e o LUGAR especifico.
Foto de Hajimu-Hirano Revista Manchete n.966 de 24.10.1970 p. 148
Fig. 01 – Para a geração de artistas visuais de Porto Alegre, que atravessou 1970, havia “uma pedra no caminho”. Tratava-se da escolha entre interagir ou ignorar ou denunciar o arbítrio autoritário da Revolução de 1964. O grupo,  da foto, resolveu fazer arte em Porto Alegre e ignorar i qualquer vínculo ou interação com o regime autoritário de Brasília. Nas obras de  Roberto Cidade, Paulo Porcella, Alice Brueggmann, Clébio Sória, Plínio Bernhardt, Enio Lippmann, Clóvis Peretti, Vadeny Elias, Gomercindo Pacheco, Maria Teresa Fontoura, Carlos José Pasquetti, Carlos Tenius, Sônia Ebling e Dimitros Anagnostopoulos, não se percebe qualquer  traço de propaganda ou visibilidade de qualquer  tendência cultivada e divulgada pelo regime totalitário
http://www.museudacomunicacao.rs.gov.br/site/acervos/imprensa/ 

           O TEMPO e o LUGAR - aos quais esta postagem pretende dar atenção - são os de uma geração de artistas plásticos e visuais que nasceram e que atuaram na PESQUISA ESTÉTICA no Rio Grande do Sul na segunda metade do século XX. No limite do possível levanta-se o tema, apresenta-se alguns nomes e algumas fontes logísticas. Este limite da presente tarefa está sob a ameaça de avalanches de eventos, nomes, mediadores e atravessadores de valores simbólicos visuais provenientes de fora dos limites geográficos e culturais do Rio Grande do Sul. Com este foco distingue-se a PESQUISA ESTÉTICA da avalanche externa da ATUALIZAÇÃO da INTELIGÊNCIA, conforme concepção de Mario de Andrade.
Fig. 02 – A parte superior da obra o “TUNEL” de Armando Almeida exposta, em 2014, na nova Pinacoteca Ruben Berta. Esta obra contraria o dito de que “o gaúcho não faz cerâmica” O ensimesmado e reflexivo artista vence este tabu. Armando transferiu das profundezas do pampa seu mundo hermético. Deu-lhe corpo físico com traços econômicos nascidos da profunda emoção e pensamento do autor.
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?p_secao=154

        Os problemas, desta tarefa, são a rápida passagem das suas TESTEMUNHAS, do seu TEMPO e o descuido com a documentação. Passagem não documentada ao exemplo de numerosas gerações que vão longe e de cujo pensamento existem vagos índices. Nestas condições enveredaram facilmente para a sua MITIFICAÇÃO tardia, ou deslizam para a confusão com a exuberante e implacável NATUREZA.
Fig. 03 – A obra de Vasco Prado no dia 21 de dezembro de cada ano ganha sombras e reflexos provenientes do solstício de verão de Porto Alegre. A escultura parece uma predileção da arte no Rio Grande do Sul. Assim TERRA e TEMPO dialogam na ARTE e se reforçam reciprocamente gerado um diálogo plástico coerente com as mentalidades, vontades e sensibilidades locais.


          A vantagem das artes visuais é deixarem signos sensoriais e que permanecem na longa duração da História, ao contrário de outras manifestações culturais. Nesta condição preservam o pensamento e o projeto de quem os criou, e são documentos da época e do lugar nos quais foram concebidos e materializados. Na presente postagem possui-se como limite uma geração. Esta geração correu o mundo mas foi fiel os seus valores estéticos, emotivos e racionais e os plasmou na segunda metade do século XX a partir de suas interações com as circunstâncias vividas no Rio Grande do Sul. Buscam-se, nestes limites, obras que expressam o pensamento dos seus autores e que nem sempre são conhecidas e reconhecidas como índices da sua vida, dos seus valores e das suas pesquisas. No projeto original dos seus autores busca-se nas suas obras plásticas este pensamento em expresso nas suas obras e documentos. Obras e documentos atentos ao risco permanente de serem reduzidos e corrompidos em narrativas orientadas por pensamentos alienantes de culturas hegemônicas alheias. Nada melhor do que o condimento do sabor local para esconjurar este risco e perigos Obras e documentos locais que se ancoram no específico e o contrapõe as ameaças da sua rápida circulação e da presença constante de pensamentos alienantes de abrangência mundial. A geração em foco possui muito a oferecer para a atualidade e para o futuro. Para tanto impõe-se, no presente a colheita, o estudo e a sua preparação para a seu trânsito e a sua mundialização adequada. Colheita que não se limita aos produtos da indústria cultural do Rio Grade do Sul que se confunde o Pampa e suas temáticas. Existem também vigorosas temáticas e artistas no litoral e na Serra Gaúcha. Eles pouco devem a esta vertente e origem platina cultivada no Pampa. Esta urgência, na colheita e estudo, impõe-se na medida da rápida entropia do pensamento mais elevado. Impõe-se a urgência diante da avassaladora presença e ação agressiva do pensamento de culturas hegemônicas e neo-colonizadoras.
  Acervo RENATO ROSA
Fig. 04 – A sensibilidade de Waldeny Elias dedicou grande parte de sua produção visual a buscar e expressar o lirismo do corpo feminino. A sua obra poética visual é produzida com o mínimo de signos icônicos e com uma semiótica próxima da heráldica .
http://www.galeriaespacoculturalduque.com.br/?p=731

         Não faltam documentos, obras e testemunhas para serem inquiridos, estudados e sistematizados. Contudo a presente postagem é um mero projeto a receber estes tratamentos. A aparente vastidão oceânica do tema não é problema. Nã há problema na aparente vastidão se for considerada proposta de Leonardo da Vinci de que “todo contínuo e divisível em infinitas partes”. O tema desta geração pode ser reduzido e circular na forma de um título, um parágrafo ou, então, enfocar cada artista ou mesmo um única obra e receber descrições quilométricas. Os conceitos das nanotecnologias, da trans genia ou dos cálculos quânticos colaboram para caducar os quadros fixos, unívocos e lineares positivistas. Positivistas que guardavam em gavetas numeradas e fichadas cada espécime viva com alfinete nas costas e com um título classificatório canônico
Fig. 05 – A obra de Danúbio Gonçalves retomou a tradição do azulejo lusitano em grandes obras viárias de Porto Alegre. Antes produziu extensa obra em mosaicos.


        Na abordagem do tema “o esplendor de uma geração de artistas visuais do Rio Grande do Sul” também não faltam estratégias. Estratégias cujo motor são os motivos do seu estudo, sua avaliação e a sua publicação. Entre estes motivos existem interesses :
1 – internos, como índice do potencial humano de um período que se está se tornando histórico;
2 – externos, na geração de material e de concepções para as novas e futuras gerações, pois uma geração sobe nas costas da anterior para ver mais longe;
3 – conhecimento dos limites com o balanço do potencial de um período cuja produção física se encerra e outro em plena expansão.
A história é sempre traduzida numa narrativa. Uma das utilidades destas narrativas é avisar a próxima geração DAQUILO QUE NÃO É POSSÍVEL ou ainda NÃO FOI POSSÍVEL. Uma geração sobe nas costas da próxima para ver mais longe no conceito de Le Corbusier.
  Acervo RENATO ROSA
Fig. 06 – Maria Lidia Magliani abriu caminho próprio nas artes visuais do Rio Grande do Sul e do Brasil. Coerente com a sua cultura afro-brasileiro não se submeteu ao que a indústria cultural rotulou e vendeu com produção plástica afro-brasileira. Foi mais fundo e indagou e reinventou em cores, gestos gráficos e formas coerentes a sua índole, tempo e lugar.
http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2014/07/iniciativa-busca-mapear-a-producao-da-artista-maria-lidia-magliani-4551730.html

           Entre tantos avisos está o fato de que o simples mercado de arte no Rio Grande do Sul ainda não possuir este potencial de ser uma produção profissional continuado e para todos. Apesar de ser indispensável, uma das razões deste limite é que orientação unívoca e linear do comércio. Ele se volta e prioriza apenas o objetivo de conferir solidez econômica para as carreiras de produtores de arte. Neste sentido ele é alheio à PESQUISA ESTÉTICA desinteressada e desinteressante ao mercado. Mercado que promove eventos pontuais, promoções, comandadas pelo marketing e propaganda, sem possuir garantia de um continuum para toda uma geração de artistas visuais. Mercado que trabaha com a OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA da obra e do artista.
Fig. 07 – A geração de arquitetos - formada pelo Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul, entre 1947 e 1950 conferiu para a capital, para o interior e Brasil afora projetos nos quais a ARTE e ARQUITETURA AINDA dialogavam. O arquiteto Maximiliano Fayet tinha dupla formação superior em artes plásticas e arquitetura. No prédio projetado por Luis Fernando Corona e ele, o seu mestre Fernando Corona havia sugerido a figura da JUSTIÇA como os OLHOS ABERTOS. Fayet concretizou esta figura no final de sua vida.
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/09.105/74

        Considerando estes fatores da descontinuidade o que move a presente busca é fazer um registro continuado, mínimo e virtual dos esplendores do ocaso da vida física de uma geração de, artistas visuais. Artistas que habitam e criam numa região geograficamente plana na qual o por do sol é um espetáculo a parte. Ocaso que leva a fazer um balanço do dia e reacende a esperança de um novo dia melhor, pois impressiona pelo lado emocional.
Fig. 08 – Paulo Peres produziu uma obra visual com signos aparentemente herméticos que, no entanto, reporta-se a toda um a produção do século XX que aboliu a busca da terceira dimensão sobre o plano. Assim cores e formas obedecem ao plano do quadro e onde criam ressonâncias cromáticas e plásticas coerentes com a arte indígena, a popular e comuns e legíveis para todas culturas da espécie humana.
http://perespaulo.blogspot.com.br/

     Uma das características do artista sul-rio-grandense é a continuidade da sua fidelidade à terra natal ou o seu retorno na hora da partida definitiva. O Rio Grande do Sul esta muito longe de ser uniforme na sua produção simbólica. Nesta descontinuidade ele possui notáveis bolsões de pensamento, de projetos e de realizações importadas diretamente da fonte estrangeira. Se reproduzem por gerações fieis à sua terra e cultura de origem. O problema que se evidencia - com o passar do TEMPO nestes bolsões - é que nem as culturas de origem as reconhecem como suas. Nem, ao menos entram na contabilidade da cultura local. Assim sofrem entropia natural perdendo a eficácia de ser e a razão da sua mantenção por tempo indeterminado.
Fig. 09 – A geração de Glauco Rodrigues pesquisou o repertório do homem do Pampa e de lá retirou motivos e temas. Este regionalismo reagia ao centralismo e totalitarismo do Estado Novo Brasileiro. Reação regional que está na origem do extensa e variada motivação inicial dos Centros de Tradições Gaúchas.
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=1948&cd_idioma=28555

          Felizmente PROBLEMAS, de toda ordem, afloram por toda parte do Rio Grande do Sul. Felicidade para quem quiser construir uma narrativa aceitável que tenha por objeto as artes visuais na continuidade da história. Quem neles sintonizar a sua atenção, vontade e sensibilidade terá a recompensa de ser um pioneiros neste campo elevado da cultura humana. Por enquanto os pensamentos e as obras do artistas visuais - que se despediram recentemente da cena da vida ou estão no esplendor dela - pairam sobre um mar de problemas para um historiografia consistente e coerente. Problemas historiográficos fáceis de enumerar e ordenar, mas de dificílima solução. Solução entravada pela mentalidade colonialista remanescente, pela heteronomia da inteligência, da vontade e dos sentimentos alimentados pela escravidão que espreita em qualquer esquina dos caminhos da liberdade.
Fig. 10 – O escultor Cláudio Martins Costa vivia intensamente a relação com a Natureza e os seus habitantes. Entre estes habitantes estreitava os seus contatos com a arte e a cultura indígena do Rio Grande do Sul. Sem se prender aos seus arquétipos plásticos característicos desta mentalidade os projetou para o interior da arte erudita sul-rio-grandense Assim não abdicou do seu conhecimento erudito e produzia obras únicas e características com fortes raízes nestas duas tendências artísticas.
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2014/08/091-isto-e-arte.html

          Um destes caminhos para a escravidão e neo-colonialismo é a atual carência de ARQUIVOS documentais fidedignos e de profissionais sérios que gostem do seu ofício. Arquivo NÃO É biblioteca. A maioria das narrativas impressas - e depositadas nas bibliotecas - padecem do fato de que elas se bastarem a si mesmas. Poucas destas narrativas de pesquisas, permitem - ou apresentam meios seguros para RETORNAR ÀS FONTES da sua construção final.
Fig. 11 – A obra de Carlos Brito Velho privilegia as duas dimensões do plano e o poder cromático dos seres que o colorem e o autor distribui nestas superfícies.
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=1287&cd_item=1&cd_idioma=28555

        A FORMAÇÃO de PROFISSIONAIS arquivistas, museólogos e historiadores ainda não encontraram a possibilidades de constituir-se em sólida carreira profissional.
          Não menos grave é a ausência de UM PROJETO CIVILIZATÓRIO SUL-RIO-GRANDENSE que considera natureza política, econômica e estética das ARTES VISUAIS na sua relevância e dignos de figurar no dia a dia do PODER ORIGINÁRIO desta unidade federativa. Basta consultar os que os programas dos partidos propõe nesta área e os resultados da efetiva implementação posterior deste projeto.
Fig. 12 – A coerência de Iberê Bassani Camargo com a vida, a sua obra e a sua época arrecadaram uma unanimidade com o qual poucos artistas visuais sul-rio-grandenses atingiram. A sua obra está ao abrigo de uma fundação, que leva o seu nome, e permite que seja uma das mais estudadas, divulgadas e com valor consolidado tanto estético como de mercado.
http://www.iberecamargo.org.br/site/default.aspx

     O MERCADO de ARTE sul-rio-grandense está sujeito a eventos externos e interesses ao mundo da Arte. Assim ele espera ser “SURPREENDIDO” pelo arrojo alheio e a propaganda o marketing de eventos promocionais do novo pelo novo. Mercado engendrado pelos interesses pontuais e colaterais de culturas hegemônicas. Estas culturas hegemônicas possuem o mérito de um longo trabalho e investimento continuado nas ARTES VISUAIS. Na cultura local elas são KITSCH na medida em que renascem na nova cultura como algo já usado e visto.
        Falta de pesquisas, vontade e sensibilidade local para fazer frente e contrapor-se as culturas hegemônicas amadurecidas e com uma unidade construída com longo trabalho. Pesquisa voltadas par cada artista desta geração e suas circunstâncias. Vontade para seguir a grande dispersão de tendências e de veredas estéticas. Sensibilidade para os índices desta diversidade e contradições. Circunstâncias geradas pela carência de consenso mínimo nos esforços sociais, políticos e culturais de um contrato digno de crédito coletivo.
          No contraditório existem vantagens nesta dispersão. Entre outras, constitui-se uma boa estratégia para confundir e despistar os mediadores, atravessadores e os falsos tuteladores da autonomia de cada artista. O desafio é o trabalho para entender esta autonomia estética, política e até material que acompanha, conduz e determina a conduta de cada habitante desta terra republicana de longa data.
Fig. 13 – Clara Pechansky possui sólida formação plástica e estética cujas raízes iniciaram na cidade de Pelotas e continuam a se expandir e marcar presença na capital do Rio Grande do Sul.
http://www.pechansky.com.br/#!destaque3/cbtg
             As instituições de ensino e aprendizagem de artes visuais no Rio Grande do Sul seguem esta linha de autonomia e possuem os mais variados níveis, abrangências sem apresentarem uma pedagogia única. Nenhuma delas se considera padrão ou paradigma das demais. Nisto também seguem o traço republicano sul-rio-grandense. Traço que é dominante nos artistas, nas obras e nos projetos estéticos. Um grande numero destes artistas são provenientes destes agrupamentos de cunho republicano. Muitos deles se fez cercar de discípulos formais oi informais ou atou para repassar o seu saber de uma maneira formal ou então, cercado deles, ao longo da criação de sua própria obra.
Fig. 14 – Yeddo Titze é um dos mestres sul-rio-grandenses que está acima de qualquer júri, evento ou necessidade de marketing e propaganda. Com sóĺida formação erudita pode-se dar ao privilégio de escolher - com carinho e conhecimento - uma linguagem que o distingue e o coloca como um mestre de vida e de arte de gerações.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Yeddo_Titze

         Toda esta geração atravessou - de uma outra forma – o período totalitário de 1964 até 1979. Muito vieram ou atravessaram o Estado Novo de 1937 até 1945 Estes períodos são conhecidos na história do século XX como aqueles que contraditoriamente suscitam uma intensa produção artística. Tanto aqueles que se opõem frontalmente a esta ideologia - como aqueles que se deixam seduzir por este poder central e totalitário - encontram motivos para uma intensa mobilização estética. Basta citar Florença - no período dominado pelos Medicis - como um dos mais intensos e criativos desta cidade. Porém esta relação da arte com a política, ao longo este período, não encontrou ainda pesquisa, estudo, debates sérios e documentados e com direito ao contraditório. Ou, se foi realizado, não divulgou resultados consistentes, objetivos e conclusivos.
Imagem do acervo do Museu Hipólito Jose Costa
Fig. 15 – A lamentável mais inevitável busca de hegemonia e invasão da economia, cultura e técnica de um povo trabalhador dá mostras de sua capacidade nesta imgem da época da ditadura militar. Os valores de um povo hegemônico, arduamente estudados e diligentemente subvencionados pela máquina e propaganda e marketing chega ao representante político máximo do executivo gaúcho colocado em flagrante contraste com réplica do MONUMENTO ao LAÇADOR. Basta vacilar por não conhecer os autênticos valores simbólicos de sua própria terra para que estas cenas se repetirem pela eternidade afora e sob os mais variados pretextos e formas.

       Neste sentido existe, também no Rio Grande do Sul uma crescente MASSA CINZENTA de estudos acadêmicos e que não foi apropriada, como bem simbólico, pela indústria cultural, pela política e pelo quotidiano do cidadã e a educação formal. Novamente ressoa voz do mestre Corona “nunca tantos deverão ficar ignorantes de tão poucos” ao se apropriar da expressão do político britânico Winston Churchill em relação aos pilotos da RAF na II Guerra Mundial.
Elis Regina 1945-1982 Foto de Hajimu-Hirano bd em24.03.1967
Fig. 16 – A cantora Elis Regina deu uma resposta adequada para o conjunto das expressões políticas, econômicas e culturais da gente de sua terra. Uma das maiores expressões das artes do Brasil da sua época ela soube administrar a sua carreira e o seu próprio caminho com uma energia e coerência com os valores de autonomia, determinação que caracterizam o Rio Grande do Sul.

      Voz que desafia e repercute em todos aqueles que quiserem produzir arte, como em quem quiser usufruir arte autêntica. Porém, muito além deste horizonte solipsista, paira a necessidade de um UM PROJETO CIVILIZATÓRIO SUL-RIO-GRANDENSE expresso também na AUTONOMIA das suas ARTES VISUAIS. Diante dos eventos, dos atravessadores oportunistas e da crescente necessidade de uma identidade sul-rio-grandense positiva impõe-se aos historiadores profissionais e os cronistas honestos um retorno aos arquivos, aos documentos, às biografias e obras de arte.
Fig. 17 – O sorridente Gilberto Pegoraro também já partiu deste mundo levando a sua arte. Deixou saudades em especial dos seus estudantes e da instituição de Arte de Criciúma . As suas obras públicas estão em Porto Alegre e Santa Catarina e com numerosos privilegiados que conviveram com a sua absoluta generosidade
http://www.radioguaiba.com.br/noticia/lancada-campanha-para-conservacao-de-monumentos-publicos-da-capital/

         Na conclusão é possível prever que muitas destas obras desta geração de artistas sul-rio-grandenses possuem condições de projetar-se no futuro como das melhores coisas produzidas neste TEMPO e LUGAR. Uma das características da obra de arte é ser portadora, no mínimo de sua forma, do máximo do pensamento de seu autor e as circunstâncias do seu tempo e lugar. O que permanece é o seu pensamento.
        Cabe a ressalva que, para tanto, é necessário estudar, entender e divulgar o pensamento de que estão carregadas as suas obras. Atenção sem mistura de repertórios dos artistas criadores que não podem ser naturalizados e nem mitificados. Aristóteles (1973: 243 114a 10) sentenciava que ”toda a arte está no que produz, e não no que é produzido”1 As obras servem como escadas para chegar o mais próximo possivel do pensamento dos artistas. Estes índices visuais são documentos. Como documentos falam a quem souber formar e dirigir-lhes a pergunta adequada e estiver atento às respostas que emitem.
Alinham-se alguns nomes de ARTISTAS numa variada biografia da geração daqueles que produziram artes visuais no estado do Rio Grande do Sul na segunda metade do século XX. Lista provisória e incompleta dos produtores das riquezas simbólicas desta época e local. Lista provisória para estudo e mais incompleta ainda para uma divulgação consistente e reversível às fontes das informações destes valores. Se tal acontecer efetivamente, este patrimônio simbólico irá representar o que de melhor se produziu no RIO GRANDE do SUL nesta geração.

ACHUTTI, Luis Eduardo Robinson (1959-

ALMEIDA, José Armando Vargas (1939-2013)

AMARAL Paulo (1950 -

AYALA, Walmir (1933 - 1991)

BALBÃO Christina Hellfensteller (1917-2007)

BARBOSA GONÇALVES, Carlos (1851 - 1933)

BARRETO, Umbelina Maria Duarte (1954-

BARIL, Fernando (1948 -

BARROS, Miguel (1910 -

BARTH, Luiz Fernando Voges (1941

BERNHARDT. Plínio Cesar Livi (1927 – 2004)

BETTIOL, Zorávia (1935

BEZ BATTI (1940

BIANCHETTI, Ailema (1926 -

BIANCHETTI, Glênio (1928-20014)

BIANCO ( Esther (1934 –

BONATTO, José Roberto ( 1940-

BORNHEIM, Gerd (.1929 – 2002)

BRASIL, Luis ( 1940-

BRITO VELHO, Carlos (1942

BRUEGGMANN, Alice Esther (1917 – 2001)

CABRAL, Rubens Galant Costa (1928 – 1989}

http://www.ufrgs.br/petcivil/Fotos/viagem_2011_2.html
Fig. 18 – Gastão Tesche representou a cultura e a Arte de Santa Cruz do Sul e que levou para o espaço publico como nesta obra numa usina de geração de energia elétrica do Rio Jacui.



CAMARGO, Iberê Bassani (1914 - 1994)

CAMARGO, Maria Cousirat (1916-2014)

CAROLO , Edy Sobragil Gomes (1921-2000)

CARPES, Mariza (1948 -

CARRICONDE, Claudio (1934-1981

CATTANI, Maria Lúcia (1958 -

CHAVES BARCELOS, Vera Guerra (1938

CHEUICHE Frei Antônio do Carmo (1927-2009)

CORONA Luis Fernando (1923-1977)

CORONA, Marilice (1964-

CRUSIUS, Oscar (1904-1991)

CRUZ,Eduardo Fagundes (1943 -
Fig. 19 – Zorávia Betiol é uma das lideranças nas artes visuais sul-rio-grandenses das mais respeitadas devido a sua intensa produção e capacidade de articulação das novas gerações ao redor de sus escolas estéticas
http://pt.wikipedia.org/wiki/Zor%C3%A1via_Bettiol

DAL' BELLO, Selso (1937

DECKER, Ariadne (1960

DEXHEIMER , Leo ( 1935-

DISCONZI, Romanita (1940 -

DOTTO, Vagner (1945-1994)

EBLING de KERMOAL, Sonia (, 1926 – 2006)

ELIAS, Waldeni (1931-2010)

ESCOSTEGUY, Pedro Geraldo ( 1916-

FAYETH , Maximiliano (1930-2007)

FAYH, Marília Paulitssch (1956

FERVENZA, Hélio Custódio (1963 –

FLORES, Leda Marinho (1917 -

FLORES, Paulo Osório (1926 - 1957)

FRANTZ, Antônio Augusto

FRANTZ Ricardo André

FUHRO, Henrique Leo ( 1938 – 2006)
.
FUKE, Mauro (1961 –
http://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_de_Bag%C3%A9
Fig. 20 – Os membros mais conhecidos do Grupo de Bagé na foto (da esquerda o observador para a direita) com Glênio Bianchetti, Glauco Rodrigues, Carlos Scliar e Danúbio Gonçalves. Este grupo provou que é possível fazer arte no Sul Brasil e se conectar com a cultura e arte que se pratica no Centro do Brasil.

GHENO Vitório (1923 –

GOLTZ, Hilda (1908 -

GONCALVES, Danúbio Vilamil (1925 –

GONÇALVES, Flávio Roberto (1966-

GONZAGA MELLO GOMES, Luiz (1940

GUIMARÃES Jussara (1948-2011)

GUIMARÃES, Nathaniel (1925

GUMA, Gomercindo da Silva Pacheco (1924-2008)

GUTIERREZ, Antônio (1934- 2004)

HERSKOVITS, Anico (

HEUSER, Renato (, 1953

HWA, Lili (China 1934-

HWA, Patick (China 1931 –

JUNGBLUTT, Nelson (1921-2008

KEELING, Sueli Ana (1939 –

KLINTOWITZ, Jacó Bernardo (Porto Alegre 1939

LINK, Maria Anita Tollens (1924-

LIPPMANN, Ênio (1934 –

LISENMAYER, Astrid (1936 -

LOCATELLI, Aldo Donato ( 1915 -1962)

LOPES, Arminda (1947 -

LUTZENBERGER, Rose Marie ( 1929 -
Fig. 21 – Carlos Alberto Petrucci incorporou na sua arte a rigorosa formação técnica que exercia na prestigiosa Secretaria de obras do Rio Grande do Sul. Com esta qualificação técnica produziu obras visuais em especial do meio urbano sul-rio-grandense com esta vista da cidade de Torres.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Alberto_Petrucci

MACHADO, Cleber Neto ( 1937

MAGLIANI, Maria Lidia ( 1946 -2012)

MAIA, (1953

MAIER, Charles (

MALAGOLI, Ado (1908 -1994)

MANCUSO, Carlos Antônio (1930 – 2010)

MANGANELLI , Elton ( 1948 -

MARTINS COSTA, Cláudio (1932 – 2005)

MATTOS, Hilda (1928 -

MENTZ, Suzana (1939

MONTEIRO, Bina (1952

MONTEIRO, Ho (

MORAES, Glauco Pinto de (1928 - 1990)

MORAIS, Avatar da Silva (1933 -

MORAIS. Jacinto ( 1917 –

MOURA, José Carlos (1944-
Fig. 22 – O carteiro Carlos Oliveira produziu uma obra plástica na qual parte de figuras de populares e multidões. Trabalha as cores, os ritmos plásticos sobre superfícies planas.
http://artepopularbrasil.blogspot.com.br/2012/05/carlos-alberto-de-oliveira.html

NAKLE, Gustavo (1951 –

NICO, Luis Antônio Carvalho (1954 -

NICOLAIESKY, Alfredo (1952

NUÑEZ, Rodrigo (1970 –

OBINO Aldo (1913-2007)

OLIVEIRA Carlos Alberto (1951-2013)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Stockinger
Fig. 23 – A obra de Francisco Stockinger marcou tanto espaço púbico como particular do Rio Grande do Sul como do Brasil. Coerente com a sua pátria e cidade de adoção ergueu e Porto Alegre um monumento ao mundo vegetal.

PASQUETTI, Carlos (1948 -

PASQUETTI, Mara Alvares ( 1950

PECHANSKY, Clara (1935 –

PEGORARO Gilberto Tomé (1941-2007)

PERES, Paulo (1935 – 2013)

PERETTI, Clovis ( 1935-1995)

PETRUCCI, Carlos Alberto (1919 – 2012)

PINALLI – Enio (1929-1990)

PONS, Flávio (1947 -

PORCELA, Paulo Magali de Melo (1936 -

POSTAL Miriam (1962 –

PRADO, Luisa (1914-2000)

PRADO, Vasco (1914 – 1998)
ttp://www.scheffel.com.br/www2/obras2a.htm
Fig. 24 – O pintor e musico Ernesto Frederico Scheffel foi fiel à região da Depressão Central do Rio Grande do Sul onde buscou e levou para a pintura repertório vivido e aos personagens de sua infância.

RADOMSKY, Henrique (1946 -

RIOPARDENSE de MACEDO Francisco (1921-2007)

RODRIGUES Glauco Otávio de Castilhos (1929 – 2004)

RÖHNELT, Mario Alberto (1950 –

ROMANELLI, Armando de Cerqueira (1945

ROSENFIELD, Lenora Lerrer (1953

ROTH, João Luis de Oliveira (1951 -

RUTSCHILLING, Evelise (1956


http://www.upf.br/mavrs/index.php/acervo
Fig. 25 – Rurh Schneiders produziu uma intensa obra plástica com as temáticas inspiradas nas vivências da cidade de Passo Fundo. Esta cidade retribuiu com um museu público que guarda suas obras, a sua memória e leva o seu nome..

SALDANHA, Ione (1921 – 2001)

SALVATORI, Maristela (1960 –

SANTOS, Érico (1952 –

SCHEFFEL, Ernesto Frederico (1927 –

SCHLEINIGER, Joice ((1947 –

SCHOLLES, Flavio (1950 -

SCHMITZ, Marciano (1953-

SCHULTZ, Ricardo Werner (1946 –

SCHNEIDER, Ruth (1943-2003)

SCLIAR, Carlos (1920–2001)

SILVEIRA, Regina (Porto Alegre 1939-

SIQUERA, Jader Osório (1928-2007)

SOARES, Alice ( Uruguaiana, 1917 – 2005)

SORIA, Clébio (1934- 1989)

SOUTIER, Velci (1951 –

STOCKINGER, Francisco (1919 - 2009)
Fig, 26 -O artista Flavio Scholles retornou para Novo Hamburgo à sua terra que lhe encomendou o Monumento ao Sapateiro na época do apogeu desta atividade industrial neste local. Com atelier próprio dedica-se à temática agrícola da Depressão Central do Rio Grande do Sul. 

TAVARES, Anestor (1919-2000)

TESCHE, Gastão (1932-2005)

TENIUS, Carlos Gustavo ( Porto Alegre (1939-

TRINDADE LEAL , Geraldo ( 1927 – 2013)

TIBÉRIO Wilson (1923-2005)

TIETZE, Yeddo (

TRIUNFO Olegário (1934 – 2001)

UFLACKER, Solange (1944-2000)

VERGARA, Carlos Augusto (1941 –

VERGARA, Dorothea Vergara Pinto da Silva (1923 –

VIEIRA DA CUNHA, Eduardo (1956

VOLPETIZ Volnaei Cardoso Petiz (1941

ZAMBELLI Estácio Frederico ((1896-1967)

ZANON Emílio Benvenuto (1920-2008)

WIEGER, Nelson ( 1940 –

          Ao final da presente postagem é necessária a concordância com a validade atual da sentença de Fernado Corona e Winston Churchil “nunca tantos deverão ficar ignorantes de tão poucos”,
          No entanto - como se afirmava acima - não falta material. Esta abundância já é comprovável a partir REVISÃO das fontes BIBLIOGRÀFICAS. Elas constituem o portal obrigatório de qualquer pesquisa séria e consequente. Esta REVISÃO possui o objetivo de evitar a redundância, além de perceber lacunas, equívocos ou inconsistência do que já teve alguma fortuna de circulação pública. Numa breve listagem de ALGUMAS FONTES BIBLIOGRÁFICAS destacam-se os nomes dos seus autores que se debruçaram sobre o tema das ARTES VISUAIS SUL-RIO-GRANDENSES. Aqui se abre um leque amplo de tendências estéticas, metodológicas e paradigmas que refletem, no seu conjunto, a mesma autonomia recíproca dos artistas entre si e as suas obras. Autonomia que é uma das marcas sociais, econômicas e culturais da população deste estado brasileiro.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

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Fig. 27 – Marciano Schmitz integra uma equipe e uma constelação de artistas que se formaram e continuam fieis à cultura que está em sedimentação na Depressão Central do Rio Grande do Sul
https://www.facebook.com/marciano.schmitz?ref=ts&fref=ts


FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS como suporte da PESQUISA das
ARTE VISUAIS do RIO GRANDE do SUL

Lista de algumas escolas de Arte do RS
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2010/03/centenario-da-escola-de-artes-do-ia_9581.html

Pontos de logística de teses e dissertações relativas à Arte do RS
http://www.lume.ufrgs.br/

Instituições para pesquisa relativas à Arte do RS
http://www.ufrgs.br/arquivo-artes/icaatom/web/index.php/?sf_culture=pt
Hemeroteca
http://www.museudacomunicacao.rs.gov.br/site/acervos/imprensa/


TEORIAS GERAIS. PUBLICADAS no PRESENTE BLOG

ARTE e OBSOLESCÊNCIA
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2012/09/isto-e-arte-046.html

SÓ o PENSAMENTO PERMANECE.
“Nada é transmissível , a não ser o pensamento”
Le Corbusier[2] in Boesiger, 1970, p.168.
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2012/08/isto-e-arte-043.html

GERAL; CONDIÇÔES do OBSERVADOR ATENTO
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2013/07/006-expressoes-de-autonomia-na-arte.html

CONTRIBUIÇÕES da GERMANIDADE
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2012/06/arte-brasilidade-e-germanidade-010.html

AUTONOMIA e ARTE
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2011/09/isto-e-arte-008.html

ARTISTAS OPERÁRIOS do RS
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2011/09/isto-e-arte-007.html

ASSOCIAÇÔES de ARTISTAS no RIO GRANDE do SUL-RIO-GRANDENSE
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2010/08/arte-em-porto-alegre-apos-1945-0801.html

PRIMEIRA TURMA de ARQUITETOS DO RIO GRANDE do SUL-RIO-GRANDENSE
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2010/08/arte-em-porto-alegre-apos-1945-0802.html

SILÊNCIO dos ARTISTAS VISUAIS SUL-RIO-GRANDENES
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2011/09/isto-e-arte-009.html
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2010/01/o-silencio-do-intelectual-e-do-artista.html

A HISTÓRIA RESPONDE as PERGUNTAS que LHE DIRIGIMOS
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2009/10/historia-responde-as-perguntas-ela.html

WINSTON CHURCHILL - frase
http://kdfrases.com/frase/118980

CONTINGÊNGIAS das ARTES VISUAIS no RIO GRANDE do SUL
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2010/08/arte-em-porto-alegre-apos-1945-08.html

ARTE na DEPRESSÂO CENTRAL do RIOGRANDE do SUL
http://www.ciriosimon.pro.br/aca/aca.html

MUSEU Ernesto Frederico SCHEFFEL – NH - RS
http://www.scheffel.com.br/www2/obras2a.htm

GRAVURA em PORTO ALEGRE
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2012/01/isto-e-arte-019.html

FUNDAÇÂO VERA CHAVES BARCELLOS
http://www.fvcb.com/
Fig. 28 – Regina Silveira uma das representantes mais ativas nas artes visuais cujo ponto de partida foi Rio Grande do Sul e a sua obra se projeta no Brasil e mundo afora
http://revistacult.uol.com.br/home/2011/04/a-exploradora-do-futuro/

ARTISTAS SUL-RIO-GRANDENSES com POSTAGENS neste BLOG

ACHUTTI Luis Eduardo
http://profciriosimon.blogspot.com/2011/09/isto-e-arte-006.html

BERNHARDT, Plínio
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2009/11/projeto-plinio-1.html
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2009/12/iconografia-sul-riograndense-de-plinio.html
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2009/12/iconografio-sul-riograndense.html
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2009/12/iconografia-sul-rio-grandense-de-plinio.html

BETTIOL Zorávia
http://profciriosimon.blogspot.com/2011/08/isto-e-arte-005.html

FAYET Carlos Maximiliano (1930-2007)
. http://profciriosimon.blogspot.com.br/2013/06/004-expressoes-de-autonomia-na-arte.html

VINÍCIO GIACOMELLI
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2009/11/vinicio-giacomelli.html
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2009/11/vinicio-giacomelli_12.html

HERMANN Jorge –
CONFLUÊNCIAS - uma crônica visual da REDENÇÃO - 2012.
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2013/05/002-expressoes-de-autonomia-na-arte.html

LINCK Maria Annita Tollens
http://profciriosimon.blogspot.com/2010/10/arte-em-porto-alegre-e-historia-em_21.html

MANCUSO Carlos
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2010/10/arte-em-porto-alegre-e-historia-em.html

MONDIN Guido Fernando
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2009/10/guido-fernando-mondin-06051912-20052000.html

PERETTI, Clovis
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2010_09_01_archive.html

SILVEIRA Silveira :
http://profciriosimon.blogspot.com/2011/03/isto-e-arte-01.html

SÓRIA, Clébio Guillon
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2014/06/87-isto-e-arte.html
http://profciriosimon.blogspot.com.br/2010/10/arte-em-porto-alegre-e-historia-em_09.html
A presente postagem contou com a colaboração de Renato Rosa na leitura atenta e observações pertinentes ao texto preliminar
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sábado, 23 de agosto de 2014

091 – ISTO é ARTE

   ¿ - JOVENS SEM SONHOS e 
       SEM SENTIDO de VIDA ?

A arte não pode ter sua missão na cultura e formação, mas seu fim deve ser alguém mais elevado que sobre-passe a humanidade. Com isso deve satisfazer-se o artista. É o único inútil, no sentido mais temerário” Nittzsche 2000, p.1341

Fig. 01 – O artista anônimo que se adotou o heteronômio “BANSKI”, aderiu`ARTE PÙBLICA de RUA cultivada por um legião de grafiteiros e de artistas visuais que buscam formas de visibilidade, interação e de comunicação que são índices de uma civilização que impõea passividade, o consumo e a heteronomia.
http://en.wikipedia.org/wiki/Banksy

   Na passagem do bastão das conquistas - acumuladas por uma civilização para a próxima geração - impõe-se atenção e cuidado em garantir o êxito deste projeto. Esta passagem exige investimento de inteligência, de vontade de trabalho e sentimentos coerentes para não significar uma catástrofe irreversível. Muitas civilizações já naufragaram nesta passagem geracional.
   Para tanto é necessário admitir que a vida e a existência humana não possuem sentido por si mesmos. Eles pertencem à Natureza. Natureza que: “não possui alma por dentro” conforme Fernando Pessoa. No sentido contrário, a civilização confere sentido unívoco e linear que provocam sonhos e sentidos unívocos e linerares. Sonhos e sentidos que se originam do conflito com a Natureza entrópica enfrentando a criação artificial, novo e original. Nesta tarefa confitante a Arte resolve fecundar e transformar a Natureza por meio do projeto que “coloca algo no interior da Natureza”.
Fig. 02 – Os jovens da foto descendo a ladeira da Av.Dom Pedro II de Porto Alegre, certamente hoje estão motorizados e subindo, com facilidade, as ladeiras nas quais tinha de carregar os seus “veículos faz de conta”. Este “faz-de-conto” permitia sonhar e buscasentido na vida além de demonstrar o seupertencimento à uma geração admirada e estiimulada pelo adultos e especial osseus pais e antepassados diretos. Para estas culturas o s jovens e as crianças não são uma categoria seprada na sociedade

     A Arte é capaz de romper algo que pertence aos ciclos intermináveis, onipotentes e onipresentes da Natureza dada.
Evidente que esta ruptura é ameaçadora, e insegura. Ruptura, epistêmica, estética e sentimental que necessita a convocação de energias novas a serem aplicadas no tempo preciso e no lugar exato. A arte sempre lidou com esta perigosa e alta tensão produzida pelos poderosos polos opostos NATUREZA e CIVILIZAÇÂO. As mães temem esta mesma energia ao imporem aos seu  filhos “NÃO FAÇAM ARTES”.
Keith HARRING (1958-1990) Desenho Colorido.
Fig. 03 – Os signos icônicos deste artista jogam com um repertório infantil. De outra parte a leitura designos complexos e de lenta assimilação e interpretação estão sendo contornados nesta comunicação no interior de uma indústria cultural que se deseja livrar de códigos falados e escrito de civilizações anteriores.

    Por sua parte um jovem informado, como o contemporâneo, certamente evitará contrariar o preceito de sua mãe. Sabe deste risco da Arte, do alto investimento de energias e a exposição pública em consequẽncia de qualquer eventual fracasso. Poderosas forças morais, legais e reliogiosas encorajam a observãncia estrita deste tabu em relação à arte. Torna-se comprensivel a obediência a este preceito materno. Porém este temor do novo não estanca o probema da rápida entropia, esclorose provodos pela falta de renovação de algo queéarticial como a civilização humana. Não resolve o problema pelo simples fato aplacar os impulsos necessários para uma civilização perceber-se autônoma, capaz de se reproduzir. A Natueza impõe, a esta civilização, como circulos de ferro as suas forças entópicas. O primeiro discriminado e excluido é sempre o jóvem e as suas energias renovadoras.
Desenho de um índio kusiwa - Brasil
Fig. 04 – O mundo simbólico primitivo vincula-se estreitamente unido com os ciclos da Natureza A representação do bando multicolorido de pássaros - sob a proteção vegetal- realizada pelo indígena brasileiro - empresta um corpo visual para estas concepções imateriais. Empresta um corpo visual parao seu próprio sentimente de pertencimento ao clã e tribo.

   De outra parte os maiores revolucionários da Arte e da Ciências conceberam suas descobertas antes dos 40 anos de idade. Foi o caso de Albert Einsteisn (1879-1955) que propôsa teoria da relatividadea os 36a ano de idade. Porém não é a idade cronológica que está em jogo e em questão. A maioria dos jovens de civilizações - paradas no Tempo e na Natureza – não conseguem mudar as suas culturas se origem ou são silenciados e neutralizados pelos seus sistemas entrópicos. Os que já estão cobertos de cãs e com uma razoável idade em geral cultiram dese a infância este amadurecimentos. Como nas teorias pedagogicas de Comênius, na sua Didpatica Magna, as suas descobertas são florescentos e frutificações preparadas em longos invernos que as civilizações os mantiveram antesdeserem aceitos, Muita vezesisto ocorre depoisde seu desaparecimento físico
KEITH HARRING (1958-1990) Desenho Colorido.
Fig. 05 – Muitos artístas se apropriaram dos arquétipos dos codigos visuais de das culturas primitivas. Códigos que passaram da representação naturalista para os abstratos da escrita. O preço a pagar é a necessidade de uma iniciação e combinação de códigos entre emissor e receptor. Esta iniciação leva ao reducionismo semântico. A perda dos referenciais sensórios enseja a falsificação e obscurecimento deste código.

    Assim os sistemas adotados - por estas civilizações - são os responsáveis pelo silêncio e abulia dos jovens. Estes podem ser esmagados pela superbundância, obesidade ou por sistemas subliminares de controle de mentes, de corações e expressão do contraditório do qua acredita esta pseudo civilização. A liberdade – na concepção romana – era algo CONCEDIDO a uma certa classe, depois de certa idade, quando eram considerados patricios romanos e aptos para gerar outros patrícios. O resto da população eram escravos que não deliberavam ou decidiam nada para esta sociedade e muito menos geravam cidadãos romanos. Na concepção contemporânea são muito raros os artistas romanos dignos do estatuto deste nome. Meios materiais não lhes faltavam para tanto.
LÚDICA INFANTIL SUL-RIO-GRANDENSE Pesquisa de Glaucus SARAIVA de FONSECA (1921-1983)
Fig. 06 – O mundo do “faz-de-conta” infantil se materializa em gestos, palavras e objetos por meio dos quais a criança expressa o seu pertencimento à uma determindad cultura ou civilização. Por meio deste mundo “do faz-de-conta” a criança busca a sua própria interação e os primórdios de uma comunicação com a sua civilização. A correta percepção deste processo evita a passividade, o consumo e a heteronomia do jovem que busca o seu lugar.

   O acúmulo necessário - para uma civilização funcionar -  facilmente provoca mal entendidos sem fim e que desestimulam um jovem inexperiente. Esta civilização amadurecida reage e esmaga todas energias apesar destas buscarem apenas busca meios de atingir o seu próprio pertencimento. Nesta busca ainda não compreende e não aceita que a sua cultura antiga e cumulativa é extremamente vigilante e ciosa dos seus próprios valores. O jovem não compreende a extensão de qualquer gesto, palavra ou ação do jovem. De sua parte a civilização não é capaz de ter meios para compreender que este jovem apenas busca o pertencimento. Esta civilização na sua arrogância, tradição e poder acumulado interpreta esta busca do jovem como irreverente, agressivo e, assim, passa a considerá-lo como perigoso, como herético e digno de punições passivas ou ativas.
Tadeu MARTINS - Anjo da Guarda
Fig. 07 – As sociedades primitivas são comandadas pelo clã, pelos rituais e pelas forças onipresentes da Natureza Estas sociedades - e suas organizações a partir dos seus jovens - são uma garantia para a humanidade inteira no caso da ruina das sociedades tecficadas. Sociedades que possuem sentido semelhante ao potencial das florestas em manter o equilíbrio homeostático entre a civilização e Natureza.

Da parte do jovem não se trata de avançar o sinal, atropelar e demolir o que vier pela frente. Em cada jovem residem energias, novidades e diferenças necessárias para uma civilização antiga se preservar e reproduzir. A esclerose gera conflitos irremidiáveis quando não se entende suficientemente e se canaliza adequadamente este potencial do novo e do diferente em cada jovem. As ruinas e os efeitos catastróficos - para ambos os lados- estão por toda parte. As mudanças são necessŕias tanto para o jovem como para a civilização.
FÁBRICA de ARTISTAS - Central SAINT-MARTINS in Le Monde 14.01.2012
Fig. 08 – A massificação, provocada pelo indústria cultural, submete o artista a um processo de treinamento e eficácia em sociedades motivadas pelo consumo de massa. O jovem - candidato à artista - perdeu o sentido da busca do seu autoconhecimento. Os seus paradigmas são externo a ele impostos por uma civilização que aceita apenas passividade diante  padrões estéticos, de conhecimento e de vontade moldados pelas forças e a coerção coletiva, de consumo e da heteronomia


A complementariedade e a coerência entre estas energias evitam choques desnecessários na medida em que tiverem flexibilidade para atingirem nova coerência interna e externa. Toda a aprendizagem supõe, dos dois lados, a reorganização interna e externa. Mudança que perpassa toda estrutura, o sistema e o mesmo a própria civilização humana inteira. Esta nova complementariedade, coerência interna e externa emergem da revisão dos valores de ambos os lados.
Giuseppe GAUDENZI (1875-1966) - modelando no Instituto Técnico da Escola de Engenharia com ajuda de estudantes.
Fig. 09 – A guilda profissional - derivada da organização do artesanato- permitia ao jovem uma interação na qual ele iniciava como aprendizados de  técnicas manuais artesanais. Dali ele evoluía para constituir-se em mestre. Neste estágio o jovem mestre abria a sua própria empresa e admitir novos aprendizes. Com a especialização - e o design preliminar e abstrato - perdeu-se este processo natural de aprendizagem e sua reprodução. Na linha de montagem repetitiva o proletário perdeu a visão de conjunto do processo produtivo e assim a possibilidade da sua reprodução geracional.

     Poucos possuem o privilégio de ultrapassar e acrescentar algum sentido novo para a sua própria vida e dos demais. Esta ultrapassagem e acréscimo exigem imensas energias, a vontade de um projeto e o necessário discernimento de tempo e de lugar de sua aplicação prática. Estes poucos concretizam efetivamente o desafio de Nietzsche para atingir o sobre-humano e ulapassar aquilo que a Natureza fornece. Fornecimento que não está isento da cobrança que a Natureza impõe a todos e indiscriminadamente.
CULTURA ITALIANA Comunidade- In Rovilio COSTA et alii 2005 p. 129a
Fig. 10 – Nas culturas tradicionais o jovem e a criança não eram categorias separadas. Eles usufruím, não só a segurança, o pertencimento e o lugar próprio, mas ganhavam sentido e motivação no seu pertencimento pleno. As rígidas estrutura tribais ou do clã eram funcionais eram inclusivas e aceitas como tais. Estuturas derivadas de um modo de produção artesanal na qual todos aprendiam de tudo de todos. Com a especialização, na modo de produção industrial e empresarial, perderam estes vínculos culturais, afetivos e tradicionais. Raras culturas, como a japonesa, souberam transferir estes laços e processos para a empresa.

Não se trata da revolta contra esta fatalidade e tirania da Natureza. Trata-se de perceber adequadamente este imenso processo histórico. Trata-se de maximizar tudo aquilo que é competente para vencer aspectos deste processo entrópico universal. A vitória está com quem compreende muito cedo, na juventude, este processo. Este jovem, não perde o TEMPO que lhe é dado pela Natureza. Ele soma as suas energias com aquelas da civilização a qual pertence. Este processo fará fortuna na medida que esta civilização tiver um comportamento aberto e produtivo. Abertura competente para programar os seus próprios condicionamentos na direção da felicidade coletiva e individual.
Fig. 11 – A vivência do espetáculo da Natureza ofereceu para Claudio Martins Costa (1932-205) oportunidade para criar formas plásticas que expressam esta capacidade de abstração do que é essencial neste tropel de cavalos indomodos. O artsita estava profundamente interessado e vinculado às concepções indígenas do pampa sul-rio-grandense. Escolheu os arquétipos plásticos característicos destas culturas ancestral sem deixar de imprimir o seu interesse no movimento coletivo destes animais convivendo tão próximos com a criatura humana e interagindo com ele.

Condicionamentos aceitos num contrato coletivo, flexível e coerente. Com esta interação esta sociedade caminha para um processo democrático nas balizamentos que Mary Follet estudou e elucidou para a funcionamento de um autẽntico e produtivo regime democrático.
Fig. 12 – O pintor Carlos Alberto Oliveira (1951-2013) expressou na arte assus profundas vivẽncias sociais da sociedade a que servia como carteiro. Encontrou na arte assuas próprias formas para conferir visibilidade, interação e de comunicação como índices de uma civilização que evoca assuas buscas de pertencimento.

    Em conclusão é necessário admitir que a desmotivação e a falta de sentido do jovem acontece na medida em que alguém força sentido e função para ele. Para entender esta corrupção - da função e do sentido deste jovem aqui e agora - impõe-se admitir que a Natureza não possui nada por dentro. A inteligência, a vontade e os sentimentos do jovem perecem, ou se corrompem, na medida em que a Natureza é forçada por uma civilização que se aferra aos instrumentos unívocos, lineares e imutáveis. O equilíbrio coerente homeostática - entre estas duas forças antagônicas - só pode ser avaliado, conduzido e produzir frutos saudáveis na medida em que este projeto for atento flexível. e coerente com os extremos sobre os quais se apoia, equilibra e se desenvolve.
Além disso permanecem dúvidas inquietantes como aquelas das duas perguntas:
¿ - o jovem é o único culpado por não ter SONHOS e nem SENTIDO e VIDA ?
¿ - valeu a pena pagar o preço pela criação, o cultivo e a ênfase da categoria separada de CRIANÇA e de JOVEM ?


FONTES BIBLIOGRÁFICAS
CARVALHO, Maria Lúcia R.D. Escola e Democracia. Subsídios para Um Modelo de Administração segundo as Idéias de Mary Parquer Follet (1868-1933). São Paulo: E.P.U. Campinas, 1979. 102p.

COMÊNIO, João Amós (1592-1670) - DIDÀTICA MAGNA (1638) - São Paulo: Martins Fontes, 2002, 390 p. - ISBN 8533616236

FOUCAULT, Michel (1926-1984). Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1995. 295.

OLIVEIRA LIMA, Lauro de (1921 - 2013). Os Mecanismos da Liberdade. Microsociologia. São Paulo : Polis, S/d. 376p.

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

ABULIA dos JOVENS http://spp-sociedadedospedagogospensantes.blogspot.com.br/2011/05/abulia-resistir-ou-morrer.html

DIDÁTICA MAGNA
htp://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&ved=0CB0QFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.ebooksbrasil.org%2Fadobeebookt%2Fdidaticamagna.pdf&ei=bYn3U4_cHYH_yQSV4ICoCw&usg=AFQjCNHXXRSLiMn1lgalbzmsESR0H3M40w&bvm=bv.73612305,d.aWw


KEITH HARING (1958-1990)
http://www.biography.com/people/keith-haring-246006#synopsis

JOVENS SEM SONHOS e SEM SENTIDO de VIDA
http://www.diarioconcepcion.cl/2014/08/21/#16/z

LI HOJE QUASDUAS PÁGINAS – A NATUREZA e FERNANDO PESSOA
http://www.citador.pt/poemas/li-hoje-quase-duas-paginas-alberto-caeirobrheteronimo-de-fernando-pessoa

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domingo, 17 de agosto de 2014

090 – ISTO é ARTE

  O IDEAL e o EMPÍRICO em ARTE 

“Veríamos desaparecer completamente todas as artes, sem esperança alguma de retorno, sufocada por esta lei que proíbe toda pesquisa. E a vida que já é bastante penosa, tornar-se-ia então totalmente insuportável” ( Platão, Diálogos, 1991, p.417)"

Luis Carlos XAVIER, e Vasco PRADO - SÃO LEOPOLDO monumento do sesqucentenário da imigração inaugurado em 21.12.1974
Fig. 01- Monumento dedicado a lembrar o Sequicentenário da Imigração em São Leopoldo-RS. O seu autor o concebeu e usou formas e elementos plásticos que sugerem o mundo ideal, teórico e dos projetos perfeitos em contrate com mundo concreto, empírico e da realidade dada ao imigrante.

    O artista encontra-se exprimido entre o IDEAL e o mundo EMPÍRICO. Ele é esmigalhado entre mó rodante do ideal da ARTE e a mó fixa estática da realidade. Ele luta permanentemente entre o IDEAL ILIMITADO e IMPONDERÁVEL enquanto sofre, se revolta e vence os LIMITES concretos e empíricos da realidade na qual vive.
    Este Ideal, esdrúxulo à arte, ganha corpo em textos de leis monstruosas escritas, promulgadas e executadas por cima e por fora do campo estético. O artista é chicoteado por este poder esdrúxulo por meio de discursos do “DEVE SER”. Ele "DEVE" levar vida de aparências, de eventos bem concretos na forma de pessoas agindo como seus atravessadores, mediadores e seus tuteladores interesseiros.
Bruno GIORGI 1903-1993 - Teorema 1987-88 - Mármore - Porto Alegre – RS
Fig. 02- As formas dos arqétipos  propiciam ao artista- e ao receptor da obra - uma grande liberdade intelectual, enquanto priva ambos do mundo figurativo. No presente texto pode refenciar a leitura dos dois mundo (ideal x empírico) gerando um vazio para ser ocupado por uma mandala perfeita.
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         Não se trata de racionalizar, estetizar e simplificar. A obra de arte, por mais física e concreta que seja, é índice do modo de o SER evidenciar o seu ENTE. É o que nos ensina Platão:
“O bom discurso, a boa harmonia, a graça e a eurritmia dependem da simplicidade do caráter, não desta tolice que gentilmente denominamos simplicidade, mas da verdadeira simplicidade de um espírito que alia a bondade à beleza” (1991, p.173)
        Em arte a obra precede o filosofar. Porém raríssimos momentos em que ENTE e SER dialogam e interagem em sintonia perfeita.
                                                                    Cildo MEIRELLES (1948- ) - Zero cruzeiro
Fig. 03- O artista brasileiro Cildo Meireles usa toda a sua liberdade intelectual e extrai matéria para a sua obra do mundo figurativo, da economia e da tradição indígena brasileira. O mundo ideal que gera espectativas econômicas confronta-se com a anulação deste mesmo valor diante um mundo empírico indigena ainda sujeito ao escambo e distante da monetarização

   O poeta Paul Valéry tornou-se testemunho de preciosos fragmentos de afirmações do artista, pintor e desenhista Edgar Degas. Num estes fragmentos Degas disse que “um artista só é um artista em poucos momentos, por um esforço da vontade”. Em outro “o Desenho não é a forma, é a maneira de ver a forma”. O artista não tolerava discursos por cima e fora da Pintura “Degas gostava de falar sobre pintura e não suportava que se falasse sobre ela". Diante destes discursos “por cima e por fora de estranhos ao campo da arte” não poupava nem os amigos mais próximos. "Valéry dizia não compreender o que ele falava. Degas gritava, berrava que o poeta não entendia de nada e se metia em coisas que não eram de sua alçada"...
             Iberê Camargo preparando-se no seu atelier para intervir no movimento das DIRETAS JÁ
Fig. 04- Iberê Bassani Camargo partiu de sua realidade de menino do interior do Rio Grande do Sul e filho de ferroviário para criar, administrar e perpetuar uma das carreiras de um dos artista dos mais conhecidos, admirados e preservados na História das Artes Plásticas brasileiras. Soube entender o mundo ideal sem deixar de entregar-se  ao mundo empírico da atelier, do diólogo  com seus discípulos e compradores de sua intensa produção plástica e bem documentada obra visual por obra de Maria Coussirat Camargo.

    Assim a pesquisa estética precede a atualização da inteligência. Porém ambos convergem para formação de uma cultura ou um inconsciente coletivo.
“O direito permanente à pesquisa estética; a atualização da inteligência artística brasileira; e a estabilização de uma consciência nacional [..] A novidade fundamental, imposta pelo movimento, foi a conjugação dessas três normas num todo orgânico da consciência coletiva”
Mário de Andrade1 para a UNE, em 1942, p. 45.

      Inverter esta ordem significa preguiça mental, falta de vondade e ausência de um projeto próprio e fecundo. Inverter esta ordem significa o puro e ingênuo neo-colonialismo de uma consciẽncia importada de uma cultura alheia e alienante. Nesta cultura alheia importa o seu CONHECIMENTO e nada mais.
IA-UFRGS - Fundamentos da Cor - 2001 - Foto de Myra GONÇALVES
Fig. 05- Os meios para o artista contemporâneo pode mostrar o seu projeto, intenções e conhecimentos o leva para o território no qual brotam problemas inéditos permitem a pesquisa estética num grau nunca conhecido antes. Porém este mesmo mundo empírico e técnico sem coerência com o ideal, projeto e problema o podem jogar completamente a margem da arte, para o consumismo compulsivo e sua atividade num FAZER de mais um trabalho destinado à obsolẽncsia imediata e definitiva.

    Uma cultura alheia não pode servir de isca aos interesses não declarados dos detentores da hegemonia planetártia. Para além das fronteiras - destas culturas - elas tornam-se apenas conhecimento de suas origens, de sua fortuna, dos seus limites e das suas competências. Podem servir, no máximo, de matéria no ritual da antropofagia. Antropofagia da qual ninguém necessita prestar conta, sentir-se inferior ou individado com o seu consumo.
               Wenzel FOLBERGER .(..+ 24.06.1915) -ATLAS - Prédio Correios e Telégrafos POA-RS  
Fig. 06- O artista Wenzel FOLBERGER interpretou, na sua obra, o mundo figurativo do ATLAS da comunicação. Neste tema confere imagem ao pesado repertório que a criatura humana carrega no mundo da informação proveniente de todas as latitudes e tempos.

     O artista, ao lidar com a tradição, com o acúmulo do saber alheio e de poderosas e fundamentadas culturas hegemônicas,  sucumbe definitivamente diante de textos de leis monstruosas escritas, promulgadas e executadas por cima e por fora. O mero grito de indignação, destas vítimas ,que ostentam corações sangrando e mentes devastadas, constituem troféus eloquentes para esta saber estético alheio. O neo-colonialismo e os mentores da escravidão estética estão no triunfo ao abater os seus concorrentes e reduzi-los à servidão e à dependência.
Ruth SCHNEIDER (1943-2003) - obra da artista no Museu de Passo Fundo RS
Fig. 07- O olhar da artista passofundense parte de suas vivências imaginárias para criar instalações de sentido universal. O tema proveniente do repertório originário da vida boêmia imaginada.

     O ideal joga a criatura para o imponderável. O artista é vitima frequente da perigosa carga do poder simbólico da arte e motivado pela própria de sua fama. Poucos resistem a esta perigosa e alta tensão gerada pelos poderosos polos opostos.
A arte não pode ter sua missão na cultura e formação, mas seu fim deve ser alguém mais elevado que sobre-passe a humanidade. Com isso deve satisfazer-se o artista. É o único inútil, no sentido mais temerário
Nitzsche 2000, p.134
    O próprio autor desta frase foi vítima das altas descargas destas forças simbólicas da arte. Assim teve de ser internado - no início do século XX-  como alienado mental. Entrou no cortejo de artistas como Van Gogh, Camile Claudel e, mais recentemente, Francis Bacon sofreu esta mesma compulsão. Além deles existem aqueles que descobriram possuídos destas forças subliminares da arte como Artur Bispo do Rosário sob o cuidados de Nise Silveira
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Parque MARINHA do BRASIL - obra de STOCKINGER (Xico 1919-2009) foto dez. 2010
Fig. 08- Um dos raros monumentos escultóricos com temática da flora. A obra é do artista de origem austríaca e com profunda admiração, vivência da flora brasileira e colecionador de cactus O estrangeiro possui este potencial de ver o diferente -de sua pátria de origem - e torna-se competente para carregar conscientemente o novo reprtório adulto proveniente do potencial da sua pátria de eleição. 

    De outra parte não bastam estas altas tensões e nem os discursos metafísicos “SOBRE a ARTE”. Contra este salto temerário para a METAFISICA – antes de pagar o tributo para o mundo EMPÍRICO da obra de arte - Valéry escrevia, como um artífice da linguagem, que “a linguagem do país das Artes é turvada com toda uma metafísica que se mescla de maneira muito íntima às puras noções da prática”. Uma interação saudável entre o SER e o SEU TEMPO - vivido no mundo empírico – não tolera o atalho, o ruído do ECLETISMO forçado e a racionalização entre o IDEAL e o EMPÍRICO em ARTE. Apesar de Leon Battista Alberti reconhecer que “a recompensa do artista é a fama”, esta fechou o horizonte de muitos artistas que foram abatidos, e imediatamente esquecidos, após o seu nome constar em todos os noticiários de sua época e terem acumulado fortunas.
Valeri registrou que:
Uma noite Degas fazia troça de Forain, que corria, chamado por um timbre imperioso, para atender o telefone. ‘É isso, o telefone?... Tocam um sinete e você acorre...’ Seria fácil generalizar essa expressão sarcástica. ‘É isso a Glória?... Você é citado, e acha que é alguém!...
     O pintor e professor Ado Malagoli foi mais sintético ao ser interrogado se 'um pintor poderia ficar rico'. A sua resposta fulminou muito delírio, capricho e ilusão. Respondeu que “SIM”.mas não deixou de acrescentar o preço desta nova condição: “ELE será apenas MAIS UM RICO”...


                                     FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

ALBERTI, Leon Battista (1404-1472). Da pintura. Campinas: Unicamp, 1992. 161p.

PLATÃO ( 427-347a.C) DIÁLOGOS – (5ª ed.) São Paulo : Nova Cultural, 1991 – (Os pensadores)
------------ Diálogos: a República. 23.ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1996.

VALÉRY, Paul (1871-1945) Introdução ao método de Leonardo da Vinci (Ed. Bilíngüe) São Paulo : Editora 34, 1998 256 p.

                                     FONTES NUMÈRICO DIGITAIS
Artur Bispo do Rosário (1911-1989)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bispo_do_Ros%C3%A1rio

BACON Francis (1909-1992)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Francis_Bacon_%28artista%29

Edgar DEGAS (1834-1917)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Degas
DEGAS e a MANEIRA
http://artemazeh.blogspot.com.br/2014/07/a-maneira-de-degas-ii.html

PLATÃO A República
http://pt.scribd.com/doc/36631268/A-Republica-Platao-Vol-I

RAFAEL SANZIO (1483-1520) Escola de ATENAS
http://fr.wikipedia.org/wiki/L%27%C3%89cole_d%27Ath%C3%A8nes.

SILVEIRA Nise (1905-1999)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nise_da_Silveira
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http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

Círio SIMON

ciriosimon@cpovo.net

www.ciriosimon.pro.br

https://www.facebook.com/cirios2

http://profciriosimon.blogspot.com.br/

http://mathiassimon1829.blogspot.com.br/

http://naofoinogrito.blogspot.com/

http://poder-originario.webnode.com/

http://prof-cirio-simon.webnode.com/

 http://www.youtube.com/watch?v=qdqXEg7ugxA